The Second Hope
4 Capítulo 4
Notas iniciais
P.O.V Katniss
Fogo. Gritos. Horror. Tristeza. Dor.
É isso que vejo, estou novamente na Mansão Presidencial presenciando tudo novamente, o momento em que os rebeldes tomam a casa do Presidente Snow, o momento em que os paraquedas explodem, levando as crianças, levando minha irmã.
Mais uma vez eu vi isso acontecer, e mais uma vez não fiz nada para salva-la, só pude ver as bombas explodindo, e ver o fogo consumindo todos que estava perto dele. Não consigo respirar, nem gritar, muito menos levantar. Estou presa, enquanto vejo minha irmãzinha sendo levada para longe desse mundo, para longe de mim.
Desperto assustada, estou suada e ofegante, ainda tenho a sensação do fogo queimando minha pele, corro escada acima para o banheiro, ligo o chuveiro no mais frio possível e me enfio embaixo da água gelada, estremeço com o contato mas permaneço lá, choro, choro de raiva, de medo e de saudade. Raiva de Snow, medo de isso voltar novamente e de saudade de minha irmã. Devo ter dormido boa parte da tarde, a julgar pela posição do sol, mas não ouso sair do chuveiro.
Fico lá um bom tempo, até que me lembro de uma coisa. Peeta vem jantar aqui. Como se recebesse uma carga de energia saio correndo do banho, me enrolo na toalha e vou atrás de um relógio que tem na minha cômoda, olho as horas e vejo que são 19:00, meu Deus! Peeta já deve estar vindo!
Volto para o chuveiro e dessa vez tomo um banho descente, vou até o meu guarda-roupas e procuro algo para vestir, quase tenho vontade de joga-lo para fora da janela, não tenho nada para vestir, faço uma nota mental de ligar para Effie mandar roupas novas para mim, opto por vestir uma leggie preta que achei e uma regata branca, decido ficar de pés descalços, escovo meu cabelo e faço minha trança lateral.
Desço e tento deixar a casa arrumada, mas não preciso de muito já que Greasy a deixa arrumada, vejo uma coisa no chão da sala, a pérola. Devo tê-la deixado cair quando sai correndo, pego-a do chão e a fico olhando, está igual desde a última vez que a vi, levo-a para meu quarto e a ponho na gaveta, junto com o medalhão que Peeta também me deu. Ouço alguém bater na porta. E sem permissão meu coração acelera.
Desço as escadas praticamente correndo, abro a porta e sorrio.
–Olá Peeta.
–Oi Katniss- Fala ele com seu sorriso torto.
–Entra- Falo dando passagem para ele entrar, ele caminha até o sofá e se senta -Como foi seu dia?
–Foi bom, fui dar uma olhada no Haymitch.
–E ele está vivo ainda? -Pergunto surpresa.
Ele ri.
–Por algum milagre sim. E você o que fez?
–Bem- Tive um pesadelo, e depois que acordei dele praticamente fiquei a tarde inteira debaixo do chuveiro– Dormi um pouco.
–Hum.
Um silêncio se instala, não sei o que fazer para puxar assunto, até que falo.
–Acho que você vai ter que cuidar do jantar, se não vamos acabar com uma infecção estomacal.
–Bem então é melhor eu ir evitar isso- Fala pulando do sofá. Sorrio e o seguido para a cozinha-Então senhorita Everdeen, o que deseja para o jantar? — Pergunta ele mexendo nos armários.
–Bem eu não sei- Falo- Fui na floresta ontem e consegui uns esquilos.
–Então vou fazer carne de esquilo com arroz selvagem. Só vou precisar que tire a pele do esquilo.
–Claro.
Vou até seu lado na pia e passo a tirar a pele do esquilo enquanto Peeta prepara o arroz, vez ou outra nos encaramos e desviamos o olhar rapidamente, isso se repete até que eu acabo o que estava fazendo e deixo ele cuidando do resto do jantar. Aproveito e arrumo a mesa, vou para o armário para pegar os talheres e quando me viro para a mesa vejo Peeta agarrado com todas as suas forças nas costas de uma cadeira. Na hora sei o que houve.
Peeta está tendo um flash.
Solto os talheres e caminho até ele devagar, posso ver as veias de seu braço saltando e os nós de seus dedos brancos.
–Peeta?
–Katniss- Ele fala com a voz sofrida- Saia daqui.
Eu ia sair mas quando olho novamente para ele vejo o quanto está sofrendo, lutando contra a memória que o assombra, não posso deixa-lo sofrendo, não posso perder novamente meu Garoto com o Pão, então sem pensar nas consequências pela minha atitude eu caminho em sua direção e o abraço por trás com toda as minhas forças, tento passar a segurança que ele não tem agora.
Ele se retesa mas ainda com o meu contato.
–Katniss, saia...
–Não. Não vou deixa-lo. Nunca.
Passam-se longos minutos até que Peeta se afasta de meu abraço e se vira para mim, posso ver a dor em seus olhos e isso me machuca, por isso o abraço e ele retribui com todas as suas forças, coloco minha cabeça na curva de seu pescoço e inalo seu perfume que me inebria e ele coloca seu rosto em meus cabelos. Nesse abraço sinto a segurança que Peeta sempre me passou e ainda me passa, só agora vejo o quanto de saudade sentia dele.
Ficamos minutos e mais minutos abraçados, mas eu realmente não estava me importando com o tempo, até que ele se afasta vagarosamente de mim, olho em seus olhos e posso ver algumas lagrimas escorrendo pelo seu rosto, seco-a todas.
–Me desculpe- Fala envergonhado.
–Não se desculpe por algo que está longe de ser sua culpa.
–Por que não saiu?
–Eu não podia deixar você sozinho.
–Eu poderia ter te machucado. Eu não me perdoaria se fizesse isso. Me prometa que na próxima vez em que eu tiver um flash e você estiver perto de mim, vai sair.
–Peeta...
–Por favor.
Olho dentro de seus olhos e vejo a súplica desse olhar, não tenho outra opção a não ser concordar.
–Está bem- Falo a contragosto- Eu prometo.
Ele sorri de forma aliviada.
–Venha temos um jantar para terminar.
Comemos conversando sobre coisas aleatória até que lembro de uma ideia que tive a partir do Livro de Plantas de minha família.
–Eu tive uma ideia de fazer um Livro de Memórias, sobre todas as pessoas que conhecemos. Vai ser uma forma de terapia, se você quiser ajudar...
–Quero sim! Quando podemos começar?
–Vou ligar para o doutor Aurelius e falar a minha ideia, quem sabe ele não nos ajuda?
–Ótima ideia.
Depois de jantarmos, lavamos a louça, depois disso Peeta diz que precisa ir para casa, o acompanho até a porta, e a abro olho para ele e vejo que está me olhando, mergulho em seu céu particular e sem perceber um sorriso nasce em meus lábios e nos dele também, não posso negar a vontade que sinto de beija-lo, mas não faço isso, não sei o que Peeta sente por mim, e eu também não sei o que sinto por ele.
–Gostei do jantar- Fala ele quebrando o silêncio.
–Eu também- Falo ainda olhando para ele- Podemos repeti-lo amanhã talvez.
Ele sorri mais ainda.
–Eu vou adorar.
Ele se aproxima de mim e beija demoradamente minha bochecha, sinto uma corrente elétrica onde seus lábios me tocaram, sinto que fiquei arrepiada, Peeta parece que não percebeu, ou ele finge muito bem. Ele se afasta de mim e sorri.
–Boa noite Katniss.
–Boa noite Peeta.
O observo até ele entrar na sua casa não antes de acenar para mim e eu retribuo, fecho a porta e sorrio, hoje tive uma confirmação que meu Garoto do Pão ainda está aqui, e me sinto extremamente feliz e bem com isso.
Subo para o quarto, dispo-me ficando apenas de calcinha e sutiã, vou ao banheiro escovo os dentes e logo em seguida deito na cama, fecho os olhos e lembranças do dia de hoje invadem minha mente e relaxo, logo sou levada para o mundo dos sonhos sem pesadelos.
P.O.V Peeta
Saio feliz da casa de Katniss, mesmo ainda um pouco abalado pelo flash a tristeza não me domina, hoje ela poderia ter saído e me deixado com minhas lembranças, mas não, ela ficou e me abraçou enquanto as memórias distorcidas preenchiam minha mente, por mais que sei que elas são falsas, ainda tenho certas dúvidas, mas não tive coragem de perguntar a Katniss, ela ainda está muito abalada e não seria justo deixa-la sofrer mas ainda por causa de uma dúvida.
Estremeço ao lembrar do flash.
Katniss se transformando em diferentes tipos de bestantes e me atacando, gritando que me odeia.
Esse flash poderia ter sido pior, tive medo de me virar e machucar Katniss, porém quando me virei e olhei em seus olhos cinzas que parecem uma tempestade, soube que não a machucaria, eu a amo demais, e mesmo enlouquecido eu não seria capaz disso, quando ela me abraçou foi como se nada tivesse acontecido, eu me senti tão bem abraçando-a que minha vontade era de nunca mais solta-la.
Eu ainda a amo, nem mesmo duas arenas, um telessequestro e uma guerra mudaram isso. Hoje teve vários momentos que quis beija-la, mas Katniss não me ama do jeito que eu a amo, e agora que estamos começando a conviver novamente não jogaria tudo pro alto com uma atitude impensável.
Entro dentro de casa e subo direto para o quarto, fico só com uma calça de moletom cinza e deito-me na cama fitando o teto, olho para a janela que está aberta e uma leve brisa passa por ela, uma sensação de paz enche meu peito, não tanto quando abracei Katniss, mas ainda sim suficiente para que eu durma em seguida.
Estou a observar o pôr-do-sol, vejo prédios e mais prédio e deduzo que estou na Capital, porém eu não me desespero, pelo contrário, me sinto bem, vejo que há alguém no meu colo, logo vejo a dona dos mais belos olhos cinzentos deitada sobre meu peito fazendo uma coroa de flores, estou acariciando seus cabelos até que paro.
–O que? — Ela me pergunta virando-me para me olhar.
–Gostaria muito de poder congelar esse momento, bem aqui, nesse instante, e viver assim para sempre.
Ela sorri para mim e diz.
–Tudo bem.
Sorrio com sua resposta.
–Então você permite?
–Permito.
Desperto-me ainda com a névoa do sonho, olho para a janela e vejo que nem amanheceu ainda, mas isso não está longe de acontecer, parece que o sono se foi, sento-me na cama e penso no sonho, mas não foi um sonho, e sim uma lembrança, lembro-me desse dia, era o último dia que estávamos juntos no terraço no Centro de Treinamento, antes de irmos para a arena do Massacra Quaternário na dia seguinte.
Sem sono decido ir até o quarto de hóspedes que eu transformei em um pequeno ateliê, lá estão os quadros que pintem no trem quando estávamos na Turnê dos Vitoriosos, e mais alguns que pintei depois que voltei da Capital, a maioria é sobre a guerra mas tem alguns de Katniss, não a minha Garota em Chamas, mas um bestante que a Capital criou, esses eu faço questão de deixá-los escondidos no canto do quarto.
Preparo a tela e as tintas para pintar, me sento frente a tela e começo pintar a lembrança, fico ali até que vejo que já amanheceu, coloco a tela para secar, e vou tomar um banho, faço minha higiene, visto-me com uma calça jeans e uma blusa de mangas curtas branca, coloco meus tênis e vou para a cozinha fazer os pães de queijo que Katniss adora, preparo a massa, adiciono o queijo e faço as bolinhas, levo-os ao forno. Espero 20min até que estejam prontos, coloco-os num prato e cubro com uma toalha.
Caminho em direção a casa de Katniss porém enxergo uma pessoa e sorrio, nem acredito.
–Delly? — Pergunto não acreditando.
–Olá Peeta! — Fala ela sorridente, ela vem até mim sorrindo e eu a abraço tomando cuidado para não derrubar os Pães de Queijo. Fico muito feliz, minha melhor amiga voltou!
Ainda estou abraçando minha amiga, ouço passos de alguém andando até que para, abro os olhos e vejo Katniss fitando-nos com os olhos cheio de... Lágrimas???
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