Observei-a sumir em meio às arvores úmidas devido à neve que caíra em uma velocidade inumana, seus cabelos longos, negros e despenteados voavam enquanto ela corria e pulava de uma arvore para outra. Sabia que Bree não viria atrás de mim. Ela não viveria para isso, sem duvidas ela amava Diego e ele estava morto eu sentia isso, pois alem de conseguir manter as pessoas distantes eu conseguia sentir o que elas sentiam, eu quase podia ler seus pensamentos. Enquanto ficava sentado no sofá eu observava como os dois se olhavam, eu sentia a ternura, o amor que emanavam quando seus olhares se cruzavam. Bree foi uma boa companhia, mesmo que quase não nos falava-mos, ambos não queriam se meter nas confusões de Raoul e as outras gangues.

Não podia impedi-la de ir atrás dos outros esperando encontrar Diego, se eu a alertasse ela não ouviria ela o amava a ponto de morrer por ele.

Eu não sabia para onde ir, não sabia o que fazer, só tinha que sair de lá ir para o lado oposto se quisesse viver. Sabia que Riley sempre mentira sobre os vampiros de olhos amarelos, eles não eram maus, Riley era, não sabia se tinha alguém comandando-o, só sabia que estava-mos sendo usados.

Decidi deixar para pensar nisso depois, estava muito frio, mas isso não me incomodava mais, comecei a correr na direção oposta a de Bree, estava forte pois havia me alimentado bastante, as imagens das arvores molhadas e cheias de lodo não passavam de um borrão. O que iria fazer? Não sabia. Pensaria nisso depois. Corri até chegar á Port Angeles. Tinha algum dinheiro na carteira que ficou no bolso da minha calça, pois, quando fui transformado estava indo comprar o presente de aniversario da minha Irmã caçula. Esse pensamento me deu um aperto imenso no coração, tão forte que não podia suportar, não sabia quanto tempo havia se passado desde o dia em que fui transformado. Me lembro de cada detalhe, eu estava passando em frente a um beco muito escuro em Seatle, quando vi um vulto, pensei que poderia ser um morador de rua, mas passou muito rápido, fiquei com um pouco de medo mas a curiosidade foi maior, involuntariamente comecei a entrar no beco, estava bastante úmido pois havia chovido e um cheiro horrível de esgoto e lixo pairava no ar, foi então que senti a presença de alguém, parei e algo como um sexto sentido me disse que precisava sair de lá, mas quando virei me deparei com Riley, ele não me disse nada, somente me imobilizou e me levou para o canto do beco, tentei gritar, lutar mas foi em vão, desejei nunca ter entrado ali queria poder voltar no tempo, eu achava que ia morrer, foi então que eu ouvi uma voz de mulher, ela me disse para parar de lutar pois não adiantaria, não consegui ver seu rosto pois estava muito escuro, mas reparei que seu cabelo era de um ruivo incrivelmente belo, foi então que senti uma dor muito forte em meu pescoço, e depois começou a queimar, parecia que tinham colocado fogo dentro de mim, parecia que estava queimando de dentro para fora, não me lembro do que aconteceu depois, acho que desmaiei, só sei que acordei em uma casa onde havia outras pessoas uma casa de aparência simples mais muito em equipada com varias tevês vídeo games e aparelhos de som, ambos todos ligados, em uma TV passava um show de uma banda que depois vi que era o AC/DC, em outra TV um rapaz alto muito branco e de cabelos muito negros, lisos e bem compridos jogava vídeo game, meus pensamentos foram interrompidos por uma sede horrível, parecia que não bebia nada á muito tempo, mas era estranho não era sede de água ou qualquer outra bebida, era de outra coisa, mas eu não sábia o que, minha garganta ardia como nunca ardeu na minha vida, então Riley percebeu que eu tinha recuperado a consciência e disse que ia me levar a um lugar onde esse ardor ia parar, eu não entendi como algum lugar poderia fazer essa ardência parar? Mas mesmo assim o segui saindo da casa vi que estávamos no meio de uma floresta, a casa parecia mais um chalé, a onde eu acordei era o porão e na parte de cima não havia ninguém, algo estava muito errado comigo, eu corria muito rápido e podia escalar prédios com muita facilidade, logo estávamos em uma cidade, não consegui calcular a distancia que corremos mas sabia que era muito grande, não andamos pela rua mas sim pulávamos de telhado em telhado, ele me levou a uma rua muito escura, era um outro beco, mas era do mesmo modo escuro, mas isso não me incomodava era impressionante como eu conseguia enxergar bem no escuro, avistei um casal de namorados eles estavam se beijando de uma maneira muito calorosa mas não reparei muito no que eles faziam, pois entendi o que era essa minha sede, eu ouvia o sangue pulsando em suas veias, eu sentia o cheiro do sangue quente e doce dos dois, e de repente eu estava louco, parecia que não era mais eu, parecia que eu havia me transformado em um animal prestes a atacar a sua presa, estava agachado pronto para pular do telhado quando fui interrompido por Riley que antes só me observava, disse que eu deveria ser rápido e não deixá-los gritar, ele falou pra mim atacar primeiro o rapaz enquanto ele seguraria a moça, foi o que bastou para mim, corri e peguei o rapaz, minha força era impressionante, então eu...

Parei de pensar naquilo, não suportava a idéia de ter ferido aquelas e outras pessoas, mas não tinha alternativa, não conseguia me controlar, o cheiro do sangue quente pulsando dentro de cada pessoa... Balancei a cabeça não sei se reprovando esse pensamento ou afastando-o, eu realmente não sabia o que fazer, uma coisa era certa não podia voltar para casa, não desse jeito, eu agora era um monstro, poderia machucar minha família, tinha medo, muito medo do que poderia fazer com eles se voltasse para casa. Foi então uma imagem encheu a minha mente uma moça loira de olhos azuis, claros como o céu e pele bem branca, mas não conseguia me lembrar dela... Veio então como um relâmpago em minha mente... Khatrin, ela era minha namorada, senti uma pontada em meu peito, eu realmente a amava, pretendia pedi-la em casamento na semana seguinte... Mas agora tudo se perdera, graças a Riley! Dei um murro em uma parede de tanta raiva, só agora me dera conta de que estava em uma rua deserta.