The Search
6 A Apresentação.
Notas iniciais
Meu pai não percebeu minha presença de início, me dando tempo para pensar no que eu iria falar. Parecia que eu estava em um salão de jantar real. Tá, sei que parece bizarro, mas por que meu pai estaria com uma coroa e a garota do outro lado com um arco de cabelo brilhante? Juro que olhei em volta procurando câmeras ou outras coisas que denunciasse a pegadinha, mas não achei.
–Filho! Eu estava procurando-o por todo canto! –Disse meu pai, assim que me viu.
Três segundos passaram antes que eu respondesse.
–Pai? Tudo bem? –Perguntei, com os olhos vidrados na coroa de meu pai, tentando entender pelo menos um por cento do que acontecia à minha volta.
–Claro! Por que não estaria? Hoje é um dia que ficará marcado em nossas memórias e livros! A possível união de nossos continentes, não é mesmo, querida? –Disse meu pai, radiante.
A garota do outro lado da mesa sorriu e pareceu concordar com o que meu pai dizia. Ela levantou e me cumprimentou, abaixando a cabeça.
–Um grande prazer, senhor Melghart. –Ela disse, me deixando meio constrangido.
Tudo parecia muito estranho. Eu tinha certeza que não estava sonhando, mas aquilo não parecia real. O jeito que eles estavam me tratando, senti como se estivessem zombando de mim. A raiva tomou meu corpo, mas consegui me segurar.
Uma mulher vestida como uma empregada surgiu da porta ao canto da sala. Ela trazia uma cadeira, como a da garota de um dos cantos da mesa, parecia uma empregada leal do meu pai, pois antes de entrar na sala por completo, pediu sua autorização.
–Sente-se, Rick. Temos muito que conversar. –Disse meu pai.
A empregada colocou o assento ao lado de meu pai e fez um sinal com a mão direita para eu me sentar. Não quis parecer mal educado, sentei-me. Meu pai sorriu e pegou um cálice dourado ao seu lado e estendeu para mim, após aponta-lo para a garota.
–Filho, essa é Lorenna Moonye, herdeira do trono de Moonye e capitão do exército do próprio continente. –Disse meu pai, fazendo minha cabeça girar de tanta confusão e fazendo a menina sorrir. Talvez se achando importante.
–Tudo bem, mas onde nós estamos? –Perguntei.
–Em casa, não está a perceber, Rick? –Disse meu pai, me olhando confuso.
Lorenna ajeitou-se na cadeira, como se tivesse desconfortável. Olhei para meu pai tentando reconhecer algum tipo de prova para comprovar sua mentira, mas não achei. Olhei em volta, tentando avaliar o lugar. Novamente a sensação de estar sendo alvo de brincadeiras veio à mim.
–Tudo bem, já me sentei com vocês, já fiz o teatrinho todo. Agora podem me responder onde eu estou? –Eu disse.
–Rick, não sei do que você está falando. –Disse meu pai, com a feição rígida e confusa.
–Eu estava no meu quarto quando abri o livro... –Eu disse, mas travei achando que meu pai não deveria saber do livro. –Ham... Sério, onde eu estou?
–Acho que o príncipe está louco. –Disse Lorenna, com um sorriso malicioso.
Meu pai levantou, com raiva, e gritou para a porta donde tinha saído a empregada algo que não reconheci de início, mas depois a mesma palavra fez minha garganta secar:
–Guardas!
Em menos de cinco segundos, a sala ficou lotada de guerreiros com armaduras pesadas e máscaras escuras, escondendo a identidade de todos. Eram aparentemente uns vinte guerreiros na sala e dois deles estavam, cada um, com uma bandeira verde onde se via um guerreiro com uma lança, que aparentemente era a arma que todos tinham nas costas e nas mãos. Lorenna parecia totalmente assustada.
–Hoke Melghart! Não ouse! –Gritou Lorenna, olhando para os guerreiros.
–Você ousou duvidar das palavras do príncipe de Melghart, quem está louca é você! –Gritou meu pai, para Lorenna. –Saia daqui antes que eu faça você sair à força!
Lorenna e meu pai levantaram rapidamente. Fiquei parado olhando aquela cena por alguns segundos, sem saber o que fazer. Pensei em ligar o que estava acontecendo e agi sem pensar na frente de todos:
–Pai! Isso não será preciso! –Gritei.
Olhei para Lorenna e me pus ao lado do meu pai, tentando parecer o mais seguro possível. Eu tinha o pensamento que não ocorreria nada, mas a feição de meu pai olhando para Lorenna me deixava preocupado. Vi Lorenna com a mão na lateral do vestido, como se estivesse preparada para algum tipo de ataque dos guerreiros que cercavam à sala.
–Eu... Posso leva-la para fora. Ignore suas palavras. –Eu disse.
–Mas Rick, não acho que deva sair sozinho com ela, estamos sofrendo com diversos ataques e não acho que deva sair com ela agora. –Disse meu pai.
Não entendi muito bem sobre a parte “ataques”, mas cumprimentei meu pai e me afastei de todos, inclusive Lorenna, para tomar a voz na sala.
–Deixem-na comigo. Voltem aos seus postos, eu cuidarei dela. –Eu disse para todos, tentando parecer confiante. –Vamos, princesa de Moonye?
Lorenna assentiu e passamos pela porta da qual eu havia entrado, deduzindo que era a saída. Eu acho que acertei, já que ninguém disse nada e me deixou ir sem problemas. Quando fechei a porta, fiquei sozinho com Lorenna, o que me deu um tempo para conversar mais com ela e entender tudo o que estava acontecendo. Assim que ficamos sozinhos, ela sorriu e se posicionou ao meu lado, aparentemente segurando o riso.
–Rick Melghart, aquele que magicamente apareceu aqui por um livro misterioso. –Ela disse.
–O que você sabe sobre isso? –Perguntei.
–Nada. Só repeti o que você deu a entender no almoço, príncipe. –Ela disse.
O jeito que ela falava “príncipe” me deixava com muita raiva. Sério. Encarei Lorenna por alguns segundos e passei pela porta de madeira que estava do lado oposto à porta dourada onde estava meu pai e os vinte guerreiros armados. Atrás da porta em que entramos havia um grande corredor de quadros com diversas imagens. Assim que entramos no corredor, Lorenna ficou séria novamente.
–Você estava falando sério? –Ela disse, com o olhar tenso.
–O que adianta agora? Você não estava zombando de mim há alguns minutos? –Eu disse.
–Olha isso. –Ela disse, apontando para um quadro ao meu lado.
No quadro ao meu lado havia um guerreiro com armadura leve e uma grande espada ao lado direito de seu quadril e ao outro lado estava um livro brilhando. Aquele guerreiro... Era eu.
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