The Selection - The Future
6 Capítulo VI
Notas iniciais

Depois que Anne disse que alguém devia acabar com os rebeldes, tive uma ideia que poderia mudar tudo para melhor. Iria acabar com todo esse incomodo que todos do palácio sentiam sem ter que dar o que os rebeldes queriam, que era soltar os prisioneiros que roubavam coisas antes do cancelamento das castas.
Mas quem garante que isso não seria mais um de seus planos? Eles podiam muito bem atacar o palácio com muito mais rebeldes. E quando contei minha ideia a todos, acharam loucura, no entanto, aceitaram porque sabiam que era a única alternativa.
''Minha mãe e meus irmãos terão de ficar em algum hotel neste período, certo?'' perguntei.
''Claro, Meri. Eles vão ficar bem lá.'' respondeu Maxon.
''Estou tão preocupada com eles, quer dizer, estão acontecendo tantas coisas.'' bufei.
Realmente estavam acontecendo muitas coisas no palácio. Rebeldes, sequestramento, fogo... Nem mesmo nossos soldados estavam dando conta. Entravam e saiam rebeldes quando bem quisessem. Eu não via a hora do meu plano entrar em ação.
''Fique tranquila. Tudo vai acabar com esta sua ideia. Tinha que ser sua, né?'' ele riu.
Maxon estava certo. No Jornal Oficial de Illéa, minhas respostas e apresentações eram sempre as únicas que alfinetavam o rei Clarkson. O que ele pensaria de mim agora se soubesse da minha ideia? Certamente tentaria me matar.
Estávamos eu e Maxon em nosso quarto. Ele estava lendo um livro em sua mesa e eu estava escorada na cabeceira da cama observando sua nuca. Queria que ele vinhesse ficar comigo, então engatinhei a cama toda e desci com cuidado. Eu já estava em frente a cadeira onde ele estava sentado, ainda assim, Maxon não percebeu meus poucos passos. Me aproximei de seu ouvido.
''Vá para a cama.'' sussurrei. Ele levantou a cabeça e esperou eu dizer mais alguma coisa. ''E isso é uma ordem.''
Ele se levantou da cadeira com rapidez e puxou minha cintura para mais perto de seu corpo. Seus olhos miravam nos meus e na minha boca, assim sucessivamente até ele me beijar. Maxon me pegou no colo como da última vez quando nos casamos. Ele me deitou na cama e começou a beijar minha boca até meu pescoço. Foi ai que começamos a tirar as roupas. Rezei para que ninguém batesse na porta desta vez. Fomos tirando as roupas, mas nossas bocas não desgrudavam.
E aconteceu de novo. Porém, para mim, foi bem melhor do que a outra vez. Não sei explicar o porquê. Acho que na lua de mel eu estava mais nervosa, assim como Maxon também estava. Agora, nós estávamos mais cientes do que estavamos fazendo. Foi maravilhoso.
Depois de algumas horas que passaram muito rápido, nós dois dormimos. Não sei dizer sobre Maxon, mas eu tinha ficado cansada. Entretanto, se ele dormiu também, acho que também estava muito cansado.
...
Tive um sonho muito esquisito assim que adormeci. Eu estava em uma praia enorme, embora eu estivesse sozinha lá. As ondas do mar estavam calmas, e o barulho delas batendo nas rochas era relaxante. Ao meu lado havia uma garrafa de vinho, mas só a garrafa. Eu estava vestindo um biquiní preto e por cima estava usando um vestido curto e leve transparente.
Por que eu estava ali, afinal? Com medo, me levantei para procurar alguém. Sem sucesso. Mas descobri que onde eu estava, não era uma praia e sim uma ilha. Atrás havia grandes árvores e matagais.
Peguei a garrafa de vinho e mantive ela comigo. Por algum motivo, eu precisaria dela. Caminhei pela ilha para ver se encontrava algo ou talvez alguém. No meio dos matagais, encontrei alguns animais como macacos pulando de galho em galho, alguns coelhos correndo para suas tocas e nada de leões ou tigres, graças ao céus.
''Olá senhorita America.'' ouvi essa voz logo atrás de mim. Eu não consegui identifica-la. Então me virei e tive uma grande surpresa.
''Rei Clarkson?'' fiquei espantada.
Ele estava diferente. Não vestia mais ternos, naquele momento, ele estava com uma espécie de vestido grego¹, mas parecia mais com alguns lençóis. Ele estava descalço, seus pés estavam sujos parecendo carvões. O cabelo estava pior ainda, fios para cima e para baixo, para o lado e para o outro.
''Não mais. Agora só chame de Clarkson. Como vai?'' perguntou enquanto se sentava em uma rocha.
''Eu vou muito bem.'' respondi.
''Claro que vai. Agora, você é a rainha!'' ele riu. Eu não estava rindo, e olhei para ele desconfiada. ''Desculpe. Bem, suponho que esteja se perguntando o motivo de eu estar aqui em seu sonho.'' assenti com a cabeça. ''America, eu faleci sem ao menos pedir perdão a senhorita.''
Meu coração pulsou como sempre fazia quando algo estava para acontecer. Não tive vontade de sair do sonho, por mais que estivesse parecendo assustador. Queria saber o que Clarkson queria me dizer, provavelmente fazer as pazes, para que eu não pensasse mais nele como um carrasco.
''O tempo todo, você America, só queria ajudar as pessoas que passavam necessidade. Eu não conseguia enxergar isso, pois vivia no maior dos luxos. Me culpo tanto por isso!'' ele continuou. ''O cancelamento das castas foi um sucesso, meus parabéns, agora ninguém precisa se sentir inferior a ninguém. São livres!'' Clarkson nesse instante, começou a chorar. Me sentei em uma outra rocha perto da sua onde estava sentado.
''Obrigada, Clarkson.'' agradeci, tímida. ''Fico feliz em saber que você está gostando do meu reinado. Só quero mesmo ajudar a todos e principalmente deixar Maxon feliz.''
''Isso é ótimo.'' ele sorriu. ''Apropósito, diga a Maxon que eu o amo. E sua mãe também. Ele está fazendo um ótimo trabalho.''
''Ele vai ficar muito feliz em saber disso.''
''Sabe... Você me lembra muito a Amberly. Ela era desse jeito e eu, idiota, a mudei um pouco. Ah, quero que saiba de uma última coisa.'' ele pausou suas palavras para se concentrar em não chorar mais. ''Está sua nova ideia vai dar certo. Tenho fé nisso.''
''É o que eu espero, Clarkson.'' sorri.
''Pedi a Deus está conversa para me desculpar. Deixar as coisas entre nós em paz. Funcionou?'' eu assenti, e ele estendeu os braços para me abraçar. America Singer e Clarkson se abraçando. Nem que tenha sido em um sonho, para mim, foi real.
''Vamos abrir este vinho e brindar?'' perguntou.
Eu sabia. O vinho iria brindar a nossa nova amizade. Mesmo estando em mundos diferentes, seríamos amigos de qualquer forma. Abri a garrafa, mas não tinha copos. Olhei para Clarkson e ele estava com duas taças nas mãos. Entreguei a garrafa para ele nos servir. Em seguida, entregou minha taça e nós brindamos.
''A minha nora!'' ele disse.
''A meu sogro!'' eu disse também. Tomei o primeiro gole.
Depois de bebermos, Clarkson apontou o dedo para atrás do meu ombro e disse Amberly! Isso fez com que eu virasse meu corpo com tudo só para ver o rosto da rainha Amberly novamente. Por um segundo, a alegria me contagiou. Mas ela não estava lá. Tentei entender, e voltei meus olhos para Clarkson que tinha desaparecido. Então era isso.
...
Acordei e dei de cara com o teto. Eu nunca dormi de cabeça e corpo para cima, era estranho. Coloquei a mão do outro lado cama e senti a barriga de Maxon. Nós ainda estávamos nus. Logo em seguida, duas batidas na porta. Quem será agora?, pensei. Ah meu Deus, Georgia e August!, arregalei meus olhos.
''Maxon!'' sussurrei. ''Já vai!'' gritei para quem estivesse batendo na porta.
''Meri, pare de gritar...'' sua voz estava sonolenta.
''Georgia e August, esqueceu?''
Ele abriu os olhos no mesmo instante e se levantou colocando as roupas. Me cobri com o lençol e fui para o banheiro. O meu novo vestido estava no cabide dentro de lá. Nem o vi direito e coloquei-o com pressa. Escovei o cabelo e marquei o meu côncavo com sombra marrom. Passei lápis de olho na linha d'água e apliquei rímel.
O vestido era azul escuro com ombreiras cheia de pedras azuis claras. Ele tinha vários babados e era muito rodado, eu amava vestidos assim. Peguei as luvas e coloquei-as também, os sapatos eram brancos de salto fino.
Quando sai do banheiro, Maxon estava prestes abrir a porta. Era Aspen.
''Georgia e August estão esperando faz meia-hora. Bati na porta com força, mas ninguém escutou ou respondeu.'' ele disse para Maxon.
''Estamos descendo. Pronta, America?'' assenti.
Chegamos no salão principal, Georgia e August estavam sentados no enorme sofá. Chamei o nome de Georgia e os dois perceberam que finalmente estávamos ali. Ela se levantou com um sorriso enorme no rosto e me abraçou.
''Aspen nos contou o que houve aqui. Sentimos muito.'' lamentou.
''Que bom que ele contou, assim nos adianta mais ainda. Maxon e eu queremos a ajuda de vocês.'' disse olhando para ela e para August.
Contei a ela sobre a minha ideia, e eles escutaram atentamente. Pude ver em seus olhos o espanto, mesmo assim, eles aceitaram ajudar. Disseram que era arriscado, mas a única opção. Como eu havia pensado.
Eles também deram uma ideia de que devíamos anunciar isso no Jornal Oficial de Illéa. Assim iriamos avisar o povo e também os rebeldes. Mas antes disso, teríamos que estar armados. Então fomos eu, Maxon, Aspen e o soldado Avery para o depósito confiável de August. Lá eles tinham várias armas que nem no palácio haviam tantas, coletes a prova de bala, bombas, espadas e várias outras coisas. Levamos boa parte daquilo tudo para o palácio e guardamos em um lugar secreto.
Quando voltamos para o palácio, perguntei para Georgia e August se eles iriam ficar aqui no dia, e se iriam nos ajudar não só doando as armas, como nos ajudando a combater.
''Claro. Estaremos aqui e chamaremos mais amigos rebeldes nortistas. Eles ficaram muito felizes com o cancelamento das castas e vão adorar ajudar.'' respondeu August.
Mais tarde, no Jornal Oficial de Illéa, Gavril iniciou o programa falando de todos os acontecimentos que houveram no palácio. Desde as tragédias, até os momentos que estou passando aqui junto de Maxon e de minha família.
''Agora, iremos falar com Maxon, que tem um novo anúncio.'' anunciou Gavril.
''Boa noite, povo de Illéa.'' saudou. ''Gavril já contou dos últimos acontecimentos que houveram no palácio, e isso já adianta o que eu tenho a dizer-lhes. Bem, nós, America, eu e alguns amigos, decidimos que iremos criar uma guerra contra os rebeldes sulistas. Não se preocupem, nós prometemos acabar com eles. Permaneçam em casa nos próximos dias. É arriscado, eu sei, mas é a única maneira de proteger não só minha família, como vocês.'' terminou.
Todos no palácio, a maioria que já sabia do anúncio, aplaudiram. Fiquei muito orgulhosa e preparada para o que viesse pela frente. Era um por todos e todos por um. Uma união que estará ali para proteger sua família e amigos. Eu estava lá, e tinha orgulho disso.
Já era tarde quando Maxon e eu estávamos deitados em nossa cama olhando para o teto, quando me lembrei do meu sonho. Eu tinha esquecido de contar a Maxon, mas achei o momento silencioso e ao mesmo tempo bom para contar.
''Sonhei com seu pai.'' respirei fundo. Eu ainda estava olhando para cima, mas Maxon virou a cabeça em minha direção. ''Ele disse que estava ali em meu sonho para pedir desculpas, disse que estava orgulhoso de nós dois, que ama você. E sua mãe também. Ah, ele falou que tem fé em nosso plano.''
''Isso é maravilhoso e ao mesmo tempo esquisito.'' disse. ''Ah Meri, tenho saudade deles...'' respirou fundo. ''Mas que bom que vocês finalmente fizeram as pazes.''
''Também acho.''
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