The Secrets
1 Prólogo
Notas iniciais
Tenham uma boa leitura!
"Essas feridas parecem não cicatrizar
Essa dor é tão real
Existem muitas coisas que o tempo não pode apagar." Evanescence
Após vários dias de compras o dinheiro finalmente está chegando ao fim.
- Vamos naquela loja ali? — Anastasya disse me puxando.
- Vamos né.
Nos dirigimos para a loja, a melhor que eu já havia visto. Anastasya percorre-a pegando quase todos os tipos de roupas, e eu analiso algumas ao meu lado... Me distraio tanto que quando vou a uma janela grande próxima a mim e olho para o céu, vejo-o escuro e cheio de estrelas, a lua brilha de forma intensa. O tempo passou tão rápido, que começo a me preocupar em como iremos embora. Olho superficialmente a loja para ver onde está a Anastasya, logo a encontro pelo tamanho da pilha de roupas em seu ombro. Chego perto dela e pergunto:
- Quantas horas?
- 23:30 — ela responde sem tirar os olhos de um vestido longo que eu também gostei.
- Nossa, está muito tarde! — tiro as roupas de seu ombro e ela faz uma careta de reprovação, não me importo. — Vamos para o ponto de ônibus. — ela assente com a cabeça, mesmo querendo continuar aqui.
Saímos da loja e caminhamos rapidamente; observo os estabelecimentos abertos, são na maioria bares. Quase todos na rua são homens e nos olham como se fossem arrancar um pedaço de nós, o que tras à tona o sentimento de angústia presente em todas as noites que tenho que ir embora sozinha ou acompanhada somente de uma mulher, sei que deveria esquecer a tragédia que aconteceu com minha prima que foi estuprada, porém não consigo, as lembranças sempre me perturbam, despertando medo e aflição. Não deveríamos estar a está hora na rua e sim em casa, seguras. Entretanto Anastasya não senti o mesmo que eu, o que nessa situação é até confortante, faz me pensar que não há riscos, o que é mentira pois existem riscos sim.
É andando apressadamente que vejo cinco homens e imediatamente reconheço-os, lembro-me deles em outros locais, sempre próximos e percebo que a sensação de que alguém estava me seguindo nos últimos dias não era falsa; de repente tudo faz sentido e as palavras amedrontadoras invadem minha cabeça: Eles estão nos seguindo!
O pânico começa a me dominar e lágrimas que não consigo controlar começam a cair de meus olhos. Me aproximo mais de Anastasya e sussurro em seu ouvido:
- NÃO OLHA! Tem uns caras nos seguindo. — ao pronunciar a frase me apavoro mais pouco. Admito que seja até meio ridículo acusa-lós que estejam nos seguindo, ainda assim jamais senti algo desse tipo e sei que não estou errada, minha intuição não está me enganando dessa.
- Você está enlouquecendo Lara. Pare de falar besteira e simplesmente ande! — resmungou.
Como não deu certo falar com ela, comecei a procurar pessoas pela qual poderíamos acompanhar, contudo as poucas que se encontram aqui me dão mais medo ainda.
Me atrevo a olhar novamente para trás, não os vejo, talvez eu tivesse me equivocado e eles não estivessem nos perseguindo; minha intuição deve ter errado dessa vez, pelo menos é isso que eu espero. A ideia de ser perseguida começa a passar de assustadora para um pouco engraçada, mas, ao mesmo tempo sei que sentir medo não tem nada de graça. Julgar alguém é uma das coisas mais fáceis do mundo, as pessoas costumam me julgar muitas vezes, às vezes eu perco festas por não querer voltar a noite sozinha, não é um simples medo é algo que cutuca minha mente sempre, lembrando-me, alertando-me, uma cicatriz douradora se fixou em mim, é alguma coisa que trabalha incrivelmente bem que não me deixa superar, minha prima ter sido estuprada me marcou e me machucou profundamente, era tão próxima dela, que agarrei esse drama junto dela.
Chegamos ao ponto, está deserto. Sentamos no banco, abaixo minha cabeça; uma mistura de sensações invade-me e se transforma em uma cachoeira que saí de meus olhos, Anastasya se vira para mim e questiona:
- O que foi Lara?
- A sua amiga esta passando mal? — uma voz masculina e sensual invade meus ouvidos, olho para cima e vejo que são eles, só neste momento percebi como eles são lindos. Balanço a cabeça (inutilmente) para apagar o pensamento anterior. Foco Lara, foco. Repito em minha mente.
- Quem está passando mal aqui sou eu! — Ana diz, quase babando. Como ela pode ser tão atirada e tranquila numa situação como esta. Olho para todos os lados caçando um lugar para fugir, caso necessite.
O que havia falado começa a rir.
- É sério! — ela confirma, com muita cara de pau.
Ele sorri ainda mais e comenta:
- Não é hora de garotas como vocês estarem na rua. — isso é exatamente o que eu acho. — Vocês não querem uma carona?
- Claro, seria um prazer! — a louca da Anastasya responde. Onde é que ela está com a cabeça?!
- Na verdade, — digo rapidamente — nosso ônibus deve passar daqui a pouco. — falo isso querendo dizer o contrário, por mais que haja o temor, há também uma espécie de sedução deles sobre mim, algo envolvente e atrativo, suas presenças mesmo me trazendo um pouco de pavor, trazem também segurança, só as sensações que produzem sobre mim parecem dizer que eles não farão mal. Que coisa mais esquisita!
- Ah garota, é apenas uma carona! — outro homem acrescentou.
- Lara..., não vai ser legal a gente entrar num ônibus com esse bando de compras. — Ana quase implorou.
- Não sei não Anastasya, não gosto nem um pouco da ideia de pegar carona com desconhecidos.
Novamente olho para eles, não parecem ameaças, seus olhos trazem paz e segurança. A atração é tão grande que no momento que vejo mais seis homens com roupas amarrotadas, juntamente com o ônibus chegando, percebo que eles também vão pega-lo e quando eles compreendem que nós também iremos, sorriem e conversam entre si de forma que me arrepia toda, decido aceitar a carona.
- Bom, vocês insistiram tanto, que eu aceito a carona. — digo timidamente.
- Ótimo! — Ana diz radiante.
- Ok! Vamos, nosso carro esta para lá. — um deles de olhos verdes falou, apontando para a esquerda.
Anastasya e eu, os seguimos, eu ando calmamente observando o local pelo qual passamos para memoriza-lo, caso precise; enquanto isso Ana admirava os corpos dos rapazes a nossa frente, o que tenho que admitir são incrivelmente lindos.
- Vai demorar chegarmos ao carro? — pergunto.
- Não, nós já chegamos. É aquele ali. — o que aparenta ser o mais velho, indica para um carro.
- Esse atrás do "carrão"? — pergunta Ana.
- Não. É o "carrão"!
Notas finais
Bjs!
Fale com o autor