–Leo!

Assim que o garoto se virou, foi esmagado por um abraço de urso de sua melhor amiga.

–Ei, Allysa! – disse ele, colocando o braço entre os ombros dela – Algum motivo pra você estar tão feliz?

–Amanhã é seu aniversário! E não tem aula, então eu vou fazer uma festa surpresa pra você.

–Vou tentar parecer surpreso na hora.

–Você é demais!

Leo conheceu Allysa no primeiro dia de aula. Ela era uma menina de olhos verdes e cabelos castanhos folheando um livro e andando distraidamente pelos corredores do colégio, com seu casaco grande demais para ela e que usava o tempo todo, até esbarrar com ele e ela xingar ele de várias coisas que a fizeram ficar de castigo. E ele fez uma besteira que ele não gostava de falar qual era – fez uma pegadinha com a professora – e pegou castigo também. Eles saíram de lá rindo de uma coisa qualquer.

Eles eram vistos juntos o tempo todo.

Todos os dias.

Da semana toda.

Sem pular nenhum.

Todos.

–Então, o que você vai fazer pra mim?

–Eu? Eu não vou fazer nada pra você moleque! Invente alguma coisa!

Era até fofo como Allysa tentava esconder coisas que ele já sabia. Eles continuaram nessas conversas até o fim do dia, quando o sinal tocou.

–Você vai fazer alguma coisa?

–Não vai ter festa, merece um presente – ela riu – Te vejo amanhã, Valdez!

Não teria um amanhã.

~

–Alo?

–Leo?

–Srta. Hudson? É você?

–Eu mesma.

–Hm... Algum motivo pra sua ligação?

–Quero falar sobre Allysa com você.

Isso não ia acabar bem.

–O que aconteceu?

–Ela morreu, Leo.

Não.

Ela era a melhor amiga dele. Era difícil acreditar que uma tragédia dessas tivesse acontecido. Ele só queria que fosse tudo mentira, apesar de saber que não era. Queria que fosse um sonho, apesar de não ser. Queria que fosse uma brincadeira de mau gosto.

Mas não era.

Ela nunca mais ia sorrir.

O sorriso que ela dera a ele naquela manhã fora o último.

–O funeral é amanhã. Se você quiser vir...

–Eu vou estar lá.

~

A casa que em outros dias era cheia de risadas, conversas e penas – guerras de travesseiros – agora era cheia de pessoas com um ar um tanto quanto melancólico. Pessoas choravam, se lamentavam e não paravam de dizer "Eu devia ter passado mais tempo com ela!". Leo não pretendia ficar muito tempo: Ele já tinha tido o máximo de tristezas em uma cidade. Ia fugir o mais rápido possível. Nessa hora, a Srta. Hudson chegou com um pacote que tinha um laço e sentou ao lado dele.

–Ela queria que isso fosse para você – ela sussurrou. A tristeza que ela tinha no momento era pior que a do telefone.

Naquele momento, Leo lembrou que era o aniversário de 15 anos dele. Ele abriu a caixa e viu um casaco camuflado.

O casaco de Allysa.

Notas finais
Reviews?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!