The Saddest Word
1 Capítulo Único - The Saddest Word
Notas iniciais
Entrei correndo na loja de Gold e lá estava ela, minha mãe. Eu mantive minhas mãos para trás o tempo todo. Não podia correr o risco dela descobrir o que eu escondia, mas era para o bem dela. O problema é que ela sempre confunde bem e mal, ela sempre troca eles. Eu não poderia deixar ela fazer isso agora.
Ela havia conseguido mais uma vez, havia me levado para o lado dela de novo e eu caí. Entrei em seu jogo, me deixei levar por ela. Mas eu sabia que só havia entrado nisso tudo porque eu ainda tinha esperança de um dia ela ser a minha mãe. Alguém que me amasse como eu a amava.
E foi pensando nisso tudo e em todas as coisas que já aconteceram entre nós, que eu tomei essa difícil decisão. Se isso era enfrentá-la ? Eu ainda não sei. Mas eu o faria. Eu devolveria a única coisa que ela precisava para voltar a ser minha mãe. Se é que um dia ela havia sido. Porém eu não sabia como tudo isso iria acabar, estava prestes a descobrir.
Ela me viu entrar correndo e então se virou em minha direção.
–Regina ? Está atrapalhando meu trabalho. -ela me falou com aquela voz fria de sempre.
–Eu preciso te dizer algo mamãe. -falei ainda com as mãos para trás e a encarando. Era agora, eu precisava dizer o que eu sempre quis dizer. Eu precisava dizer o que eu sentia, o que meu coração mandava.
–Podemos conversar depois ... -ela falou se virando em direção a Gold de novo, mas eu a interrompi.
–Mãe, você me deu a vida. Transformando um bebê em uma moça. E mãe, tudo que você tinha que oferecer, foi a promessa de uma vida inteira de amor. Agora eu sei, não existe outro amor, como o amor das mães pelos seus filhos. Agora eu sei, um amor tão completo um dia partirá. Deverá dizer adeus.–soltei de uma vez com meus olhos se enchendo de lágrimas e ela parou. Ficou quieta e ainda de costas pra mim. Será que minhas palavras haviam causado o que eu esperava nela ?
Ela nunca havia sido um exemplo de mãe. Eu cresci com ela me criando para um propósito que era dela, eu cresci ouvindo ela me dizer: "Um dia você será Rainha." Não era isso que eu queria, não era isso que eu precisava ouvir dela, mas eu sabia que era só o que ela podia me oferecer dadas as circunstâncias. Era só o que ela queria me oferecer.
Mesmo assim eu precisava dizer a ela que eu a amava, que eu a via como minha mãe e que eu era grata por ela ter me colocado no mundo. Mesmo depois de todo o ódio, de toda a incompreensão, de toda a dor, eu ainda a amava, eu ainda esperava pelas palavras que eu mais queria ouvir dela. Mesmo depois de tudo de ruim que aconteceu entre nós, eu ainda conseguia enxergar um fio de esperança que nos ligava como mãe e filha.
Por isso eu disse tais palavras carregadas de sentimentos pra ela, eu disse com a esperança de que elas fizessem minha mãe enxergar que nós éramos muito mais que cúmplices na arte do mal, que nós tínhamos algo bom entre nós duas. Mas eu acho que ela não entendeu, porque se virou de maneira brusca, com os olhos vagos.
–Não seja ridícula Regina. Pra que me dizer tanta besteira ? -ela riu ironicamente. -Eu jamais lhe direi adeus, mas pra isso acontecer eu preciso matar o Gold e você está me atrapalhando.
Ela ia se virar e eu continuei:
–Adeus é a palavra mais triste que ouvirei. Adeus é a última vez que a terei perto. Algum dia você dirá a palavra e eu irei chorar. Partirá meu coração ao ouvir você dizer adeus.
–O que aconteceu com você hoje ? -ela me perguntou vindo até mim, com aquele olhar tão frio que ela sempre me direcionou.
–Eu precisava lhe dizer algumas coisas. -respondi.
–Você nunca me disse tais coisas. Ou melhor, eu pensei que dizer adeus não fosse algo tão difícil pra você. Foi fácil dizer para o seu pai, não foi ? -ela perguntou e eu percebi o que ela queria fazer. Ela queria me tirar daqueles sentimentos de novo, ela queria que eu fosse para o lado dela.
Ela então tentou tocar meu rosto que nesse momento já estava tomado pelas lágrimas, mas eu desviei e continuei:
–Mãe, você me deu a vida. Transformando uma jovem em uma mulher. E mãe, tudo que eu precisei, foi uma garantia do seu amor por mim. Porque eu sei, não existe outro amor, como o amor das mães pelos seus filhos. E machuca assim que de alguma forma tão forte, algum dia irá embora, e deverá dizer adeus.–eu falei de maneira firme, eu estava trêmula por dentro mas não podia deixar transparecer. Todas as vezes em que ela me venceu foi por eu estar assim, com medo, e agora eu precisava provar pra ela que ela não venceria. Que aqueles sentimentos que ela sempre evitou, que nós sempre evitamos, me traria a primeira vitória.
–Regina ... -ela falou como se não estivesse acreditando no que estava acontecendo. — ... eu sempre lhe dei garantia do meu amor. -ela caminhou de um lado para o outro e voltou a me encarar. -Eu te dei essa vida, riquezas, poder. Eu te transformei em Rainha, quer garantia maior de amor do que essa ?
–Não mamãe, isso não é amor. -consegui dizer, meus olhos queimavam por causa do choro. -Isso é poder. Algo que você sabia que eu não queria, mas ainda assim me deu, e eu sei por quê você fez isso, porque dessa maneira seria como se você tivesse o ganhado, não é mesmo ? -perguntei e ela me olhou por um longo segundo em silêncio. -Mas o amor que você me deu sempre viverá. Você estará aqui toda vez que eu cair. Você me ofereceu o melhor amor de todos. Você tirou minhas fraquezas e me fez ser forte. E eu sempre a amarei para todo o sempre.
Eu despejei como se quisesse fazer ela acreditar que existia amor dela por mim. Acho que eu queria acreditar nisso, queria que ela me mandasse um sinal de que entendia. Mas ele não veio. O que ela fez foi apenas rir.
–Você está ficando louca Regina ? Deveria ter me escutado desde o início. Viver com tais pessoas lhe tiraram a sanidade. -ela arrumou a adaga em mãos e ia voltar ao seu trabalho anterior.
Parecia que ela queria fugir daquilo, queria fugir daqueles sentimentos. Se ela podia sentir sem ter um coração, eu não sabia. Mas eu preferia acreditar que sim, e que as minhas palavras estavam despertando isso nela.
–E quando você precisar de mim, eu estarei aqui para você sempre. Eu estarei aqui com você toda a vida lado a lado. Eu estarei aqui, eu prometo a você, mãe. Eu serei sua luz através das noites escuras. Serei asas que lhe guiam em seu voo interrompido. Serei seu abrigo através da tempestade enfurecida. E eu a amarei para todo o sempre.–falei ignorando as palavras dela.
Ela se virou de uma vez, e agora eu podia ver fúria em seus olhos.
–Cale-se Regina. Já chega. Você não percebe o quão tola está sendo tentando reviver algo que nunca existiu ? -ela gritou e eu tentava não deixar aquela jovem inocente reviver em mim. -Amor, que discurso é esse sobre amor ? Pensei que você tivesse aprendido que o amor é uma fraqueza. Foi isso o que eu te ensinei, não foi ? -ela falava impaciente. Eu havia conseguido de certa forma despertar algo nela, mesmo que fosse algo que me faria chorar. -Eu te amo minha filha, da maneira como é correta amar. Aquela onde os sentimentos não sobrepõe os desejos. Desejo de vencer, de ter poder, de se vingar. -ela me olhou e se eu não soubesse que o que ela acabou de falar fosse verdade pra ela, eu diria que vi lágrimas em seus olhos. -Agora me diga, você diz que me ama, mas não aprendeu nada comigo ? -ela perguntou tão próxima a mim e eu percebi que era o momento.
–Sim mamãe, eu aprendi. -respondi me preparando para o que iria fazer. -Você conseguiu o que queria mãe, eu me tornei Rainha e eu aprendi que Rainhas não voltam atrás nas suas decisões.
Terminei de falar e enfiei a mão em seu peito, lhe devolvendo assim seu coração. Quando me distanciei, ela se curvou levando a mão ao local e logo tornando a me olhar. Ela sorriu pra mim, um sorriso sincero e eu sorri junto. Eu havia conseguido. Era como se naquele sorriso eu estivesse vendo que nós éramos mãe e filha e que enfim ela iria me amar.
Mas eu sabia também que ela sempre fugiu de sentimentos, e que talvez ela não pudesse mas conviver com eles, dessa maneira partindo. Eu torcia para que isso não acontecesse, mas se fosse o contrário eu daria o que ela sempre quis, uma filha com poder. Isso doía em mim, mas pararia de doer nela. Se é que ela sentia dor também.
Aquela troca de sorrisos entre nós durou alguns segundos, mas logo ela apertou a mão em cima do peito e eu pude perceber que ela sentia dor. Me aproximei dela e consegui chegar a tempo de segurá-la em meus braços quando ela caiu.
Ela apenas me olhou por alguns segundos antes de dizer: -Isso seria o suficiente. Você teria sido o suficiente ! –ela terminou de dizer e então seus olhos se fecharam para sempre. A maneira como ela disse "você" me fez sentir como se tivesse conseguido o que queria. Eu não ouvi o que tanto queria ouvir dela de maneira sincera, eu não a ouvi me dizer: "Eu te amo.", mas vou levar essa sua última frase como um sinal de amor, do amor que um dia teria sido suficiente para nós duas. Mas que não foi.
Eu sabia que isso poderia acontecer, mas ainda assim era como se meu peito se rasgasse de tanta dor. Eu apertei o seu corpo já sem vida contra o meu e chorei, chorei por isso e por tudo, pelas nossas vidas inteiras.
Adeus é a palavra mais triste que ouvirei
Adeus é a última vez que a terei perto
Algum dia você dirá a palavra e eu irei chorar
Partirá meu coração ao ouvir você dizer adeus
Até nos encontramos novamente, até então ...
Acariciei seu rosto pela última vez e falei:
–Adeus, mãe.
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