The Royals
2 Capítulo 1

It's time to forget about the past
the past)
To wash away what happened last
(away what happened last, happend last)
Hide behind an empty face
(empty face)
Don't have too much to say
'Cause this is just a game
Deitada na cama de um motel barato. Isabella lutava para esquecer o sofrimento que consumia sua alma, lutava para apagar as memórias ácidas e restabelecer o controle de sua mente, contudo, ela sabia que era em vão, sabia perfeitamente que não conseguiria curar-se tão rápido de tamanha angústia. Então levantou-se, contra sua vontade, e se arrastou para fora do quarto.
It's a beautiful lie
It's a perfect denial
Such a beautiful lie to believe in
So beautiful, beautiful
It makes me
Ohh
Beautifuul
Everyone who's lookin' at me
Are running around in circles, baby
Acquired desperation's building higher
I've got to remember this is just a game
No exterior do quarto, a vida parecia passar em câmera lenta, nada de carros ou pessoas barulhentas, apenas o som da chuva caindo tímida e suave. Isabella suspirou pesadamente e continuou a observar a “paisagem” a sua frente até que algo, ou melhor alguém, interrompeu seu estado de inércia.
— Eu disse que não queria ver ninguém. — Repreendeu, mostrando claramente seu desagrado perante a presença da outra. Ela não queria ser mal educada com a mulher, entretanto, precisava afasta-lá por mais algum tempo. — Por que insiste em fazer o contrário do que digo? — Perguntou.
A mais nova deixou um riso sarcástico escapar por seus lábios.
— Nunca fui boa em seguir regras, quebrar a sua não me causará o mínimo remorso. — Respondeu. Bella franziu o cenho e a fitou carrancuda, Rebekah sabia como burla-lá perfeitamente e não podia fazer nada a respeito.
— Rebekah...
— Por favor Isabella, não me venha com “Rebekah”. — Censurou. — Reaja a tudo isso, você melhor do que ninguém sabe que deitar e chorar não irá resolver nada. O que aconteceu fora um acidente, eu deveria tê-la alertado sobre essas mudanças repentinas.
— E você sabe que não é tão simples assim. — Disse Isabella dessa vez virando-se para encarar a garota atrás de si. — Minha vida era uma mentira, eu sou uma mentira, minha cabeça está uma zona e eu quase machuquei você. Tens noção de o quão difícil é essa situação?
— Eu entendo que esteja frustrada e irritada com tudo isso, porém você e eu já passamos por situações piores, obviamente não se lembra, mas nós já fomos ao inferno juntas sweetheart. E eu estou com você, não irei deixá-la.
Bella relaxou a expressão e passou as mãos pelos cabelos. Bex estava certa e já havia demostrado diversas vezes que moveria céus e terras por ela se fosse necessário, porém, ainda se sentia culpada por não lembrar-se dela e por tê-la atacado horas atrás.
Seu corpo estava em transição, ela estava mais forte e mais rápida. Entretanto, ainda não sentia sede.
— Odeio essa situação toda, essas mentiras, não ser capaz de lembrar, tudo parece me sufocar. –Sinto que falta algo em mim o tempo todo.
Rebekah repreendeu o sentimento de pena dentro de si, não devia mostrar fraqueza e muito menos queria fazê-lo. Ela sabia que pena era a última coisa que ela deveria passar para Bella.
— Eu sei que sim, mas vamos resolver isso. — Falou. — Eu prometo a você, tudo será como antes. — Disse mesmo tendo noção de que Bella não se lembrava de muita coisa sobre seu passado.
O silêncio se fez presente por alguns segundos até ser quebrado novamente por Rebekah.
— Antes de partimos devemos voltar a casa de Charlie e procurar algo que nós ajude a encontrá-lo e a entender melhor o que fizeram com você. Depois seguiremos em direção a Londres. — Comentou e recebeu uma expressão de dor da outra.
— Eles estão em Londres? — Perguntou com um fio de voz, se Rebekah não fosse uma vampira, provavelmente, não ouviria.
— Todos não, mas sua mãe sim. Está tratando de alguns assuntos.—Explicou.
— Pretende nos guiar até o final? — Perguntou desviando o assunto, referindo-se a si mesma e a Ângela.
— Estarei com vocês até o fim. Só partirei, se me ordenar. — Afirmou a loira com um sorrisinho, fazendo Bella sorrir também.
— Eu não tenho certeza se quero voltar lá, aquela casa me faz lembrar que tudo não passou de uma mentira e lá era minha prisão. Além do mais não quero correr o risco de Charlie me encontrar. — Falou.
Rebekah assentiu com a cabeça. Bella tinha o direito de ficar longe e ela respeitaria isso.
— Irei sozinha. Apenas me prometa que ficará bem, quero que você reaja a tudo isso, contudo, não quero que se sinta mais pressionada —Indagou a loira com compreensão, ela entendia muito bem qual era a sensação de ser enganada.
A morena a encarou com admiração.
— Obrigada por ser tão compreensiva comigo e por ficar do meu lado.
— Não precisa me agradecer. Eu faria qualquer coisa por você e eu a farei lembrar disso.
— Obrigada por não ter desistido.
— Eu nunca desistiria de nós, sweetheart, nunca. — Rebekah disse por fim se aproximando da outra e abraçando-a pela cintura.
— Prometo que tentarei me lembrar de tudo, de nós.
— Não tenha pressa, eu estarei aqui quando estiver pronta.
Isabella sorriu e retribuiu o abraço aspirando o cheiro doce da outra. Ela ainda estava confusa e amedrontada com tudo que havia acontecido em sua vida nas últimas horas.
Ela havia chegado cedo naquele dia, mais cedo do que deveria, e Charlie não esperava por aquilo. Isabella adentrou a casa em silêncio, estava exausta havia passado o dia treinando artes marciais com Ângela em Seattle.
Elas haviam decidido mudar completamente seus antigos hábitos e se permitirem experimentar coisas novas, logo, acabaram parando nas aulas de artes marciais.
Ambas adoravam, haviam encontrado a maneira perfeita de exorcizarem seus demônios interiores
Bella parou quando ouviu vozes vindas do quintal da casa, uma era de Charlie e ela tinha certeza, contudo, não conhecia a segunda voz, mas pertencia a um homem.
O fato de Charlie está com um suposto amigo em casa não lhe causou estranheza, entretanto, o conteúdo da conversa sim.
— Quantas vezes já lhe disse para não por os pés aqui. — Charlie advertiu o outro.
— Eu não viria se não fosse de extrema importância.
— Então diga logo o que o traz aqui.
— Os Romanov.
— O que aquela maldita família fez agora?
— Eles voltaram a procurar pela garota e estão perto.
— Não pode ser. Isso não está acontecendo. — Charlie esbravejou. — Se eles a encontrarem seremos homens mortos, Ivan. Mortos.
— Mantenha a calma, o que temos que fazer agora é sumir com a garota novamente, já fizemos isso, podemos fazer de novo.
— Eles não podem encontrar Isabella, Ivan. Não podem, caso isso ocorra Mikael irá nos aniquilar.
— Não se preocupe, os Romanov não terão a filha de volta.
Naquele momento Isabella já sentia as pernas bambearem e as mãos suadas, ela não podia acreditar no que tinha acabado de ouvir, ela não queria acreditar.
Charlie não era seu pai, sua vida era uma mentira. Ela queria correr dali e gritar, mas ela não podia e também não devia, então fez o caminho de volta a porta e saiu.
Ela tentava colocar toda sua atenção na estrada, mas não conseguia devido aos tremores de seu corpo, precisava se acalmar e tentar não piorar a situação. Então dirigiu o mais rápido que pode para a casa de Ângela, ela saberia o que fazer, ela sempre sabia o que fazer.
— Estou indo até a casa de Charlie, preciso que fique com Ângela, ela ainda não acordou — Rebekah disse tirando a morena de suas memórias.
— Ela acordará logo, não é mesmo?
— Ainda faltam duas horas.
— Tudo bem, cuidarei dela.
— Se precisar de alguma coisa. Ligue-me, se qualquer coisa estranha acontecer. Ligue-me, por favor. E eu estarei aqui antes que você finalize a ligação.
— Não se preocupe, ficaremos bem. – Isabella disse virando para encara-lá. Rebekah Mikaelson, a garota que salvou sua vida.
Ângela estava tão ou mais chocada do que Isabella, com a cabeça baixa a jovem tentava criar uma explicação lógica para tudo que tinha ouvido.
— Você tem certeza do que ouviu? Talvez você tenha interpretado errado. – Perguntou a outra, para ela aquela situação era inacreditável.
— Não Angie, eu tenho certeza. — Disse Isabella com convicção.
— Isso é surreal, muito surreal mesmo. — Falou Ângela balançando a cabeça de um lado para o outro como se quisesse fazer tudo recomeçar.
— Eu preciso sair de Forks, Angie. Pelo menos por um tempo.
— Se isso for verdade, Eles irão atrás de você e...
— Eu sei, por isso tenho que sumir, tenho que buscar a verdade.
— Então eu irei com você, afinal é “pra” isso que servem os amigos.
— Pode ser perigoso, não quero por você em perigo.
— Não tenho nada mais a perder e você sabe disso – A garota não conseguiu evitar o tom triste, Ângela havia perdido os pais há alguns meses em um acidente e por pouco não foi recolhida pelo serviço social.
— Sinto muito...
— Não sinta. – Pediu
— Vamos. — Disse Ângela puxando a outra pelo braço sem muita delicadeza. — Temos coisas para arrumar. — Comentou e Bella apenas concordou com a cabeça.
— Foi uma ótima ideia ter trago algumas das minhas coisas “pra” sua casa. — Afirmou. Quando os pais de Ângela faleceram, as duas começaram a passar a maior parte do tempo juntas, solidificando o laço que havia se formado entre elas quando os Cullen foram embora, e quando Bella parecia mais solitária do que nunca. E por incrível que pareça Isabella não havia ficado tão mal com a partida dos mesmos, como todos esperavam que ela ficasse, ela havia se conformado mais rápido até mesmo do que ela própria havia imaginado e acabara por perceber que seu amor por Edward não passara de algo momentâneo como uma febre.
O tempo havia passado tão rápido que nem uma das duas se deu conta que já passava das 20h30min
— Já está tudo pronto. — Bella falou ao se jogar na cama. — Minha cabeça parece que vai explodir a qualquer momento.
— Bella? – A voz de Ângela soou no corredor e Bella se inclinou na direção de sua voz. — Charlie. A pronúncia do nome fez o estômago da jovem revirar. — Há várias ligações dele no seu celular. — Completou Angie, mas Bella se manteve em silêncio,e pensativa.
— Bella! — Chamou novamente.
— Angie... Se Charlie não é meu pai biológico e pelo que ouvi eu pertenço aos Romanoff, isso significa que talvez Renée também esteja envolvida nisso tudo, e que nem nela podemos confiar, estamos sozinhas. –Disse, levantou-se da cama e caminhou em direção a amiga tirando o aparelho de suas mãos.
— O que pretende fazer? –Questionou.
— Agir naturalmente, é nossa melhor chance agora. — Respondeu e começou a discar o telefone do “Pai”
No terceiro toque a ligação foi aceita e uma voz grave soou do outro lado da linha:
— Bells! — A voz do chefe de polícia não denunciava nada de errado, então a mesma concluiu que ele era um mentiroso nato, e afinal havia mentido para ela esses anos todos.
— Ei Char,aconteceu algo? Tem várias chamadas suas no meu telefone.— Disse, suas palavras haviam saído tão naturais que até ela mesma havia ficado impressionada.
— Oh...Não querida, não era nada demais. Apenas queria saber onde você estava, eu estava preocupado.
— Eu estou com Angie na casa dela, pretendo passar a noite aqui, claro se não for um problema para você.
— Oh não querida, está tudo bem, mas quero você em casa amanhã. Eu tenho uma surpresa. — Ele disse e Bella não conseguiu evitar a careta ao ouvir a palavra “surpresa”.
— Char, você sabe que eu não gosto de surpresas. — Indagou.
— Dessa você vai gostar querida, eu garanto.
— Tudo bem, Char. Eu preciso desligar, Angie está me chamando.— Mentiu
— Boa noite, Bells. Eu te amo.
— Eu também. — Disse e desligou, sem esperar que ele dissesse mais nada, aquelas palavras a incomodaram profundamente, ele não a amava, se amasse não teria mentido para ela e não teria tirado dela a verdadeira família, mas ela buscaria pela verdade e pela família.
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