The Servants of Souls - Os Servos de Almas
6 Ichinose Tokiya - Parte 1: Um criado sóbrio
Notas iniciais
Era uma bela manhã e Hanako estava a preparar o pequeno-almoço: hoje ela estava feliz, incrivelmente feliz...
– Estás bastante feliz hoje. — Hanako virou-se para trás, Pensava que estava sozinha. Era Tokiya, um suposto criado, ou mordomo, ou outra coisa qualquer, que estava sentado no sofá. — A propósito Hanako-san: Será que posso ler um destes livros que tens na estante?
– À vontade. E não estou assim tão feliz...
– Ai não? — Disse ele, enquanto procurava um livro na dita estante de madeira.
– Bem, nota-se muito? — Perguntou-lhe a rapariga ligeiramente corada. Ele olhou fixamente para ela e corou um pouco. A seguir sentou-se no sofá e abriu o livro "Romeu e Julieta". — Mais ou menos...
– Olá Hanaaaaakooo-chaaaan!!!!
– N-Natsuki! Para! Chega de abraços!
– Oh, parece que a nossa querida Hana-chan está levemente corada: Pareces uma boneca de porcelana, sabias?
– Não, não Ren! Não é “Hana-chan”, é “Hanako-chan”! — Tentava ralhar Natsuki.
– Pareces uma bo-ne-ca! — Cantarolava Cecil, um bailarino vestido em tons de verde. O pequeno-almoço até que foi divertido: Natsuki e Ren ainda discutiam qual era o melhor nome para Hanako, Cecil fazia com que a dita rapariga mais corada ficasse, Shio (o gato) e Ittoki* (um cowboy ruivo) estavam a comparar as panquecas do pequeno-almoço para ver qual delas era a mais saborosa, o príncipe Masato observava tudo com um ar divertido e Tokiya estava a comer o seu pequeno-almoço: sempre calmo, sempre sóbrio…
Depois da confusão matinal, Hanako decidiu limpar a casa:
– O quê?! Mas nós queríamos divertimo-nos contigo!
– Agora não, Ittoki: Tenho muita coisa para fazer.
– Oh, a nossa Hana-chan está a tentar pregar-nos uma partida…
– Não, Ren, não estou.
– Não é “Hana-chan”, é “Hanako-chan”!
– Natsuki, já chega dessa birra. – Disse Ren.
– Eu não estou a fazer birra, mas não podes simplesmente chamar “Hana-chan” à Hanako-chan quando esse não é o seu nome!
– Tu também fazias isso…
– Mas já não faço.
– E qual é a diferença: é só uma forma de expressar carinho, e ela sabe disso. Não é, Hana-chan? – Ren estava confiante e colocou o braço à volta do pescoço de Hanako, mas a rapariga não estava para brincadeiras e acertou-lhe (de novo) com a frigideira.
– Aiii! A minha cabeçaaa! – E caiu.
– Outra vez… — Suspirava Tokiya.
A seguir, todos decidiram ajudar Hanako a limpar o seu apartamento: Masato e Cecil ficaram de limpar a sala de estar, a Natsuki e Shio calhou-lhes a cozinha e sala de jantar, Tokiya e Hanako iriam se encarregar do quarto e Ren e Ittoki (que já não queria ir para a cozinha por causa da sua “frigideirofobia”) ficou com a casa de banho.
No quarto, Hanako limpava o chão, enquanto Tokiya encarregava-se de uma pequena estante de madeira e com aspeto antigo:
– Hanako-san, o que é isto?
– I-I-Isso é um álbum de f-fotografias. N-Não abras!
– Estás a corar. Pareces um tomate.
– Não interessa: fecha isso! – Mas Tokiya abriu e passou as páginas. — Pensava que os criados acatavam ordens. Devolve-me isso! Não vejas! – Mas o rapaz de cabelos arroxeados parecia não ouvi-la e apenas focar a sua atenção no dito álbum.
– Esta criança nas fotografias… és tu? Com os teus pais?
– S-Sim… — Hanako baixou a cabeça. – Eu encontrei isso hoje, debaixo da minha cama.
– Era por isso que estavas tão feliz? – Hanako assentiu com a cabeça. – Então porque é que não disseste nada?
– Porque é que havia de dizer: eu não sou propriamente muita aberta. Normalmente, não me abro com outras pessoas… além disso, vocês de certeza que não me quereriam ouvir e-
– Hanako-san, — Tokiya aproximou-se da rapariga, colocando-lhe a mão no ombro. – Nós somos teus amigos: podes sempre contar connosco; estamos aqui para te escutar, está bem?
Hanako olhou fixamente para o sorriso meio tímido e escondido de Tokiya, corou um pouco e sorriu-lhe muito levemente:
– Está bem… Muito obrigada, Tokiya-san. – Tokiya corou também, mas rapidamente voltou-se novamente para a estante.
– Ficas mais bonita a sorrir, sabias?
Fale com o autor