The Seven
1 Prólogo
Notas iniciais
É sete da manhã. Após sete espirros incontroláveis, Nat acorda de suas sete longas horas de sono, mas se encontra demasiadamente exausto como se não tivesse dormido nem sete segundos. Porém não há nada mais a se fazer, afinal é hora de ir ao trabalho, e qualquer sonequinha por menor que seja, pode levar a um atraso.
Então Nat se levanta, quando algo na sua mesinha de cabeceira tira sua atenção e o faz perder totalmente a noção do tempo. Ele estende a mão e se dedica a analisar seu novo notebook que estava sobre a mesinha, notebook este que ele comprou a uma semana. Ele simplesmente não queria soltá-lo das mãos. É como se ficar segurando e adorando aquele objeto lhe causasse um prazer estranho.
“Meu lindo notebook! É meu! Só meu!”
Nat, todo orgulhoso, não parava de pensar. Depois pega seu smartphone e um novo ritual começa. A situação só vai se estendendo, posteriormente com seu box completo de Star Wars em bluray, em seguida com sua coleção de vinis e por fim com sua estante de livros e HQ’s. Aquela altura não se sabia se Nat conseguiria chegar a tempo em seu emprego naquele dia, mas uma coisa era certa, ele tinha muito orgulho de todos os seus bens.
Quando Nat se dá conta, percebe que se não sair em sete minutos chegará atrasado no trabalho. O que faz com que ele se desespere e tome o banho mais rápido que uma pessoa pode tomar. Com pressa, Nat veste somente a cueca, e sai de casa levando toda a sua roupa para dentro do carro, na esperança de se vestir enquanto dirige.
Depois que se veste e percebe que a situação não está mais tão crítica e que ele está dentro do tempo, Nat se acalma e começa a pensar em um milhão de coisas. Vem a sua cabeça um turbilhão de pensamentos. Os mesmos pensamentos de todo dia: “Como será hoje o trabalho?”, “O mesmo tédio de sempre?”, “Nada de novo vai acontecer?”, “Se não fosse o Joe e o Just eu certamente já teria pedido demissão.”
Ao mesmo tempo que pensa Nat observa o espaço a seu redor, admira o céu, olha as ruas e avista as pessoas. Ele acaba percebendo uma coisa estranha: um homem que nunca havia visto pelo bairro está sentado em uma parada de ônibus que nunca foi utilizada por ninguém devido a uma lenda local. “Não deve ser daqui” ele pensa. De repente algo ainda mais interessante chama sua atenção, uma frase escrita em um muro: “O homem nasceu livre e por toda a parte vive acorrentado.” Assim diz a frase. Aquilo o leva a outros milhares de pensamentos.
Depois disso Nat enfim se aquieta pelo longo caminho até seu trabalho, de rua em rua os pensamentos vão diminuindo, e agora Nat só pensa que tem que chegar logo a seu trabalho, pois é o certo a se fazer. Ele liga o rádio e está tocando uma de suas músicas preferidas: “Ob-la-di Ob-la-da”, o que faz ele não resistir e cantar incontrolavelmente. Quando de repente...
– ATCHIINNN!!!!!
“Não! Não posso estar resfriado! Não posso!” e assim os pensamentos voltavam.
**********
Nat finalmente chega na rua do escritório onde trabalha, ele estaciona o carro e no banco mais próximo encontra seus dois colegas de trabalho sentados a sua espera – como de costume – para que assim os três possam chegar juntos no escritório que ficava a algumas quadras dali.
– É impressão minha ou você chegou mais cedo hoje? – pergunta Justice, um dos colegas, a Nat.
– Na verdade ele está 3 minutos e 45 segundos adiantado – completa Joey, o outro colega, antes que Nat pudesse responder.
– Então, o que aconteceu é que eu fiquei com medo de atrasar e acabei me adiantando mais ainda – justifica Nat – ATCHIINNN!!!
– Opa, espera aí! Você está resfriado? – pergunta Justice em alerta.
– É. Infelizmente acho que sim. – responde Nat.
– Legal. Mas você devia avisar quando for espirrar de novo pra gente poder se distanciar, afinal um espirro pode chegar até cerca de 15 metros, isso contaminaria a gente em segundos – alerta Joey ajeitando seus óculos.
– Sabe, Joe, as vezes você consegue ser muito chato quando quer – comenta Nat – ATCHIINNN!!!!
– OPA! Ouviu alguma coisa do que acabei de dizer? – Joey alerta novamente.
– TÁ BOM!! Chega de chatice, Joe! – interfere Justice – Mas agora vamos ao trabalho. Se a gente chega cedo hoje podemos agradar o chef e acabar compensando todos os nossos atrasos. Vamos!
– Calma aí – interrompe Joey – Não vamos nem ao menos parar pra comer em algum lugar? Sabia que uma pessoa só consegue trabalhar direito se tiver se alimentado? Ah, fala sério! Qualquer idiota sabe disso.
– Qualquer idiota mesmo, afinal você sabe – Justice critica – Mas qual a finalidade de toda essa lição de moral? Você já comeu hoje.
– Ah, tem gente que precisa de mais né? – responde Joey.
– Tem como vocês irem discutindo isso no caminho do escritório? ATCHIINNN!!! – Nat pergunta ironicamente.
– Na verdade, a gente pode falar de coisa melhor: a Stacey, a nova estagiária, ela é tão bonita. Ela é como o sol do meu mar. A luz do meu luar. Eu preciso dela pra alegrar minhas noites – discursa Justice.
– Ah meu Deus! Não sei quem é mais chato – Nat se pergunta – ATCHIINNN!!!
Eles continuam seu caminho ao trabalho.
Continua nesse mesmo capítulo...
Fale com o autor