The Score

27 Capítulo 27- But I love him


Notas iniciais
OIII gente! Desculpas pela demora novamente, acho que respondi todos os comentários do capítulo passado e quero agradecer a vocês que comentaram, favoritaram e especialmente recomendaram a fic, 7 recomendações, eu pirei!!! Obrigada pelo apoio de todos e ai vai mais um capítulo... Bjão e feliz 2015!!

Cap. 27

– Você não quer tomar um banho? A água daqui é ótima.

Ele disse, secando o cabelo com uma toalha.
– Eu só quero ficar sozinha.
Ele vestia apenas um short claro e o cheiro da pele dele invadia meus sentidos. Ele se sentou na cama, perto de mim, e acenou para que eu deitasse minha cabeça no colo dele. Eu o fiz.

– Eu não vou te deixar sozinha.
– Então fica, mas não fala nada.
Estar naquela situação era terrível, e escutando as lamentações do José seria pior ainda. Ele consentiu e ficou calado, só fazendo carinho no meu cabelo, mas não por muito tempo.
– Quer escutar uma história?

–Quero.
Ele sorriu e pigarreou antes de começar.
– Bom...Era uma vez um belo pássaro amarelo, que tinha um melhor amigo...Um cachorro. E porque incrível que pareça eles nunca, jamais brigavam. Até o dia em que se apaixonaram por uma formiga.
– Uma formiga?
– Sim, a formiga mais linda e respeitável da região. Ela era encantadora e fazia com que todos os machos, de todas as espécies animal se apaixonassem por ela, até mesmo o leão.
– Hum, continue. – disse, desinteressada.
– Acontece que tanto o pássaro, como o cachorro faziam de tudo para agradar a formiga, lhes davam tudo...Tudo o que ela pedia.

– Termina logo José.
– Um dia, numa tentativa frustrada de correr tanto a ponto de voar e buscar uma estrela do céu para sua amada, o cachorro caiu do precipício e morreu.

– E o pássaro?
– Com a morte do seu rival, ele comemorou a vitória, e se juntou finalmente com a pobre formiga.

– Mas se o pássaro também a amava, foi um final razoável para a formiga, não é?

– De fato. Mas o pássaro jamais trocou a libertade de voar, para ficar em terra firme ao lado de sua amada.
– Hum...É uma história interessante.

Ele sorriu.
– É sim. Mas nenhuma mulher, até mesmo as fêmeas do mundo animal, merecem um final ‘razoavél’, não é? – Ele suspirou. – Então não deixe isso acontecer, Annie. Talvez você troque alguém que seria capaz de morrer por você, por alguém que jamais trocaria o mundo das alturas para viver ao seu lado.

Ele continuou fazendo carinho e eu não falei nada. Talvez ele estivesse certo mesmo. O Grey não era o homem mais correto do mundo, e era apaixonado por mim, mas será que ele desistiria de toda essa vida pra ficar comigo em uma casa humilde, cuidando dos nossos filhos como uma pessoa normal? Talvez sim...Mas provavelmente não.
Eu não podia me iludir, achar que num passe de mágica a minha vida se resolveria e eu viveria feliz pra sempre...Era preciso despertar e encarar os fatos.
Eu levantei da cama sem dizer nada e fui tomar um banho rápido. Escolhi uma roupa leve, já para dormir. Ele ainda estava lá, deitado, sem mover um músculo:
– Voltamos amanhã, não é?
Eu perguntei, me deitando do lado dele, que se virou pra mim lentamente, pressionando aqueles olhos azuis em cima de mim:

– Eu não queria voltar mais. Sinto falta dos nossos momentos juntos.
– Estamos juntos agora.
– Estamos juntos e separados ao mesmo tempo. Isso não conta.
– Nunca estivemos juntos realmente.
– Tem razão. Esperei tempo demais, não é?
Ele desenhou um sorriso sem graça do rosto e eu fiquei com pena dele. Passei a mão no rosto dele, fazendo ele me olhar novamente:

– Pensei que minha amizade também fosse importante pra você.
– Eu não quero você pra ser minha amiga, Annie.
– Mas eu sempre fui sua amiga, porque isso tudo agora?

– Porque eu não corria o risco de te perder.

– Você tem que parar de falar essas coisas, José. – Eu comecei a me irritar.
– Porque?

– Como assim, ‘porque’? –Eu ri, sarcástica.- Você foi o único homem a estar comigo por 6 anos, e sempre me tratou como uma irmã quando, as vezes, até eu queria ser mais que isso. Mas não, você estava ocupadinho demais com as suas milhares de namoradas, e agora que eu estou com o meu MARIDO, você resolve interferir assim na minha vida....

– Annie – ele me interrompeu.- Eu não tenho muito dinheiro, não tenho o carro do ano, e não moro em uma mansão...Mas o que eu tenho, vale muito mais do que ele poderia te dar...porque eu vou te dar todo o meu amor. Quando você ficar triste, eu vou ta la pra te abraçar, quando você tiver alegre, eu vou estar lá pra rir junto. E quando eu fizer alguma coisa que te deixe irritada, eu vou te beijar e te elogiar até você se render e me beijar também...E se você me empurrar e gritar comigo, eu vou tentar te abraçar e dizer o quanto te amo, até você também dizer que me ama....É isso, Annie. É isso o que eu quero com você, eu quero ter a oportunidade de amar você!

Subitamente ele deslizou a mão até o meu rosto:

– Eu posso ter um beijo seu?
Eu congelei:

– Jo-José...

– Um beijo...Eu seria o homem mais feliz do mundo essa noite!

E foi instantâneo. Num momento rápido e impensado, eu subi em cima dele, o olhando fixamente, sentindo milhares de sentimentos mesclados invadirem minha alma...mas todos me incentivaram a fazer somente uma coisa: Beija-lo. E eu o fiz.
Eu lhe dei um beijo simples, não beijando sua boca, mais sim seus lábios. Um beijo puro, calmo e sincero. Com as duas mãos, ele segurou meu rosto, e o macio de seus lábios me fez querer mais daquilo, mas eu tive que parar, foi preciso.

– Seja minha, Annie. Seja minha pra sempre! – ele implorou!

Eu quis agarra-lo novamente e beija-lo até sentir prazer pra me entregar, mas no fundo eu sabia que só seria uma vingança boba por Grey ter me traído...Ou quase me traído. Então eu tratei de por a cabeça no lugar,

– Tarde demais, José. Eu amo meu marido.
Eu respondi, saindo de cima dele.

– Não foi isso o que seus lábios acabaram de demonstrar.
– Esquece, José. Não existe nós, nunca existirá.

– Sempre existiu nós, e você sabe disso...Porque você também me ama, mas está cega o suficiente pra não ver isso!

– Amar você? – Eu ri. – Do que você ta falando?
– Eu to falando de você, to falando de mim...To falando de como a gente pega fogo quando estamos juntos...Lembra na piscina...-ele rolou com os olhos. – A cara daquele palhaço foi impagável...
– Cala a boca! Não fala do meu marido....

– UAU! Você tem orgulho de repetir isso toda hora, não é? ‘Meu marido, Meu Marido’. ACORDA, Annie! Ele matou o seu pai!!!!

– Já chega. Não vou ficar aqui aturando você e a sua crise!

Eu me levantei violentamente da cama, peguei um travesseiro e me preparava pra dar o hora, mas ele foi mais rápido e puxou meu braço a tempo, me falando encara-lo:

– Admite que você também me ama, Annie!

– Me esquece, José!

Eu puxei meu braço com força e bati a porta atrás de mim

Quando eu acordei, o ar gélido que imperava naquela manhã já me castigava. Eu tratei de tomar um banho rápido parar despertar e me arrumar para a partida. Escolhi uma roupa confortável: Uma calça jeans e uma camiseta, com uma jaqueta de couro.
Juntos tudo o que me pertencia na mala e procurei por ele, que também já estava pronto, sentado na sala:
– Vamos?

Ele não respondeu, apenas levantou-se, pegou sua mala e caminhou até a porta, e eu o segui.
Antes de deixar-mos o hotel, fomos até a recepção fechar a pequena conta de hospedem que deixamos:

– Eu pago, faço questão! Disse

– Não quero seu dinheiro!
– Não estou pedindo, só estou te informando!

– Já disse que não quero!
E a recepcionista ficou com cara de paisagem nos olhando:

– Faço questão de pagar. – Disse, tirando a carteira da bolsa.

– Guarde o seu dinheiro. Vai precisar dele, quando o seu príncipe encantado te largar com um filho no ventre!
– Olha aqui, José...

– Olha aqui o quê? Ou você vai dizer que a Caroline também mentiu?

– Meça suas palavras...
– Eu falo o que eu quiser, Anastácia. – Ele sorriu.- Eu tenho o prazer de pagar essa conta, ir pra casa e trabalhar duro até coloca-lo atrás das grades, lugar de gente pilantra que nem ele.

A corrente de ódio que subiu foi tão rápido que não demorou muito até eu erguer a mão pra ele para lhe dar um tapa na cara bem estalado, mas ele foi ágil e segurou minha mão a tempo:

– Solte-a!

Eu olhei para a entrada do hotel, já reconhecendo aquela voz grave e nada satisfeita!
– Christian? — eu sussurrei.

O espanto foi mutuo entre mim e José, que imediatamente me soltou e encarou Christian nos olhos. Ele estava ereto, petrificado dentro daquele terno preto.

–O que faz aqui, Christian?

– Vamos pra casa!

Ele não me olhava em nenhum momento, apenas encarava José com uma raiva tão grande que eu sentia o corpo dele queimando mesmo a centímetro de distancia.

– Ela veio comigo, ela volta comigo!
José por sua vez, também não quis ficar por baixo. Ele se aproximou de Christian, a ponto de ficarem cara a cara.

– Não se dê ao trabalho. Eu levo a minha mulher.
– Ela não quer ir com você.

– Duvido muito.
– Então pergunte a ela.

E rapidamente me encarou, esperando pela resposta.

– Christian, vá embora. – eu ordenei, me escondendo atrás do corpo de José.

– Feito! Agora volte lá pro seu mundinho miserável.

– Vamos embora, querida. Temos que partir.
– Ela já falou que não vai, cara. Se toca.

– Anastácia, por favor, vamos.

– Ela fica.

– Não se meta, rapaz.

– Não se mete você, palhaço. Ta pensando que pode vir aqui, dizer meia dúzia de idiotice e sair por cima? Quem você pensa que é? Ou melhor, com quem você pensa que ta falando?
– Com um policialzinho de merda, que vive bêbedo e depende de alguém até pra limpar o próprio traseiro.

– Eu admito que sou muito dependente da Annie, mas ao contrário de você, eu nunca fiz mal a ela. Sejamos sinceros Christian...Eu e você sabemos que o lugar da Annie não é e nunca será do seu lado.
– Errado, ela já é minha!
José gargalhou.

– Sua? Não foi isso que pareceu ontem a noite, quando ela me deu um beijo, tão gostoso, tão suave...sussurrando meu nome e...

O vulto que passou foi tão rápido que eu demorei um pouco pra saber o que havia acontecido, e quando dei por mim, o José estava com a mão no rosto, mas não demorou muito pra ele se erguer novamente e revidar com força o soco que acabara de levar. E assim os dois começaram a se engalfinhar, e por mais que eu implorasse para que parassem eles não me ouviam.
Só se ouvia xingamentos, de ambas as partes, e o meu desespero foi tão grande que eu comecei a gritar por ajuda. Até que um homem, segurança talvez, veio e separou os dois com uma brabeza tão grande que até eu fiquei com medo.
O homem era bem alto, quase um armário e saiu empurrando o Christian para bem longe de José e eu fiz o mesmo com José, saí empurrando-o para o lado externo do hotel:

– VOCÊ PIROU? O QUE DEU EM VOCÊ? – Eu gritei.
– Eu não vou apanhar calado pra aquele safado...
– Ei, chega! Tava pensando no quê? Que tipo de policial é você José? Sair agredindo pessoas...

– Ele não é pessoa, é um pilantra, mau caráter. Dar uns tapas nele foi pouco, deu devia ir lá e prender aquele cara, ainda...

– Chega! Eu disse chega! – Eu me exaltei. – Olha essa cara, toda machucada.

Eu me aproximei dele, e comecei a aparar o enorme ferimento do olho direito.

– Tira a jaqueta, vou cuidar disso!

Ele não titubeou e tirou a jaqueta. Eu a usei para limpar o sangue, e podia ver claramente que o ferimento foi muito feio.
– Nossa, isso ta horrível!
– Pode ter certeza que o seu maridinho também levou uns porradas! – ele comemorou, mas logo gemeu de dor!

Eu fiquei um bom tempo lá, cuidando dele, sabendo que aquele negócio ia ficar muito inchado:
– Vai ter que colocar gelo.

– Eu to bem agora. – Ele disse, curto e grosso, tirando a jaqueta da minha mão. –Deixa que eu me viro.
– Para de gracinha, José, me deixar cuidar disso.
– Não! – ele ordenou. – Não dá pra esperar mais, o vôo já ta pra sair, e eu vou embora.

– Mas... e eu?- eu disse, baixo.
– Você tem que escolher agora, vai comigo, ou fica com ele?

Ele me olhava fixamente, mas estava temeroso, talvez já soubesse minha resposta:

– José...


– Tudo bem, Annie. Mas deixa eu te falar uma coisa antes, porque eu não quero ter que embarcar naquele avião com a sensação de que eu não falei tudo o que devo falar.

– Então fala!

– Quando eu digo que to amando você, não é porque eu sinto falta de você cuidando todo o momento de mim...É porque eu sei que a cada dia que passar, você vai ficar cada vez mais longe de mim, porque vai ter um dia em que a sua vida de casada vai te impedir de vir a minha casa, e com o tempo vamos virar apenas dois amigos distantes. Eu ficaria meses sem olhar seu rosto, ver seus olhos, tocar seu cabelo....Ficaria meses sem escutar sua voz, sem abraçar você...e mesmo se eu te abraçasse, não seria um abraço como outros, seria um abraço simples, seco. O que eu to querendo dizer, é que to morrendo de medo de perder você, que descobri que te amo, quando acordei um dia e me senti vazio, porque tem uma grande parte de mim que pertence a você, e se você não esta comigo, eu não sou completo. Meses atrás nós éramos os melhores amigos do mundo e agora eu to me declarando pra você e implorando pra que você entre naquele avião comigo. – Ele se aproximou mais um pouco.

– Mas José...

– Eu também to confuso, Annie...- Ele segurou meu rosto delicadamente. – Eu quero você como mulher, não como uma velha amiga.

Eu o olhava fixamente, mas não era um olhar apaixonado ou algo parecido, era decepcionado...sei lá. Eu não tinha duvidas que se fosse a algum tempo atrás eu me renderia a ele, mas não agora. Eu estava em outra, eu não tinha cabeça pra me aventurar com José, porque ele não era uma pessoa fácil, sempre muito namorador e conquistador...Quem me garantia que ele não estava fazendo e falando aquilo tudo por capricho? Só pra não me perder pra outro? ...Eu não sabia, mas não importava mais, eu já tinha uma resposta e não era nada boa:
– Você esperou tempo demais, José.
Ele abaixou a cabeça por um segundo e voltou a me olhar, duro:

– Eu desejo tudo do melhor pra você Annie, mas te aviso uma coisa: Quando ele te abandonar, eu estarei lá, te esperando! E a propósito, eu ainda sou policial e não vou descansar até provar pra todo mundo que ele é um criminoso.

Ele deu um sorrisinho meio termo e passou por mim, sem olhar pra trás. Mas eu fiz questão de chama-lo:

– Isso é um adeus?

Ele se virou lentamente:

– Eu diria que é um até logo.
– Mas e a gente, como é que fica?
– Não fica. To indo embora agora!
Ele saiu caminhando devagar, e eu o acompanhei com os olhos até ele sumir do meu campo de vista.
– Finalmente ele se foi. – Eu me virei rapidamente. – Agora sim, podemos conversar!

Eu fechei a cara. Eu sabia que estar significava que eu aceitaria o Christian mais uma vez, mas nem por isso eu esqueceria a traição:
– Como é que você me achou aqui?

– E isso importa?
– Claro que sim. Eu odeio essa sua mania de me perseguir...

– Eu te avisei que vinha.
– Não avisou não, e você...
– Quer mesmo falar disso agora?

Ele não esperou e praticamente correu até mim, me dando um abraço apertado, segurando minha cintura com uma mão e meus cabelos com outra, me pressionando nos braços dele:

– Eu senti sua falta.

Eu não falei nada, nem ao menos o abracei.
– Temos que ir embora, agora!
– Ir embora? Pra onde?

– Atlanta, Paris, Vancouver, você escolhe. Mas temos que ir embora, logo!
– Como assim...ir embora? Eu não vou sair daqui. Alias, eu vou sim. E vou direto pra casa!

– Mas...

– Mas nada, Christian...Ou você pensou que podia ir aqui bancar o herói, dar um soco na cara do meu amigo e ficar tudo bem....Eu não esqueci o que você fez!

– Eu também não, por isso demiti a Elena!
– Hã?

– Eu demiti a Elena.

– Mas e os tais ‘poderes’ que ela tinha sobre você?
– Tecnicamente são informações.

– Informações...sobre você?
– Não. – Ele me encarou.- Sobre você!

Foi aí que eu fiquei mais puta ainda. Que informações tão valiosas eram essas que fizeram o Christian me trair? Seja lá qual era, eu fazia questão de saber, mas ele não falou nada. Apenas pediu que eu o acompanhasse até o terraço do edifício, onde teria um avião a posto, para nos levar de volta pra casa.

Era um belo meio de transporte, e não tinha absolutamente ninguém, somente eu, Christian e o piloto, que ficou no seu gabinete, muito distante de nós, que sentamos nos últimos acentos. E eu não quis demorar mais para perguntar:

– Me conta!

– Você está deslumbrante hoje, sra. Grey. – Ele me olhava fixo, como se fosse a primeira vez que tivesse me visto.

– Que informações são essas?

– Estou feliz que esteja aqui. Não vou decepciona-la outra vez.

– Christian...

– Aquela casa é vazia demais sem você.

– Corta essa, Christian, tem milhares de gente trabalhando lá.

– Mas eu sinto falta especialmente de você!
– Quer parar de mudar de assunto?

– Não mudei de assunto.

– Então porque não está me respondendo?

Ele não falou mais nada, ficou parado por alguns instantes, e logo depois se levantou. Eu não entendi nada, mas o segui.