The Shinigami's Love

3 Capítulo 3 - Um acordo digno de morte.


No passado, mudanças foram feitas.Muita coisa mudou e eu pouco percebi, ser ou não a morte nunca teve diferença para mim.

Com o tempo eu fui aprendendo que eu deveria quebrar quaisquer laços que atrapalhariam os humanos de descansar em paz, caso não fossem quebrados, o lugar dessas pessoas era no limbo ou no inferno.

Para me unir aos seres que tornam a vida humana possível (Fate e Ocelot) eu precisava de uma forma física, então retornaram-me o meu corpo de humana...Mas neste corpo eu não poderia enxergá-los.Fate tirou minha visão colorida, tornando meu mundo num paraíso preto e branco para assim vê-los.

Me disseram que eu não era uma pessoa, sequer uma existência,mas sim um fato.Mesmo que eu não faça nada, minha existência em si já providencia que o ciclo da vida e da morte ocorra normalmente sem exceções, ou seja, não importa quem seja, se a hora chegar...Essa pessoa irá morrer.

A morte não é algo que ocorre duas vezes...

Meu cabelo era tão grande naquela época...Me pergunto o que aconteceu. — Murmuro na calada da noite.

Sabe que eu também me pergunto o mesmo? — Quando me viro, vejo Ocelot me saudando.

– Oh....Olá... — Abaixo a cabeça e levanto-a novamente — Descobriu algum modo de me matar?

– Realmente acha que só venho falar com você por causa disso?

– Naquele passado distante, eu propus uma ideia à Ocelot.

FlashBack On.

– Ei...Eu já perdi a conta de quantas vezes tentou me matar...Sequer sei se algumas contam como "formas de matar alguém"

– Não existe um manual de como matar alguém!Mas... Não importa!Vou te matar...

– Isso me cansa..Oh!Eu tive uma ideia.

– O que foi agora? — Ocelot parecia impaciente.

– Vamos ser amigos.

– O-O que!? — Ele se surpreende — Qual seu problema ao fazer amizade com um cara que quer te matar!?

– Gosto de viver perigosamente.

– Eu deveria rir?Por que eu realmente não sei o que fazer.E porque não muda de expressão?

– Não gosto de mudar de expressão, é trabalhoso demais.Mas escute minha proposta.

– Tá, diga logo.

– Vamos ser amigos, nesse período de tempo eu te ajudo a procurar um modo de me matar. — Ele parecia realmente surpreso — Assim eu não preciso me cansar enquanto você tenta me matar, e você não se cansa tentando me matar.E quando achar um método pra me matar você pode fazê-lo sem problema.

– Ora, quem diria que você é boa com negociações, mas é claro que assim podemos ser amigos — Ele passou seu braço pelos meus ombros — Vamos fazer coisas que amigos fazem. — Ele saiu andando e eu acompanhei seu ritmo.

Após 5 minutos nos encaramos e falamos em sincronia:

– O que amigos fazem?

Após isso, rimos por umas boas horas.

FlashBack Off.

Meu sorriso sai involuntáriamente de meus lábios ao me lembrar disso, acho que isso foi felicidade.

– Talvez... — Respondo sua pergunta.

– É ...Você tem razão.Mas hoje venho falar de outra coisa.

– Hum? — Levanto meu rosto.

– Se lembra quando morreu?Sabe quando foi pro limbo pela primeira vez, quando nós nos conhecemos.

– Sei.

– Fate liberou uma folga pra gente...E disse pra "relaxarmos" nessa data, que no caso é hoje.

– Oh... — Me surpreendo — O Fate?Aquele Fate?

– É, aquele.

– Ok...Mas o que fazemos?

– Relaxamos talvez? — Ele me olhava como se fosse perguntar "sério que perguntou isso?".

– Não sei....É suspeito.O Fate deve estar planejando algo...Talvez, algo que nos surpreenda.

– Hum..Ele é bem dessas mesmo.Quer investigar?

– Depois..Faz uns dias que quero dormir.

– Ok, terminou os trabalhos de hoje?

– Obviamente..Se eu não trabalhar...Ninguém morre.Se for possível, eu gostaria de ir "naquela" cabana do campo.

– Ela ainda existe? — Ele disse surpreso.

– É aonde eu normalmente passo as noites...

Realmente, é muito estranho a morte passar a noite numa casa humana.Pois é, eu não pude abandonar meus hábitos de humana depois de todo esse tempo...Eu apenas continuo a ser uma humana que talvez nunca fui de verdade.