The Sages

18 18 - Cinco


Notas iniciais
Heeeeeeey pessoas bonitas! Como estão? Tiveram uma boa primeira semana de 2016? Bem, a minha foi praticamente toda dedicada a The Sages haha. Mas não me sinto arrependida ou cansada por isso. Pois realizei um pequeno grande sonho: consegui concluir esta fic. Depois de recomeçá-la três vezes, The Sages finalmente chegou ao fim. O capítulo ficou grande, eu sei, não esperava que fosse dar tudo isso. Mas coloquei tudo o que planejava para o final da história. E olha... Isso tá planejado há anos. É por isso que estou feliz e triste ao mesmo tempo. Mas, porém, contudo, entretanto... Eu não tô a fim de me despedir agora. Quero dar à The Sages pelo menos três capítulos extras: um falando sobre o que acontece anos depois sob o ponto de vista de Liz (já em andamento); outro focando mais no século XX; e mais um mostrando o ponto de vista dos outros quatro, o que sentiram quando revelaram a verdade a suas famílias, como elas reagiram no começo, etc. Que acham? Sei que eu vou adorar. Ah, e tem música nova na ost: I Lived, do OneRepublic. Se não conhecem, sugiro que ouçam e leiam a letra. Imaginem como um último pedido dos Sábios aos humanos, principalmente àqueles próximos deles. Tenho muito mais a dizer, mas por enquanto vou deixá-los ler o capítulo. Enjoy! PS: Parágrafos em itálico fazem parte da carta.

Acordo em um chão frio. Demoro alguns segundos para me lembrar onde estou e o que aconteceu. E quando me lembro, não dá para evitar um sorriso.

Meus irmãos estão dormindo ao redor de mim. Estão todos cansados e feridos – o ombro direito e a barriguinha de Paco; o quadril e o braço de Michele; o joelho e um ponto das costas de Dustin; o peito, a testa e o pé de Sohan. Eu também estou. Mas acabou; nossa última batalha acabou. Isso já é motivo o suficiente para meu alívio superar qualquer cansaço.

Então, me lembro que acabamos de entrar em contagem regressiva para desaparecermos. Temos no máximo duas semanas na Terra, e então... Adeus. Pensar nisso é como prever sua própria morte. É estranho, triste. Quase me faz desejar que a batalha não tivesse acabado.

Como será daqui para frente? Como será a Terra sem os Sábios a protegendo de século em século? Os humanos vão conseguir manter a luz ou as trevas dominarão? Eles precisam conseguir, pois agora seu destino depende unicamente deles.

Eu tenho que arrumar um jeito de prevenir a humanidade. As trevas não ficarão seladas para sempre, principalmente se eles não contribuírem. E se não, elas podem facilmente dominar seu mundo.

– Não precisa se preocupar com relação a isso.

Mackenzie, claro. Ela tem tanto costume de chegar do nada que nem me assusto mais.

– Eu disse que sou responsável pelo equilíbrio – ela continua. – Nunca permitiria que as trevas dominassem. Elas sempre ficarão na metade enquanto eu existir. Se voltarem a ficar mais fortes, darei um jeito de controlá-las de novo.

– E como fará isso? Vai criar novos Sábios?

L.C dá uma risadinha.

– Não acho que consiga encontrar almas tão puras e unidas como as suas tão facilmente. Mas não se preocupe com isso. Eu sei fazer meu trabalho.

É claro que sabe... Nem mede esforços para isso.

– Eu ainda tenho um monte de perguntas pra te fazer.

– Guarde-as para quando estiverem em casa. Vocês têm pouco tempo de sobra na Terra; sugiro que o aproveitem. Tenho certeza de que todos querem passar mais tempo com suas famílias adotivas.

– Sim – eu falo. E então vem uma súbita vontade de dizer: – Obrigada, Lady Crystal.

– Eu não fiz nada, querida. É o mundo que deve agradecê-los. Agora, se você ainda quiser prevenir os humanos contra eles mesmos...

Ela estala os dedos e faz surgir uma folha de papel e uma caneta. Assim, do nada. É uma das vantagens de ser uma divindade.

– Proponho que deixe um bilhete. Escreva, e eu deixarei nas mãos de quem possa passar sua mensagem ao mundo.

– Pra quem vai entregar? Ao Papa?

L.C ri de novo.

– É uma ideia. Apenas escreva. Não se preocupe com os detalhes.

Como não quero me preocupar com mais nada por hoje, faço o que ela manda. Porém, quando toco a caneta, me lembro de outro problema.

– Não dá pra escrever. Minha mão está muito queimada.

– Certo, certo... – Mackenzie pega a caneta e o papel. – Diga que eu escrevo.

Sei exatamente o que falar; não sei de onde isso veio, mas sei. Fecho os olhos e começo a ditar.

. . .

Quando terminamos a mensagem, Mackenzie se oferece para nos levar de volta para o hotel até os outros acordarem e cada um poder ir para sua casa. Aceito sem pensar. Se ela acha que ficaremos seguros lá, então o ataque dos monstros não deve ter deixado o local inabitável.

No quarto, depois de L.C providenciar nossos curativos, pergunto a ela quantos humanos morreram. Mackenzie diz apenas que preciso descansar agora. Não reclamo.

E, dividindo a cama com Michele, eu apago.

. . .

Estamos nós seis do lado de fora da cabana. Observamos o céu estrelado em silêncio. Me permito acreditar que a guerra tenha parado apenas para todos podermos admirar essas estrelas.

Elena descansa a cabeça em meu ombro. No outro lado está Mira, com Mladen repousando a cabeça em seu colo. Slaven e Vladmir estão de pé, protetores.

O lugar não é o dos melhores, e a paisagem nem sempre é boa como esta, mas a companhia dos cinco sempre compensa tudo.

. . .

L.C vem ao amanhecer. Ela nos acorda e nos manda apenas ficar de pé. Sabemos que ela vai levar nossas coisas sem que precisemos pegá-las, e não tem mais espadas para protegermos, então apenas fazemos o que ela diz e nos preparamos para o teletransporte.

Quando abro os olhos, já estou a alguns metros da casa de Dustin, ao lado do mesmo e de Paco. Nem me dou o trabalho de procurar os outros dois. Michele está no Brasil. Sohan está na Índia.

Nós voltamos.

– Vai para o hospital? – Dustin me pergunta.

Balanço a cabeça. Chegamos no meio da noite; mesmo que eu quisesse ir para lá agora, Sophie e Liz já devem estar dormindo.

– O que acham de passar um tempo no esconderijo do parque primeiro?

Eles sorriem.

– Boa ideia – Dustin diz.

– Podemos ficar lá até o amanhecer – Paco sugere. – E depois até a tarde.

Assim, tenho a certeza de que não sou a única que não quer se despedir ainda.

. . .

Em nosso esconderijo, eu, Paco e Dustin passamos a noite entre conversas fiadas, risos e breves silêncios, exatamente nessa ordem. Cochilamos um pouco, e no dia seguinte, comemos os lanches que Paco tinha levado para a viagem.

Agora eles estão a caminho de suas casas enquanto eu já estou em frente ao hospital. Ainda não sei bem o que dizer a Sophie e Liz, só sei de uma coisa: nada de tchau, muito menos adeus.

– Já chega, Miles.

Miles? Paro para olhar a cena. Meu ex-colega de classe está diante da porta de vidro do hospital, parecendo procurar algo lá dentro. Tem um rapaz mais velho atrás dele. Já o vi numa festa do colégio uma vez; é o irmão do Miles. Só não me lembro de seu nome.

– Eu tô falando que tem alguma coisa errada! – Miles diz, quase gritando.

– Você falou a mesma coisa na primeira vez que veio aqui!

– Mas é estranho! Na primeira vez que eu vim, esqueci completamente o motivo que trouxe até aqui assim que cheguei no hospital. E agora tô uma com uma sensação muito estranha. Sabe como é sentir que tem um espaço vazio na sua memória?

– Esse papo já tá me assustando.

– É pra assustar mesmo, Wyatt! Eu tô mais assustado do que você! A única coisa que quero é entender o que está acontecendo!

– Pelo amor de Deus, deixa isso pra lá antes que perca toda a sua sanidade mental!

– Deixe que eu perca! O que você tem a ver com isso?

– Sou seu irmão – Wyatt enfeza. – É com isso que eu tenho a ver. Agora, vamos pra casa antes que você ganhe um quarto no hospital.

Wyatt puxa Miles pelo braço e este, contrariado, vai com o irmão. Os dois passam por mim, e eu chamo pelo meu colega, mas Miles me ignora.

Ou não me vê?

... Sim, é isso. Ele não me vê porque já estou em contagem regressiva. Estou desaparecendo aos poucos, e isso deve começar nas memórias. Mackenzie disse que nós só pudemos voltar à Terra como Sábios porque estávamos na memória da alma de Elena. Se as lembranças são o fundamental, e se Miles se esqueceu de mim, então eu já não existo mais para ele.

Com quem mais isso aconteceu? Será que Sophie e Liz...

Quando entro no hospital, meu medo da despedida já se transformou em medo do esquecimento.

. . .

Toda a minha preocupação vai embora assim que chego ao quarto de Liz. Minha pequena abre um sorriso tão grande que me faz crer que ela será a última a se esquecer de mim.

– Hailey! Você voltou!

Liz pula da cama para me abraçar. A enfermeira que está no quarto olha para mim, séria. Não me olhe assim, penso, eu nem falei nada. E então eu me toco. Ela está me vendo?

– É, eu voltei. E você tem que voltar pra cama.

Liz resmunga um pouco, mas pula de volta para a cama enquanto eu me sento ao seu lado. A enfermeira termina seu trabalho e nos deixa sozinhas.

– Com foi em Jerusalém? Terminou sua missão? Cadê o Dustin e o Paco? O que aconteceu com seu rosto? E com as suas mãos?

Nunca fiquei tão feliz por ser bombardeada por suas perguntas. Dois dias foram o suficiente para eu ficar morrendo de saudades de Liz.

– Foi... Foi uma experiência que eu espero que você nunca conheça. Mas terminamos, sim. Paco e Dustin foram cada um para sua casa, assim com Sohan e Michele. E não se preocupe comigo. Estou bem.

Nunca estive melhor.

– E como é lá?

– Em Jerusalém? Não tivemos tempo para passear. Foi uma viagem rápida e importante.

– Tá, mas depois da missão vocês podiam ter passeado e tirado fotos pra me mostrar!

– Não deu – respondo, rindo. – Todo mundo queria ir pra casa o mais rápido possível.

Até penso em dizer que as fotos não seriam muito alegres depois do ataque dos monstros, mas acho melhor poupar Liz dos detalhes.

– Você já foi falar com a Sophie? Ela deve estar bem preocupada.

– Vou daqui a pouco.

Liz vai abrindo cada vez mais um sorriso que conheço bem. É o sorriso que ela dá quando quer muito alguma coisa, e quase sempre consegue, porque é difícil de resistir.

– Me leva com você?

– Te levar? Liz, eu não sei se...

– Por favor! Não vejo a Sophie desde que chegamos aqui!

– Não te deixaram ver Sophie?

– Não. – Liz faz um beicinho. – Disseram que ainda preciso me recuperar. Mas estou bem! Já podiam ter me dado alta!

Não digo nada quanto a isso porque não sei se estão a mantendo aqui por precaução e por quererem fazer mais exames ou por saberem que ela não terá para onde ir.

– Fique tranquila – digo apenas. – Tenho certeza de que isso é para seu bem.

– É para meu bem que me deixam longe da minha irmã?

– Aposto que não é por mal, Liz. E lembre-se que Sophie também tem que se recuperar.

Ela me encara, com a cabeça meio inclinada para o lado e as sobrancelhas um pouco franzidas.

– O que aconteceu com Sophie?

– Como assim? Você não sabe?

– Não. Sempre que eu pergunto, eles só dizem que ela está bem e mudam de assunto.

Não acredito que não lhe contaram. Liz pode ter dez anos, mas é inteligente e muito capaz de processar a informação.

Mas se eu acredito nisso, por que também não quero contar?

– Não acha que esse seja um bom motivo para me levar até ela?

Não poderia esperar menos de Liz.

Eu quero levá-la ao quarto de Sophie, e já penso em tirar vantagem do fato de que os funcionários e visitantes provavelmente não me vejam quando me lembro da enfermeira. Ela me viu, e Miles não. Por quê?

A resposta vem rápida, como se alguém sussurrasse em meu ouvido: por causa de Liz. Sua memória e seu amor ainda reforçam minha existência. Ao lado dela, eu ainda existo. Sei que com Sophie será a mesma coisa. Mas até quando?

– Tudo bem – digo enfim. – Mas se alguém disser que estamos quebrando alguma regra...

– A culpa é minha. Fechado. Vamos?

. . .

Passo pelos corredores sem soltar a mão de Liz. Tomamos cuidado; sempre que vemos um enfermeiro ou médico, nos escondemos até ele ou ela passar. Admito que me perco no caminho, mas finalmente reconheço o corredor do quarto de Sophie e conseguimos chegar.

Me surpreendo ao entrar; ela não está sozinha. Há um homem aqui, que deve ter dito algo engraçado, pois Sophie está rindo. E aí ela percebe a nossa presença e fica vermelha.

Só que, depois alguns segundos olhando de mim para Liz, ela percebe que eu voltei e que finalmente está vendo nossa caçula, e abre um sorriso enorme.

– Hailey! Liz! Vocês estão aqui!

Liz pula na cama para abraçar nossa irmã mais velha. O homem sorri com a cena, e vira o rosto lentamente para mim. Nós nos encaramos em silêncio enquanto seu sorriso vai diminuindo aos poucos.

– Hailey! – Liz puxa a minha camisa, como se gritar meu nome não fosse o suficiente para me chamar a atenção. – Vem aqui!

Dou uma última olhada para o cara, que se volta de novo para Sophie, e me aproximo das minhas irmãs. A mais velha abre os braços para mim e eu me aconchego em seu colo.

– Que bom que voltou – sussurra em meu ouvido.

– Eu prometi que voltaria.

Nós nos afastamos. Sophie olha em meus olhos, e vejo nos seus um brilho familiar. O mesmo brilho de preocupação que os de nossa mãe assumia quando brincávamos de algo minimamente arriscado ou quando ficávamos doentes.

– E agora?

– Terminamos nossa missão ontem. Ainda temos algum tempo livre na Terra.

Não vou falar a ela que tecnicamente sou apenas uma alma penada, e que o médico aqui e os outros funcionários do hospital só podem me ver por causa dela e de Liz. Primeiro porque eu teria que explicar algo que não sei explicar; essa conclusão simplesmente me veio à mente, já tão clara que é como se sempre estivesse guardada no fundo da minha consciência. E segundo porque não quero dizer a elas que uma hora eu vou desaparecer de suas memórias. É por esse mesmo motivo que não quero dizer adeus: nós apenas ficaríamos tristes, e no final não faria diferença.

– Ah, já ia me esquecendo. – Sophie se vira bruscamente para o médico. Já estava me esquecendo dele também. – Hailey, Liz, este é o doutor Stanford, meu fisioterapeuta. Craig, estas são as minhas irmãs.

Ela chamou seu médico pelo primeiro nome?

– As tão famosas irmãs Miller – Craig sorri, mais para Liz do que para mim. – Sophie me falou muito sobre vocês.

– Desculpe ter interrompido a consulta – digo. – Eu tinha que ver Sophie e Liz não a via há dias.

– Não tem problema. A consulta já tinha acabado mesmo. Estava apenas contando uma história para alegrar sua irmã.

Craig parece legal. E parece próximo de Sophie também, mesmo a conhecendo há poucos dias. Sei disso pelo jeito que minha irmã o olha, pelo sorriso que tem no rosto. Já vi esse olhar. Já vi muitas vezes.

– Eu vou deixá-las em paz. Vejo vocês depois.

– Obrigada, Craig – Sophie fala pouco antes de ele sumir no corredor.

– A gente podia dar uma volta! – Liz sugere, toda animada. – Eu e a Hailey viemos escondidas. Você pode se esconder também, Sophie! Vem, levanta!

Sophie franze o cenho para mim. Entendo a pergunta: “ela não sabe?”. Nego com a cabeça. Ela suspira e pede para a caçula se acalmar.

– O que aconteceu?

– Eu não posso me levantar, Liz – a mais velha explica. – Naquele acidente, eu machuquei as pernas.

– E elas ainda estão doendo?

O sorriso que Sophie esboça é fraco. Parece que ela está prestes a chorar. Então eu seguro sua mão, e ela aperta a minha de volta.

– Não posso dizer que estão doendo. Não consigo senti-las ou muito menos movê-las.

Percebo que os olhos de Liz pousam em algo mais além de Sophie. Os acompanho; ela está olhando para a cadeira de rodas ao lado da cama. Seu olhar volta para nossa irmã e seus lábios tremem um pouco. Está prestes a chorar.

– Liz...

– Não é justo.

É claro que não é. Também não foi justo com Chase. Não foi justo com Ron. Não foi justo com Clarisse e Lester, nem com Gabriel, nem com o primo de Paco, nem com os avós de Sohan. Mas já aconteceu. E agora temos que continuar seguindo em frente.

– Por favor, Liz, não chore – Sophie pede quando a primeira lágrima cai na bochecha da pequena. – Se vocês também fraquejarem, o que eu vou fazer?

Lembro-me imediatamente do que Dustin disse sobre Sophie e de sua suspeita de que ela se tornou nossa segunda mãe para compensar algo. Não quero ir embora sem saber disso.

– Sophie... Tem alguma coisa sobre a morte dos nossos pais que você não nos contou?

Ela olha para mim com cara de quem não entendeu. Mas logo depois baixa a cabeça, e isso serve para confirmar o que Dustin disse.

– Vocês se lembram de como eu era aos vinte anos? Digo, antes de eles morrerem?

Digo que sim. Por mais incrível que pareça, Sophie era uma rebelde. Talvez pelas companhias que arrumou na faculdade – que, aliás, não concluiu –, talvez por estar numa fase ruim na época... Não sei ao certo. O que sei é que papai e mamãe sofriam para tentar colocar juízo em sua cabeça.

Quando Liz afirma que se lembra mais ou menos, Sophie continua.

– Naquele dia, eu saí com uns colegas sem avisar ninguém. Achava que já estava velha e independente demais para isso. A gente estava indo à uma festa com um pessoal da faculdade e amigos deles. Teve de tudo lá. Eu bebi muito. Ia voltar pra casa com as mesmas pessoas que me levaram, mas, quando fui entrar no carro, elas disseram que estava cheio e me largaram lá. Estava chovendo muito e eu estava tonta. Não sabia como voltar pra casa. Então eu liguei para o papai.

Sophie começa a chorar, e eu quase me arrependo de ter me perguntado. Mas então vejo uma coisa que quase me deixa feliz por ter feito isso: vejo que a armadura materna e responsável que Sophie vestiu dois anos atrás finalmente foi quebrada, e que, pelo menos por agora, ela voltou a ser simplesmente nossa irmã mais velha. Estava com saudades dela.

– Mamãe deve insistido em ir com ele por causa do temporal, não sei... Mas eles nunca chegaram pra me buscar. Tive que tentar voltar a pé. Estava pronta para gritar com eles quando cheguei em casa, mas aí vi vocês duas chorando e um casal de policiais na sala.

Ela não continua. Não precisa. Me lembro daquele dia: mamãe e papai estavam discutindo algo na cozinha e depois eu os vi saindo juntos. Duas horas depois, os policiais chegaram com a notícia. Um deles contou a Sophie quando ela chegou e se identificou. E minha irmã desmoronou.

– Foi por minha causa. – Mal consigo ouvi-la com o choro. – Minha culpa. Se eu fosse um pouco mais responsável... Eu nos separei de nossos pais. Por isso, prometi a mim mesma que cuidaria de vocês duas. Mas, com o passar do tempo percebi que, ao invés de eu ser a base, são vocês que me sustentam. E sem vocês...

Posso ouvir as palavras mesmo sem serem ditas. “Sem vocês, eu desmorono. De novo.”

Agora Liz está chorando também. Eu também quero chorar, mas as lágrimas não chegam.

– Ninguém precisa ser a base de ninguém – falo. – Podemos sustentar uma a outra.

Sophie sorri para mim e eu retribuo.

– Isso! – O sorriso de Liz é tão repentino que, se eu não a conhecesse, diria que é falso. – E o seu namorado até pode entrar nessa corrente!

– Craig não é meu namorado!

– E quem falou em Craig?

Sophie tenta responder, mas fica vermelha a cada segundo. Até que começa a gargalhar e a fazer cócegas em Liz como “punição”.

Elas parecem felizes. Não vejo problemas em deixá-las assim.

Me levanto devagar e saio do quarto de fininho. Elas, é claro, não notam. Não têm o que notar.

– Você entendeu rápido.

Mackenzie está me esperando no corredor. Não tem mais ninguém em volta, o que me faz pensar que ela deu um jeito de nos deixar sozinhas por uns minutos.

– Você colocou as respostas na minha cabeça, não foi?

L.C apenas levanta as mãos, o que para mim é um sim.

– Volte quando quiser, garota.

Ela desaparece. Continuo parada diante da porta, até que as lágrimas finalmente chegam. Como um último gostinho de humanidade dado a um espírito prestes a seguir em frente.

“Humanos,

Eu e meus irmãos passamos muitas vezes pela Terra para cumprir nossa missão. Nós selamos a escuridão que vocês, inconscientemente, espalharam por seu mundo. Mas não podemos garantir que ficará assim para sempre. É necessário que contribuam.

. . .

Dustin

Eu chego em casa, mas não entro. Não sei o que dizer à Kora. É muito estranho... Quando cheguei aqui, meses atrás, criei uma antipatia tão grande pela minha tia que prometi a mim mesmo que não me relacionaria com ela. Mas alguma coisa aconteceu, e de repente ela estava preocupada com meu sumiço depois do ataque ao bairro da Hailey. Fiquei tão estonteado quando vi Kora lá no parque. A preocupação em seu rosto era quase maternal, tanto que por um segundo eu vi Clarisse ali.

E agora, justamente agora que nós dois conseguimos ultrapassar a barreira, eu tenho que me despedir. Não podia ter pedido um presente de natal melhor, hein?

Antes que eu possa arrumar coragem para entrar em casa, vejo tia Kora pela janela. Ela também me vê e sorri, fazendo um sinal para eu entrar. Não tenho muita escolha.

– E aí, tia?

– Dustin! Que bom que voltou.

Ela abre os braços para me receber. Ainda é estranho para mim aceitar seu abraço.

Quando a gente se afasta, reparo que tia Kora está de roupão de banho e os cabelos molhados. Noto um cheiro gostoso de comida também.

– Tia? Tá rolando alguma coisa aqui?

– Ah... Estou só fazendo um jantar.

– Só pra você?

– Bem... Não. Convidei um amigo.

Amigo? Não consigo não rir; sei que tipo de amizade é essa.

– Pare de rir! – Kora briga, mas sei que não é de verdade. Ela caminha até a cozinha e eu a sigo mancando. – Então, como foi em Jerusalém?

– Ah, foi legal. Nada mais revigorante do que enfrentar um bando de monstros.

Minha tia deve perceber os cortes no meu rosto, porque suspira preocupada. Imagina se visse meu joelho...

– Não sei como você aguenta.

– Tive tempo para aprender.

Ficamos algum tempo em silêncio, um sorrindo de leve para o outro. Até que Kora parece se tocar de algo.

– Meu Deus, as horas! Dustin, fique de olho nas panelas, por favor. Eu tenho que me trocar.

– Pode deixar.

Quando ela sobe as escadas, confiro a comida. O cheiro está ótimo. Espero que seu “amigo” goste do encontro; tia Kora precisa disso. Uma vez Lester me falou um pouco sobre ela e comentou que sua irmã nunca foi de sair muito. Acho legal que as coisas estejam mudando para ela.

Minutos depois, Kora volta para a cozinha. Assobio.

– Está linda, tia.

– Obrigada.

Ela confere o relógio na parede.

– Ele deve chegar em breve. Pode me ajudar a servir os pratos.

Digo que sim e cada um pega um prato para servir a entrada. Kora ainda ajeita um vaso de flores no meio da mesa de jantar e eu sugiro algumas velas. Ela diz que já é exagero, mas dá para ver que está considerando a proposta.

E finalmente a campainha toca.

– Boa sorte, tia. Espero que seja feliz.

Kora sorri para mim com os olhos lacrimejantes.

– Obrigada, Dustin.

Nós nos abraçamos de novo, e sinto que ela já sabe que estou indo embora.

Ela vai atender a porta e eu saio pela porta dos fundos. Fico olhando pela janela. O cara é bonito e parece legal. Ele pergunta se tem mais alguém em casa. Ela estranha e diz que mora sozinha.

Então, acho que é isso. Acho que é melhor assim. Até por que, quanto mais rápido se tira um band-aid, menos doloroso é.

Em primeiro lugar, é preciso que vocês tomem juízo. Lembrem-se que é mais importante ser do que ter.

. . .

Paco

A primeira pessoa que vejo quando chego em casa é minha mãe. E ela abre um sorriso tão grande que chego a pensar que se esqueceu da história que contei.

– Paco!

– Oi, mãe.

Ela me abraça com tanta força que minha ferida na barriga reclama, mas esse abraço é sempre gostoso, então tento só esquecer a dor.

– Como você está? Se machucou muito?

– Estou bem, mãe. Eu juro.

Mas ela ainda me olha preocupada.

– Não acredito que meu bebê teve que enfrentar tanta coisa...

A melhor parte de ter caído num corpo de criança não é a agilidade que isso me dá, nem o belo disfarce que me garante. A melhor parte é que eu sempre serei o bebê para os humanos com que mais me importo.

– Querida? Está tudo bem?

Meu pai vem descendo as escadas e para no meio quando me vê. Rio com sua cara de susto.

– Oi, pai.

– Dios mio, Paco!

Aguento mais um abraço apertado. Espero que seja o último, porque está ficando difícil.

– Como você...

– Estou bem – repito. – Já passei por coisas piores.

Me arrependo de dizer isso assim que vejo meus pais murcharem. Deve ser muito estranho saber que seu filho de oito anos é um espírito cuja missão é lutar com monstros violentos de cem em cem anos, o que significa que ele é mais velho do que você.

– Quero que saiba– meu pai diz – que nós não nos importamos com toda essa história. Digo, ainda não entendemos direito, mas... Você sempre será nosso filho.

Não disse?

– Vocês sempre serão meus pais também. E juro que não digo isso para todos.

Eles riem, o que é um alívio.

– Aposto que está faminto – mamãe fala. – Que tal se eu fizer seu sanduíche preferido?

– E seu desenho favorito deve estar passando agora, não é? E se nós assistíssemos juntos? – Papai sugere.

Eu aceito. É uma grande ideia. Em qualquer situação normal, eu teria adorado, e essa provavelmente seria uma das melhores noites da minha vida. Mas a única coisa normal aqui é o casamento dos meus pais. E eu espero que eles possam ter uma vida normal e pacífica porque é um saco não poder ter isso quando quer.

Minha mãe vai para a cozinha e meu pai me acompanha até a sala. Ele vai direto para a TV, mas eu o interrompo.

– Por que não ajuda a mamãe, pai? Eu arrumo as coisas aqui.

Papai fica olhando para mim, com o dedo no botão da TV, até que aceita minha sugestão e vai para a cozinha. Espero ele sumir de vista. Então, ligo a TV, coloco um dos filmes preferidos dos dois, e saio de casa.

Espero do lado de fora. Meus pais aparecem na sala, cada um com um sanduíche. Mamãe pergunta se foi meu pai que colocou o filme e ele diz que sim. Os dois se aninham no sofá e assistem. É isso o que eles merecem: paz.

Em segundo, se amem. Se amem de verdade. E sejam fiéis e respeitosos com quem amam.

. . .

Michele

Não tinha reparado no quanto sentia saudades de casa até chegar aqui. A cidade, os vizinhos – alguns simpáticos e outros nem tanto – nossa casinha com um jardim bem humilde cuja planta que mais se destaca aos meus olhos é a árvore que plantei. Ainda não é grande coisa, mas gosto de saber que continua viva.

Fico parada só olhando para ela até ver minha mãe saindo de casa com o balde que usa para regar as plantas. Fico tão feliz que nem me preocupo em usar o portão; pulo a cerca de uma vez e vou abraçá-la antes que mamãe perceba o que está acontecendo.

– Michele?

– Mãe! Que saudade!

Ela me afasta para examinar meu rosto e sorri, chorando de alegria – eu espero.

– Eu li sua carta. Ainda é difícil de acreditar...

– Sei disso.

–... Mas não muda em nada para nós. Eu e seu pai continuamos a te amar.

– Eu também amo vocês. E cadê o papai?

– No trabalho. Sua avó está lá dentro, mas... Desculpe, querida. Ela não aceitou muito bem. Achou que era só uma desculpa sua para se afastar da família... Você sabe como ela é.

Pior que sei. Vovó é difícil. Sabia, assim que terminei a carta, que ela não acreditaria; eu também não acreditaria de primeira se estivesse em seu lugar. Mas o que mais doeu ao escrever a carta foi imaginar minha mãe lendo. Me senti como uma médica dizendo a ela que tinha perdido outro filho.

– Está tudo bem. Já esperava por isso. Como os outros reagiram?

– Seus tios ainda estranham, mas não falam muito sobre isso. E seus primos... – Mamãe sorri para algo atrás de mim. – Veja por si mesma.

Me viro e vejo meus dois priminhos gêmeos correndo até mim aos gritos. Me abaixo para abraçá-los: Manuel e Miguel, de nove anos.

– Quer dizer que você é uma guerreira mágica? Que irado!

– E você derrotou o chefão? Como foi?

Entre risos, conto tudo para eles: sobre Paco, Hailey, Dustin e Sohan; sobre como Jerusalém é diferente do que pensava; sobre Efrat e a profecia; sobre como precisamos ser unidos para vencer a batalha. Conto tudo isso mesmo sabendo que eles vão se esquecer.

Afinal, mamãe nos chama para dentro para podermos comer um lanche. Meus primos vão saltitando atrás dela. Eu dou meia volta e passo para o lado de fora da casa.

Paro ao lado da porta para ver meu pai entrando. Ele para e olha em minha direção, mas eu tenho plena consciência de que não está me vendo. Quando papai enfim entra, murmuro que o amo e sigo sem rumo pelas ruas.

Em terceiro, preservem a vida. Parem de se matar e matar outros seres vivos, direta ou indiretamente. Entendam que todos vocês contribuem para a vida desse mundo e devem se preservar e preservar sua casa.

. . .

Sohan

Parece que faz uma eternidade desde a última vez que tirei os sapatos na entrada de casa. E parece que faz mais tempo ainda desde a última vez que vi meus pais.

Assim que entro, meu pai se levanta e vem até mim. Me abaixo para tocar seus pés, mas ele fala antes de eu terminar:

– Então decidiu voltar? Depois de toda aquela baboseira que escreveu na carta?

Não esperava menos. Meu pai sempre foi rigoroso comigo. Eu não acho que ele tenha esse direito, já que fui praticamente criado só pelos meus avós, mas o que eu acho nunca pesou muito na consciência dele.

– Sinto muito se não acreditou, pita, mas é tudo verdade.

– Vai continuar com esta história besta? Eu devia...

– Acalme-se, pati – minha mãe intervém, sempre pacífica. – Sohan ainda é nosso filho.

– Besteira! Você leu a carta; ele mesmo disse que não é nosso filho.

Depois do incidente no século XX, eu criei um desgosto pelos humanos. Os primeiros humanos que gostei no século XXI foram minha mãe e meus avós adotivos. Eles eram os únicos que não faziam lembrar minha vida passada. Mas depois de me juntar aos outros, conheci mais humanos bons. O problema é que meu pai nunca se encaixou nessa lista.

Não importa mais. Logo ele não terá mais que se preocupar com um filho rebelde.

– Deixe ele, maan – digo à mamãe. – Eu não esperava que o pati acreditasse mesmo.

– E continua me desrespeitando!

Ele tenta dizer mais alguma coisa, mas minha mãe lhe lança um olhar que o silencia. Então, ela chega mais perto e acaricia meu rosto.

– Você jura que tudo aquilo que escreveu na carta é verdade?

– Juro, maan.

Minha mãe suspira, triste. Odeio ver seu rosto lindo triste.

– Só tem mais uma coisa que preciso saber: você nos perdoa, Sohan?

A primeira coisa que penso é em perdoar apenas ela, e não o papai. Mas então me lembro que se fui capaz de perdoar a mim mesmo – o que é mais difícil do que parece –, devo ser capaz de perdoá-lo também. Penso no assunto antes de responder com sinceridade:

– Perdoo.

Minha mãe me dá o abraço mais apertado que já recebi nesta vida. Meu pai resmunga alguma coisa. Mesmo assim, quando minha mãe me solta, vou até ele e estendo a mão.

– Sei que foi ao orfanato naquele dia procurando apenas por um herdeiro. Mas ainda te agradeço por ter me adotado.

Como ele não aperta minha mão, a uso para dar alguns tapinhas em seu ombro. E vou embora. Não há mais o que fazer aqui.

E o mais importante: se ajudem. Tenham compaixão.

. . .

Nossa semana extra já está chegando ao fim. É estranho andar na rua sabendo que ninguém me vê, principalmente quando esbarro em algo e alguém toma um susto por achar que o objeto se moveu sozinho. Mas um dia, vi Trevor na rua. O agradeci por ter arriscado sua vida para que eu pudesse falar com Liz. Ele parou de andar e olhou ao redor, como se tivesse me ouvido.

Só que minha ficha já caiu, então não me importo muito mais. Só dói quando vou ao hospital de vez em quando e vejo Sophie numa consulta com Craig, ou Liz sendo examinada. Elas nunca me veem entrando nos quartos. Nunca escutam meus incentivos.

Hoje, decidi vir ao túmulo de Chase. Gostaria de ter vindo ao seu enterro. Gosto de imaginar que seus pais, juntos, por ele. De imaginar que a família Watterson finalmente pôde ficar unida.

– Obrigada por ter salvo Sophie. Eu, ela e Liz te devemos muito. Mas sinto muito que tenha acabado assim. Nunca quis que isso acontecesse.

Quase posso ouvir sua voz, dizendo que estava tudo bem e que faria isso de novo se precisasse. E acredito plenamente nisso.

– Você o amava mesmo, hein?

Levanto os olhos para Dustin.

– Demais.

– Era um cara legal. Sabia que podia confiar minha mana à ele.

Sinto certa tristeza em sua voz ao dizer isso, mas acho melhor ignorar.

– Onde esteve nos últimos dias? – Pergunto.

– Por aí. E tenho vigiado esse novo namorado da tia Kora também. Até agora parece ser um bom sujeito.

Acho difícil imaginar Kora namorando, mas fico feliz por ela.

– E você?

– Por aí – também respondo. – E às vezes vou ver Liz e Sophie. Elas estão indo bem na recuperação.

– Que bom.

Ficamos em silêncio, ambos concentrados na lápide. Está escrito “CHASE WATTERSON – GRANDE HOMEM E AMIGO”. Imagino que Trevor tenha pedido que escrevessem isso.

Só nos distraímos quando uma bola vem rolando até aqui. Nós dois rimos e olhando diretamente para um Paco risonho.

– Podem devolver a bola? Deu o que fazer pra pegá-la sem assustar as crianças do parque!

Dustin toma inciativa de chutá-la com força na direção do menino. Mas ele se abaixa, e a bola acaba acertando o peito de Sohan.

– Bela pontaria, Aqua Boy – ele provoca.

É sempre mais engraçado quando sai de sua boca.

– Muito engraçado, Brisa! – Dustin rebate.

– Vocês podem não ficar chutando bolas pro alto? – Michele vem dizendo. – Tem pessoas aqui.

– Elas estão num cemitério – Paco retruca. – Tem fantasmas aqui. Todo mundo sabe.

– E isso meio que nos inclui também – eu acompanho.

– A única diferença é que nós somos fantasmas muito maneiros – Dustin conclui.

Todos nós rimos e, depois deu um minuto de silêncio, Michele diz:

– Essa foi nossa melhor reencarnação de todas.

Temos que concordar. Foi mesmo uma boa vida. Mas já está na hora de ir.

Os outros devem saber disso também porque, quando Mackenzie chega, ninguém fica triste.

É só isso o que eu peço, e sei que não são tarefas difíceis. Vocês só precisam começar, então comecem agora.

. . .

Abro os olhos esperando para ver a paisagem de nosso mundo – o paraíso –, mas o que vejo é o salão da Igreja de Todas as Nações. Estamos reunidos ao redor da rocha sagrada, sobre a qual L.C está flutuando e sorrindo para nós.

– Estou orgulhosa de vocês, crianças. Por esta missão e por todas as outras.

Ninguém tem muito o que falar agora, então só assentimos e sorrimos um para o outro. Seguro a mão de Paco, que segura a de Michele, que segura a de Sohan e termina a corrente em Dustin.

Então, nossa eterna chefa levanta os braços, e nós erguemos juntos com ela. Saímos do chão e atravessamos o teto até o céu azul. Daqui de cima posso me lembrar de tudo – os momentos bons e os ótimos, os ruins e os péssimos –, e acho que meus irmãos também, porque de repente todos estamos rindo e agradecendo por termos sido humanos. Acho que choraríamos se pudéssemos.

Foram boas vidas.

Desejo, do fundo do coração, que fiquem bem.

Que a luz esteja com vocês,

Os Cinco Sábios.”

Notas finais
"A promessa será cumprida/ E nós nos tornaremos um" são os versos finais traduzidos da música Karma. "Se eu pudesse ser um pouco mais forte/ Atravessaria o céu diante dos meus olhos/ E alcançaria o futuro com minhas mãos" são os da música Innocence (ambas fazem parte da ost). Não sei se essas frases significam algo para vocês, mas quando eu as ouvir pela primeira vez, em 2012, significou muito pra mim. Então, quando tive a ideia de criar The Sages, no mesmo ano, elas passaram a significar mais ainda. Bastava ouvi-las para pensar na história. Postei-a pela primeira vez numa parceira com outros quatro escritores amigos meus (coautoria estava na moda na época). Não saiu do segundo capítulo porque um deles nunca escreveu sua parte. Então eu apaguei a fic e deixei a ideia de lado. Um ano depois, eu quis tentar de novo, dessa vez sozinha. Foi quando Hailey, Sophie, Liz, Dustin, Paco e Michele nasceram (só pensei em tornar do Vento um indiano depois de ler A Maldição do Tigre, no ano passado). Mas empacou de novo. E percebi uma coisa: por mais que eu tivesse um começo e um final, não conseguia pensar em como desenrolar a história. Passaram-se dois anos. No começo de 2015, então, eu tive um sonho: sonhei que tinha duas irmãs, que nós estávamos passeando e de repente uma mulher me chamou para conversar. Ela disse algo em meu ouvido enquanto minhas irmãs eram atacadas. Acordei pensando em The Sages e tentando imaginar como tinha sonhado com a história depois de dois anos sem mexer nela. Mas tomei isso como sinal. Recomecei. Parei. Voltei. Tentei até fazer uma versão em que os Cinco não soubessem quem são. Mas não deu certo porque isso tiraria muita coisa, então voltei à versão que tinha começado. Escrevi quatro capítulos e pedi para um amigo avaliar o primeiro. Ele aprovou totalmente e eu comecei a postar. O que aconteceu: The Sages foi bem recebido, então passei a escrever mais, e quanto mais eu escrevia, mais a história ficava clara em minha mente, até cair no resultado que agora vocês conhecem. Vendo que teve 18 capítulos, alguém pode pensar "Ah, é uma história curta". Eu também achava que seria; essa fic nunca foi feita para ser muito grande. Só que, juntando tudo, temos 202 páginas com 67981 palavras. É muita coisa. E vocês não imaginam o quão feliz eu estou por ter isso no meu Word. Eu sei que The Sages ainda precisa de uma revisão mais profunda (farei isso hoje mesmo), mas poder dizer que acabei é MUITO mágico. E eu tô quase chorando por isso. Agradeço imensamente a quem leu até aqui. A quem apoiou, a quem acreditou, a quem ajudou de alguma forma, seja dando críticas construtivas, seja na parte do design. Teria sido muito difícil sem isso tudo. Que a luz esteja com vocês, Maya.