The Secret Circle
1 Capítulo 1- A garota de pele pálida!
Notas iniciais
As coisas não poderiam estar mais estranhas, acordei hoje de manhã destinado a algo que mudaria minha vida, algo que eu não queria, mas tinha que aceitar. Deitei-me tarde, pois cheguei tarde da escola, estive fazendo um trabalho com meus amigos, Jeremy e Matt. Nós estamos no final do ensino médio, as coisas estão ficando difíceis, pois ainda não sabemos qual faculdade escolher, bom, ao menos eu não sei. Jeremy quer Ciências contábeis enquanto Matt quer direito, mas suas faculdades ficam em cidades diferentes, eu? Bom, quero algo que me dê algum futuro, no caminho para casa, ambos me questionavam sobre.

Theodore Crowford (Theo)
É na maioria das vezes o solitário do grupo, uma vez que todos os seus amigos são comprometidos ele fica de escanteio. Tem uma boa relação com todos, mas é um fatalista, acredita muito que as coisas darão muito erradas. É um dos principais do circulo.
— Se eu fosse você, faria direito! – incentivou Matt – você quer algo que te dê grana, certo? Direito é a escolha perfeita.
Matthew Castle (Matt)
Faz a pose de durão do grupo, embora esquentadinho é muito amigo e companheiro, preocupa-se com todos, mas em especial com sua namorada. Gosta de fazer piadas de duplo sentido.
— Que besteira – interveio Jeremy – Cara, você tem que fazer algo que goste não que apenas te dê dinheiro.

Jeremy Kennedy (Jer)
É o mais alto do grupo, por isso todos pensam que já é um adulto, embora seja magricela. Fica chateado com facilidade.
— Não sei não – respondi – existem tantas coisas que posso escolher, e ainda assim, não sei para qual faculdade ir. – suspirei por fim.
— Relaxa, ainda temos três meses para escolher – disse Jeremy chutando uma latinha de refrigerante enquanto virávamos a esquina.
— Tem razão! – respondi somente, perdido em meus pensamentos. Tanto que não ouvi o que eles disseram em seguida, acho que discutiam sobre algum cantor ou algo do tipo, eu estava interessado mesmo era na lua, ela estava tão brilhante hoje, tão bonita.
— Não é, Theo? – perguntou Jeremy.
— O quê? – perguntei saindo do meu devaneio.
— Você... Cara, o que você tem?
— Preguiça! – disse para descontrair – Brincadeira, só quero chegar em casa logo, só isso.
— Ah nem me fale – disse Matt – Aula hoje me deu uma preguiça, principalmente a de educação física.
— Matt, você sempre tem preguiça na aula de educação física. –eu disse – mudando de assunto, vão à festa do Kai? – Matt e Jeremy sorriram descontroladamente.
— Está brincando, certo? – perguntou Matt parando em minha frente. – Eu não vou a festas na casa de Kai, nenhum de nós vai. Sempre foi assim.
— Ele tem razão, cara. – concordou Jeremy – Isso é absurdo.
— Eu sei, é que, não acontece nada de interessante nessa cidade, estou farto. Não vejo a hora de me mudar daqui.
— Se serve de consolo, nosso aniversário está chegando, podemos fazer uma única festa como a que fizemos quando éramos crianças, lembra? – perguntou Jeremy coçando seu queixo. É isso mesmo, Matt, Jeremy e eu fazemos aniversário no mesmo mês, todos nós temos dezessete anos e daqui a alguns dias faremos dezoito.
— Achei que você fosse comemorar com a Ártemis. – o olhei confuso, Ártemis é a namorada de Jeremy, ela é um ano mais velha que a gente e faz faculdade fora da cidade.
— Eu também achei, mas ela não tem certeza se vai dar para ela vir, sabe como é. E eu duvido você chama-la de Ártemis na frente dela.
— Não tenho culpa dos pais dela gostarem de mitologia, mas enfim, por mim está tudo bem, Matt? – o olhamos.
— Por mim também, Lisanna gosta das nossas festas e vai ser divertido, certo? – perguntou Matt mexendo no celular – E você, Theo? Será que a...ah é mesmo, você não tem namorada. – ambos riram e eu os empurrei.
— Idiotas!
— Ah qual é, Matt está brincando – disse Jeremy colocando a mão em meu ombro – Chame a Eve, ou a Jade!
— Não, de jeito nenhum! – respondi rapidamente. Eve e Jade foram minhas duas ultimas namoradas, sendo que Eve e eu terminamos à alguns meses e as coisas ainda estão estranhas, Jade é um caso a parte, faz tempo que terminamos, ela era, segundo o pessoal da escola, estranha. Eu não achava isso, e logo começamos a namorar. Hoje em dia, jade é bem diferente, ela cresceu e se tornou uma bela garota, um corpo escultural e invejado, porém, ela ficou meio exibida com isso.
— Tudo bem, cara. Quem então? – perguntou Matt.
— Não sei, tenho algumas semanas pra decidir.
— Está tarde, nos vemos amanhã na escola então, e você dirá quem vai levar. – disse Matt já se virando para ir embora. Jeremy o acompanhou.
— Não prometo nada, até amanhã. – acenei e eles viraram a rua. Virei-me para sair dali e tomei um susto com um gato preto pulando de um latão de lixo, ele parecia totalmente aterrorizado ao me ver e logo sumiu em um beco. Coloquei a mão no peito me recuperando do mini-infarto que tive e voltei a andar arrumando a mochila no ombro, só então notei o quanto a rua estava vazia, o vento soprava uma melodia infernal, acelerei meus passos. Já teve a sensação de estar sendo seguido? É a pior coisa que existe sério. Ainda mantendo o ritmo, coloquei os fones de ouvido e adivinha qual foi a primeira música da playlist, sim, “The kill” de “30 Seconds to Mars”.
Cheguei em casa atordoado, aquela sensação ainda estava comigo, tinha alguém me seguindo, tenho certeza. Minha mãe apareceu assim que bati a porta.
— Menino, para quê essa pressa? – ela perguntou secando as mãos em um pano de prato.
— Não, não é nada. – Menti – Só estou cansado, vou pro banho e depois dormir. – disse já subindo as escadas.
— Não bata a porta do quarto! – gritou minha mãe.
Entrei no quarto, joguei a mochila sobre a cama e entrei no banheiro. Não consegui tirar aquilo da minha cabeça, já vi filmes de terror demais para saber que isso nunca acaba bem. Bom, ao menos nos filmes. Que besteira estou pensando? Afastei esse pensamento bobo e depois de alguns minutos saio do banheiro, me visto e deito na cama, hoje foi um dia e tanto. Sem muita demora acabo dormindo.
Acordei decidido a deixar tudo àquilo de lado, olhei a hora no meu celular, eram 14h58min da tarde, havia uma mensagem de Jeremy: Não esquece do trabalho hoje, não se atrase. Não respondi, deixei meu celular no criado mudo e fiquei mais um tempinho deitado, alguns minutos depois desci as escadas e vi minhas irmãs à mesa.
— Acordando a essa hora? – perguntou Camille, minha irmã do meio, mexendo no celular.
Camille Crowford (Cami)
Irmã do meio de Theo. É um tanto competitiva com o irmão, mas isso não significa que não se deem bem. Apesar dos pesares, sofre com a ausência do pai mas esconde isso muito bem com sarcasmo.
— Deve ter passado a noite nas festas! – Disse Kiara, minha irmã caçula dando mais atenção as suas unhas do que a mim propriamente.

Kiara Crowford
A irmã caçula de Theo e Cami. É apenas uma garota que está descobrindo a adolescência e seus mistérios. É muito apegada aos irmãos.
— Não encham o saco, eu estudo a noite esqueceram? Falando nisso, não deveriam estar na escola?
— Droga, é verdade! Estamos atrasadas para as ultimas aulas. – disse Camille levantando-se às pressas. Kiara correu pegando as mochilas e saíram correndo, pude comer em paz.
Provavelmente há essa hora minha mãe estava trabalhando, e como minhas irmãs saíram para a escola eu normalmente fico sozinho nessa hora do dia, porém, hoje tinha que ir mais cedo para a escola fazer trabalho, assim termino meu “almoço” e pego minha mochila e saio. Minha escola não fica tão longe de casa, uns dez minutos caminhando, ainda assim era cansativo. Chego à escola e vou direto para a cantina onde os alunos normalmente se juntam para fazerem trabalhos, diferente de dias normais, hoje a escola estava lotada de alunos, pois com o fim do ano chegando às coisas se apertavam para aqueles que não tinham muitas notas boas então, mesmo faltando algumas horas para a nossa aula, vários dos estudantes da noite estavam lá. Avisto Jade passando com Bianca, sua melhor amiga.

Jade Fray
Quando pequena jade sofria Bullyng por ser gordinha, mas na adolescência mudou, transformou-se em uma bela garota e agora, pisa naqueles que a maltratavam, sua alto estima é muito elevada. Foi a primeira namorada de Theo, e ainda hoje, mesmo após o termino ainda tem uma grande admiração pelo garoto pelo fato dele sempre ter sido gentil com ela. Faz parte de uma banda de rock.

Bianca Snow (Bia)
É uma garota inteligente e bonita, todos, ainda que no seu grupo de amigos brincam por ela ser baixinha. Ela porem, não se incomoda. É astuta e atenta. Sofre de pânico noturno. É a melhor amiga de Jade desde o jardim de infância.
As duas seguravam copos grandes de refrigerante e algo a mais que não dava para identificar, olharam para mim e sorriram cumprimentando, acenei em resposta, mas foi só isso. Também vi pessoas desagradáveis, Jackson, o irmão mais velho de Jeremy estava com seus amigos que mais parecem uma gangue, não sei o que estavam fazendo aqui, afinal, eles se formaram há um ano. é estranho. Mas se Jackson e sua turma são estranhos, ainda não conhecem os gêmeos Lucy e Miguel, eles estavam na mesma turma que eu, porém, os dois não se enturmam com ninguém, exceto Annie Devereaux.

Lucille Di Laurent (Lucy)
É uma das novatas da escola, seu circulo pessoal é de poucas pessoas que incluem Miguel, seu irmão, e Annie, sua melhor amiga. Não se sabe muito sobre ela, mas sabe-se que ela tem um senso de humor negro.
Miguel Di Laurent
Irmão gêmeo de Lucy. É um garoto misterioso e, segundo as meninas, charmoso! Ele porem, só tem olhos para sua amiga, Annie.

Annabelle Deveraux (Annie)
Chama atenção pelos seus lindos olhos azuis, sua pele pálida e o belo sorriso. É uma garota misteriosa, mudou-se recentemente para a cidade.
Os três se mudaram para a cidade há pouco tempo, faltando exatamente três meses para o fim das aulas, quem matricula os filhos faltando três meses para as aulas acabarem? Ninguém se atreve a perguntar, já os vi em uma festa, mas ainda assim, interagiam somente entre eles, como se fossem obrigados a estarem ali. Eles passaram por mim e nem sequer pareceram me notar, sentando em uma mesa mais distante, jogaram as mochilas nas mesas de mármore e abriram seus cadernos. Ignorei-os, virei para o outro lado e, ah que droga! Se você está no ensino médio provavelmente saberá do que estou falando, todo mundo é dividido por grupos: Tem os descolados, como Jackson e sua turma, as exibidas, como Jade e Bianca, os estranhos, como Annie e os gêmeos, e os valentões, nessa turma está à pessoa que mais odeio em toda a minha vida de aluno, Kai Smallwood. O cara enche meu saco desde criança, ele é um otário e quando o questionei sobre o porquê dele sempre me encher, ele disse que é por eu ser um nerd (talvez eu me encaixe nesse grupo). Depois disso ele me deu um soco no estomago. Ele caminhava com seus comparsas, Alec, um cara enorme, ele parecia àqueles jogadores de futebol americano, mas não era inteligente o suficiente para se virar sozinho, por isso virou comparsa de Kai (Já disse que ele é um otário?) tinha outros como a Aline, que só gostava do dinheiro do kai, a Jennie, melhor amiga dela, e o Ethan. Esse cara costumava andar com a gente quando éramos crianças, na verdade ele era um dos nossos melhores amigos, mas com o tempo, Ethan se tornou arrogante e ambicioso, então decidiu parar de andar conosco para andar com o cara que ele julgava ser superior a nós. Como não sou um cara sortudo, Kai veio direto para a minha mesa.
— Theodore Crowford Mitchell – ele disse meu nome cantarolando – É obvio que iriamos te encontrar aqui, de cara nos livros, sempre...
Kaique Smallwood (Kai)
É um riquinho metido a besta, porem muito popular.
— Diferente de você, eu pretendo ter um futuro, kai. – disse com um sorriso debochado – Aposto que veio encher o pessoal do ensino médio, né?
— isso foi uma piada? – ele perguntou semicerrando os olhos e apoiando as mãos na mesa- Esqueceu de com quem está falando?
— Ninguém interessante! – respondi mantendo o mesmo tom de voz que ele – Kai, sério que não tem nada melhor para fazer?
— Bom... – ele derrubou minha mochila, todos que estavam na cantina olharam direto para nós. Fechei os olhos e suspirei, na minha cabeça eu tinha varias formas de fazê-lo sofrer por todas as vezes que ele me enchia, para a sorte dele eu mantinha o controle.
— Ual, consegue derrubar minha mochila, muito machão você. – tudo bem, agora eu quis provocar.
— Ah, Mitchell. Hoje você tá pedindo. – com um solavanco, Kai me puxou da cadeira pela camiseta e me colocou sobre a mesa, não que ele seja forte, eu que sou muito leve mesmo. Nunca fiz o tipo atlético, meus braços parecem gravetos então acho que foi bem fácil para ele. Enquanto estava sobre a mesa, olhei para o lado e notei algo: Jackson e sua turma me fitavam, olhando aquela cena com atenção, ele mantinha os braços cruzados e os olhos fixos em mim, como se esperasse que eu reagisse no momento certo, essa não foi a primeira vez que tive essa impressão, sempre que estou com meus amigos e ele está presente, Jackson nos observa. Não como se quisesse tomar conta da gente, mas como se nos esperasse para algo. Do outro lado, distante de Jackson, avistei Annie e os gêmeos, eles estavam bem tranquilos lendo, somente Annie nos olhava com a mão no queixo como se ela já tivesse visto aquela cena varias vezes.
— Ele não parece tão valente agora. – comentou Aline, Alec e Jennie sorriram.
— Olha só, esse é o seu lugar, Theo. Não se esqueça disso. – disse Kai, agora me sufocando. Não faz bem o meu estilo brigar, mas aquela situação estava pedindo, chutei a lateral da cabeça de Kai e ele me soltou, foi o tempo que tive para me recompor. Alec e Ethan deram um passo à frente, mas Kai os segurou.
Ethan MCcfrey
Era um dos melhores amigos de Theo, Matt e Jer. Mas com o tempo, foi se revelando um garoto ambicioso e hostil, desde então, passou a acompanhar Kai.
— Vai se arrepender disso, Mitchell. – eu ia levar uma surra daquelas, ali, na frente de todo mundo, mas Kai parou de repente, olhei para trás e notei o motivo: Jeremy, Matt, Leon e Griffin estavam nos olhando.

Griffin Sherwood (Finn)
É o mais novo do grupo. Um idealista, companheiro e esperto. Faz muitas referencias a filmes por isso é taxado de nerd.
— Na covardia, Kai? Que feio. – disse Matt.
— Que tal igualarmos isso? Disse Leon fechando a cara.
Leon Kenner
Faz parte do grupo, mas assim como Griffin não estuda na mesma escola que Theo, Matt e Jer. É inteligente e reservado, mas às vezes gosta de viver perigosamente.
— Tudo bem, já chega! – disse alguém ao fundo, nos viramos e o inspetor vinha em nossa direção.
— Isso não acabou Mitchell. Nos veremos em breve. – disse kai por fim, Ethan nos fitou e logo acompanhou seu líder.
— Não consegue se virar sem a gente, não é? – perguntou Griffin sorrindo.
— Exibidos! – sorri e os abracei em cumprimento. Leon e Griffin também fazem parte do meu ciclo mais próximo, eles não estudam na mesma escola que Matt, Jeremy e eu, mas como crescemos juntos na mesma cidade isso não significava muita coisa, eles sempre vinham fazer uma visita.
— Quando esse cara vai deixar de pegar no nosso pé? – perguntou Jeremy – Somos praticamente adultos, ele não vai mudar nunca?
— Dá próxima vez, o derrubarei com um “tigre voador”. – Disse Griffin.
— Você sozinho? Ele ia te esmagar. – brinquei. Griffin sempre foi o caçula do grupo, ele tem dezesseis anos enquanto o restante tem quase dezoito, claro que nenhum de nós aparenta ter a idade que tem, por exemplo: Eu tenho dezessete mas aparento quinze, Jeremy também, mas por sua altura dá para pensar que ele é adulto, o cara tem 1,90 e barba a fazer, Matt é meio fortão, como Alec, que inclusive tem uma rixa com ele desde pequeno, vai entender. Leon, não muito diferente de mim aparenta ter bem menos idade do que realmente tem.
— Vamos fazer o trabalho, sim ou não? – perguntou Jeremy. Sentamos nas cadeiras e iniciamos o trabalho. Mas como de praxe, começamos a falar sobre outras coisas, como a nossa festa de aniversário. Particularmente eu não estava muito interessado no assunto, apoiei a mão no queixo e olhei para o lado, as coisas voltaram ao normal na cantina. Jade e Bianca conversavam alegremente, Jackson e seus amigos já não estavam mais lá, estranho. Olhei para o outro lado e lá estavam eles, os estranhos, Annie ainda nos encarava como se esperasse mais um show da nossa parte, virei o rosto para o lado, pois fico sem graça se me encaram assim.
— Tudo bem aí? – Leon perguntou – Tá distraído, bem mais que o normal.
— Não é nada... – Respondi seguido de um suspiro.
— Se for por causa do Kai, relaxa. Ele só vai se meter com um de nós quando estamos sozinhos, mas juntos? Ele não...
— Leon – interrompi – não é nada disso, só estava um pouco distraído.
— Um pouco? – ele disse – você não tocou no cappuccino, e você ama cappuccino.
— Vocês concentrem-se aqui – disse Griffin – Vamos pro cinema mais tarde, mas se vocês não ajudarem como vamos terminar a tempo?
— Quando decidiram isso? – perguntei.
— Viu? Mais distraído que o normal. – brincou Leon.
— Só falta decidirmos o filme – disse Matt concentrado no celular- mas só vai dar pra ir se a Lisanna for também.
— Claro – eu disse – chame ela.
— Misa vai também. – disse Jeremy.
Passamos o resto da tarde ali na cantina, enfim terminamos o trabalho a tempo. Assim fomos para casa e de noite voltamos para a escola, cheguei um pouco atrasado então tive que sentar no fim da sala, diferente de Matt e jer que sentaram na frente. A algumas carteiras do meu lado esquerdo estava Annie Deveraux. Ela olhou diretamente para mim, admito, fiquei sem graça ao encontrar com aquele par de olhos azuis, sua pele pálida parecia brilhar sob aquela luz quase florescente, seu rosto angelical se iluminou com um sorriso de canto e nossa, que sorriso. Seu cabelo era de um castanho escuro brilhante e cumprido. Fiz um gesto com a cabeça em cumprimento, droga porque fiz isso? Parecia que eu estava hipnotizado por aqueles olhos, felizmente ela respondeu com um sorriso também. Virei rapidamente meu rosto e tentei prestar atenção na aula, admito que olhava de relance para ela de vez em quando na esperança de ver aquele sorriso de canto novamente. Não tive tanta sorte.
— Muito bem – disse o Sr. Tanner na frente – temo que as notas de vocês estejam caindo, mais que o normal. – ele fitou Jeremy por alguns segundos – Pensando nisso decidi passar um trabalho extra. – houve vários resmungos, mas se cessaram quando ele levantou a mão – não adianta reclamar, estou ajudando vocês, principalmente aqueles que estão no time. – Agora ele me fitou.
— Ok! – disse Jade – Para quando é esse trabalho?
— Fim de semana, segunda já os quero em mãos. – Mais resmungos – nem comecem, vou fazer o sorteio das duplas e ah, se vierem com aquele papo de “professor, pode ser dupla de três?” vai automaticamente levar um zero.
Eu acho que ainda não mencionei que odeio o Sr. Tanner, o cara além de nos dar aula de história antiga, também é o treinador do time de futebol. Ele gosta de pegar pesado conosco e não está nem aí para nossa opinião, ou ganhamos ou ganhamos. Mas embora ele seja chato, gosto de tentar manter minhas notas altas para jogar no time.
—... Jade e Peter, Bianca e... – Ele olhou os papeizinhos com nossos nomes, desdobrou e continuou – Bianca e Aline. – Bianca xingou algo inaudível para o Sr. Tanner, ela também não gosta de Aline. – Jennie e Ethan...
— Isso! – comemorou Jennie, Ethan sorriu para ela.
— Srta. Summers gostaria que se contivesse. – disse o professor sem nenhum humor
— Desculpe! – ela disse com deboche.
— Continuando, Jeremy e Melissa, Mackenzie e Matthew, Kaique e Alexander – ambos comemoraram – Lucille e Miguel – que surpresa – Theodore e... — antes que o professor completasse algo estranho aconteceu: Uma ventania invadiu a sala, o que foi estranho, pois o lugar é fechado, as luzes começaram a piscar e alguns papéis voarem e de repente parou. – Alguém feche a porcaria dessa porta!
— Professor, a porta está fechada! – disse Kai.
— Desliguem o ar-condicionado então. Que droga! – ele se concentrou nos papéis à sua frente e pegou mais um – Theodore e Annabelle.
Meu coração quase saltou pela boca, eu faria dupla com a garota estranha, isso já era muito estranho, ninguém jamais fez trabalhos ou qualquer outra coisa relacionada com ela, até porque só faziam ela e os gêmeos, talvez por esse motivo todos na sala olharam para mim com cara de “sinto pena de você”. Tentei não me concentrar muito nisso, virei o rosto alguns centímetros e olhei para Annie, ela não olhava para mim, mas tinha um sorriso de canto nos lábios.
Depois de anunciar todas as duplas, o Sr. Tanner nos explicou qual o tema do trabalho, Annie e eu ficamos com as guerras civis que incluíram a pequena cidade em que vivemos, não é um tema que eu domino, mas Annie pareceu satisfeita, então tá tudo bem para mim. Finalmente a aula acabou, aqueles que fariam duplas já estavam se juntando para discutir quando fariam o trabalho, eu comecei a guardar minhas coisas na mochila, me surpreendi com um toque no ombro e me virei achando que encontraria um dos meus amigos, mas me deparei com um lindo par de olhos azuis.
— Oi – disse Annie com a cabeça inclinada alguns centímetros para a esquerda.
— Annabelle, ahm, oi, como está? Algum problema? – sou um desastre com garotas.
— Primeiramente, pode me chamar de Annie – ela sorriu – e sim, está tudo bem, calma. E não há nenhum problema, só queria ver com você quando poderíamos fazer o trabalho.
— Ah, claro, Annabe... Annie – me corrigi – Não sei, tenho o fim de semana livre, quando você quiser, pode ser amanhã aqui na escola e...
— Não, aqui não. – ela interrompeu imediatamente – Não gosto muito de lugares lotados, e já ouvi umas cinco duplas dizendo que fariam aqui.
— Tudo bem! – eu disse.
— Que tal amanhã, na minha casa, o que acha? – juro que me surpreendi, primeiro que não me imaginava fazendo dupla com Annie Deveraux, e agora ela está me convidando para a casa dela que inclusive não sei onde fica.
— Não sei onde você mora! –admiti.
— Te mando uma mensagem com o endereço, anote seu número aqui. – ela me entregou seu celular, na capa protetora havia o brasão do Batman, sorri e anotei meu número, entreguei o celular de volta. – Te vejo amanhã, Theodore.
— Theo – eu disse.
— Theo! – ela sorriu e saiu da sala rapidamente, Jeremy e Matt vieram até mim.
— Annabelle Deveraux, que sorte em amigo? – ele sorriu e dei de ombros.
— Eu nem posso zoar com ele – disse Jeremy – vou fazer com a Melissa, com a MELISSA! –ele repetiu indignado. – ela é uma gata, mas não posso fazer nada senão Misa me mata.
— Pelo menos não foi com o Kai. – eu disse – Imagina o quão difícil seria fazer um trabalho enquanto tentam matar um ao outro. – os dois sorriram e começamos a caminhar para a saída.
— E o cinema, vai rolar? – Jer perguntou.
— Vai – Matt confirmou – Leon e Finn vão nos esperar lá, vou passar na casa da Lisanna para pegá-la e logo em seguida eu vou.
— Eu vou na frente – disse Jer – Misa vai direto para lá.
— Quem mais além de nós vai? – perguntei.
— Estávamos pensando em chamar Jade e Bianca! – disse Matt, ele lançou um sorrisinho para mim logo em seguida, foi quando notei que ele estava me zoando. Revirei os olhos.
— Não diga!
— Relaxa cara. Dessa vez não é por sua causa. – ele disse.
— E então?
— Estávamos pensando em juntá-la com o Leon, ele meio que é afim dela.
— É e a Bianca com o Finn – disse Jeremy enquanto subíamos as escadas.
— Pera, e eu? Não pensaram em mim não?
— Pensamos claro – disse Matt se divertindo com a situação – Convidei a Eve, ela disse que estaria lá.
— Que maravilha! – disse eu sem entusiasmo.
— Vai dar tudo certo – disse jer sorrindo.
—Vai, super certo! – Matt confirmou – Ou você pode convidar sua parceira estranha, Annie Deveraux!
— Não, obrigada! – eu disse – Pois bem então, seus manés, os vejo no cinema!
Saí logo em seguida, eram 22h03min. Tinha alguns minutos para chegar em casa, tomar banho e voltar para o cinema. Não demorou muito para que eu o fizesse, desci as escadas logo em seguida e encontrei minha mãe e minhas irmãs vendo TV.
— Aonde você vai todo arrumado assim? – minha mãe perguntou, minhas irmãs se viraram logo em seguida me olhando.
— Então, combinei com os amigos de ir ao cinema! – respondi.
— Que amigos?
— Mãe...
— Que amigos, Theo? – ela insistiu, minha mãe sempre achou que eu deveria ter cuidado com as amizades, felizmente ela sempre gostou dos meus amigos.
— Os de sempre! Matt, Finn, Jer e Leon.
— Nenhuma garota? – Kiara perguntou e minha mãe me olhou esperando a resposta. Suspirei.
— Lisanna, Ártemis, Jade, Bianca e Eve. Satisfeita?
— Evelyn Gray? – ela perguntou. Relutante confirmei com a cabeça – Sua ex-namorada?
— É, e não, não estamos juntos, será que dá pra parar com o interrogatório?
— Tome cuidado com essa garota, Theo. – franzi o cenho, minha mãe sempre me disse que um dia ela iria me fazer sofrer, embora a tratasse com muito respeito – não pode ficar muito tempo com ela.
— Por quê? – perguntei, não entendo porque minha mãe fica estranha quando falo sobre Eve.
— Vai saber...
— Mãe...
— Sim, pode pegar o carro, mas cuidado. – disse ela encerrando muito bem a conversa, não precisei discutir mais o assunto, peguei as chaves, entrei no velho corola preto da minha mãe e segui para o cinema. Todos já estavam lá, me esperando na frente do cinema, estacionei o carro e fui ao encontro deles. Misa estava abraçada a Jeremy, ela deu um oi com os dedos para mim, Misa como todos nós é da altura do ombro de Jer, tem cabelos presos por uma tiara de prata que ganhou do mesmo, ela usava uma blusa preta com a estampa de #1.
Ártemis (Misa)
É mais velha que seu namorado, Jeremy. Dificilmente anda com o grupo pelo fato de morar em outra cidade fazendo faculdade.
Lisanna é a pessoa mais dócil do mundo, por isso estranhamos quando ela e Matt começaram a namorar já que ele é agitado. Ela estava comendo um saquinho de pipocas, seu cabelo curto estava jogado de lado, ela usava um vestido com um cinto um pouco acima da cintura e sapatilhas.

Lisanna (Lizz)
Namorada de Matt. É uma garota doce e gentil, desde que começou a namorá-lo passou a fazer parte do Circulo.
Jade e Bianca estavam meio que produzidas demais, batons vermelhos chamativos, delineador destacando os olhos, a única coisa que as diferenciavam é que Jade tem a pele branca e os cabelos lisos, já Bianca, ela tinha uma pele morena clara e brilhante, seu cabelo era cacheado e ia até a altura dos ombros. Ambas seguravam bolsas de mão.
— E o filme? – perguntei.
— Daqui a alguns minutos! – Finn respondeu.
— Vamos entrando! – disse Jade impaciente – Evelyn sabe o caminho. – só agora notei a ausência dela.
— Bom, se ela não chegou até agora é porque não vem mais. –disse Leon, todos concordaram e então começamos a caminhar em direção ao cinema, ao redor todos já haviam entrado, só faltava à gente, fomos surpreendidos antes mesmo de entrar com um barulho que ecoou pela rua, nos viramos e notamos que ele havia vindo do beco ao lado do cinema, era estranho não ter nenhum guarda ali, normalmente era cheio. O barulho era como o de uma arma sendo disparada. Entreolhamo-nos por alguns segundos, ninguém se moveu. Decidi dar o primeiro passo então. Caminhei em passos lentos, minha respiração estava pesada, eu podia sentir uma tensão vinda daquele beco, o ar mais gélido, pesado.
— Theo... – disse Jade agarrada ao braço de Leon, olhei para trás e a cara de assustados deles me fez ficar assustado também, mas era como se algo me puxasse para lá, eu queria saber o que tinha acontecido. – Não vai, Theo.
— Theo? –dessa vez foi Leon quem me chamou, não dei atenção e continuei a caminhar.
— Fica aqui! – ouvi Matt dizer à Lisanna, ele e Jeremy se juntaram a mim, Leon e Finn vieram logo em seguida. As garotas ficaram próximas umas as outras nos esperando. Finalmente viramos no beco, como de costume ele estava escuro, iluminado somente por um pequeno feixe de luz da lua, havia nevoa no beco inteiro, o que era estranho essa época do ano, adentrei o beco. Meus amigos ao meu lado. E finalmente, quando chegamos ao centro do beco vimos uma figura imóvel no chão. Era o guarda.
— Ele... – disse Finn.
— Está morto! – confirmei. Não eu não chequei, nem cheguei perto o suficiente para saber, mas eu tinha certeza que estava. Não sei como, mas eu sabia que ele estava morto.
— Não temos certeza – disse Leon, ele estava impressionado.
— Temos sim, ele está morto! – Disse Matt com os olhos vidrados no homem ao chão, e como eu, ele tinha certeza. Provavelmente Jeremy também tinha porque ele estava com o mesmo olhar que Matt, não impressionado, não assustado, mas como eu... Admirado.
— Não, vocês não sabem – indagou Finn – a gente devia sair daqui, chamar a polícia ou uma ambulância.
— Vamos checar – eu disse me aproximando, Matt e Jeremy vieram comigo. Toquei o pescoço dele, mas como desconfiei, sem pulsação. O cara estava frio, como se estivesse ali há muito tempo, mas não estava, viramos seu corpo o deixando de peito para cima, sem querer esbarrei em seu sangue, olhei minha mão encharcada, mas aquilo estranhamente não me incomodou nem um pouco. Olhei seu corpo, era estranho, tinha um corte de cima para baixo desde seu ombro até a lateral esquerda, um corte perfeito como se tivesse feito com algo bastante afiado. Além disso, havia um buraco minúsculo em sua testa, não tão minúsculo que não daria para ver, minúsculo como uma bala de revolver.
—Gente? – Finn chamou, nos viramos e ele estava abaixado pegando algo do chão, era a bala que deveria estar na cabeça daquele guarda. Finn e Leon se aproximaram com a bala em mãos, Matt, Jer e eu nos afastamos ao mesmo tempo, não sei por que eu sabia que não podia pegar naquilo.
— O que foi? – Leon perguntou franzindo o cenho.
— Não deveríamos pegar nisso – eu disse tentando formular a resposta para algo que eu mesmo não compreendia – essa bala provavelmente foi a que matou o guarda, é uma prova. – Finn a soltou logo que eu terminei.
— Vocês tocaram no corpo dele, mas não querem pegar a bala? – questionou Leon.
— É uma prova do crime. – Jeremy insistiu.
— Será que ele se matou? – perguntou Finn.
— Impossível – disse Matt perto do corpo – a arma dele não tem nenhuma bala, parece que foram todas usadas.
— Ele pode ter usado a ultima para se matar – Leon insistiu.
— Olhe bem – eu disse – a bala que Finn pegou, não caberia na arma do guarda, é um tipo diferente, e depois, como ele faria esse corte em seu peito? Isso foi feito por outra pessoa certamente, e pior, acho que ele lutou muito para sobreviver. Quem o matou, realmente o queria morto, não foi um simples assalto.
— Tudo bem, vamos sair daqui – disse Matt – alguém vai chegar a qualquer instante. – concordei e começamos a caminhar para a saída.
— Finn – eu disse – pegue a bala!
— Tá doido? Você mesmo disse que é uma prova.
— Agora é um prova de que você esteve aqui, sua digital estão nela, pegue-a e traga consigo. – ele o fez sem questionar, guardou-a no bolso e saímos do beco. As meninas estavam nos esperando ainda espantadas.
— Vamos sair daqui! – disse Leon indo ao encontro de Jade, mas ela veio ao meu encontro.
— o que houve? Theo, sua mão! – ela notou o sangue.
— Não é meu, explico quando sairmos daqui.
— Não, expliquem agora. – disse Bianca – Gente?
— Não temos tempo – disse Matt um tom mais alto – Lizz, Finn, vamos!
— Alguém vai comigo? – perguntei. Jeremy e Ártemis levantaram a mão – Leon?
— Eu vim de carro, trouxe Jade e Bianca, aonde vamos?
— Lanchonete de sempre, nos encontramos lá. – eles concordaram e fomos para os carros, demos partida e seguimos para a lanchonete.
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