The Shock

1 Capítulo 1


Após um mais um dia cansativo na delegacia, Helô vai para casa na expectativa de descansar, pois o dia seguinte seria muito mais trabalhoso, afinal, todo aquele tormento chegaria ao fim e finalmente ela derrubaria a máfia de tráfico humano. Quando Helô chegou na porta de seu apartamento percebeu que tinha esquecido a chave, então, teve que tocar a campainha, acordando sua empregada.

- Oi, Donelô! Esqueceu a chave de novo, foi?

- Oi, Creusita! — Helô comprimentou dando um beijo no rosto da empregada. — Deixei em cima da minha mesa, só percebi quando cheguei aqui.

- Ah, Donelô, a senhora tá ficando muito esquecida. Tá trabalhando demais! Jajá endoidece, oxe! — Creusa argumenta.

- Ahh, Creusinha!! Passa um café pra mim, vou tomar um banho!! — A delegada falou se encaminhando ao seu quarto.

- Claro, Donelô, passo sim!! — Na hora em que Creusa estava indo pra cozinha foi interrompida pelo toque do telefone. — Oxente, essa hora da madrugada gente ligando pra cá? — Resmungou antes de atender.

- Alô! — Ela atendeu secamente

- Creusa, aqui é o Barros, a Doutora Heloísa tá por ai? — Barros perguntou nervoso e apressado.

- Donelô tá no banho, quer deixar recado? — Ela pergunta.

- Quando ela sair do banho pede pra ela me ligar imediatamente. — Ele disse atordoado.

- Sim, aviso agora mesmo! — Creusa desligou o telefone e foi até o quarto de Helô. — Donelô, aquele seu amigo Barros, da delegacia, acabou de ligar, disse que é pra senhora acabar aí e ligar pra ele... — Antes dela terminar Helô já saiu enrolada do banho fazendo outra pergunta.

- Ele disse do que se trata? — Helô perguntou já nervosa.

- Não, ele tava meio aperiado, disse que é pra senhora ligar pra ele imediatamente. Oxen, Donelô! A senhora acabou de sair daquela delegacia e já tão lhe perturbando? Ave Maria! — Creusa reclamou

- Pois é, pois é, muito estranho isso, saí de lá tava tudo tranquilo. Pega meu celular dentro da minha bolsa, pega, pega, pega... — Enquanto Creusa pegava o celular, Helô vestia um roupão. — Tome aqui, Donelô! Vou lá fazer seu café! — Creusa saiu do quarto.

- Tá, tá, tá! — Helô respondia enquanto ligava pro amigo. — Alô, alô, Barros. Sou eu! O que aconteceu? — Ela perguntou com pressa.

- Doutora, a gente tá com um problemão, acabaram de sequestrar a neta da Dona Lucimar. — Ele disse chocado com a situação.

- Como isso foi acontecer? Com todo aquele esquema de segurança? — Ela pergunta incrédula.

- Não sei, doutora. Tudo indica que a menina foi sequestrada pelos capangas do Russo. E levada pra Turquia em um jatinho particular. — Ele esclarece.

- O que? — Ela responde sem acreditar. — Tô indo pra delegacia, providência uma passagem pra mim, pra agora mesmo. Tô indo pra lá agora!! — Helô desliga o celular e pega uma mala correndo.

Enquanto a delegada arruma a malas Creusa volta com o café. — Donelô, a senhora vai pra onde essa hora da madrugada? — Ela pergunta sem entender nada.

- Pra Istambul! — Ela responde rápido.

A empregada logo lembra que Stênio está na Turquia e na mesma hora ela acha que Helô está indo pra encontra-ló e tentar reatar o casamento.

- Vai ver Doutor Stênio, é? — Creusa pergunta com um ar de alegria.

- Que ver Doutor Stênio, o quê, tá maluca? Tô indo há trabalho, criatura. — Ela responde não acreditando na pergunta de Creusa.

- Oxen, Donelô, que aperiação é essa? O que aquele Barros queria com a senhora essa hora? — Creusa pergunta curiosa.

- Sequestraram a neta da Lucimar, Creusa. Levaram a bebê pra lá, vamos tentar resgata-lá lá! — Helô explica enquanto termina de arrumar a mala.

- Avê Maria, Donelô! Lucimar deve tá louca! — Creusa fala espantada.

- Aham, aham! Por isso tenho que ir logo. — Helô termina de se vestir e bebe o café de uma vez só. Sai do quarto levando a mala para a sala, pega a bolsa e se despede de Creusa. — Tchau, Creusita!

- Tchau, Donelô, vá com Deus e mande noticias!! — Creusa se despede fechando a porta.

No dia seguinte, Stênio logo cedo ligou para a casa de Helô e soube da viajem não planejada da ex-mulher.

- Mas como assim Creusa, ela veio de madrugada pra Istambul? — Ela perguntar sem entender.

- Sim, Doutor Stênio! Donelô viajou quase o dia já amanhecendo. Sequestraram a neta de Lucimar, Doutor Stênio!

- Sequestraram? — Ele pergunta incrédulo.

- Apois, Donelô saiu daqui aperiada! — Ela termina. — Ligue pra ela, quem sabe nessa viagem vocês não se entendem, né?

- É, quem sabe... — ele resmunga. — Tá certo, Creusinha, vou tentar ligar pra ela. Tchau, beijo! — Ele se despede e desliga o telefone, já tirando o celular do bolso e ligando pra delgada.

- Helozinha, meu amor. Como você resolve vir pra Istambul e não me avisa? — ele pergunta com ar de brincadeira.

- Alô, Stênio! Não avisei, porque não era pra eu vir de madrugada e tem mais, você não tem nada com isso, né, meu querido? — Ela responde friamente.

- Nossa, Helô! Eu só queria saber o que realmente tá acontecendo, liguei pra sua casa a Creusa disse que, sequestraram a neta da Lucimar. Como assim?

- É, Creusa é uma língua grande mêmo, caraca! — Ela reclama e fica no celular com ele e explica o que aconteceu. — É isso, não estou aqui há passeio, estou há trabalho. Então, por favor, não fica me ligando o tempo todo, ok? — Ela pede.

- Tá certo, não vou ligar! — Ele obedece. — Mas olha, toma cuidado por favor!

- Tá, tá, tá. Tchau!

- Tchau! — Ela desliga o celular.