The Senser
21 Posfácio da Madrugada
Posfácio da Madrugada
O sentimento chega, entorpecendo um desejo oculto...
Em cada superfície íntima do meu ser.
Se devo parar ou prosseguir é a dúvida,
Deixe-a em seu inferno congelado perecer.
A madrugada é mais longa que o dia...
Impassível com suas serenas brisas frias.
Evocando passados, lembrando fotografias;
As mais belas que um dia recordaria...
Apresentam-se numa noite, aonde a lua vai?
Esqueça minhas torpes preocupações,
Quando o que mais deve me aclamar é a indagação.
Não desperdice palavras descrevendo nostalgias,
Lembre-se que elas dificilmente trarão as alegrias
De outrora.
Oh, como eu almejo ver o despertar da aurora.
Nascer é tão bonito quanto morrer...
Há filosofia em cada linha dura,
Viva vidas cruas e nuas.
Liberte-se dos pecados que te consomem,
Em cada madrugada acordado.
Não se preocupe em dar nó aos sapatos,
O sentido se esvairá se sequer conseguir calça-los.
Erga a cabeça baixa no travesseiro,
E se quiser, grite e tente afastar cada terrível pesadelo...
Ou devaneio, se melhor atribuir.
Encaixe o certo e o correto nesse quebra-cabeça...
Ou quebre a cabeça tentando anexa-los.
Ora, as noites me consomem...
Mais que fábulas de mil e uma amantes.
Seria tolice rezar para o dia acabar,
Quando as noites tendem a durar?
Eis sórdida falácia lunar...
Mude o ciclo, seja minguante;
Ou esteja cheia de mim, doce amarelo brilhante;
Talvez acrescente sua crescente desconfiança por mim;
E mostre-se nova como concubina lancinante
E errante.
Eu a odeio em todas tuas faces,
Ignóbil ser de natureza orbitante.
Devo dizer com propriedade,
Esqueci-me das palavras que gostaria de recitar.
Provável mal da idade, é verdade...
Sou jovem perante minha própria ingenuidade.
Tentando encontrar erros em minhas curtas passagens;
Bem, se errei, o fiz por bem da idade.
Narrei mais confusões que acontecimentos...
Escrevi sobre lua, memórias e lamentos.
Quando o que eu verdadeiramente deveria dizer era...
Sobre a madrugada dos sentimentos.
~Gabriel.
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