The Royals
6 Capítulo 5
Notas iniciais
Com os olhos fechados respirei de forma lenta, na tentativa de organizar meus pensamentos conflitantes e de conter a perturbação dentro de mim, porém a imagem de Charlie permanecia cravada em minha mente, bagunçando meus sentimentos. O ódio se fez presente. O sangue em minhas veias pulsava rápido e quente, não precisava verificar no espelho para saber que meu rosto assumira um tom chamativo de vermelho.
Abri os olhos e analisei o quarto com o olhar. Era amplo e consideravelmente espaçoso, com paredes pintadas de um bege amarelado, chão de madeira clara e envelhecida, a mobília também de madeira, porém madeira escura e envernizada. As janelas eram grandes e cobertas por persianas de igual tamanho.
Meus olhos passearam mais um pouco pelo cômodo até se fixarem na figura feminina frágil e machucada de Ângela deitada sobre a cama ao lado.
Ângela...
Um arrepio percorreu minha espinha, fazendo-me estremecer levemente. Ela estava tão imóvel e pálida, não se parecia em nada com a alegre e tímida Angie que eu conhecia. Por minha culpa ela quase morreu e está claramente bem machucada.
Eu jamais deveria ter aceitado que ela embarcasse nessa loucura comigo, porém já é tarde demais para arrependimentos.
Levantei da cama sob protestos do meu corpo, eu estava dolorida como nunca antes. Um analgésico cairia bem. Caminhei até Ângie em passos lentos e cuidadosos. Ajoelhei-me ao lado da cama e acariciei seu rosto como se estivesse tentando conforta-lá, entretanto eu sabia que estava tentando confortar a mim mesma e me convencer que ela ficaria bem.
Havia machucados pelo seu rosto delicado e fino, estava sem a blusa larga de mangas que usava quando saímos de Forks, seu abdômen estava envolvido por curativos e mais curativos, o que me fez concluir que o seu estado era realmente mais grave que o meu. E a única pessoa capaz de detalha-lo para mim era Rebekah. Poderíamos estar mortas senão fosse Rebekah, Ângela não merecia isso, não merecia sofrer. Ela deveria estar em um hospital, porém ficaríamos expostas ao perigo mais uma vez.
Suspirei pesadamente recordando-me do que Bekah havia dito. Parecia loucura, cada palavra, mas eu não estava em posição de descartar qualquer hipótese, então caminhei em direção ao banheiro do quarto, determinada a me recompor e encarar Rebekah mais uma vez, eu havia pedido um tempo a ela,porém eu não tinha mais tempo. Dessa vez eu não fugiria, não deixaria a verdade me sufocar.
Meu reflexo no espelho do banheiro confirmava o que eu de certa forma relutara em aceita.
Isabella Swan estava morta.
E eu não fazia a menor ideia de quem eu realmente era.
Uma sensação estranha percorreu meu corpo, fazendo-me arrepiar.
Meu olhar era vazio, mas eu tentava buscar nele alguma lembrança, qualquer que fosse sendo ela breve ou não.
Afastei-me do espelho e fui em busca de analgésicos na pilha de remédios dentro do armário da pia. Meu corpo protestou, mas ignorei.
Avistei o frasco e tratei logo de abri-lo.
Pus dois comprimidos na mão e os joguei para dentro da minha boca com um movimento rápido e voltei a encarar o espelho. E em segundos, meu mundo girou e o ar em meus pulmões desapareceu.
Memórias:
—Vamos Alexei! Por favor, não seja um pirralho medroso. – Tentei convencê-lo, porém ele continuou a me ignorar com o seu rosto enfiado entre as páginas do grosso livro de magia.
“Sabe-tudo medroso”pensei.
— Já que você não tem coragem o suficiente para me acompanhar, eu irei sozinha. —Disse batendo o pé e me virando para ir embora, mas é claro que eu estava tentando convencê-lo, de uma fôrma dramática, mas estava.
—Isabella... – Meu nome saiu de sua boca carregado de impaciência e reprovação,entretanto não contive o sorriso vitorioso.
— Sabe muito bem que não temos autorização para sairmos das terras do reino,principalmente, se for para ir até a floresta de Górki. E nossos pais proibiram a todos os cidadãos da cidade, exceto o exército e a comissão exploradora, de irem até lá, ou seja, não podemos e não devemos ir. Seja racional.
—Alexei...Nossos pais não estão no reino e não há nada de perigoso naquele lugar. As histórias contadas são apenas para assustar crianças medrosas como você. Além disso somos imortais, nada ali poderá nos matar.
Ele bufou irritado e revirou os olhos.
— Eu irei com você, apenas para que você me deixe em paz.
Meu sorriso de vitória se alargou ainda mais com sua resposta. Ele se levantou da cadeira e guardou o livro em seu devido lugar.
Diferente de mim, Alexei era o exemplo de bom filho e o preferido pelo povo para governar, era elegante, polido, centrado, gentil e humilde, tinha todas as características de um bom rei e só possuía 12 primaveras, entretanto, ainda tinha a inocência da nossa idade, dificilmente enxergava a maldade no coração das pessoas que se aproximavam dele e por vezes era facilmente manipulável.
Já eu era vista como o terror das Aias, impulsiva, incontrolável. A maioria das pessoas me olhavam torto e me julgavam por está sempre perambulando pela cidade e pelo castelo, subindo em árvores, procurando animais perigosos, para eles esse não devia ser o comportamento de uma futura rainha, mas eu não ligava e meus pais me amavam do jeito que eu era.
Eu era livre e não se prende um espírito livre, jamais.
— Vamos. – A voz de Alexei me tirou do meu pequeno momento de reflexão. Ele havia vestido sua grossa capa de couro e sua inseparável espada estava na bainha.
Sorri e saí da biblioteca com ele em meu encalço.
Encostei-me na parede fria do banheiro e deixe meu corpo cair lentamente até o chão. Sentindo minha cabeça girar. Eu estava suando frio. Abracei minhas pernas contra meu peito e apoie a cabeça na parede, puxando o ar com dificuldade pelos meus lábios entre abertos. Meu coração batia como as asas de um beija-flor. Rápido e violento.
— Pelos deuses, homem. Deixe-me vê-la.
— Perdoe-me, Vossa Alteza. Mas não é um bom momento, sua irmã está sob cuidados intensos e emergenciais. Vossa Majestade, a rainha, pediu que eu não permitisse a entrada de ninguém mais, além dela e dos curandeiros.
— Dane-se o que a rainha quer, Isabella é minha irmã e eu irei vê-la com ou sem o consentimento de Vossa Majestade. — A voz de Alexei ecoava raivosa e desesperada.
Meu irmão estava sofrendo emocionalmente, a culpa o estava consumindo, eu sabia disso. Eu não o culpava pelo que aconteceu, jamais o culparia, porém sabia que ele não se daria esse luxo.
Arfei ao sentir a espada ser retirada do meu abdômen e o sangue viscoso e quente jorrar ainda mais.
— M-Mãe... Chamei com dificuldade, devido a dor.
— Estou aqui, meu amor. – Disse e acariciou meu rosto.
— Permita que Alexei me veja.– Pedi.
Meus músculos se contraíram fortemente e eu contive o gemido de protesto.
— Querida, o melhor agora é mantê-lo longe, se ele a ver nesse estado se sentirá mais culpado. Era verdade, se ele me visse assim tão frágil e quebrada, ele não saberia lidar com a dor e com a culpa.
— Então vá. Acalme-o, ele está angustiado.
— Não irei abandoná-la aqui. – Protestou.
— Não se preocupe, eu ficarei bem. Estou recebendo toda a atenção que preciso. Cuide de Alexei.
Ela entre abriu os lábios na intenção de dizer algo, entretanto os fechou novamente e me lançou um olhar intenso. Pude ver claramente a preocupação e o receio estampados em seus olhos claros.
— Eu voltarei logo, eu prometo. – Disse e pressionou seus lábios contra a pele do meu rosto em um beijo sôfrego e levantou-se para se retirar.
A dor ficou mais intensa, tudo girava, tudo queimava. A pesada porta se fechou em um baque abafado indicando que minha mãe havia passado por ela.
Os murmúrios do lado de foram se afastando, Alexei continuar a lutar contra minha mãe, contudo ela estava irredutível.
A dor estava se tornando insuportável , podia sentir o sangue que jorrava do meu abdômen se espalhar quente por minhas mãos pressionadas contra o corte.
Eu não deveria estar sofrendo dessa forma, afinal eu sou uma vampira. Vampiros se recuperam rápido de ferimentos como esse, porém minha ferida continuava aberta, sem qualquer sinal de regeneração. Meu corpo queimava e manchas roxas começavam a surgir pelos meus braços.
Eu havia sido envenenada.
Levantei o olhar para encarar o curandeiro e para minha surpresa ele sorria, entretanto de uma forma sombria e cruel.
Havíamos sido traídos.
Pisquei repetidas vezes na tentativa de compreender o que havia acabado de acontecer.
" Vampiros "
" Imortais"
" Alexei " sussurrei.
Eu definitivamente não sou um imã para problemas, eu sou o problema.
Recompus-me o máximo que consegui e me levantei, coloquei o frasco no lugar. Voltei para o quarto me sentindo sobrecarregada.
Avistei uma pilha de roupas limpas em cima de uma mesinha no canto do quarto, as roupas claramente não me pertenciam e nem a Ângela, considerei que as mesmas pudessem ser de Rebekah.
Peguei um moletom azul e vesti tomando todo o cuidado possível com os curativos, calcei meus tênis surrados e olhei mais uma vez para Angie deitada na cama. Meu coração enfraqueceu. Eu resolveria tudo isso
Saí do cômodo na esperança de encontrar Rebekah o mais rápido possível.
O clima do lado de fora estava gostoso, frio e acolhedor, o que era novo para mim, uma vez que eu odiava o frio.
Isabella Swan odiava. Uma voz soou dentro da minha mente. Era verdade Isabella Swan odiava o frio.
Desci as escadas tranquilamente, talvez com medo de piorar o meu estado ou inconscientemente eu estava tentando adiar meu encontro com Rebekah.
Ao chegar ao final da escada, busquei por sua figura loira e angelical, mas não havia qualquer sinal seu.
Onde ela poderia está?
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