The Sages
4 04 - Fogo
Notas iniciais
O resto da semana passou voando. Chase me ligava diariamente, e sempre que Sophie ouvia meu celular tocando me lançava um olhar indecifrável. Liz, por sua vez, perguntava se ela podia atender pelo menos, pois morria de saudades do meu ex-namorado. Passar uma semana inteira tendo que negar algo à sua carinha fofa foi bem dolorido, mas ela tinha que entender.
Recebi ontem o aviso de que os professores dariam aulas em outro espaço enquanto a escola era reformada a partir do mês que vem, já que todos precisavam de um tempo para se recuperar psicológica e fisicamente. Recebi folga no meu trabalho também. Dustin me ligou algumas horas depois no mesmo dia comentando sobre como essa informação é desnecessária para nós porque quando o mês que vem chegar “ou estaremos indo para casa ou estaremos sendo perfurados por garras de monstros”. Me afastei com o celular quando ouvi isso, sendo seguida pelo olhar de Sophie.
Agora, sem ter o que fazer, estou no meu quarto debruçada na janela a observar o céu. O sol de domingo já está se pondo. Dustin dissera que as estrelas estão sumindo, mas até o momento não tinha pensado em parar para observar isso.
Aguardo até escurecer. Quando isso acontece, noto que Dustin tem razão: há uma quantidade significantemente menor de estrelas do que o usual. É preocupante. Está quase na hora e até agora só encontrei o Sábio da Água. Temo que, quando os maiores ataques começarem, nós não estejamos juntos para sacarmos nossas espadas. E temo ainda mais que um de nós saque a maldição da Primeira Regra seja espalhada novamente.
Eu já imergia ainda mais em meus pensamentos, chegando a Sophie e Liz e como elas reagiriam se soubessem quem eu sou, quando algo no lado de fora da janela me faz voltar à realidade. No escuro, um pequeno espaço treme. É difícil de se ver e por isso penso que é só minha imaginação, mas fica provado que não é quando meu nariz começa a sangrar e esse espaço se transforma num pequeno monstro de trevas e salta para meu quarto.
Reprimo um grito de susto e me afasto. O monstrinho está agitado; pula de um lado para o outro sem parar, mexendo nas minhas coisas como se procurasse algo. Quando pula para a cômoda atrás de mim e derruba um vaso de flores e dois porta-retratos, decido sair do transe. O agarro com as duas mãos. Elas ardem com o toque e a criatura se agarra ao móvel. Puxo-o com ainda mais força, fazendo de tudo para ignorar a queimação nas mãos, e o jogo para o lado de fora. Ele desliza na telha e corre de volta para meu quarto, só que antes que ele chegue eu esfrego meu indicador no meu polegar para criar uma pequena esfera de luz e a lanço num estalo de dedos.
– Clare: Lumen Terebramus – murmuro.
A esfera se transforma numa fina flecha que, ao atingir o monstro, produz um pequeno e rápido brilho no meio da noite e o desintegra. As poucas pessoas na rua olham para cima com curiosidade. Fecho a janela e me afasto da mesma naturalmente, como se nada tivesse acontecido.
– Hailey? – Sophie bate na porta. – Hailey! Ouvi um barulho. Está tudo bem?
– Sim. Tudo ótimo.
Ela entra no quarto mesmo assim.
– O que aconteceu aqui?
Sigo seu olhar. Minha cama está bagunçada, meus retratos na mesma de cabeceira estão abaixados, o copo de água que eu estava bebendo está virado e o líquido escorre no chão e minha mochila jogada no chão. Por último avistamos os cacos de vidro resultantes da quebra dos porta-retratos na cômoda e o que sobrou do vaso de flores. Sophie volta a me olhar. Não precisa dizer nada para eu entender que ela quer explicações.
– Ah, isso? Eu estava procurando uma coisa e acabei me atrapalhando demais. Você sabe como sou desastrada. Prometo que já vou limpar essa bagunça.
Minha irmã franze o cenho. Por Mackenzie, não podia achar algo mais inteligente para dizer?
– Tem certeza de que você está bem?
– Estou, claro.
– E achou o que estava procurando?
– Aham.
Sophie olha para minhas mãos, provavelmente querendo saber se estou segurando o tal objeto perdido, e seus olhos param nelas.
– E o que aconteceu com suas mãos?
As viro para olhá-las também. Minhas mãos estão muito vermelhas e há bolhas em alguns dedos. Segurei o monstrinho com força demais... Sophie se aproxima e pega minhas mãos com cuidado.
– Meu Deus, Hailey! Fique aqui, vou buscar algo para passar nelas.
E ela sai tão rápido que nem tenho tempo para dizer algo.
Sophie volta e me passa uma pomada. Depois de ouvir que preciso tomar mais cuidado e de receber um aviso de que devo descer logo para o jantar, me levanto. Espero um pouco para ter certeza de que minha irmã já se afastou e abro a porta, verifico se nem ela nem Liz estão por perto, torno a fechá-la e a tranco. Em seguida pego o telefone e disco o número de Dustin.
O telefone não toca nem três vezes antes de ele atender.
– Mana! Que surpresa. Como vai?
– Quantas vezes vou ter que dizer... Quer saber? Esquece. Precisamos conversar.
– À vontade.
– Não, não assim. É um assunto sério demais para conversarmos por telefone em nossas casas. Me encontre amanhã no Gosnold’s Hope Park às 15h, ok?
– Por que não fazemos isso no sonho? Não seria mais seguro?
– Vou precisar de mais de dez minutos.
– Hm... Entendi. Está marcado então, irmãzinha. Amanhã às 15h. Não vou atrasar.
– Irmãzinha? Temos a mesma idade, lembra? Em todos os sentidos.
– Em termos humanos, sou um mês mais velho.
– Como isso... Esquece. Até amanhã.
Ouço apenas sua risada antes de desligar.
. . .
Chego dois minutos antes no parque e vejo que Dustin já chegou. O encontro sentado em um banco na entrado e ele se levanta com um sorriso assim que me vê.
– Estava te esperando.
– O certo deveria ser eu te esperar, não? Quando você chegou aqui?
– Uns dez minutos atrás. Sou muito pontual, Hailey.
Penso em dizer algo, mas só balanço a cabeça e deixo o assunto de lado.
– Venha comigo. Conheço um lugar onde podemos conversar com privacidade.
Ele assente com a cabeça e me segue para dentro do parque.
O Gosnold’s é meu lugar preferido aqui em Hampton. Meus pais adotivos costumavam trazer eu e minhas irmãs aqui para um piquenique e depois Sophie brincava comigo nos extensos campos verdes. Quando Liz cresceu e aprendeu a andar, se juntou a nós. Mas depois que nossos pais morreram nossas visitas em família ao parque foram ficando cada vez mais raras, então passei a vir aqui por conta própria. Normalmente eu trago um livro para ler enquanto descanso sob uma árvore e um sanduíche e um suco para o lanche. Em geral venho aqui para descansar e clarear a mente. Se tem um lugar que tira todo o peso da minha alma é aqui.
Levo Dustin para um canto que eu descobri anos atrás, que chegamos através de uma passagem entre as árvores. Essa passagem leva a um espaço com um aglomerado de rochas, verdes pelo musgo, que formam um lugar ótimo para se sentar e curtir a brisa fresca e a paisagem. Nós nos sentamos lado a lado e Dustin aguarda silenciosamente que eu comece a conversa. Decido que é melhor ir direto ao ponto.
– Ontem à noite, um monstro invadiu meu quarto.
Os olhos do garoto se arregalam e vejo que ele me analisa com o olhar a procura de um ferimento.
– Calma, estou bem. Queimei minhas mãos porque tive que segurá-lo para jogá-lo para fora de casa, mas fora isso não tive nenhum ferimento. O monstro não me atacou. A única coisa que fez foi pular nos meus móveis e derrubar minhas coisas.
– Está me dizendo que um monstro entrou em seu quarto só para fazer bagunça? – Dustin balança a cabeça. – Isso está me cheirando mal, Hailey.
– Sim, também fiquei preocupada. Ele parecia estar procurando alguma coisa.
– Certo. Então pense: o que tem no seu quarto que poderia interessar nossos inimigos?
Baixo a cabeça e me ponho a pensar. Não tem nada de mais no meu quarto. Lá fica minha cama, obviamente, meu material escolar, minhas roupas, fotos minhas com minhas irmãs e meus pais, coisas pessoais que guarda no criado-mudo e...
Lembro de algo e volto a olhar para Dustin.
– Minha espada.
Um ano depois de eu chegar à Terra, L.C trouxe minha espada. Eu tinha oito anos e recebi sua presença ilustre em meu quarto. A espada embainhada estava envolta num pano dourado e dentro de uma fina caixa branca, que foi guardada por Lady Crystal num compartimento secreto no chão que ela mesma abriu com sua magia. Não dá para ver a abertura sem puxar bem as trancas dos cantos, mas ainda assim eu sempre fiz questão de limpar meu próprio quarto.
– A espada... Claro. Talvez ele quisesse roubar sua espada ou tentar quebrá-la. – Dustin pensa nisso por um momento. – Espere. Será que eles conseguem tirar a magia de nossas espadas?
– Não. Isso nunca aconteceu nos séculos anteriores. Se eles pudessem fazer isso, certamente já teriam feito antes.
– Sim, mas nós sabemos que eles estão diferentes de antes. Eu te falei: eles estão inteligentes. Têm noção de estratégia. E se também tiverem essa habilidade?
– Isso seria péssimo para nós.
– Muito. Mas também não podemos simplesmente descartar a possibilidade.
Balanço distraidamente a cabeça. Encosto as costas às rochas atrás de mim e olho pensativamente para o céu. Sinto o olhar de Dustin em mim, mas não olho para ele. Estou preocupada demais com a situação e ser a líder do grupo não ajuda em nada.
Um barulho me faz olhar para frente. Noto que é uma bola de futebol que bateu numa das pedras e que agora quica em nossa direção. Estranho; parece ser uma bola de crianças e esse lugar é afastado de onde a maioria costuma brincar. Olho para Dustin e ele dá de ombros. Então uma pequena figura aparece do meio das árvores.
É um garoto que não deve ter mais de dez anos. Seus cabelos são curtos, brilhantes e ruivos e seus olhos, castanhos avermelhados. Sua pele é clara e um sorriso maroto atravessa seu rosto quando nos vê.
– Ei! Podem pegar a bola para mim, por favor?
Dustin abre a boca, mas não diz nada. Sem entender, me levanto para pegar a bola. Quando eu me preparo para jogá-la para o menino, também paraliso.
Deve mesmo ter algo de errado com minha cabeça. Normalmente eu teria percebido antes mesmo do garotinho chegar aqui, mas dessa vez demorei minutos para notar. A aura vermelha do pequeno com certeza não é nada invisível. Pelo contrário: é agitada, brilhante, pentelha.
Olho novamente para Dustin. Ele continua perplexo.
– Moça. Oi! Pode jogar a bola?
– Eu... Ah. – Jogo a bola para ele. – Ér... Você...
– Pelo amor de L.C, Luz. Essa lerdeza toda veio com esse corpo ou você sempre foi assim?
Fecho a boca e faço uma careta. Dustin toma a palavra:
– Caramba! Fogo? Você é uma criança?
– É o que parece, não?
– Quantos anos você tem? – Pergunto.
– Oito. – Seu sorriso abre mais ainda. – Parece que agora eu sou o mascote, não? Vão ter que me tratar bem.
Na última vez que estivemos na Terra, o Sábio do Fogo era o mais velho. E mais forte e mais alto e mais assustador. Ele tinha assumido o corpo de um grandalhão da Jamaica de vinte anos chamado Tafari. Ele podia manusear sua espada como se ela fosse um simples brinquedo de criança e disparava enormes bolas de fogo com uma facilidade assustadora. Algumas vezes ele literalmente esmagou os monstros. Era como se Mackenzie o tivesse criado para ser nosso guarda-costas pessoal, um monstro que lutava no nosso lado.
E agora ele é um pequeno garoto de oito anos.
– Mas você... Qual o seu nome? – Indaga Dustin.
– Paco Martínez. Espanhol. – Ele se vira para mim. – Você não tem ideia do quanto foi difícil te achar e chegar até aqui, Luz.
Mesmo sem perguntar se nós queremos ouvir a história ou não, Paco se senta a nossa frente e começa o falatório.
– Foi alguma semanas atrás. Eu estava brincando tranquilamente no jardim da casa dos meus avós adotivos quando vi uma sombrinha rastejando até a janela do banheiro. Disse para meu primo que estava brincando comigo que iria ao banheiro. O monstrinho estava lá, escondido entre a pia e a privada, esperando para dar o bote no primeiro que aparecesse ali. Seu azar foi que eu fui o primeiro.
– E como você o destruiu sem chamar atenção? – Pergunto.
Paco sorri.
– A vantagem de ter um corpo de criança é que você pode errar o alvo da privada e depois fazer uma cara fofa de choro dizendo que foi sem querer para não levar uma bronca.
Faço uma cara de nojo e Dustin abafa uma risada.
– Continue, por favor – digo.
– Pois bem. Depois disso, achei que deveria começar a te procurar. Tentei em vários sonhos, mas não sabia sua localização e as esperanças de que você estivesse por perto se foram. Fiquei semanas tentando detectar sua presença espiritual quando aconteceu a coincidência: meu pai adotivo, que trabalha numa multinacional, foi transferido para a filial daqui. Depois foi fácil. A cidade inteira ainda comenta sobre o... Incidente no seu colégio.
Assinto. Acho essa coincidência estranha demais, mas não comento sobre o assunto.
Por fim, Dustin dá de ombros, sorri e estende a mão para a criança.
– Beleza, então. É um prazer conhecê-lo de novo, mano. Atualmente eu sou Dustin Collins e a Luz é Hailey Miller.
Paco aperta sua mão educadamente. Estendo a minha para ele também. No entanto, ele apenas me olha com aquele sorriso que uma criança travessa abre depois de aprontar alguma coisa.
– O que foi?
– Nada. Só estou reparando que você finalmente assumiu um corpo bonito, Luz. Parabéns! E obrigado.
Faço cara feia para ele. Dustin ri de sua brincadeira sem graça e recebe minha carranca também.
– Qual é, Hailey. Ele só está de sacanagem com sua cara. É uma criança!
– Com uma alma tem séculos de vida. – Volto a encarar Paco. – E por isso mesmo espero que saiba que não será nosso mascote, garotinho. Mas eu prometo que vou rir e bater palmas quando você cair de costas com o peso da espada.
– Não vai precisar, moça. L.C fez uma espada menor para mim dessa vez. Ainda posso arrasar mais do que vocês quatro juntos.
O sorriso de Dustin se torna desafiador e ele se levanta.
– Quer apostar, baixinho?
Paco também se levanta e fica na ponta dos pés para encará-lo, o mesmo sorriso desafiador tomando conta de sua expressão. Fico sentada no mesmo lugar olhando de uma para o outro, água e fogo se chocando, uma das mais antigas rivalidades elementares se acendendo mais uma vez. Então ouvimos um ronco e Paco ri.
– Estou com fome. Podemos comer na sua casa, Hailey?
– Na minha casa? Ficou louco? Como acha que vou explicar quem você é para minhas irmãs?
– Liz não vai encasquetar muito. Aposto que ela adoraria ter mais uma criança em casa pra variar – palpita Dustin.
– Tá, mas e Sophie?
– Eu posso dizer que Paco é um primo de segundo grau que veio me visitar e seus pais estão trabalhando, mas minha tia Kora não quer ele em casa. Kora é rabugenta. Não seria uma total mentira.
– Fala sério...
– Estou falando. Vamos, mana, vai ser legal. Uma reunião em família é sempre bem vinda. Não custa nada tentar.
Bufo. Sophie já estranha a proximidade repentina de Dustin. Não sei o que ela pode pensar e que atitude pode tomar se mais alguém começar a aparecer na minha vida tão de repente, e temo isso ainda mais sabendo que logo virão mais dois.
Olho para Dustin e depois para Paco. Seus olhos brilham enquanto ele faz um beicinho irresistível para me convencer. Suspiro e acabo sorrindo com sua fofura. Os dois devem achar que isso é um sim, pois pulam e gritam em comemoração.
– Jantar na casa da Luz! – Gritam.
Antes que eu consiga explicar que eu não tinha concordado com nada, os dois correm para a saída do parque, me deixando sozinha, atordoada e um pouquinho assustada.
. . .
Nós estamos chegando a minha casa. O céu começa a escurecer. A conversa animada entre Paco e Dustin continua sem parar por um segundo, mas não faço a menor ideia do que estão falando porque estou distraída demais. De repente me ocorre uma coisa e me viro para Paco.
– E seus pais? O que vai dizer a eles? Não vi você falando com ninguém antes de sairmos do parque.
Ele dá de ombros.
– Meu pai adotivo trabalha até tarde da noite. Já minha mãe acha que estou na casa de um coleguinha da escola depois de ter passado a tarde brincando com ele no parque. Quanto a ele, falei para sua mãe que tinha visto meu irmão mais velho me chamando – ele apontou para Dustin – e que já estava indo embora. Não vou ficar tanto tempo na sua casa a ponto de alertar minha mãe. Depois você pode me levar em casa dizendo que é a irmã mais velha do meu colega.
Dustin ri e sacode o menino pelo ombro.
– Adorei esse garoto! Melhor encarnação que já teve, Fogo. – Ele olha para mim com os olhos brilhando. – Posso ficar com ele?
– Claro que adorou, não é sua casa que pode receber a visita da polícia a qualquer momento! Mas se você ficar com ele talvez você possa assumir a responsabilidade e Sophie não me dê um cascudo.
O Sábio da Água assente lentamente, como se realmente pensasse sobre o assunto. Balanço a cabeça e resmungo um “deixa pra lá”.
Subimos juntos a escada que leva à porta da minha casa. Eu respiro fundo e olhos para os garotos antes de abrir a porta, hesitante.
Entro primeiro. Dustin me segue e segura a porta para Paco entrar. Espero ele a fecha para ir até a sala de estar, onde Sophie lê um livro no sofá enquanto Liz, deitada em seu colo, ouve atentamente a história. Mas esta é interrompida no meio de uma frase quando Sophie, que não deixa nada escapar, vê eu e meus “convidados” entrando na sala. Liz se levanta e olha diretamente para Paco.
– Quem é você?
O menino vai até ela para se apresentar. Sophie o segue com o olhar e, quando Liz o chama para brincar em seu quarto e os dois saem da sala correndo, olha para mim.
– Que menino é esse?
– Você ouviu. – Minha voz sai mais baixa do que eu queria. – O nome dele é Paco.
– Eu ouvi. Paco. Mas quem é Paco?
Dustin dá um passo a frente e começa a contar a história sobre seu falso parentesco humano com Paco e o nem tão falso mau humor de sua tia. Permaneço quieta o tempo todo, tentando manter uma postura para não dar pistas a minha irmã de que tem algo de errado nisso tudo. Ao final da explicação, Sophie franze a testa.
– E aí a Hailey encontrou vocês no parque e os convidou para jantar aqui?
Dustin passa o braço por meus ombros.
– Ela não é uma amiga fantástica?
Minha vontade é de dar um belo soco em sua cabeça. Ele realmente acha que vai deixar Sophie mais a vontade com a situação assim?
– Hm. – Ela diz. E dá de ombros. – Só espero que os pais de Paco saibam que ele está aqui porque não quero a polícia batendo na porta de casa.
– Eles sabem – eu digo. – Pode deixar que depois eu e Dustin vamos levá-lo em casa depois do jantar.
Sophie assente, se levanta e diz que vai terminar o jantar. Ao passar por Dustin, dá as boas vindas a ele e o rapaz agradece. Espero ela sair de vista para franzir o cenho.
– Isso foi... Fácil demais.
– É. – Dustin apenas dá de ombros. – Legal, né?
– Acho que você não entendeu.
– Eu entendi, Liz entendeu, Sophie entendeu. Está tudo certo. – Ele sorri e pega em minha mão. – Venha, mana. Está na hora do jantar.
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