The Sandman — Olhando Para Dentro

7 Capítulo VII — O Pesadelo


QUEM PODERIA IMAGINAR QUE o próprio Sonho seria posto para dormir?

Morpheus acharia graça de tal absurdo se a ideia em si não passasse disso: de uma ideia absurda. Mas quando uma possível criatura maligna possuindo um tomo mágico se vincula contra a vontade do Perpétuo, é necessária uma medida desesperada.

E a partir do momento que Johanna Constantine – ou aquilo que se parecia com ela – pedira a Morpheus que se lembrasse aonde viera parar e de como a suposta criatura invasora acreditava ser a verdadeira essência do livro – dado o tempo que permanecia presa ali – as coisas pareceram um pouco mais claras para o Perpétuo.

Mesmo que todo o resto continuasse nebuloso até o momento.

Sonho continuava no Sonhar; embora a sensação de fraqueza o abatesse em momentos críticos, Morpheus recuperava suas forças com a mesma rapidez. No entanto, havia a possibilidade de que, ao questionar sobre o paradeiro do criador do livro, Morpheus tenha sido tragado para dentro do tomo mágico ao invés de ter viajado pelo reino da Morte e ao Mundo Desperto como se fez parecer.

O tomo nada fez além de usar sua magia; dos conhecimentos prévios e avatares de pessoas ou seres que Lorde dos Sonhos e Pesadelos se envolvera ao longo de sua longeva existência para poder se comunicar com ele, devidamente.

Ainda assim, Morpheus se questiona a razão de não conseguir expulsar a criatura de voz horrenda de sua mente, mesmo estando na fonte infinita de seu poder, onde a realidade se curva diante de sua vontade.

Mas o problema é justamente o fato de que a criatura não está fisicamente em lugar algum além de ser uma voz na mente do Perpétuo.

E como se silencia uma voz invasora? É encontrando a sua origem?

Para Morpheus, porém, é como enfrentar o abismo; é lidar com os próprios sonhos e pesadelos, anseios e medos; e é difícil para o Perpétuo não se perder nas próprias memórias enquanto busca pelo vislumbre de consciência da dita criatura, cuja a voz escabrosa finalmente se encontra silenciada.

Já que todo ser consciente pensa; logo sonha, Morpheus demora apenas o tempo de viagem entre um sonho e outro para encontrar o tal Mundo Onírico da criatura ainda sem nome.

O mergulho em direção a brecha é certeiro, mas a aterrissagem não se torna menos turbulenta; Morpheus perde o controle ao entrar e cai direto no chão, de terra batida e cor avermelhada, fazendo o Perpétuo tossir quando aspira um pouco da poeira.

Com certa dificuldade, lamento e dor, Lorde Sonho se levanta, batendo a poeira das suas vestimentas escuras com as mãos meio trêmulas, recompondo-se, e ergue o olhar aguçado para o enorme paredão à frente.

Trata-se de um portão.

Gigantesco, perdendo-se nas alturas das nuvens cinzentas que compõem o firmamento.

E uma lufada de vento hostil recepciona Morpheus.

O ar gelado faz arder suas narinas. Gritos horrendos de sofrimento e dor são ouvidos ao longe, como uma música sinistra vinda de todos os lugares para onde se olha, mas sem saber de onde vem. A névoa que surge de repente é traiçoeira e traz consigo um odor forte e bem conhecido daquele lugar insalubre e inóspito; o puro enxofre.

Não há dúvidas de que se trata de um sonho, porém, Morpheus reconhece a perfeita réplica daquele lugar de imediato, já que fizera uma recente visita ao reino sombrio para recuperar o seu elmo, humilhando o regente soberano no processo.

Ele sente um frio incomum o atingir na boca do estômago.

━━ O inferno... — ele diz em voz alta para se fazer presente, ou substituir a canção fúnebre de lamúrias e gritos dolorosos que se ouve ao fundo. ━━ A sombra perfeita do próprio Paraíso... Morada dos caídos, dos que se perderam... dos condenados. Mas isso não passa de um sonho, portanto, não tenho nada a temer. Embora eu esteja só, sei que estou a salvo. É apenas um sonho de uma criatura perdida, tragada para dentro de um livro, a ponto de acreditar que faz parte dele. Essa é a minha especialidade, porque nos sonhos, o impossível não é impossível para...

━━ Kai'ckul?

A monótona voz de Morpheus some da própria garganta quando ele ouve alguém chamar pelas suas costas. E, por um momento quase interminável, ele não sabe se deve se virar e olhar para trás.

"Este deveria ser o sonho da criatura... então, por que isso está acontecendo comigo?"

━━ Você veio por mim? — a outra voz, mais conhecida e antiga, pergunta com certo entusiasmo.

Mesmo assim, Lorde Sonho teme em se virar e testemunhar aquilo que existe nos olhos da mulher que condenara ao inferno há mais de 10 mil anos, porque ele deduz que a criatura, seja ela qual for, não parece disposta a um embate limpo.

━━ É você mesmo, não é? — a voz daquele passado insiste diante do silêncio do Perpétuo. ━━ Desta vez, você veio me buscar... Teve coragem para vir falar comigo?

Morpheus se vira em direção à voz, num misto de sentimentos conflitantes e se depara com a mulher que amou há muito tempo. Ela continua linda como da primeira vez que a viu na Torre da Rainha, na chamada Cidade de Vidro: de pele negra; usando vestido verde-oliva que parece seda; mantém sua feição suave e de olhar doce, ainda que seus olhos castanhos estejam cheios de medo e expectativa para que suas preces sejam finalmente atendidas ou que elas apenas não sejam deixadas de lado.

━━ Nada... — Morpheus pronuncia o nome dela, sentindo um bolo se formar na garganta, mas ele se concentra e se direciona à criatura que fez morada em sua mente: ━━ Usar de golpe baixo pra me atingir? Não posso dizer que estou surpreso.

A expressão da mulher é de pura confusão.

━━ Consegue imaginar como é passar milênios presa numa jaula minúscula, apenas torcendo para ter a liberdade de volta? — Nada franze a testa em descontentamento. ━━ E tudo o que me restou foi esperar a sua volta... e esperança para que você entenda e aceite a minha decisão, mesmo que isso te machuque, Kai'ckul. Mas de tudo o que eu esperava... você demonstra uma postura inflexível, sem qualquer amor ou arrependimento.

Morpheus sente o vento chicotear seu rosto pálido como se recebesse um tapa, virando o rosto e fechando os olhos para se proteger da dor, embora ainda a sinta. E quando volta para a mulher à frente, os olhos dela estão tristes e marejados.

━━ Presumo que esteja gostando de utilizar tais truques contra mim. — Ele deixa a raiva sobressair e falar por si mesmo.

━━ Criatura? Truques? — Nada se aproxima alguns passos à frente, segurando com força um pedaço do tecido do vestido, contorcendo-o com indignação. ━━ O que quer dizer com isso, Kai'ckul? Não acredita mais no que vê?

━━ Isso não passa de um sonho, Nada! — responde com firmeza e sua voz etérea ecoa pelo lugar, silenciando os gritos e lamentos. ━━ Você não deveria estar aqui... nem deveria existir aqui!

Nada recua dois passos, demonstrando medo, mas também perplexidade diante daquela situação, mesmo que Morpheus não tenha entendido o que de fato está acontecendo.

━━ Você é o Mestre dos Sonhos, não? — indaga sem esperar uma resposta. ━━ Como não percebe que está dentro do próprio pesadelo, Sonho?

Morpheus franze a testa, pensativo e um pouco desacreditado com o que ouve. Então, algo acontece.

━━ Pai?

Desta vez, a voz que chama pelo Perpétuo é de um homem feito, tão dolorosa quanto foi ouvir a da sua amada condenada ao inferno. E Morpheus sente seus joelhos fraquejarem, ainda que se mantenha estático feito uma estátua sombria fincada no chão, com medo ainda maior do que antes de se virar em direção daquele pesadelo e testemunhar a feição de seu filho... àquele a quem abandonara à própria sorte.

━━ Não vai mesmo olhar para mim? — ele indaga com lamentação. Sua bela voz de barítono carrega em seu tom a dor da súplica. ━━ Nem desta vez?

Morpheus engole em seco e contém as lágrimas que inundam seus olhos brilhantes pela triste ironia em que se encontra.

Muitas histórias são contadas para ensinar os mais jovens o que se deve ou não fazer diante das dificuldades da vida. O que é bom e o que é ruim. E o que faz bem e o que faz mal. E a moral em muitas delas.

Vidas são criadas pelas histórias. Culturas são perpetuadas pelos contos desde os primórdios da humanidade, de geração à geração. É pelas histórias que nomes são eternizados... ainda que, em muitas dessas histórias, o destino nem sempre termina em um “e foram felizes para sempre”.

Como a tragédia que se abateu na vida de Orpheus.

━━ Sonhos e Pesadelos são apenas temores, anseios e lembranças... — Morpheus recita a resposta que dera ao filho quando este lhe questionara do que era feito os sonhos. ━━ E também cheios de coisas que poderiam acontecer. Agora, no entanto, pego-me surpreso ao indagar-me da onde viera a sua teimosia, Orpheus, a ponto de fazê-lo cometer tais tolices por se recusar a aceitar o destino de sua amada... enquanto estou aqui, diante das sombras do meu passado, que mostram pra mim a minha própria teimosia.

━━ Agora, você sente culpa — afirma Orpheus enquanto parece se aproximar, pois passos são ouvidos próximo do Perpétuo. ━━ E pra isso, você precisou mudar, não foi? Mas o que aconteceu com você, pai?

Tanta coisa aconteceu enquanto estive... aprisionado. Quanto desejo de vingança eu senti...”.

━━ O que precisou acontecer para trazer o gosto amargo da realidade à boca, meu pai? Eu ainda sou o seu filho... por que não quer me dizer?

Porque você ainda é meu filho... Ainda que tenha dito que não era mais...”.

━━ Diga, meu pai...

Morpheus fecha os olhos quando sente a aproximação de Orpheus. O toque e o peso da mão dele sobre o seu ombro é tenro, e o Perpétuo se vê em prantos ao ouvir, desta vez, a lira sendo dedilhada com tanta perfeição.

Há sentimentos e emoções grandes demais para se lidar, mas Morpheus não quer carregar mais um arrependimento, em meio há tantos, dentro do peito.

Não importa se Nada não esteja de fato ali, consigo, para ouvir o seu pedido de perdão. Ou nem que Orpheus – ainda que ele seja apenas uma sombra daquilo que já fora uma dia – não possa ouvir o real desejo de seu pai de visitá-lo, algum dia, ou de conceder a ele o desejo que ele queira.

Sonho percebe que também nunca fora perfeito. E que mesmo acreditando estar certo em suas decisões, muitas delas foram tomadas sem qualquer sentimento de empatia. Nem pelo outro ou por si mesmo.

A dor que sente é dilacerante.

Seria tudo tão diferente se não agisse como um deus rígido e controlador, que não poderia ter a sua vontade contrariada...

E quando isso mudou?

Foi quando tivera tempo para pensar em tudo o que acontecia no mundo a fora enquanto esteve preso numa redoma de vidro, dentro do círculo mágico, criados por humanos iludidos e sedentos por um poder que desconheciam?

Foi quando teve tempo para pensar na humilhação que sentira ao se dar conta que apenas um reles humano conseguira captura-lo – já que estava enfraquecido ao voltar ao Mundo Desperto, por não ter dado ouvidos ao alerta de “tome cuidado” de sua fiel bibliotecária – e que de outra forma não seria possível aprisionar qualquer um dos Perpétuos que Roderick Burgess, o Magus, desejasse?

Foi quando teve tempo para pensar após a perda trágica de Jessamy, o corvo que só queria ajudá-lo a escapar daquela prisão?

Foi quanto teve tempo para pensar que não se encontraria com Hob Gadling, o humano imortal, naquele século – se não estivesse impossibilitado de fazer qualquer coisa –, porque não queria admitir que o outro estivera correto em afirmar que ele, o Perpétuo, no final das contas, só continuava com os encontros porque precisava de um amigo?

Aprisionado, Morpheus só esperou o momento certo para escapar, sem se importar com a passagem do Tempo, porque este não o afetaria da mesma forma como ao resto do universo, e nunca o faria, por se tratar de um Perpétuo, que não perece como um deus e muito menos como um humano.

E como tal, não se permite receber ajuda de qualquer um que seja, pois tem um ego ferrenho... e muito frágil também.

A consequência de sua ação egoísta fora a falta de esperança no Mundo Desperto, resultando, por anos, em terror e morte no mundo todo. Marcando a história da humanidade para todo o sempre, além da própria destruição do seu reino, o Sonhar.

━━ Que bem fizera a si mesmo ao se manter tão orgulhoso? — Orpheus faz-se presente ao terminar de tocar a melodia melancólica que acompanhou o devaneio do Perpétuo em sua lira dourada. ━━ Eu sei o que perdi quando deixei de viver a minha vida como o Senhor me pediu pra fazer. Não quero vê-lo seguir o mesmo caminho, pai... Diga o nome daquele que fora um dia e que, agora, será diferente...

Morpheus, com o rosto molhado pelas lágrimas, vira-se de frente para o filho, disposto a dizer o que deveria tê-lo dito há muito, muito tempo...

━━ Sonho dos Perpétuos, aquele que deixara um grande amor ao tormento e que virara as costas para o próprio filho. Sou chamado por eles de Kai’ckul e Oneiros. E quero pedir uma coisa a vocês...

Antes de terminar o que gostaria de dizer, Morpheus perde o chão e sente-se suspenso no ar.

Perdido, sem gravidade, sem eixo, sem equilíbrio.

Solto e confuso.

E surpreso.

Tudo aquilo é apenas um pesadelo...

Como não saberia disso? Ele é o próprio Sonho. Deveria entender como tudo acontece...

━━ Sim, você está perdido, mas não se preocupe... eu estou aqui agora para ajudar você. — Uma figura iluminada é quem aparece ao seu lado, com uma espécie de sorriso no rosto como quem acolhe um ente querido que há tempos não vê.

O cenário agora é diferente; embora ainda sinta o ar regelado, Morpheus sente-se na completa solidão, no vácuo do espaço. Vislumbrando os pontos luminosos a piscar como estrelas à distância, naquele manto negro, sem poder toca-las, mas, ao mesmo tempo, estando tão perto que poderia pega-las com a mão.

━━ Então... era o meu pesadelo — diz Morpheus.

A figura brilhante continua a sorrir, ao seu lado, segurando a curva do braço do Perpétuo como quem apenas acompanha um amigo num passeio.

━━ Sim... E a voz que estava na sua cabeça, como você finalmente deduziu, era você mesmo. Um lado sombrio seu que você negligenciou por muito tempo... E o livro... eu... acabei dando voz a este abismo para que você pudesse desenterra-lo antes de poder compartilhar suas vivências comigo.

━━ Por que fez isso? — questiona, aos sussurros.

━━ Posso dizer que foi em legítima defesa, pois tudo estava tão confuso... Foi apenas para eu não me corromper com sua dor, Morpheus. Para que eu não perdesse o meu real propósito.

━━ Que propósito seria este?

━━ Agora me lembro que sou um presente, Morpheus, e o que faço é contar histórias, compartilhar vidas e conhecimentos com aqueles que têm-me nas mãos. E quase havia me esquecido disso... do que eu era.

Morpheus consegue se concentrar e encontrar o próprio equilíbrio e, com leveza, se afasta do avatar do livro.

━━ Um presente de quem?

━━ Claro! Foi um desejo de sua irmã... se não me engano, ela se chama Delírio. E acho que as coisas ficaram um pouco descontroladas por aqui, por algum tempo, quando ela resolveu ler meu conteúdo quando descobriu minha existência... Peço desculpas por não ter sido claro desde o começo, mas eu precisava de sua sobriedade para que eu pudesse refazer o que fiz.

Morpheus suspira cansado, sentindo um gosto amargo na boca... por não ter tido tempo de dizer a Nada e a Orpheus— mesmo que não fossem reais – o que sentia e o que eles mereciam ouvir.

Porém, o sentimento de perda que inflige mais dor em seu peito não o deixa desatento.

Não desta vez.

━━ Delírio desejou me presentear com um livro... Agora eu sei a quem agradecer.

O avatar iluminado do tomo mágico se aproxima do Perpétuo.

━━ Agora, precisa acordar do próprio pesadelo, Rei Sonho... E se tiver que dizer algo a alguém, que seja lá fora, na sua verdadeira contraparte; a realidade.

Morpheus não tem tempo de reação, pois o avatar do livro toca o seu peito e empurra-lhe com força sobre-humana para trás, para longe de onde estavam, sem que o Perpétuo tenha o controle da direção ou mesmo da velocidade que seu corpo exerce no negrume do espaço.

E só naquele momento que Morpheus percebe que os pontos astrais, na verdade, são letras, formando palavras, compondo frases inteiras bem diante de seus olhos azuis.

Morpheus voltaria ao Sonhar podendo ler o tomo mágico, se assim o desejasse... No entanto, a volta ao reino é dolorosa para o Perpétuo, acarretando numa explosão poderosa e numa destruição sem precedentes nos aposentos.

Quando abre os olhos, o som do bater de asas de Matthew chama a sua atenção. E sua primeira reação é se aproximar do corvo e cobri-lo com o seu manto.

•*'¨'*•.¸¸.•*'¨'*•.¸¸.•*'¨'*•.¸¸.•*c o n t i n u a

Notas finais
Olá, queridões! Espero que estejam gostando dessa maluquice que criei. Quero alertar que estamos próximo do final deste arco gigantesco, finalmente! Não quero prolongar mais que o necessário, porque PRECISO descansar da escrita. E eu sei que já estou abusando demais da minha própria paciência ao não obedecer às minhas próprias vontades. Prometo que isso não vai acontecer! KKKKKKCRY Agora, vamos ao que interessa de verdade, e desde já peço desculpas pelas notas tão grandes quanto o próprio capítulo. Vamos aos esclarecimentos: Morpheus não dorme, pois não sofre desse tipo de necessidade. Porém, o que fiz ao descrever Sonho usando a areia em si e “caindo em sono profundo” foi mais como um ato simbólico do que qualquer outra coisa. Dito isso, Morpheus esteve dentro do livro desde a dita viagem às Terras Sem Sol. Ou seja, o que vimos junto com Sonho não era nada além de uma miragem daquilo que o próprio Perpétuo imagina como sendo o reino da irmã, e que o livro apenas recriou o cenário enquanto adquiria conhecimentos de Sonho, usando a imagem da Morte para se comunicar. Tudo bem até aqui? Continuando: E a voz que habitou a mente do Perpétuo? Bom, tenho pra mim que tudo o que a irmã caçula de Sonho toca, causa loucura. E o livro perdeu o controle de si quando esteve em posse de Delírio. E, como mecanismo de defesa, quando soube seria dado como presente a outro Perpétuo poderosíssimo, o livro impediu que sua leitura fosse feita... porém, ao se deparar com a dor negligenciada pelo próprio Morpheus, o tomo mágico se “forçou” a ajudá-lo; dando voz aquele lado sombrio do Perpétuo, para que ele pudesse lidar com isso da melhor forma possível e finalmente encontrasse a paz em seu coração. No entanto, as coisas não se resolveram tanto assim para o Perpétuo, certo? Porém, ao menos, Sonho agora está ciente disso, deu atenção ao que estava de fato acontecendo dentro de si, parando de negligenciar a própria dor. E está reconhecendo que, de fato, mudou. Ou está aprendendo a mudar. E para melhor, quem sabe? Lembre-se que no primeiro arco começo dizendo que Morpheus está inquieto, com pensamentos amargurados. Pois bem, isso não foi à toa. Adoro “Vidas Breves” e “Entes Queridos” (arcos da HQ de Gaiman) que mostram a relação fraternal e completamente disfuncional que os Perpétuos têm, e não vejo a hora deles serem adaptados na série, que finalmente foi renovada! AAAAA, SIM, CHOREI DE ALEGRIA! Enfim, mencionei esses arcos por querer trazer um pouco dessa relação entre os irmãos que mais amo na vida – Sonho e Delírio – na minha fanfic, no próximo capítulo. Sei que o ato de explicar a própria história denota falha em desenvolvê-la, mas também reconheço que fiz o meu melhor para compartilhar uma história legal com quem se aventura a ler. Uma que eu também gostaria de ler. E só quero ter certeza de que vocês tenham a melhor experiência estando aqui. *u* No mais, qualquer dúvida, estou à disposição; mesmo que eu demore um pouco para responder, não desistem de falar comigo e nem se acanhem, tá? Beijos, pessoal e obrigada por tudo, Lilindy! ♡ Pelos comentários lindos e pela sua presença iluminada. Até o próximo capítulo.