The Servants of Souls - Os Servos de Almas
8 Jinguji Ren - Parte 1: Um ilusionista playboy
Notas iniciais
O sol já ia alto, mas nem sinal de Hanako. Os rapazes estavam na sala à espera de que ela saísse, mas já estavam à espera há 2 horas e nada:
– Ok… eu vou entrar…
– Não podes Ren-kun, da última vez que tentaste entrar lá dentro a Hanako-chan ficou mesmo muito zangada. – Tentava avisar Natsuki.
– Sim, mas ela não costuma demorar tanto tempo para acordar.
– Isso é verdade, Ittoki… — Concordaram Shio e Masato ao mesmo tempo.
– Bem, eu não me importo de levar com a frigideira: eu vou entrar! – Declarou Ren.
– E se ela se tiver a vestir, Ren-kun?
– Não faz mal: eu faço este sacrifício à mesma!
– Pervertido.
– Cala-te Tokiya! — Ren aproximou-se da porta com cuidado, abriu-a devagar e espreitou lá para dentro.
– Hana-chan, toca a acordar! Já passaram das 11 da manhã! — Nada, Hanako continuava deitada.
– Hanako-chan…? – Tentou chamar Cecil, por detrás de Ren. Aí, o corpo deitado na cama movimentou-se e sentou-se na cama, a olhar para eles.
Estava com um apeto terrível: o cabelo tinha-se transformado num ninho para pássaros, estava branca que nem a tinta da parede, estava com umas olheiras enormes e estava muito corada nas bochechas.
– Huh? – Murmurou a rapariga.
– H-Hanako-chan, o que é que te aconteceu?
– Natsuki? – Questionava Hanako esforçando-se para ver.
– Estás doente. – Concluiu Masato.
– Não, eu estou-
Hanako não conseguiu terminar a frase, pois tossiu ruidosamente.
– Estás sim. – Insistiu Ren, aproximando-se da rapariga sem medo. Colocou-lhe a mão na testa e verificou que estava a ferver. – Estás cheia de febre. É melhor deitares-te, parece que apanhaste uma grande gripe.
Ren ajudou Hanako a deitar-se calmamente. Ela estava muito frágil e precisava de ajuda urgentemente. Enquanto isso, todos se espantavam com a mudança radical de personalidade do “mágico” Ren: num momento, alguém extrovertido e playboy; noutro, sério e calmo. De repente, Ren virou-se para os outros:
– Ela está com uma temperatura muito alta, é preciso que ela tome medicação.
– Sim, senhor! – Responderam em conjunto e um tanto confusos.
– Ittoki, Masato, Natsuki: preparem alguma coisa para ela comer. Cecil, Tokiya, Shio: vão a uma farmácia – Ren interrompeu-se para escrever num papel algo. Assim que acabou de escrever, estendeu o papel para os rapazes. – Comprar estes medicamentos. Não me importa se são invisíveis, comprem!
– Com certeza, Doutor Ren! – Responderam mais uma vez em coro e, ainda confusos, dirigiram-se para fora do quarto com o objetivo de realizar as suas tarefas.
(…)
Ren media mais uma vez a temperatura de Hanako e analisava: 39.8 graus, ainda muito elevada. Hanako observava-o um pouco sonolenta:
– Estás estranho… — Comentou num tom de voz baixo.
– Nunca me viste tão sério, uh? Até para mim é estranho. – Desabafou Ren, sorrindo meigamente e pousando o termómetro.
– Porquê?
– Eu fui médico na minha outra vida. Acho que é por isso…
– Tu lembras-te da tua vida passada?
– Só me lembro disto. Os servos de almas costumam lembra-se sempre de alguma coisa importante na nossa vida anterior. Acho que isso é uma maneira de mantermos a nossa identidade, de alguma maneira.
– Prefiro ver-te como normalmente és.
– O que é que disseste, Hana-chan? – Esta frase apanhou Ren despercebido. Aquilo fazia recordar-se de alguma coisa da sua vida passada, mas não se conseguia lembrar do quê.
– Assim desta maneira pareces triste. – Concluiu a rapariga de olhos fechados por causa do cansaço acumulado. Ren sorriu mais uma vez.
– Acredita em mim, estou mais feliz do que pareço. – Disse o rapaz enquanto passava a mão pelos cabelos negros da rapariga. – Agora dorme, que precisas de descansar.
O silêncio instaurou-se por meros segundos até Hanako concluir:
– Obrigada, Ren…
– Não tens de quê… Hanako-chan…
E Hanako adormeceu.
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