The Score
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Espero que gostem, cometem! beijos.
Mais adiante tinha um portão enorme de ferro, que mais pareciam grades de prisão. E no meu caso, eu acho que realmente eram grades de prisão.
Eu segurei as barras do portão com força e as sacudia.
-SOCORROO!!!! SOCORROO! ALGUÉM ME TIRA DAQUI.
Eu fiquei lá, durante um bom tempo. Gritando por misericórdia. E ninguém me ouvia. Eu tinha a conclusão que a sensação de estar em um lugar vazio, gritando sem ninguém me ouvir, não era só internamente, era externo também.
Parecia que quanto mais eu gritava, mais sozinha eu ficava. Eu tentei escalar, mas não dava, não tinha suporte para eu apoiar, e os muros eram altos demais. Além do mais, pra onde eu ia, aliás, onde eu estava? Quem eram aqueles homens? Porque mataram meu pai? Eu não sabia de nada disso. Estava de mãos atadas.
-SEU FILHO DA PUTAAAAA, DESGRAÇADO! EU VOU MATAR VOCÊ.
Eu gritei mais uma vez, em direção à casa que estava a km de distancia de mim. Eu queria que ele ouvisse o amaldiçoando, que me deixasse ir embora... Que não me fizesse mal.
E eu chorei novamente. Chorei até cair no chão. E fiquei lá por algum tempo. Praguejando o infeliz, tirando do meu peito toda a angustia daqueles sentimentos recém-adquiridos.
Mas eu já estava cansada de fica lamentando, de não ser ouvida, de não estar entendendo o motivo pelo qual mataram meu pai do nada.
Eu me levantei e sai correndo, em direção à mansão. Eu corria num velocidade inacreditável, gritando e chorando, sentindo a raiva tomar conta do meu ‘eu’. Eu ia matar aquele cretino, eu ia acabar com ele, como ele fez com o meu pai.
Eu atravessei o jardim como uma bala, cheguei a tropeçar e cair no chão, mas me levantei e continuei a correr, desesperadamente em direção a porta frontal, que estava aberta.
-Christian? VEM AQUI SEU DESGRAÇADO, APARECE...
Eu parei na entrada, e chamei por ele, eu gritei por ele. E ele não veio, nem que fosse pra me matar ali mesmo, mas eu queria que ele aparecesse novamente. Meu rosto estava quente e encharcado de lágrimas, mas eu não me contive e continuei gritando, até que uma voz desviou minha atenção:
— What are you doing?
Uma mulher baixa, gorda de meia idade, apareceu falando alguma coisa em outro idioma, e sua feição parecia brava com a gritaria que eu fazia. Eu corri até ela e segurei seus braços com as duas mãos, sacudindo-os desesperadamente:
-Cadê o Christian? Onde ele está? Fala-me, onde ele ta!
-lemme go!
-Cadê ele?
Eu estava tão revoltada, que não percebi direito que ela não falava minha língua.
Eu a soltei, e levei minhas mãos até minha cabeça, apertando meus cabelos com força. Confusa com aquilo, querendo saber qualquer coisa... Eu dei um grito agudo tão forte que a mulher encostou-se ao meu ombro, e eu a olhei:
-Are you Ok?
-Eu sei lá o que você ta falando!
Eu comecei a chorar novamente. E gritava cada vez mais alto, enquanto gritava. Eu olhava em volta, e a casa era enorme, varias escadas, e provavelmente ele nem estava me escutando.
A mulher continuava lá me olhando, agora com cara de pena. Ela não sabia o que fazer, e estendeu a mão para mim.
Eu não podia lutar mais, eu estava sozinha.
Enfim eu cedi e segurei a mão dela.
Ela me levou para uma cozinha do tamanho da minha casa. Puxou uma cadeira para eu sentar, e eu o fiz.
Ela pegou um guardanapo e me entregou. Esperou mais alguns minutos até eu me acalmar e voltou a perguntar algumas coisas:
-What’s your name, sweetie?
-Eu não sei o que a senhora ta falando.
-Name, your. My name is Gail, and you?
-Nome? Quer saber meu nome?
-Name, yes, your name. – ela fez sinal de positivo.
-Eu sou Anastácia, Ana.
Ana, this is your name?
-Eu não sei o que você ta falando moça. Mas é inglês não é? Eu não falo inglês, nunca aprendi nada na escola. Onde eu estou?
Eu tentei fazer algumas mímicas pra ela, mas ela não entendeu, e eu não a entendia.
Até que ela saiu do nada, por uma porta anexo da cozinha, e algum segundo depois voltou com um homem, num macacão preto, meio sujo, e com o cabelo desgrenhado, parecia ser o jardineiro.
-She doens’t understand me. She is not american.
Ela falava com o homem algumas coisas e ele me olhava fixamente, com as sobrancelhas franzidas, aparentemente confusas.
-I don’t know. Do you think she’s brazilian?
-Maybe.
Eu olhava para eles como um peixe fora d’água. Mas o homem se sentou em uma das cadeiras e falou comigo:
-Você fala minha língua?
Eu sorri, pela primeira vez.
-Falo, graças a Deus. Eu sou Anastácia. Como eu posso ir embora daqui.
Eu levantei e me ajoelhei diante dele, segurei suas mãos e olhei com impaciência, depositando naquele homem as ultimas esperanças que eu tinha pra ir embora dali.
— Fica calma, mocinha. Eu sou o Taylor, por favor, acalme-se.
-Eu fui sequestrada, eles mataram meu pai, senhor. Me tire daqui, eu te imploro, vocês também estão em perigo, todos estão. Eles vão nos matar.
Eu me levantei desesperada, peguei minha mochila e comecei a chorar novamente, já procurando a saída daquele lugar.
Os dois me olhavam assustados, como se não soubessem de nada do que acontecia naquele lugar:
-Fica calma. Primeiro me diz com quem você chegou aqui.
Eu engoli o choro e me aproximei um pouco novamente.
-Com alguns homens, que mataram meu pai. Christian é o homem que entrou nessa casa.
Eles se entreolharam, e o homem, fez uma careta reprovativa.
— Você entrou na casa com o senhor Christian Grey?
-Eu não entrei com ele necessariamente, você vai me ajudar ou não moço? Eles mataram o meu pai, senhor. Me ajude, a sair daqui , por favor.
Ele olhou para mim com piedade, e olhou para a mulher, a Gail. Provavelmente já estava a par da minha situação e não achou que era coisa boa. Obviamente.
-She came with him!
— Oh my god! She is the girl!
Eles se olharam e eu deduzi que coisas horríveis iam acontecer comigo.
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