The Roxy
3 Luau
Notas iniciais
Eu não sabia dizer o que era um luau. Eu tinha essa imagem de que era como uma roda de pessoas felizes com roupas coloridas dançando alguma música havaiana. Mas acabou que eu descobri, ou ainda estava descobrindo -, de que "luau" também significava "festa comum com jovens bêbados". Não era uma festa planejada pela escola e sim por alguns alunos, então a bebida não me surpreendeu muito.
Jackson buscou Alice e eu em nossas respectivas casas com o Chevrolet antigo do seu avô, já que segundo ele, seus pais não confiavam o bastante nele para dar seu carro novo.
E até acho que estavam certos.
Jackson passou o caminho falando em quantas "garotas gostosas" ou "garotas bonitas", como Alice reformulava, teriam no luau. Ele também contou uma história sobre uma "namorada de verão" que tinha tido e que simplesmente não conseguia entender que ele não a queria mais, então, segundo sua história, ela o perseguia todos os dias tentando de todas as formas fazê-lo voltar com ela. Até que enfim, misteriosamente se mudou para outro país.
Alice ouviu Jackson respondendo com "hum", revirando os olhos ou disfarçando uma risada. Ela só ficou estranhamente quieta quando Jackson fez alguma pergunta referente à Maggie.
Fora isso, a vinda até o tal luau foi normal.
Quando chegamos lá, Jackson correu até alguns caras estranhos que andavam com ele às vezes e recusou o copo de bebida que um deles ofereceu. Senti alívio ao saber que não sofreríamos um acidente na volta.
Alice, que estava tão deslocada quanto eu, pigarreou ao meu lado.
Não tinha observado antes, mas ela estava com um vestido justo e florido, — quase como na minha visão de luau -, que realçava a sua pele morena. Os cabelos encaracolados soltos e mantinha o semblante sério. Era engraçado pensar que qualquer um que olhasse para ela, saberia que era uma garota boa, que sempre ia pelo certo, aquilo emanava dela.
— Você está bem? — perguntei. Percebi que eram raras as vezes que conversávamos sem a intervenção de Jackson, a maior de nossas conversas a sós tinha sido no início da semana, por causa da chegada de Maggie Lancaster.
Ela forçou um sorriso.
— Estou sim — falou. — E você?
— Acho que sim.
Olhei adiante e percebi que havia pessoas, adolescentes, meus colegas que estavam na festa, indo em direção ao mar, sendo que provavelmente estavam bêbados.
— Jackson já se enturmou. Acha que devemos fazer o mesmo? — Alice perguntou.
— Pelo menos chegar mais perto, eu acho.
Ela riu baixo. E juntos, quase sincronizados, demos alguns passos a mais em direção ao centro da festa, que era um quiosque. E a primeira coisa que vi foi ela. A garota que estava sendo aclamada por toda a escola e insanamente por mim mesmo, que nunca nem mesmo trocou uma palavra com ela.
Maggie Lancaster.
Ela estava rindo, quase chorando, mas podia se ver que estava feliz. Jogou a cabeça para trás umas duas vezes e até pôs uma mão sobre a boca. Ao seu lado, extremamente perto, estava Nathan Prior, que segurava sua cintura. Ele beijou a bochecha dela e a mesma recostou sua cabeça no ombro dele. A crise de risos parecia ter passado.
Como Alice disse no outro dia, eles eram mesmo adoráveis.
Ou não. Não o bastante.
Balancei a cabeça, me sentindo idiota mais uma vez por estar pensando demais em uma garota que está claramente feliz com outro e que, para enfatizar a minha loucura, nunca nem tinha falado comigo, nem sabia da minha existência.
— Você está olhando demais — Alice, que eu tinha esquecido que continuava ao meu lado, disse. Ri, um pouco nervoso. Abri minha boca para falar algo, mas aquela situação era vergonhosa, eu estava sendo vergonhoso de novo. — Hã, acho que vou dar uma volta. Jackson me inspirou. — Ela disse, parecendo desconfortável e saiu.
— Tudo bem — eu disse, mas não acho que ela tenha ouvido.
Será que eu estaria mesmo obcecado por uma garota que eu nem conheço? Poderia a Alice achar que eu era um louco e estar com medo?
Respirei fundo e com uma coragem súbita, que logo iria se esvair, fui em direção ao quiosque. Já no segundo andar da pequena escada, me sentia um idiota de novo. Mas segui em frente, em direção ao bar, por algum motivo. Me sentei e virei de frente para o resto das pessoas. Observei uma garota entrar correndo, tropeçar em alguma coisa, cair, levantar e rir muito daquilo em um intervalo de tempo minúsculo. Era Anne Parks. E ela sim estava completamente bêbada. Ela gritou algo como "meu casal" e foi pulando até o lado esquerdo do lugar, aonde Maggie e Nathan se beijavam.
As pessoas provavelmente não estavam observando tanto o antigo-novo casal porque estavam bêbadas. Do lado de fora, pude ver Jackson dançando como se estivesse chapado, mais casais se beijando, gente bebendo, gente molhada voltando do mar e bebendo. Com certeza era a melhor noite da minha vida.
Levantei da onde estava, pronto para sair daquele quiosque, onde a música era bem mais alta, quando alguém esbarrou em mim, e tudo que eu pude sentir foi um líquido que continha um cheiro consideravelmente forte escorrendo pela minha camisa e parte da minha calça.
— Merda — grunhi. Ficaria molhado e cheirando a cerveja o resto daquela festa inútil. E não fazia nem 20 minutos que estava ali.
— Desculpa, desculpa! — Uma garota com a voz clara e doce falou. — Viu o que me fez fazer, Anne?
Era ela. Era Maggie. Estava sendo puxada pela mão por Anne, que estava completamente desgovernada e acabou esbarrando em mim. Derrubou sua cerveja em mim e estava parada na minha frente, se desculpando, enquanto tudo o que eu conseguia pensar era: "Então essa é a voz dela?"
Olhei quase em choque para a garota. Eu nem tinha percebido antes que era ela. Mas ali estava Maggie Lancaster, parecendo tão perfeita como de longe e também em fotos. Minha cabeça girou como se eu estivesse bebendo, e me senti ainda mais idiota.
— Tudo bem — falei quando saí do transe. De repente o cheio de cerveja que ficaria impregnado na minha roupa não importava tanto assim.
— Tem certeza? Posso tentar achar uma toalha para ajudá-lo. Eu realmente sinto muito. — Ela afagou minha camisa como se aquilo ajudasse. Mas não importava. Ela era gentil. Ela era gentil e tinha tocado em mim, tinha se preocupado por ter me molhado e ainda estava na minha frente, tentando ajudar.
Eu sorri para ela e repeti que estava tudo bem.
— Ah, porra Maggie, você virou cerveja no garoto! — Exclamou Anne, um pouco atrasada, e então começou a gargalhar. — Ai ai, não acredito que fez isso! — Parecia ser algo fantástico para ela.
— E você não ajudou muito me puxando desse jeito — Maggie a repreendeu e se virou para mim novamente. — Olha, eu sinto muito mesmo. — Então ela olhou para Anne a repreendendo mais uma vez e saiu. Eu agora estava pensando em como seus olhos pareciam sinceros. O castanho era como mel, e transparecia honestidade.
Anne Parks, que continuava parada na minha frente, deu mais uma gargalhada. Anne era uma menina bonita, morena e com os cabelos ondulados, eu não sabia nada sobre sua personalidade, mas naquela hora tive um pouco de medo. Ela se aproximou de mim, colocou os braços ao redor de meu pescoço e me impediu de falar algo. Ela provavelmente ia logo ou desmaiar, ou vomitar em cima de mim.
— Maggie parece minha mãe às vezes — ela falou, pausadamente. O hálito de cerveja que saía de sua boca inflamava minhas narinas. — Tão. Chata.
Ela se recostou em meu ombro e ficou imóvel por um segundo. Até que se afastou bruscamente e agarrou minhas mãos exclamando que adorava a música que estava começando a tocar, e ainda segurando minhas mãos, começou a pular e dançar de um jeito estranho.
— Anne — a chamei, mas ela não dava ouvidos. — ANNE! — Ela finalmente olhou para mim e parou de dançar, soltou minhas mãos para arrumar os cabelos enquanto sorria. — Acho que você deveria descansar um pouco, quem sabe, sentar ali? — Apontei para uma cadeira no outro canto do quiosque. Naquele momento, tudo o que eu queria era me livrar dela. Porém, ela balançou a cabeça negativamente.
Se contorcendo e murmurando coisas que eu não entendia, ela colocou os braços em volta de meu pescoço de novo e inesperadamente, encostou seus lábios nos meus. Por 2,3,4 segundos, com os lábios apenas encostados nos meus. Eu a afastei com cuidado, imaginando se conseguiria fazer com que ela simplesmente virasse para o lado e esquecesse de mim.
— Acho que ... estou ... — ela parou de falar e colocou a mão na cabeça. — Tonta. — Ela cambaleou, mas eu a segurei, antes que caísse. — Preciso ... Preciso vomitar. — Ela murmurou, se desvencilhou de meus braços e correu para uma porta minúscula, onde parecia ser o banheiro. Eu fui atrás dela, mas desviei o olhar antes que me desse enjoo também
— Anne, você está bem? — Perguntei segurando a porta, quando ela parecia já ter terminado.
Ela não respondeu e voltou a vomitar. Eu já estava quase vomitando também quando alguém gritou seu nome e duas garotas cujo eu nunca tinha visto antes me empurraram para fora e foram a ajudar.
Eu caminhei de volta até o bar, me sentindo meio tonto. Meia hora. Meia hora de festa e eu estava fedendo a cerveja, tinha falado e também passado vergonha na frente de Maggie Lancaster pela primeira vez, fui alvo de Anne Parks, a mesma me deu um selinho e eu a vi vomitando. Vai ser um grande ano, eu pensei.
Peguei uma cerveja e me senti mais do que feliz em sair do quiosque e ir procurar Alice e Jackson.
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