The Second Hope
15 Capítulo 15
Notas iniciais
P.O.V Katniss
Nossa vida não poderia estar melhor. Três meses depois do nosso casamento, já havíamos estabelecido uma rotina de casal, eu comecei a caçar novamente e a carne que sobrava eu dava para o açougue ou para o mercado do Distrito. Peeta trabalhava na padaria que estava cada vez melhor.
No nosso tempo livre nós nos dedicávamos a um tempo só nosso, Peeta me ensinava a pintar ou eu tentava ensina-lo a caçar, mas nós não fomos feitos para essas coisas, sempre acabava com um tapete sujo de tinta ou uma janela quebrada. Mas nós dávamos o nosso jeito. Nosso amor estava forte, assim como nossas noites acordados nos deliciando e consumando nosso amor. Estávamos felizes e bem, nada poderia nos abalar.
Bem, era o que eu pensava.
O vento gelado, me fazia ver que o inverno estava próximo, essa época que era tão temida por todos, agora não é, quando possível as crianças saem das casas e vão brincar na neve, lembro-me de um inverno que eu e Peeta estávamos caminhando e vimos as crianças brincando de se atirar bolinhas de neve, então eu tive a brilhante ideia de jogar neve em Peeta. O que nos resultou uma bela guerra, mas depois de entrarmos e tomarmos um banho de banheira juntos a nossa noite foi ainda melhor.
Saio dos meus devaneios quando vejo o mais novo prefeito do Distrito sair de dentro do Edifício da Justiça, ajudando dois homens a carregar um piano para fora do prédio.
—Bom dia Sra. Mellark. — Sorrio com o meu mais novo sobrenome.
—Bom dia Sr. Prefeito. O que estão fazendo?
Eles colocam o piano no chão.
—Bem- Fala o Prefeito ajustando a roupa- Esse piano estava na casa do antigo prefeito, eu não sei tocar e nem ninguém da minha família então vou vende-lo ou dá-lo para quem quiser ele.
Lembro-me desse piano, ele era da minha amiga Madge, não sei como ele está inteiro. Ela me ensinou a tocar, sorrio lembrando-me dela, olho para o piano e alguma coisa me diz que eu não posso deixa-lo ali, ele é uma das poucas coisas que sobraram de Madge, e acho que ela gostaria que ficasse comigo, respiro fundo e digo.
—Será que eu poderia ficar com ele?
O Prefeito me olha surpreso.
—Gostaria de ficar com ele?
—Bem, eu tocava e sim gostaria de ficar com ele.
—Perfeito! Vou mandar eles entregarem o piano para a Sra. Ainda hoje.
—Obrigada. –Falo sorrindo, mas ele some quando vejo algo dentro do prédio, é uma pessoa com um capuz preto, olhando diretamente para mim. Ele segura uma cartolina que tem o símbolo do tordo, porém a um desenho de uma faca cortando o tordo ao meio, sinto a sangue sumir do meu rosto e quase desmaio.
—...E então acho que é isso. –Fala Prefeito atraindo minha atenção, ele estivera falando e eu nem sequer percebi.
—Bem eu tenho que ir- Falo com a enorme vontade de sair correndo dali o mais rápido possível- Foi um prazer conversar com o Sr.
—O prazer foi meu, o piano logo será entregue.
Aceno com a cabeça e antes de sair olho para o lugar onde vi aquela pessoa. Mas ele não estava mais lá.
Corro em direção a Vila dos Vitoriosos com meu coração a mil, novamente alguém está me perseguindo e o pior é que eu não sei quem é. Quero muito ir falar com Peeta, mas não posso atrapalhar seu trabalho. Embora esteja com medo, não posso prejudica-lo.
Não era real. Não era real. Era tudo coisa da minha cabeça.
Me concentro nesses pensamentos e passo o resto da tarde em casa, limpo-a, rego as Prímulas sempre me mantendo atenta e só por precaução levei uma faca de cozinha comigo, no final da tarde alguém bate na porta e eu pulo de susto, levanto-me do sofá, e vou em direção a porta sem antes olhar pela janela e ver quem está lá. Para o meu alívio, são só os homens que vieram me entregar o piano.
Eles montam o piano na frente da janela que permite ter uma visão da Vila, na sala. Eles se vão e eu passo a observar o piano, sento-me no banco e passo a mão pelo instrumento, ele é todo preto com alguns detalhes em dourado, toco em uma tecla e logo começo a tocar a música que entrei em meu casamento. Fecho os olhos e me permito relaxar pela primeira vez no dia.
P.O.V Peeta
O dia na padaria foi longo. Tivemos muitas encomendas e clientes. Isso é bom, mas cansativo. Tive que fazer um bolo de dois andares para um casamento e várias fornalhas de pão. Mesmo com Mark me ajudando ainda sim fica difícil, mas hoje veio uma menina aqui pedir emprego, ela tem 18 anos, Mary o nome dela, me disse que ela se mudou para o Distrito com o irmão de 15 anos, eles perderam os pais na guerra.
Ela então ficou no caixa atendendo os clientes enquanto eu e Mark cuidávamos da cozinha. No final do dia eu estava exausto, ansioso para chegar em casa, quando estava na frente de casa ouço barulho de um instrumento tocando, um piano. Ele vem da minha casa e de Katniss.
Entro em casa e sigo até a sala e olho surpreso para minha esposa, que está com os olhos fechados tocando o instrumento, mas sinto-me feliz e emocionado quando reconheço a música. Ela tocou em nosso casamento. Deixo as chaves e meu celular em cima da mesa e sento-me no sofá para observa-la, está tão concentrada que não me viu chegando.
Seus olhos estão fechados, a boca curvada em um sorriso, uma expressão serena paira em seu rosto, estava com saudade dela, passei o dia fora, só fiquei por 15 minutos na hora do almoço e logo corri para a padaria novamente, sinto-me culpado por não ter dado a atenção que ela merece.
Ela toca as notas finais e encerra música, bato palmas e ela pula assustada do banco.
—Você me assustou. –Ela fala se levantando, puxo-a e ela acaba se sentando em meu colo.
—E você é incrível –Falo e dou leves beijos em seu pescoço sentindo-a se arrepiar- Não me disse que tocava.
—Bem, você se lembra da Madge Undersee? –Assinto com a cabeça- Ela era minha amiga, e quando eu ia na casa dela negociar as minhas caças, ela me ensinava a tocar, foi com ela que aprendi. Esse piano era dela.
—E como conseguiu ele?
—O Prefeito ia vende-lo e quando eu olhei para o piano, eu não sei, sentia que deveria ficar com ele, como se fosse uma homenagem para Madge.
—Ela ia gostar que ele fosse seu.
Ela sorri e se vira na minha direção sorrindo.
—E como foi o seu dia?
—Cansativo, mas bem produtivo. Hoje uma menina veio pedir emprego, agora somos eu, Mark e Mary.
—Hum-Ela fala e para de sorrir e encara a parede, olho para ela- E essa Mary é casada? Tem namorado?
—Bem, amor. Eu não ia perguntar isso, mas eu acho que não.
—Hum. –Ela fala novamente e se levanta do meu colo indo em direção a cozinha. Estranho seu comportamento e vou atrás dela.
—Katniss o que aconteceu?
—Nada, só estava com sede. –Ela fala sem me olhar e vejo que ela aperta com força o copo em sua mão.
—Se você continuar a apertar esse copo ele vai quebrar- Digo e então me toco em uma coisa-Você está com ciúme?
—Não. –Ela fala emburrada.
—Está sim- Falo sorrindo e a abraço por trás- Para que ter ciúme?
—Você sabe bem o porquê -Ela vira e fica de frente para mim- Normalmente essas meninas que vem pedir emprego, nãos estão somente interessadas na vaga.
—Amor, não precisa ter ciúme, precisa confiar em mim.
—Eu confio em você. Só não confio nessas piranhas.
—Só basta confiar em mim, jamais faria algo para lhe magoar- Falo e coloco minhas duas mãos em seu rosto obrigando-a a olhar para mim- Eu te amo, e nada e nem ninguém vai mudar isso.
—Falando nisso tem uma coisa para lhe contar- Ela fala e coloca mão sobre a minha a segurando com força, vejo seu rosto tomar um semblante que sempre vejo depois que ela acorda de um pesadelo-Hoje eu estava no Edifício da Justiça, e quando eu estava conversando com o Prefeito eu vi uma coisa dentro da prefeitura, era uma pessoa encapuzada toda vestida de preto- Ela fala e começa a tremer, abraço sua cintura e tento lhe passar confiança-Ele ficava me olhando, e eu não sabia o que fazer -Ela termina e me abraça forte, eu retribuo e sinto meu coração acelerar quando lembro-me de que aconteceu a mesma coisa comigo quando estava indo para a Padaria hoje, logo após o almoço.
Flash Back On:
Estava caminhando em direção a padaria novamente, hoje o dia estava cheio e eu tinha a intenção de ir cedo para adiantar alguns pedidos, estava cansado, na última noite Katniss teve um pesadelo, e ela ficou agitada a noite toda, eu fiquei cuidando dela não ia deixa-la sozinha, hoje pela manhã eu tinha a intenção de ficar em casa com ela, mas minha garota disse que já estava melhor e que eu precisava trabalhar. Relutante eu fui, no almoço voltei mas só pude ficar um pouco.
Estava na frente da Padaria quando vejo alguém do outro lado da rua escorado em uma parede, havia várias pessoas caminhando por ali, mas nenhuma parecia se importar com a presença daquele ser. Ele me encarava sem desviar o olhar, vestia roupas pretas e estava com um capuz que não me permitia ver seu rosto.
Desviei o olhar e entrei na Padaria, quando me virei para fechar a porta não vi mais aquela pessoa. Caminhei em direção a cozinha fazendo uma anotação mental de falar com Katniss mais tarde.
Flash Back Off:
Termino de contar e Katniss está ainda mais agarrada em mim, sinto minha camisa molhada, ela está chorando.
—Ei- Falo pegando seu rosto, fazendo-a me olhar- Eu não vou deixar nada acontecer, está bem? Vou protege-la de quem quer que seja essa pessoa.
—Será que algum dia teremos paz?
—Teremos- Falo- Amanhã falaremos com Haymitch, ele vai saber o que fazer. Mas por enquanto vamos esquecer- Falo e começo a beijar seu pescoço, sinto ela se agarrar a minha camisa- Eu estou tão sujo... –Sinto seu sorriso em meu pescoço.
—Então tome um banho ora.
—Mas eu estou tão cansado.
—Então meu manhoso, vamos dar banho em você.
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