The Second Hope
6 Capítulo 6
Notas iniciais
P.O.V Katniss
Desperto com o sol em meu rosto, droga, esqueci de fechar as cortinas ontem, me espreguiço porém sinto algo me segurando, me desespero pensando em ser alguma corrente porém ele passa quando vejo quem está me segurando.
Peeta dorme como um anjo ao meu lado, a boca entreaberta, e o peito subindo e descendo regularmente conforme sua respiração, seu braço está sob minha cintura. Eu estava de costas e ele me abraçando por trás, estamos dormindo juntos, de conchinha. Não posso deixar de corar com a nossa proximidade.
Mas me pergunto por que ele está dormindo aqui comigo. Flashes da noite passada invadem minha mente, eu acordando do pesadelo, sentada na frente das Prímulas, Peeta e eu conversamos, ele me trazendo para meu quarto, e o meu pedido para ele ficar comigo. Não me sinto incomodada, me sinto segura e muito bem, como a muito tempo não me sentia.
Desperto de meus devaneios quando sinto Peeta se mexer, ele abre seus lindos olhos e encara o lugar com certa confusão no rosto, porém quando ele fixa seu olhar em mim para se dar conta de onde está.
–Bom dia- Ele fala com a voz rouca.
–Bom dia- Digo.
–Sem pesadelos.
Sorrio.
–Sem pesadelos.
Ele se espreguiça.
–Preciso ir até minha casa, para trocar de roupa.
–Mas você volta não é? — As palavras saem da minha boca antes que eu possa conte-las.
Ele me olha com certa surpresa no rosto.
–Claro.
Vou com ele até a porta, ele se despede de mim com um beijo em minha testa, um desejo enorme de que ele me beije nos lábios me consome, não entendo essa reação e faço máximo para não avançar em seus lábios. Ele se afasta de mim e sorri, e eu retribuo, então se vai. Fecho a porta e sorrio comigo mesma, enquanto subo para o banheiro afim de tomar um banho, penso.
Ele dormiu comigo.
Ele me protegeu.
Sinto meu coração acelerar, nunca me senti assim antes, nunca. Isso é novo para mim, até o sorriso idiota que paira em meu rosto é novo, não é um sorriso por achar comida na floresta, é um sorriso de alegria verdadeira e de mais uma coisa que não consigo identificar.
Tomo um banho rápido, coloco uma legue e uma blusa de mangas, ainda há resquícios de inverso, coloco minhas botas de caça e faço minha costumeira trança lateral, desço em direção a sala na intenção de esperar Peeta ali. Porém um barulho na cozinha me faz parar onde eu estava e dar meia volta em direção a cozinha.
Pego um vaso de plantas pronta para atirar no intruso, entro na cozinha já com o vaso levantado pronta para joga-lo, mas então abaixo ao ver quem é.
–Mas o que...? — Falo fitando o gato velho que era de Prim em minha frente. Ele sumiu tinha um tempo, não o via desde aquele dia em que gritei e chorei com ele, achei que tivesse ido embora, eu havia ficado triste, porém isso passou com o tempo- Inacreditável.
Pego a gato, ele está um pouco sujo e parece cansado mas ainda é o Buttercup. Coloco-o no chão e dou um pouco de leite para ele, vou ao banheiro e lavo minhas mãos, então a campainha toca.
Meu coração acelera e sinto minhas pernas ficaram bambas. Mas o que é isso? Pareço aquelas adolescentes apaixonadas! Vou até a porta e a abro com um sorriso, me surpreendo em não encontrar somente Peeta em minha frente, mas também Haymitch.
–Oi Katniss- Fala Peeta.
–Oi Peeta.
–Não vai me cumprimentar, docinho? — Pergunta Haymitch.
–Haymitch! Que bom vê-lo, está vivo ainda? — Falo com sarcasmo.
–Estou sim, pode chorar de felicidade por isso- Ele fala invadindo a casa.
–Pode entrar- Falo irônica, Peeta solta um risinho- Convidou ele?
–Bem, não, ele que se convidou- Fala Peeta fechando a porta atrás de si depois que entra.
–Haymitch sempre será Haymitch.
Vamos em direção a cozinha onde meu antigo mentor está fuçando nos armários.
–Sabia que é falta de educação revistar a cozinha dos outros? — Digo.
–Estou com fome docinho, e isso exige medidas drásticas- Fala ele ainda mexendo nos armários.
–Espera ai Haymitch- Fala Peeta e colocando os pães que ele trouxe na mesa, eu o ajudo e pego na geladeira as outras coisas e esquento um café.
Nos sentamos na mesa e tomamos nosso café, depois Haymitch se vai sem nem menos ajudar a tirar as coisas da mesa, então Peeta me ajuda, nós retiramos as coisas da mesa e lavamos a louça, vez ou outra nossos olhares se cruzavam, isso me deixava com o coração acelerado.
–Tenho que ir- Fala Peeta.
–Você vem a noite? — Pergunto sem pensar.
Ele parece se surpreender, até eu mesma me surpreendo com esse pedido.
–Claro.
Ele se aproxima de mim, e me da um beijo na testa, sinto choques elétricos na região que Peeta tocou com seus lábios. Olho para ele, e desejo que ele me beije, porém ele não o faz, se afasta e vai embora me deixando ali com um conflito interno enorme.
Tento afastar esses pensamentos e decido ligar para Effie, não falo com ela desde que voltei da Capital, e mesmo ela sendo daquele jeito extravagante, sinto saudades, ela fica muito contente com a ligação a ponto de gritar e me deixar com os ouvidos doloridos, falo para ela que preciso de roupas, porém não muito exageradas, ela fala que vai dar uma olhada e mandar para mim no próximo trem.
Depois de falar com Effie, ligo para o Doutor Aurelius, eu estava com a intenção de só pedir as folhas para fazer o Livro, mas acabo tendo uma consulta com ele, e devo admitir isso ajudou bastante, comentei com ele a ideia do livro e ele achou muito boa, falou que vai mandar tudo que precisamos.
Depois de fazer tudo que tinha me sentei no sofá e liguei a TV, mas não consegui prestar atenção na reportagem, meus pensamentos vagaram até certo loiro de olhos azuis, e em como estou me sentindo em relação a ele nesse tempo que voltamos a conversar, me sinto melhor, mais feliz, e tenho tido muitas reações.
Não entendo por que tive essas reações, pois desde que Peeta e eu voltamos a conviver me sinto diferente, toda a vez que ele me olha sinto minhas pernas tremerem, toda vez que ele sorri meu coração derrete, toda a vez que ele me abraça eu sinto choques elétricos, e todas as vezes que estou perto dele, sinto que não posso vai viver sem ele.
Por que me sinto assim?
A resposta vem na minha mente.
Porque você o ama.
Penso sobre isso, tento formular outra resposta mas ela não vem, e tento pensar em outras possibilidades, porém paro e penso no que estou fazendo.
Estou fugindo da verdadeira resposta.
Estou fugindo dos meus sentimentos.
Sinto raiva de mim mesma por ser tão covarde ao ponto de não admitir o que realmente sinto, mas acontece que tenho medo. Medo de Peeta não me amar como ele me amava, medo de ele nunca voltar a ser o Meu Garoto do Pão, medo de ele se afastar de mim quando ele descobrir que o amo.
Eu o amo.
Eu amo Peeta Mellark.
P.O.V Peeta
Saio da casa de Katniss e vou direto para a padaria, os homens que vão me ajudar a reconstruí-la já estão lá, e logo começamos o trabalho de construção, eu os oriento e já vou pensando no que preciso encomendar. Já tenho um funcionário que quer trabalhar aqui quando a padaria estiver pronta, Mark, ele veio do distrito 5 com a namorada para recomeçar, tem 25 anos e me contou que está construindo sua casa.
Fico feliz que ele queira trabalhar aqui, e também me animo com a ideia de as pessoas quererem vir morar aqui no distrito 12, isso é bom, as pessoas estão procurando lugares para recomeçar e isso é incrível.
Estava conversando com Mark e outros dos homens que estão ajudando na reconstrução da Padaria, John e Michael, até que um deles fala algo que prende a minha atenção.
–Fiquei sabendo que está ocorrendo levantes na Capital- Fala John- Pelo que eu soube são pessoas que não aceitam o novo governo.
–Isso é um absurdo! — Fala Michael- Eles fazem isso por que não eram os filhos deles indo para a colheita todos os anos!
Fiquei pensando nisso o resto do dia, decidi ir falar com Haymitch para ver o que ele acha. No final da tarde vou para a Vila dos Vitoriosos, meu olhar rapidamente vai para a casa de Katniss, vejo que a cortina da sala está aberta me permitindo vê-la, ela está olhando para a TV, com Buttercup em seu colo e ela fazendo carinho nele, olho para Katniss de novo e vejo que ela está sorrindo, como eu a amo, nem mesmo um telessequestro pode mudar o que sinto por ela.
Antes de ir para minha casa, passo no Haymitch e lhe conto o que John nos falou hoje na padaria.
–Era de se esperar que isso acontecesse- Fala ele enquanto vira a garrafa de aguardente na boca- Nem todos iriam aceitar esse novo governo.
–Você acha que eles podem vir para o 12?
–Eu não sei- Fala ele sincero- Mas se vierem, vão estar atrás de uma coisa, ou melhor de alguém.
Não preciso nem pensar em quem é.
–Não vão tocar nela- Falo sem pensar duas vezes em minhas palavras- Eu não vou deixar que a machuquem.
Ele sorri.
–Não importam o que façam com você. Você nunca vai deixar de ama-la.
*****
Fui para minha casa, tomei um banho, coloquei uma roupa confortável e parti em direção a casa de Katniss, toquei a campainha e ela logo atendeu, estava com uma calça de moletom cinza e uma regata branca, como sempre ela está linda.
–Olá Peeta- Fala ela.
–Oi Katniss- Digo.
Ela da passagem para eu entrar e nos encaminhamos para a cozinha.
–Como você sabe eu sou péssima na cozinha, então não sei o que podemos jantar — Fala ela.
–Eu tenho uma ideia.
Faço um macarrão com queijo, uma coisa rápida e simples jantamos em um clima tranquilo, conversando sobre coisas banais, decidi não comentar com ela sobre os levantes na Capital, não agora que ela está se recuperando.
–Peeta- Ela fala enquanto estávamos lavando a louça, olho para ela- Falei com o Doutor Aurelius hoje e já encomendei as folhas para nós fazermos o livro, acho que elas chegam daqui a uma semana.
–Isso é ótimo! — Falo- Podemos pedir ajuda para Haymitch.
–Claro! Ele conheceu muitos tributos, vai querer nos ajudar.
–Mas em que horário poderemos fazer o livro? Eu não posso de dia tenho que trabalhar na padaria.
–Podemos fazer a noite, claro, se você não estiver muito cansado.
–Não se preocupe, se for para ficar perto de você vale a pena.
Ela cora e abaixa a cabeça, e posso jurar que a vi sorrindo.
–Também vou adorar ficar perto de você- Ela sussurra e eu escuto, meu coração acelera.
Ficamos conversando por mais um tempo até que aviso que vou embora.
–Já? — Ela pergunta e posso ver uma sombra de tristeza passar pelos seus olhos.
–Sim, amanhã eu prometo que venho aqui antes de ir para a padaria.
Ela sorri e me abraça e eu corresponde, desejando nunca mais solta-la.
Vou para minha casa, ainda pensando nela e de como ultimamente estou amando-a ainda mais se possível, coloco meu pijama e abro a janela do meu quarto, vejo-a na janela e ela acena para mim e eu retribuo em seguida ela vai se deitar e eu também, logo adormeço.
*****
Sou despertado do meu sono ouvindo gritos, assustado sento na cama, os gritos vem da casa frente a minha, os gritos vem da minha Garota em Chamas, fico estático ouvindo e me decidindo se vou ou não até sua casa.
Até que ela começa a gritar o nome de Prim, alto e rouco, ela está chorando. Não posso mais deixa-la sofrendo, sem ligar que estou de pijama, desço as escadas correndo em direção a sua casa abro-a a porta, Katniss nunca a deixa trancada, subo as escadas correndo e entro em seu quarto.
Ela está se debatendo na cama, seu rosto está banhado em lágrimas e ela continua a gritar o nome da irmã, vou até ela e começo a sacudi-la.
–Katniss, acorde- Falo tentando faze-la acordar- Está tudo bem, eu estou aqui, acorde.
Ela desperta em um pulo, ela está suada e tremendo, ela me olha e começa a chorar, puxo ela para os meus braços, ela me abraça forte e enterra a cabeça em meu pescoço.
–Eu não consegui salva-la Peeta! E-eu não consegui! Eu a deixei morrer! — Fala ela chorando e se agarrando mais em mim.
–Ei está tudo bem Katniss- Falo passando a mão em seus cabelos- Se você não conseguiu salva-la, ninguém mais conseguiria.
Ela me olha no escuro e posso ver a intensidade do seu olhar, eu tiro umas mechas de cabelo molhadas de suor de sua testa, ela me abraça ainda mais forte e eu retribuo.
–Quer tentar dormir? — Pergunto.
–Você pode ficar comigo?
–Sempre.
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