The Senser
6 Princesa & Torre
Princesa & Torre
A primeira vez que a vi, foi no campo verde de colinas...
Enquanto cavalgava suavemente com o vento,
E colhia flores coloridas que nasciam livres.
A princesa jazia como pintura na janela,
No último andar da torre de pedras.
Lembro-me de perguntar se era um quadro,
Tamanha sua beleza etérea.
Porém, a ideia de uma obra de arte se esvaía,
Pois ela varria e escovava seu longo cabelo negro.
Lembro-me de dizer que não era arte, era poesia...
Crua e sensata como uma nobre elevada,
A uma corte vazia.
Nenhum reles mortal a alcançaria,
Já que lá, no último degrau, seu sereno rosto adormecia.
Eu era vassalo, ela filha de meu suserano...
Que em contrato jurei protege-lo,
Do maior e pior de seu âmago.
Mas era difícil para mim,
Pois toda vez eu a via naquela janela...
Ora penteando os longos cabelos de Rapunzel,
Ou indagando algo ao espelho como a Rainha Má.
Relevem-me!
Era difícil só olha-la, complicado só admira-la...
Quando o que mais queria era toca-la,
Em sua pele branca como neve,
Seus cabelos negros como a noite mais perturbadora,
E terrivelmente bela, em suas tempestades e garoa.
Se eu cantasse-a a capela,
Será que ela me olharia da janela?
Passei noites em claro imaginando nossos encontros...
Enquanto minha esposa ao lado delimitava cada tom romântico,
Com roncos.
Todavia, isso não me impedia de sonhar...
Em escalar aquela torre e chegar ao último andar,
Dando um beijo naquela princesa de fábulas,
Com a lua e estrelas nos observando como álibis daquele encontro,
Que encerraria em ponto meu juramento.
Mas eu juro a ela, doce princesa da janela...
Amor de verdade, vida em outra realidade, liberdade.
Era tarde da noite, quando a visitei...
Encolhi-me sem jeito, mas a harpa toquei.
E cantei e cantei.
E a serena princesa da janela me ouviu,
Com seus graciosos lábios, sorriu.
Eu a lacei com meu encanto de harpa,
E ela me acompanhou como fugitiva nata.
O céu e as estrelas agora contavam como nosso conto começava...
Dois fugitivos, inaugurando uma batalha certa,
Onde não pela primeira vez o amor
Acabaria em guerra.
~Gabriel.
Fale com o autor