The Royals
7 Capítulo 6
Notas iniciais
Alexandra Claire:
— Nós nos certificamos pessoalmente, Claire. Ambas estão bem, Rebekah está cuidando das duas nesse momento. – Um suspiro aliviado escapou por entre meus lábios e meus músculos antes tensos, relaxaram.
— Algum sinal daquele verme?
— Não, Natasha e eu eliminamos os híbridos que caçaram Bella e Ângela, porém não tivemos qualquer sinal de Charlie.
— Inferno! Como ele foi capaz de escapar tão rápido? Ele é só um humano, pelos deuses.– Disse enquanto passava a mão pelos cabelos de forma apreensiva.
— Não sabemos, o rastro dele já era e alguém está por trás disso, um humano qualquer não nos driblaria.
— Mikael pode estar por trás disso ou a bruxa. Um mero humano não seria capaz de nos enganar. — Afirmei.
Por mais espertos que os humanos pudessem ser, eles não possuiam nossos sentidos, nossa mente aprimorada e quase perfeita, nós eramos melhores, mais fortes e claramente mais inteligentes.
O som de passos do outro lado da linha era perfeitamente audível, passos firmes e pesados como os de um homem.
Morgana ficou repentinamente em silêncio, porém eu podia ouvir suas respiração falhar algumas vezes.
Ela estava com alguém e isso é claro, entretanto não estavam conversando de forma tradicional, estavam escondendo algo de mim.
Morgana provavelmente deve está usando a ligação psíquica para conversar com quem está com ela.
— Puta merda! – A ouvi protestar do outro lado da linha.
— Morgana, o que está havendo? – Perguntei, mas não obtive resposta, ela estava concentrada demais na pessoa que estava com ela.
— Você tem absoluta certeza disso? – Questionou. Mantive-me quieta, esperando que sua atenção voltasse logo para mim. — Eles não irão gostar nada disso. – Suspirou.
Houve mais uma pausa, sua respiração de repente ficou pesada.
— Morgana, o que aconteceu?
— Renée está morta. Higor acabou de me repassar à informação. A notícia me atingiu como um tapa no rosto. A morte de Renée era uma das últimas coisas que poderiam acontecer. Todo o nosso trabalho poderia ser comprometido, a partir de agora, entretanto eu não sentia um pingo de tristeza ou empatia pelo ocorrido.
—Inferno! Como isso aconteceu? Eu pensei que vocês a tivessem sob controle. – Esbravejei.
—Não sabemos ao certo. Higor acha que foi uma ação premeditada, burlaram todas as nossas barreiras. Foi um trabalho braçal. A degolaram e não há qualquer sinal de luta. A pegaram desprevenida. Entretanto todos os nossos homens estão bem. Quem fez isso passou despercebido por eles também.
Gemi frustrada, primeiro Charlie e agora isso. Nosso sistema de contenção era perfeito, projetado minunciosamente para não apresentar falhas. As chances de algo assim acontecer eram nulas, ao menos era o que eu pensava.
— Não consigo acreditar em uma coisa dessas, colocamos nossos melhores agentes nisso e o que aconteceu? Eles falharam, simplesmente falharam! Puta que pariu!
— Alexandra se acalme. – Pediu.
Eu estava puta da vida, alguém está brincando com a gente.
— Isso está se tornando um jogo, Morgana. E eu definitivamente não gosto do fato de começar perdendo.
— Sinto muito, querida. Realmente não esperamos por algo assim.
Massageei a têmpora tentando dissipar a tensão.
— Diga-me que quem fez isso deixou algum rastro, qualquer um.
— Estamos investigando, enviaremos os relatórios para vocês assim que concluirmos.
— Acha que Mikael também pode estar por trás disso?
— Estamos trabalhando com essa hipótese
— Tudo bem. Isso é tudo? ou eu terei que corta mais um nome da minha lista de "pessoas que devo enviar para o capeta".
Ela soltou uma risada abafada e desdenhosa.
— Seu senso de humor ás vezes é doentio, sabia disso?
— Não posso evitar, дорогой*.
— Você é impossível. – Ela riu e eu a acompanhei.
— E você me ama mesmo assim. – Afirmei.
Ficamos em silêncio por alguns segundos, ouvindo a respiração tranquila uma da outra.
— Tem algo que eu gostaria que fizesse não só por mim, mas por Bella também. – Ela quebrou o silêncio adotando um tom mais baixo e cauteloso. Eu conhecia muito bem minha irmã e sabia que ela estava insegura com o que falaria. Mordi e repuxei os lábios estranhamente ansiosa.
— O que deseja? – Perguntei sem muitos rodeios.
— É sobre Rebekah...Eu sei que vocês não são os maiores fãs dela, por causa de tudo o que aconteceu, mas aquela garota...Céus! Ela ama Isabella e daria a própria vida por ela. Talvez vocês estejam sendo um pouco injustos com ela e eu acho que deveriam dar uma chance a ela.
— Morgana, já conversamos sobre isso.
— Claire me escuta. Você querendo ou não Isabella ama Rebekah, ela pode não se lembrar disso, mas o sentimento existe e quando ela se lembrar ele vai voltar com toda a força. E você sabe que ela vai enfrentar tudo e todos para viver esse amor, incluindo vocês. – Ela soltou um ar cansado. — Você não quer ficar na frente da felicidade da sua filha, quer? Porque se precisar ela irá passar por cima de você.
Rosnei baixo. Ela tinha razão naquele ponto, Se Bella amasse Rebekah tão intensamente como nós pensávamos, ela moveria céus e terras para ficar com Mikaelson. Passaria por cima de mim e do pai sem muito remorso. Afinal, eu conheço a filha que coloquei no mundo e sei bem o quão difícil e cabeça dura ela poderia ser.
— Irei pensar no assunto. – Prometi.
— Obrigada, querida. Manterei você informada. – Ela falou e desligou sem esperar uma resposta minha.
Desligue o telefone e o lancei em direção a cama sem me importar se ele chegaria até lá ou não.
Talvez ela estivesse certa, talvez estivéssemos sendo injustos com Rebekah, contudo, não poderíamos confiar cegamente nela e nem iriamos.
Conhecíamos muito bem a fama da família Mikaelson e sabíamos muito bem que eles eram um problema bem grande.
E foi quando um deles entrou na nossas vida que o inferno começou.
Rosnei irritada e sai da suíte em velocidade sobre-humana.
Eu tinha a plena noção de que quando contasse ao meu marido as novidades, ele ficaria tão irado quanto eu.
Apesar de ser um homem sensato, inteligente e bondoso, Dylan assim como eu possuía um defeito, ele odiava erros e odiava se sentir impotente, fraco.
Eu entendia perfeitamente o porquê, ele era o rei de uma nação sobrenatural, o homem mais influente do nosso mundo e ainda que nosso povo fosse fiel, sempre há alguém com intenções ambiciosos demais.
E era pai, sempre tentou ser o melhor para as belas crianças que trouxemos ao mundo, entretanto Dylan se sentiu responsável pelo que aconteceu com Isabella, sentiu que tinha falhado em sua mais importante função, bem mais importante do que rei ou marido, ele sentiu que tinha falhado como pai e isso o quebrou de diversas formas.
Eu tentei reconstruí-lo mesmo estando tão quebrada quando ele.
Não podemos nós dar o luxo de errar outra vez, o bem estar e felicidade dos nossos filhos dependem disso.
Sai dos meus devaneios ao para na soleira da porta do escritório e passei a fitar a figura masculina a minha frente.
Ele estava com a cabeça baixa apoiada nas mãos e postura tensa.
E tinha uma garrafa de whiskey quase vazia sobre a mesa.
Velhos hábitos...
Quando seu olhar caiu sobre mim, ele tentou sorrir, mas não conseguiu. Seu olhar demorou sobre mim, analisando-me. Franziu as sobrancelhas e travou maxilar, ele já sabia.
— Mais notícias desastrosas? – Questionou-me.
— De certa forma, mas se pararmos para pensar até que tem um lado bom.
— O que foi dessa vez?
— Conversei com Morgana agora a pouco, as garotas estão bem, porém a bruxa passou dessa para pior. — Disse na tentativa de quebrar um pouco a tensão do ambiente e dele também.
Ele me lançou uma olhadela inquisitiva, enquanto eu apenas me limitei a curvar os cantos dos lábios em um sorriso debochado.
— Não brinque com isso.– Repreendeu-me. — Ela era importante e sabe disso.
— Então, o que eu devo fazer? Chorar? – Disse a ele com sarcasmo.
Ele trincou os dentes para conter um rosnado e eu abafei o riso.
— Eu também não morria de amores por ela, Alexandra. Entretanto, ela era uma peça vital do esquema que arrancou nossa filha de nós, não posso ignorar esse fato e reagir indiferente a morte dela.
Observei–o falar inexpressiva, enquanto caminhava em sua direção sustentando uma postura imponente. Ele não recuou e eu continuei a avançar. Cravei minhas unhas em seu rosto bem desenhado e o puxei para mim, deixando nossos lábios a centímetros um do outro.
— Relaxa amor, estou só tirando você de tempo, está tenso demais.
— Seu senso de humor às vezes pode ser bem inconvincente.
— Desculpe–me. Estava tentando fazer você rir. – Disse e acariciei seu rosto.
Céus! Como eu amo esse homem.
— Eu te amo. – Ele disse me fazendo sorrir e depositar um selinho em seus lábios.
— Eu também te amo. Agora me diga em que está trabalhando, não temos muito tempo há perder.
Ele assentiu e me afastou em um gesto delicado.
— Natasha me enviou fotos de todos os envolvidos que estavam em Forks. Morgana eliminou os híbridos, disso você tem conhecimento.
— Conseguiu algo com as fotos?
— Nada, não estão em nosso sistema nem em lugar nenhum outro. São como fantasmas, porém isso não é tudo nas últimas semanas Higor vem me enviando relatórios diários sobre nossas propriedades, todas foram visitadas por híbridos desconhecidos nos últimos três meses, eles também não possuem identidades cadastradas.
Como governantes de uma nação sobrenatural, nós fomos forçados a firmar diversas alianças, incluindo alianças com vampiros de outras espécies e isso nos levou a desenvolver o Sistema de identificação Internacional para mantermos sob controle o crescimento populacional e manter a ordem, todas as espécies aliadas a nós devem registrar no sistema e aqueles que não o fazem são nomeados de fantasmas.
Normalmente são nômades ou arruaceiros que acham que são indomáveis e odeiam governos.
— Acha que eles estão atrás de Isabella?
Não só de Isabella, se eles estiverem atrás do que eu acho que estão, em breve eles também virão atrás de Alexei.— Indagou e eu engoli em seco.
— Você acha que eles querem o...
— Sim, não há outra explicação para tudo isso.
E o inferno acaba de ficar mais quente...
Fale com o autor