The Secret Weapon
5 Escape
Acordei com o mesmo Urgal de antes entrando na tenda com uma corda e comida. Comi enquanto ele recitava algum verso em sua própria língua.
– Por que me pegaram? – Ele me olhou, pensando se devia me falar ou não. – Acho que eu tenho que saber, não?
– O rei ordenou que te capturassem, tem uma recompensa. – Suspirei. Eles não me mataram ainda porque o próprio rei me mataria. Mas ele continuou a falar. – Mas estamos te escondendo conosco.
– Por quê? – Aquilo me pegou desprevenida.
– Os Urgals estão sendo usados por Galbatorix de uma forma horrível. Isso é uma afronta de ao menos uma parte deles.
– Por quê ele quer me capturar?
– Para conseguir informações dos rebeldes que navegam além da floresta dos elfos. – Ele me queria para saber sobre minha mãe. Ao mesmo tempo que me aliviou, me deixou apreensiva por minha mãe.
– Aonde estão minhas coisas?
– Com nosso líder. – Concordei. – E seu cavalo também.
– Vão ficar acampados aqui? – Ele negou com a cabeça e indicou a corda, mas não entendi o que ele quis dizer.
Acabei de comer e me levantei como ele mandou. Então eu entendi porque ele indicou a corda. Ele apertou o nó ao redor do meu pescoço e checou o nó dos pulsos. Só deixou meus pés livres porque eu andaria com eles.
– Eu não vou conseguir acompanhar vocês.
– Vamos caminhar devagar. – Ele pegou a ponta da corda que ficou solta e deu uma volta com ela na mão.
Mal tinha amanhecido e eu já estava caminhando com o grupo, ou sendo puxada por um deles,pra melhor dizer. Os outros Urgals iam mais a frente, mas não rápido o suficiente para sumir da nossa vista.
– Por que vocês simplesmente não me deixam ir e fingem que nunca me viram?
– Porque o rei te acharia.
– Mas eu teria a chance de fugir para um lugar seguro.
– Não existe lugar seguro na Alagësia. – Ele não respondeu mais nada depois disso. Continuamos caminhando por mais um tempo até que eu comecei a cambalear por causa da dor nos pés.
Me sentei recostada numa árvore e fiquei olhando os Urgals conversando entre si. Em alguns momentos me assustava com as risadas grotescas.
Minhas costas começaram a ficar doloridas, então me levantei e fui olhar em volta. Não que eu esperasse encontrar algo além de árvores, mas eu não gostava de ficar sentada sem fazer nada.
Mas eu me surpreendi, como vinha acontecendo nas últimas horas. Não tive que andar muito e não fiquei muito longe dos Urgals. Eu estava em uma elevação, um morro e, não muito abaixo tinha um vilarejo.
Eu não sabia que vilarejo era aquele, mas me parecia agradável. E, muito provavelmente, minha única rota de fuga. Aquilo me animou.
Se eu conseguisse manter os Urgals naquele local, ou perto dali, eu poderia escapar para o vilarejo e dali voltar para meu caminho inicial.
Meu maior problema seria recuperar minhas coisas e meu cavalo. Mas eu daria um jeito nisso. Eu só precisava segurar os Urgals ali.
Por mais que eu tentasse, os Urgals insistiram em partir logo. Caminhei num passo mais lento, como se estivesse cansada. Eles não puderam fazer nada a não ser diminuir o ritmo.
Não andamos muito depois disso. Paramos antes do cair da noite e eles montaram o próprio acampamento. O Urgal que tomava contava de mim soltou a corda e me deixou sozinha por um tempo. Não totalmente sozinha, mas foi o suficiente.
Os outros se juntaram ao redor de uma fogueira. Aquele era o momento. Eu teria que correr muito, então tinha que descobrir aonde estava Thunderbolt.
Seria uma jogada arriscada, mas eu era a única opção que eu tinha. Respirei fundo e escureci a luzinha da minha mente, a um tom de preto quase nulo. E então avancei na direção de sua mente.
Ele não percebeu o contato, mesmo me olhando diretamente. Sua mente era como um campo aberto com uma muralha no meio. Como ele não percebeu o contato, não foi difícil ultrapassar suas defesas.
Passei sem dar atenção a pequenos detalhes, memórias dele. A informação que procurava logo apareceu. Minhas espadas estavam na tenda como eu imaginara, todas as minhas coisas estavam. E Thunderbolt ficara mais atrás, na direção do vilarejo.
Consegui uma localização exata da campina aonde o cavalo negro estava. Me retirei da mente do chefe antes de voltar a iluminar minha mente de verde, representando minha esperança.
Me levantei sem fazer barulho, o Urgal ainda me olhava. Eu precisava distraí-lo se quisesse sair dali. Só não conseguia pensar como. Só uma ideia me ocorreu.
– Ei. – O Urgal me olhou impassível, passando a mão em no chifre inteiro. – Eu posso ao menos recuperar minha espada enquanto estamos acampados?
– Pra quê?
– Pra treinar. A verdade é que eu nunca aprendi a lutar, ao menos não com espadas. – Ele me olhou com uma expressão estranha, mas acho que era de divertimento.
– Tudo bem, mas deve me entregá-las quando formos jantar. – Concordei com a cabeça e o acompanhei até a grande tenda. Os outros olhavam uma vez ou outra, mas nada fizeram.
Ele entrou na tenda e saiu em pouco tempo, carregando as duas espadas com cuidado. Ele me entregou as duas e me guiou até uma clareira ali perto. Eu estava perto de Thunderbolt agora.
– Qual seu nome? – Eu tinha me acostumado a empunhar as espadas e já conseguia usá-las de uma forma razoável, mas ainda não poderia vencer uma luta sequer.
– Teerag.
Continuei atacando o tronco na minha frente, imaginando um inimigo. Já conseguia sentir o cheiro da comida vindo do acampamento.
– Eu não acho que você saiba alguma coisa que possa me ajudar, sabe,Teerag?
– Você tem que se mexer mais.
– Como assim?
– O tronco fica parado, seu oponente não.
– Me ajuda? – Ele se levantou com um suspiro pesado e pegou um galho qualquer. Parecia um galho frágil, mas eu sabia que sofreria se ele me acertasse com toda sua força.
Ele investiu de leve. Me desviei e ataquei com uma das espadas. Era um movimento arriscado para alguém que estava tendo contato com uma arma pela primeira vez, mas as espadas pareciam uma extensão dos meus braços, não armas avulsas.
Me sentia mal por fazer aquilo, porque eu fiquei próxima dele de certa forma. Mas se eu não o fizesse ia ser a prisioneira deles até que se cansassem de mim ou o rei me encontrasse.
Esperei ele atacar de novo, mas dessa vez, quando me desviei do galho, tropecei propositalmente em um cascalho. Eu cai com um dos joelhos sobre uma pedrinha pontiaguda e as mãos sobre os punhos das espadas, o que machucou um pouco.
Não me importei muito com a dor, já levei tombos e pancadas piores no The Sender. Ele ia me ajudar a levantar, mas peguei as espadas e finquei a verde na coxa dele.
Ele não berrou, só fez uma careta de dor. Ele parecia querer me ajudar a fugir, e talvez não gritou exatamente para isso. Me levantei e corri olhando para trás ocasionalmente. Ele tentava estancar o corte da coxa.
Assoviei quando comecei a me aproximar do lugar em que Thunderbolt estava. Ele relinchou em resposta, mas não veio ao meu encontro. Cheguei a outra clareira, ele estava amarrado numa árvore, com pouco mais que alguns metros.
Os Urgals provavelmente já estavam vindo atrás de mim. Desamarre Thunderbolt e montei. Coloquei-o num galope rápido, na direção do acampamento e do vilarejo.
Dois deles guardavam o acampamento, mas não me viram. Desmontei e andei devagar até a tenda, atrás dos dois. Entrei meio agachada e procurei minha mochila.
Encontrei-a jogada perto de um saco ou algo do gênero. Ele estava lá. Teerag. Ele me viu, mas continuou em silêncio. Realmente queria que eu conseguisse fugir.
Sorri em agradecimento e ele retribui erguendo o queixo, de modo que seus chifres apontavam para cima.
Sai da tenda com cuidado, ainda meio agachada. Nenhum dos Urgals me viu, e eu voltei num passo rápido para Thunderbolt. Montei novamente com todos os meus pertences de volta.
Thunderbolt cavalgou rápido, o vento atingia meus cabelos, me trazendo força. Eu estava livre, enfim.
Fale com o autor