The Sadness Will Never End
2 Prólogo. Parte Final
Notas iniciais
As paredes e os lençóis estavam tingidos de sangue, haviam varias poças no chão.
O que deixava tudo isso mais apavorante e horrível eram as marcas de "mãos" que havia por todo o quarto como se alguém tivesse tentando escapar várias vezes, mas só encontrasse paredes no seu caminho e fosse puxado novamente para contra uma faca para a tortura continuar. Esse alguém infelismente era Ellen, a mãe de Daniel.
Ela estava no meio da cama, deitada de costas por cima dos lençóis. Com a camisola toda cortada, os pedaços ensanguentados jogados no chão do quarto. Vestia então só uma calcinha que algum dia fora branca, mas agora combinava com o resto do quarto, inclusive com seus seios que estavam cobertos de sangue mas que não aparentavam ferimentos. Com os braços abertos exibia cortes nos antebraços e pernas, dos quais o sangue escorria.
A janela ao lado da cama estava fechada, mas a paisagem lá fora e o próprio vidro estavam irreconhecíveis, por atrás de uma camada de sangue.
Ellen parecia ter lutado, lutado muito para se salvar e depois de ter ganho a briga, o assassino a deitou, sangrando, como um símbolo de sua vitória, completando a cena macabra. Seu cabelo negro espalhava-se como um leque sobre o travesseiro e ela mantinha os olhos azuis abertos.
Sangue jorrava de sua boca, por causa da comprida e afiada faca de cozinha afundada entre seus seios, que se mexiam lentamente por causa de sua fraca respiração.
– Mãe — Daniel gritou outra vez, e correu em sua direção.
Pisou em uma poça fazendo o sangue jorrar e manchar sua camiseta branca.
Se ajoelhou ao lado da cama, com lágrimas escorrendo dos olhos. Levantou a cabeça de sua mãe, percebendo que se afogava no próprio sangue. Ela tossiu, e o sangue jorrou no rosto de Daniel, e se misturou as lágrimas que caiam sobre o próprio corpo dela.
Lágrimas de sangue.
Ele olhou para a faca cravada no peito dela, que seguiu seu olhar e balançou a cabeça.
– Não — ela sussurrou, junto com o sangue que escorria de sua boca.
Daniel olhou para seu rosto, e conseguiu dizer entre os soluços:
– Eu te amo!
Olhando nos olhos dele, admirando seus olhos azuis escuros tão parecidos com os dela mesma, lágrimas escorreram de seus olhos também, ela sentia que a vida de seu corpo ia embora, mas não poderia morrer sem saber...
– Por que ? — A voz dela saiu fraca, junto com mais sangue.
Dan não poderia aguentar aquilo, vendo sua mãe morrer na sua frente, e sem poder fazer nada. Se sentiu incapaz e culpado, percebendo que sua mãe havia parado de respirar, mas seus olhos continuavam abertos, com aquela espressão de dúvida e choro.
– Mãe — ele chamou quase sem conseguir falar — Mãe, MÃE, MÃE!
Mãe.
Ele permaneceu um tempo chorando sobre o corpo imóvel, e depois caiu em sí.
Ela está morta.
Passou a mão sobre o rosto dela, e fechou seus olhos, depois deitou-a na cama, e limpou suas próprias lágrimas.
Sentou no chão encostado na cama, e olhou para a parede marcada com sangue, pensando o que faria naquele momento.
Quem é o monstro que foi capaz de fazer isso com ela? E por quê?
Ele se levantou, e andou pelos outros cômodos da casa, mas não havia ninguém lá.
Só um garoto abalado e sofrendo, e o corpo agora sem vida de uma mulher assassinada cruelmente.
Voltou para o quarto, e seus olhos miraram a faca sobre o peito de sua mãe.
Uma vontade o tomava, o consumia.
Ele se sentia atraído pela faca.
Sentia que havia um vazio dentro de sí e a porra faca parecia resolver o problema.
Não sabia exatamente nem porque, mas ele foi até a cama.
Se debruçou sobre o corpo imóvel de sua mãe, e pegou o cabo da faca.
Não tenho escolha.
Isso pode me ajudar.
Puxou o cabo, e sangue seco jorrou da boca de sua mãe.
Mais lágrimas escorreram de seus olhos, mas ele não ligava mais para elas.
A dor era maior que qualquer outro sentimento.
Se ajoelhou novamente ao lado da cama, misturando-se ao sangue.
Posicionou a faca sobre seu pulso esquerdo.
Aquilo era automático, ele não conseguia controlar.
Me desculpe, pai.
Empurrou a faca, e quando um fio de sangue escorreu, a puxou, fazendo um rasgo sobre a pele. O sangue pingava sem parar, no chão formava-se mais uma poça, naquele campo de batalha, onde só restava a dor e todo o sofrimento possível.
Cortou novamente o pulso, dessa vez na vertical e a dor o tomou mais uma vez, mas era uma dor externa.
A dor que ele sentia já não importava mais.
Ele repetiu os movimentos em sua outra mão, e o que sentiu o faria gritar, não fosse pela outra dor que destroçava seu peito por dentro.
E que era a maior dor que ele poderia sentir.
A dor da perda.
A dor de saber que uma vida que ele amava tinha-se ido.
Quem fez isso com minha mãe é doente.
E eu não posso fazer nada.
Ela já está morta.
Não vai voltar.
Daniel Thorn deitou no chão, e deixou o sangue escorrer, queria ir embora dalí, sentia que a dor ia-se junto com suas lágrimas, mas ela permaneceria para qualquer lugar que ele fosse.
Em seu peito até o fim.
Não importa o que fizesse.
Até o fim.
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