The Rose Of Darkness

13 Capitulo 7 – Assassinatos do laço vermelho - P2


Notas iniciais
Aqui está a segunda parte, pequenos. Quero dedicar mais um capítulo pras minhas lindas Anne-chan e Chydori-chan, que apesar de tudo, estão comigo sempre.

NÃO SE ESQUEÇAM DE OLHAR AS MÚSICAS E IMAGENS EXTRAS.

*aperta forte*

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Capitulo Sete

Os assassinatos do laço Vermelho Part 2

Música de abertura



Poucos dias haviam se passado.



O relógio anunciava em seus ponteiros certamente o meio da tarde daquela Quinta-feira. O céu encontrava-se alegre junto ao sol forte meio a claras nuvens brancas como algodão. Naquela tarde as paredes daquela casa pareciam mais alegres que o normal. Lunna descansava seus pés em seu quarto, bem próximo ao corredor estreito no andar de cima, enquanto Kaien trabalhava em alguns documentos importantes acompanhado de seu chá, na copa, bem próximo da escada que levava para o outro andar. Também próximo à sala. Seus cabelos presos em um típico rabo de cavalo longo e os óculos. Ele então, por um momento, largou o monte de papéis em cima da mesa, abaixando os olhos e fixando-os no tapete da sala. Levantou-se e foi até lá, não com muita pressa abaixou-se, tomando em mãos algo talvez... curioso.



Os passos claramente podiam ser ouvidos subindo as escadas de madeira naquela silenciosa casa. E, em um chamado alto, ele parou no meio do corredor próximo a porta de Lunna. Quando ela finalmente saiu pela porta, encarou-o com impaciência.



— Oque foi? – Perguntou enquanto cruzava os braços abaixo dos seios.



Ele sorriu de forma divertida, deixando transparecer os olhos pequenos e puxados.



— Nada demais, apenas queria mostrar algo interessante que achei lá em baixo, no chão da sala.


Suas mãos encontravam-se escondidas logo atrás das costas, firme em abusar do suspense, enquanto a mulher olhava-o sem by I Want This\">interesse.

— Não tenho tempo pra você Kaien, então, mostre logo essa coisa tão interessante que você achou.

Ele assentiu logo após uma risadinha. Quando finalmente pôs as mãos á frente, foi-se mostrado e o suspense se quebrou. Uma peça intima foi exposta em suas mãos, sendo bem visível para Lunna, que de repente sentiu seu rosto transformar-se em espanto; suas bochechas coradas e olhos arregalados, fixados naquela peça que ela sabia reconhecer muito bem.

— Olha que coisinha interessante, e ainda tem estampa de ursinho. Tão adorável! – Ele estendeu a calcinha com a ajuda das duas mãos, olhando em seguida Lunna, que parecia estar prestes a dar um treco.

Ela correu na direção dele como um raio de luz, mas ele sorriu e se desviou tão rápido quanto a mesma, encarando-a em seguida de forma provocativa com um pequeno sorriso ao canto dos lábios.

— O-Ora seu... Me devolva já isso! – Ela apertou os punhos. — Não sabe o quanto é errado pegar em uma calcinha de mulher?!

Ele ria descaradamente enquanto desviava da mulher que vinha feito louca para cima dele.

— Que divertido, que divertido, Lunna! – Continuou a rir de forma debochada. — Não sabia que você usava esse tipo de coisa tão meiga e infantil. Que gracinha. Afinal, você não queria ser adulta e responsável?

Sua pele estava tão vermelha que poderia explodir por conta da raiva a qualquer momento. Lunna queria matá-lo se tivesse a by I Want This\">oportunidade — ou um machado —

Os dois não perceberam, mas, estavam muito perto da borda da escada. Lunna então em um ato despercebido por ele, pulou em seu pescoço e o agarrou com agressividade a gola da camisa, fazendo-o em reflexo pular para trás. idéia. Os dois em um baque saíram rolando escada abaixo, um em cima do outro, sem parar, e por fim, pararam no pé dela. Podiam sentir sem dúvidas os braços e costas arderem por causa da dor e o choque com os degraus. A sorte foi que um amorteceu a queda do outro. Os dois se entreolharam com certa raiva e encararam a peça intima logo ao lado, jogada no chão. O ursinho de certa forma sorria na estampa. Grande ironia. Eles estavam enrodilhados um no outro. Kaien com suas pernas sobre as dela e as dela sobre as dele. Seus corpos estavam muito juntos. Juntos demais.

Antes mesmo de se separarem, a porta foi aberta e de lá, entrou a pequena garota de cabelos longamente castanhos. Ela abaixou o olhar para os dois guardiões e deu um pulo, surpresa. Sua mente se abriu e logo vieram pensamentos pervertidos. Eles. Naquela posição crítica. No chão. Cabelos desgrenhados. E a pior coisa; uma calcinha jogada ao lado. Seus grandes olhos verdes se tornaram arregalados, junto a sua expressão de choque, que por segundos depois, se transformou em um grande e malicioso sorriso.

— Oque vocês estavam fazendo aí? – Ela perguntou sádica.

Os dois perceberam talvez tarde demais a insinuação e se entreolharam mais uma vez. Lunna arregalou os olhos, tornando-se completamente vermelha, talvez como um pimentão.

— Isso é um mal entendido! – A mulher disse ao mesmo tempo em que tentava mover-se para escapar das pernas dele.

Mellanie abafou uma pequena risada com a palma da mão.

— Isso mesmo, Mellanie-chan! Não nos entenda mal, até porque eu nunca me interessaria por... – Ele pausou por um momento, olhando a mulher abaixo de seu corpo. — Eu absolutamente nunca me interessaria por essa coisa!

Lunna apertou os olhos de forma furiosa e rapidamente acertou uma bofetada bem no meio da testa de Kaien, conseguindo sair daquela posição e se levantar, enquanto ele apertava a região com cara de dor.

— Você é o pior, pervertido dos chás! Hump. – Ela murmurou, virando-se para o lado e cruzando os braços, fazendo bico.

Mellanie com certeza não iria conseguir parar de rir.

— Não dá pra vocês agirem como adultos pelo menos por um dia? Ahn. – Começou, botando a mão na testa fingindo reprovação. — Mais tarde teremos visitas aqui. Então, tia você viu a Hikka-chan? – Perguntou, passando pelos dois e começando a subir as escadas.

— Ela me disse que foi até o Supermercado comprar morangos para um amigo. – Deu de ombros. — Algum problema com você? Anda um pouco destraída ultimamente.

Mellanie forçou um largo e falso sorriso.

— Não há nada de errado comigo. Não se preocupe, certo?

Talvez não houvesse nada de errado mas, ela sabia que havia. Estava tudo, completamente tudo errado ultimamente. As mortes estavam aumentando e as pessoas estavam completamente abaladas. E ela temia ter acontecido alguma coisa com ele. Temia que ele tivesse sido mais uma vítima do assassino. Zero estava sumido há alguns dias, e isso deixava a garota aflita. Apesar de poucos dias de convivência, ela se sentia fortemente atraída por aquele cara de cabelos esbranquiçados. Ele era importante agora, afinal, ele era de certa forma o seu cão de guarda. Mas a amizade entre os dois não era muito importante, tampouco instável. Eles eram estranhos um para o outro. Era apenas o ínicio, afinal.


Ela se virou e continuou a subir as escadas, mas o som da voz firme de Kaien a fez parar no penúltimo degrau.



— Seus amigos virão aqui para aquela investigação, estou certo?



— Sim. – Disse. — Temos que adiantar as coisas. Isso não é mais uma brincadeira. As mortes estão se estendendo. Temos que acabar com isso, e rápido.



O homem a olhou com os olhos levitados para o topo da escada, sem nenhuma expressão diferente localizada em seu rosto ou em seus apertados olhos cor de avelã.


— Entendo. – Ele finalmente disse, enquanto colocava a mão em um dos bolsos da calça. — Então... dê o seu melhor hoje, pequena.

Ela sorriu alegremente, terminando de atravessar o corredor, não demorando a chegar a seu quarto.

Aquela manhã havia sido pesada para ela. Tudo estava começando a ficar difícil. Todos esses assassinatos, Zero desaparecido e um certo ruivo amargo que estaria completamente estranho, por esses últimos dias. Castiel não estava só diferente, mas, estava tomado por algum sentimento distinto. Tal sentimento não agradava a garota. Seus olhos estariam mais profundos do que nunca e talvez, porque não dizer, mais frios? Ele de qualquer maneira a assustava. A assustava dês do primeiro momento em que seus olhos se encontraram, naquele corredor escuro meio a alguns insultos há algumas semanas. Era incrível como o tempo passava tão rápido. Ontem ela morava em uma cidade onde odiava os garotos e ignorava amizades, mas hoje tinha amigos que confiava e um grosseirão para suportar. O ruivo poderia ser daquele jeitão introvertido, mas ela sabia que, bem lá no fundo, ele poderia ser uma pessoa realmente boa.

Quem sabe?

Ela encontrava-se sentada na cama com as pernas confortavelmente dobradas, olhando em direção ao chão. Mas de relance, seus olhos se fitaram naquelas paredes negras, talvez tão negras quanto... os olhos de Sebastian. Foi ai que ela pôde perceber o quanto aqueles profundos olhos eram atraentes.

Subitamente foi-se ouvido um estrondo vindo de sua sacada. As cortinas balançaram com ferocidade, chamando a atenção. Ela apertou os olhos desconfiada e levantou em um único pulo da cama, encarando aquela sacada sem ao menos piscar, nenhuma vez. Com rapidez, seu corpo foi puxado para frente, atravessando as cortinas e chegando finalmente dentro da pequena sacada rodeada por flores.

Zero. Ele estava com as mãos apertadas em volta dos braços da garota, olhando-a com um sorriso maroto. Ela revirou os olhos verdes e se afastou. Ela queria parecer realmente furiosa com o sumiço dele.

— Por onde você se enfiou?

Ele riu.

— Ah, estava preocupada comigo? – Ele perguntou sorridente enquanto se aproximava para frente, alcançando uma distância mínima entre os dois.

— E porque eu estaria? Eu nem ao menos te conheço. Você é um completo estranho pra mim. – Ela se afastou e deu de ombros.

Um suspiro foi ouvido e, por um segundo, o sorriso dele foi perdido.

— As mortes aumentaram. Eu sei. Por isso está tão nervosa? – Ele disse. — Entendo... Você estava com medo de que eu estivesse morto também.

Ela abaixou a cabeça e olhou-o de canto, temendo que ele estivesse realmente certo.

— Muitos estão morrendo. – Ela sussurrou.

— Não se preocupe. Uma hora, tudo irá acabar. Confie que tudo dará certo, ok? Quem sabe vocês não conseguem descobrir o assassino?

Ela tornou a se virar, olhando em direção dos seus olhos cor púrpura.

— Você... – Ela começou, indecisa. — Você, talvez, possa saber quem é o assassino?

Seu sorriso mais uma vez desabrochou, de forma zombeteira.

— Não sou nenhum adivinho, garota. – Ele afagou o topo da cabeça dela gentilmente, antes de passar reto por ela.

Mellanie suspirou por um segundo, deixando-se talvez pensar coisas impossíveis. Ele tinha razão. De qualquer forma, uma hora tudo iria acabar. Com centenas de corpos ou apenas dez. Tudo acabaria. Mesmo que ela própria, acabasse morta, ela faria tudo acabar...


~~



Enquanto ele tentava manter sua mente aberta para pensamentos úteis, nada adiantava. Era como se sua cabeça estivesse fechada para tal coisa, mantendo-se plena apenas para aquela garota baixinha em sua frente, segurando uma bandeja repleta de bolinhos de morango. Seus olhos estavam firmes nas dezenas de papéis amontoados em cima da mesa de centro, mas seu corpo estava quase cedendo, talvez quase sendo fraco demais. A única coisa que ele queria era olhá-la, olhar naqueles olhos tão azuis como o mar. Os olhos doces que ele gostava, mas renegava. Afinal, ela era irritante. Isso teria que encaixar em sua cabeça.



Não se apegue as pessoas, Lawliet.


Eram essas as palavras que encravaram em sua cabeça e coração por muito tempo. Foram essas as palavras que ele ouviu a vida toda, e que de certa forma, se prendia em seu conceito. Ele fora ensinado dês de pequeno a não ter amigos, a não se importar com as pessoas a sua volta, mas apenas com a vida delas. Pode parecer semelhante, mas não. Eram coisas completamente distintas em seu coração, mas agora, ele estava se deixando levar demais. Ele tinha que parar, antes que aquela garota tomasse sua mente por completo.

— Quer que eu te prepare um café, Lawliet? – Ela perguntou com seu típico jeitinho animado, botando a bandeja com tortinhas de morango na mesa.

Hikkaru vestia-se com um pequeno vestido amarelo rendado e seus cabelos azuis normalmente soltos sobre os ombros.

Ele levantou brevemente os olhos na direção dela.

— Você já fez demais por mim hoje, então, vá para casa. – Ele disse voltando sua atenção para os documentos e papéis. — Ah, e não me chame assim. Quanto antes se acostumar melhor.

Ela olhou-o torto. Não adiantava, afinal, ela não gostava do nome Ryuzaki e sim de Lawliet.

Como ele conseguia ser tão fechado para si mesmo? Seu coração apertava a cada olhar gelado que ele lhe mandava.

— Bom, se é assim, – Ela suspirou, virando-se e caminhando até a porta. — estou indo embora. Comprei morangos suficientes para três dias. Não precisará de mim, por enquanto.

— Obrigado, Hikkaru. – Disse calmamente, levando a ponta da caneta aos lábios. — Por favor, não se esqueça daquilo que combinamos.

Ela assentiu.

Por um momento podia sentir seus olhos arderem enquanto se prendiam a ele. Não conseguia entender aquele homem. Oque ele tanto escondia, afinal? Um mistério. Essa era a palavra que o descrevia. Talvez um poço de gelo, por ser tão resistente a sentimentos e expressões. Sua única expressão presente eram aqueles olhos azuis e mortos, que a olhavam raramente de forma fria. Isso poderia até irritá-la, se ela não gostasse tanto deles.

A garota rodou a maçaneta e saiu pela porta, batendo-a logo atrás de si.


Lá dentro ele largou a caneta com força na mesa, em cima de todos aqueles papéis. Seu destino estava traçado em ajudar as pessoas. Ajudar em casos sangrentos ou simplesmente normais. Sua vida fora sempre um poço de solidão, talvez tão amarga quanto sua infância. Aquele orfanato havia lhe ensinado tudo, dês de problemas gramaticais a incríveis casos policiais, mas havia apenas uma coisa que eles não haviam lhe ensinado, por todos aqueles anos; o amor. Oque era amor, realmente? Todos falavam tanto, mas ele suspeitava que, na verdade, eles não sabiam de nada. Amor era algo realmente especial? Ele não acreditava em bobagens como estas. Para ele, somente oque importava eram seus casos, nada mais. Pessoas não importavam. Bom, até algumas semanas atrás, quando conheceu duas pessoas realmente interessantes. Mellanie Yukino e Hikkaru Morita. Elas haviam virado sua cabeça?



Ele não poderia deixar isso acontecer. Afinal, seu coração estava selado.



Para sempre.



~~



A noite já estava prestes a cair. Mellanie estava lá, reencostada na porta com os olhos juntamente fechados, respirando aquele ar gelado da quase noite. Queria apenas bater a cabeça no travesseiro e esquecer de tudo, por apenas uma noite.



Zero havia sumido mais uma vez. E porque ela não estaria acostumada, não é mesmo? Afinal, quase todas as noites era este seu costume; pular feito um animal selvagem pela janela do segundo andar e simplesmente caminhar sem rumo pela noite. Sem rumo? Realmente? Ela não sabia oque ele fazia todas as noites, afinal, ele era um mistério. Um grande mistério. Porque diabos todos os homens a sua volta eram tão misteriosos? Isso a incomodava.


Seus olhos se abriram com rapidez e susto, quando ouviu batidas na porta logo atrás de suas costas. Ela suspirou, virando-se e rodando a maçaneta.

Todos sorriram e entraram, dando boa-noite e ficando em pé na sala. Lunna e Kaien tiveram coisas para fazer na cidade, então a casa estava livre para a investigação.

— Cara, eu estou muito cansado hoje! – Nathaniel começou enquanto passava a mão pela nuca.

Miha o olhou severamente como um Cala a droga da boca, seu preguiçoso. E voltou a olhar para frente. Lysandre estava vestindo suas típicas roupas vitorianas. Mary estava realmente séria, apertando alguma espécie de pasta entre as mãos com certa pressão. Seus olhos azuis estavam apreensivos?

— E então pessoal, qual o próximo passo? – Miha perguntou, encarando cada um ao redor.

Maryana suspirou, andando até o aparelho de DVD e encaixando um pequeno CD no devido lugar. Quando o filme começou a rodar, todos prestaram bastante atenção. Primeiro um beco, o qual só se via escuridão. De repente uma perna estirada e, tudo foi clareando. Mais um corpo. Mas não um corpo normal. Era um corpo de uma mulher. Seus braços e pernas, incluindo barriga estavam completamente mutilados, ainda sangrentos. Somente o rosto estava a salvo. Sem dúvidas, quem quer que fosse o responsável por isso, não era humano. Uma pessoa tão cruel assim, com certeza não merecia viver com pessoas normais. Ele era um monstro.

Todos olhavam atentamente, sem nenhuma reação a principio. Nathaniel, ao começo de toda a investigação era o que tinha o estomago mais fraco. Mas depois de analisarem dezenas de fitas com corpos e cenas do crime ele parecia estar se acostumando com tudo aquilo.

De repente a fita foi pausada e todos olharam para a loira. Ela apenas apertou o botão ZOOM, focando a imagem bem próximo ao rosto da vítima.

— Todos vocês, olhem atentamente para essa mulher. – Ela disse como uma ordem. — Reconhecem ela?

Todos olharam com atenção, analisando cada traço do rosto daquela vítima diante a toda aquela escuridão.

Por um momento todos arregalaram os olhos como no mesmo instante. Aquela mulher... com certeza não era estranha, para nenhum deles.

— Emma Knigts?! Oh meu Deus... – Miha foi a primeira a se pronunciar, sentindo seu rosto esquentar de espanto.

— Sensei... – Mellanie disse ao abaixar os olhos na direção de seus pés. Suas mãos haviam ficado frias.

Lysandre soltou ar pela boca, de certa forma lamentando o ocorrido.

— Isso é realmente triste. Uma professora boa. Uma grande perda. – Disse Lysandre.

Nathaniel parecia aflito, tão aflito que chegava a ser cômico.

— Ah é, ela era realmente boa. Boa de todos os ângulos. – Começou enquanto formava no ar uma estrutura feminina e suas curvas. — Puxa cara, ela era demais. Sentiremos sua falta, Sensei!

Sutilmente todos viraram a cabeça na direção do loiro, com olhares desacreditados naquelas palavras tão idiotas.

— Pervertido, pervertido! – Miha gritou pulando nele e dando tapas em sua cabeça. — Você não sabe? Necrofilia é crime. Como pode ser tarado até por defuntos? Grande pervertido!

Os outros três olhavam os dois. Poderia ser engraçado, se não fosse realmente algo trágico.

— Vamos parar de brincadeiras. – Mary os repreendeu. — Vamos analisar a imagem. Conseguem ver essa trilha de sangue próximo aos braços da sensei? Talvez outro corpo pudesse ter sido arrastado bem ali. E esses dois laços ao lado da cabeça dela? Não acham que isso seria algum tipo de aviso?

Todos se entreolharam confusos.

— Eu concordo, mas que tipo de aviso? – Lysandre perguntou enquanto apoiava-se no braço do sofá com os cotovelos.

— Eu não sei. Mas algo está muito errado. – Ela respondeu.

Mellanie apertou os olhos verdes em cima da imagem.

— E porque justo dois laços nela? Porque justo na Sensei do nosso colégio? Não acham que isso pode ser um aviso justamente para a nossa escola? – Mellanie disse.

Mary olhou-a por meros segundos, analisando seu ponto de vista e, realmente poderia fazer algum sentido. Porque justo a professora de Sweet Amoris? Algo muito errado estava próximo de acontecer.

— Então tá querendo dizer que todos nós vamos morrer?! – Nathaniel aumentou o tom de voz quase ao desespero. Típico drama do loiro.

— Não necessariamente todos nós. Essa pessoa, que está fazendo tantas vítimas, ela quer não todos, mas apenas um. E posso estar enganado, mas está lá, no nosso colégio. O verdadeiro alvo do assassino está no nosso colégio. – Lysandre afirmou.

Por um momento todos se mantiveram paralisados.

— Muito inteligente, Lysandre. – Mary disse. — E suponhamos que ele esteja matando tantos para, no fim, alcançar sua verdadeira vítima. Ele é um gênio, e está enganando toda a corporação da polícia.

— Essa pessoa não pode ser real... – Mellanie sussurrou.

— Então no final, todos nós podemos acabar mortos, certo? – Nathaniel perguntou um tanto preocupado, enrodilhando uma mecha de seu cabelo no dedo.

— Não precisa ter tanto medo, loiro. – Miha disse. — Afinal, todos acabaremos mortos em um caixão de qualquer forma. Qual o problema de adiantar essa etapa tão mágica, não é?

Nathaniel encarou horrorizado aqueles olhos psicopatas da garota de cabelos rosados.

— Vo-Você me dá medo, Miha. Sua terrorista! – O loiro revidou, protegendo-se daqueles olhos com a almofada mais próxima.

Mellanie olhava-os com descrença. Como aqueles dois malucos conseguiam levar tudo o tempo todo na brincadeira? Pessoas estavam morrendo.

— Quantas fitas ainda restam para ver por hoje, Mary-chan? – Mellanie perguntou, atenta.

Mary colocou a ponta da unha nos lábios e pensou por um breve momento.

Hmm... Talvez sete ou dez. – Confirmou.

— Mais dez pessoas mortas? Então... Quantas já temos no total? – Miha perguntou.

— Vinte e oito. – Lysandre respondeu de forma séria.

Mellanie levitou os olhos verdes para outra direção. A janela. As estrelas encobriam o céu naquela noite. E por um momento desejou que, tudo isso fosse somente mais um de seus pesadelos surreais, onde envolviam criaturas com dentes afiados prontos para abocanharem seu pescoço. Desejava que tudo não passasse de um sonho.

E se todas essas mortes fossem realmente por sua causa? Afinal de contas, ela estava fugindo de um monstro qual temia por muitos anos. Poderia ser que...

Não. Não poderia acreditar nessa possibilidade. Isso não era por sua causa. Não mesmo.

Era isso que ela queria acreditar naquele momento.

— Temos que parar isso. – A garota disse, levantando-se do sofá com agilidade, fazendo seu cabelo castanho balançar com o vento que atravessava a sala.

Mary olhou-a e suspirou por mais uma vez. Ela sabia que isso não acabaria assim. Essa pessoa, que estava matando como se todos fossem porcos, não era normal. Era um monstro a procura de saciar-se, e parecia que, somente a morte ao seu redor o satisfazia.


Depois de analisarem todas as fitas em cima da mesa de centro, foi-se ouvido três batucadas na porta. Eram exatamente 21h33 da noite. Estava tarde demais para visitas.



— Chamou mais alguém? – Lysandre perguntou com olhar severo na porta.



Mellanie pensou e sorriu, lembrando-se da suposta pessoa que receberia naquele momento. E olhe só, bem no horário combinado. Ele era realmente... pontual.



— Desculpa gente, eu não avisei, havia me esquecido. – Ela disse indo em direção da porta. — Tem mais uma pessoa que quero que vocês conheçam. Bem, na verdade duas. Eles farão parte da investigação se não se importarem.


E então a porta foi aberta. Logo vindo à visão clara de duas pessoas; um homem e uma garota. Hikkaru e Lawliet estavam ali, parados na entrada. Quando eles finalmente entraram, todos acompanharam os dois com o olhar. Ela era baixinha, mas apenas alguns centímetros mais alta que Mellanie, enquanto ele era de uma boa estatura para um homem, mas algo estava errado nele. Sua postura estava de certa forma torta. Ele andava com a coluna alinhada para frente, como podemos dizer... como um corcunda andaria? Sim, ele era estranho aos olhos de qualquer um, à primeira vista e à segunda vista. Seus cabelos loiros e desgrenhados não chamavam tanta atenção quanto suas olheiras abaixo dos vazios olhos azuis.

— Acho que preciso fazer dois cafés... Então, sentem-se vocês dois. – Mellanie disse com um sorriso, apontando para o sofá enquanto sumia de vista no corredor que levaria para a cozinha.

A garota de cabelos azuis se sentou sutilmente no sofá vago, enquanto o rapaz sem ao menos olhar para qualquer um se “sentou”, podemos dizer assim. Ele colocou primeiramente os dois pés em cima do sofá, sentando-se em sua típica postura empoleirada. Todos olharam chocados para ele, como se ele fosse alguma espécie de alienígena bem ali, sentado na sala junto a todos.

— Ei, Será que ele tem algum problema psiquiátrico? – Nathaniel sussurrou para Miha bem próximo de seu ouvido de forma que ninguém mais pudesse ouvir.

Ela revirou os olhos, dando-lhe um pequeno tapa.

— Não julgue só porque ele é desse jeito! Se ela o deixou entrar nessa investigação quer dizer que ele pode ser inteligente, certo? Hump.

Nathaniel olhou-o por mais uma vez e, as palavras da rosada não estavam o convencendo nenhum pouco.

Lawliet mantinha seus olhos azuis abaixados na direção do chão, desconcertado. Depois de algum tempo diante a todo aquele silêncio enquanto todos ainda o fitavam, ele levou o polegar até os lábios, amassando-os como costumava fazer sempre quando pensava em algo intrigante ou simplesmente bobo. Arqueou a cabeça e olhou na direção de todos discretamente, analisando um por um, rosto por rosto. Cada olhar. Nada escapava naquele momento de seus olhos.

Maryana não estava gostando nada daquilo. Quem era aquele esquisito e porque alguém como ele entraria em uma roda de investigação tão importante? Isso não estava certo e não se encaixava em sua cabeça. Tanto no jeito de se vestir quanto naquele olhar fechado. Ela absolutamente não estava gostando daquilo.

Quando os olhos azuis se fitaram na garota loira, sabia que seria difícil. Ela tinha personalidade forte, ele podia saber só de olhar e, talvez, odiasse perder para alguém como ele. Ela sentiu o peso daqueles olhos e no mesmo momento apertou os dela com desconforto.

Os passos da garota baixinha foram ouvidos novamente. Mellanie estava finalmente voltando com uma bandeja de cafés, mas não eram somente dois como havia dito. Eram seis. Um para cada um.

Lysandre agradeceu com um sorriso simples e pegou uma xícara, momentaneamente todos fizeram o mesmo ato. Menos Lawliet.

— Por favor, açúcar. – Ele pediu lançando um olhar rápido para Mellanie.

Ela assentiu e correu até a cozinha, enquanto Hikka-chan olhava o rapaz esquisito ao seu lado como um; você não muda mesmo, hein?

— Aqui está. – Mellanie disse colocando um pequeno prato repleto de mini cubos de açúcar próximo da bandeja.

Ele calmamente pegou a xícara de café e levou antes o dedo que prensava os lábios até o pequeno prato, pegando com a ponta dos dedos um único cubo e levando a xícara de café, jogando dentro em seguida. Ele parou por um momento voltando até o prato e pegando mais uma vez na ponta dos dedos o granulo de açúcar e levando-o até dentro da xícara. O mesmo ato se repetiu por oito vezes. Oito. Todos o olhavam chocados. Como uma pessoa poderia suportar comer tanto açúcar em um único café? Dentre olhares surpresos, apenas um estava tão gelado quando o dele. Mary não estava nenhum pouco contente com aquele estranho tomando café bem na sua frente. Ela ainda não o via como ameaça mas ele sem dúvidas era a pessoa mais louca que já havia visto.

Hikka riu divertida diante a todo aquele silêncio.

— Ele adora açúcar! – Ela disse descontraída.

Mellanie sorriu na direção dele, enquanto o mesmo segurava a xícara na ponta dos dedos de forma realmente incomum. Um largo sorriso foi aberto da parte da garota.

— Senti sua falta, Ryuzaki! – Mellanie continuava a sustentar o sorriso. — Pensei que não viria me ver.

Ele olhou-a desta vez diretamente e talvez um pouco surpreso por dentro. Como ela descobriu seu nome falso?

— De qualquer forma, – Ele começou, voltando a atenção para seu café, desviando o olhar. — eu viria. Até porque, Hikkaru está morando aqui agora.

Hikkaru sorriu brevemente, logo levando sua atenção para os quatro sentados à frente.

— Fico feliz em poder ajudar vocês a partir de hoje, então, aceitem-nos nesta investigação! – Ela disse animada.

Mary soltou um imperceptível suspiro. De toda a forma, ela não estava gostando nada da presença daquele cara estranho por perto.

— Também estamos muito felizes em ter vocês dois conosco a partir de hoje, Hikka-chan! – Nathaniel disse até mais alegre que a própria baixinha de cabelos azuis, e talvez se sentindo livre para chamá-la daquela forma tão pessoal.

Miha deu uma cotovelada na barriga do loiro saído enquanto Lysandre balançava a cabeça em reprovação.

— Tenho certeza que eles nos ajudarão muito nesse caso. A princípio pensei que fosse realmente um fardo muito grande para resolver, mas estaremos juntos com determinação de achar esse assassino. Vamos dar o melhor de cada um. – Mellanie disse.

Todos a fitavam com certo interesse, menos o loiro estranho que continuava a tomar seu café. O silêncio se pronunciou mais alto naquele momento, mas foi quebrado quando a xícara de vidro foi posta à mesa severamente. A xícara de Lawliet.

— Não o acharemos tão fácil. Saibam disso o quanto antes. – Ele disse calmamente enquanto apoiava as palmas das mãos nos joelhos.

— Não vamos ser tão pessimistas, Ryuzaki... – Hikka disse olhando-o.

— Não é pessimismo. Ele não é apenas um louco com uma faca na mão que entra em becos pra matar. Ele esta em toda parte e é um assassino frio. Ele mata simplesmente para saciar-se ou talvez para conseguir oque deseja. Então, devemos ir com calma. – Ele tornou a dizer de forma calma demais, como sempre.

Mary sentiu seus punhos ferverem.

— Se formos com calma demais ele fará mais vítimas. – Lysandre protestou.

Lawliet levantou o polegar novamente para seus lábios, com expressão pensativa.

Hmm. Foram vinte e nove mortes. – Ele disse de repente.

Mary sorriu vitoriosa. Ele estava completamente errado em seu palpite. Não eram vinte e nove e sim vinte e oito assassinatos.

— Está errado. Não foram vinte e nove homicídios e sim vinte e oito. Boa tentativa, mas de qualquer forma, esta errado. – Ela dizia de forma provocativa enquanto prendia seus olhos azuis em cima daquela figura pálida.

Ele mandou um pequeno sorriso entre o polegar em seus lábios.

— Desculpe senhorita Chie mas, você que está errada. – Ele revidou de forma calma enquanto quebrava o olhar dela ao meio com o seu extremamente frio.

Ao mesmo tempo todos os olhares foram diretamente para ele, aquele loiro com cabelos desgrenhados e com olheiras marcadas abaixo dos olhos. Todos estavam estáticos e curiosos e porque não dizer confusos? Era realmente vinte e oito, como a loira havia dito a poucos minutos. Eles haviam contado as fitas e noticiários. Eram vinte e oito pessoas mortas e não vinte e nove. Oque estava acontecendo ali?

Mary apertou os olhos em cima daquela criatura e sentiu um calafrio percorrer sua espinha por completo. Como ele sabia seu sobrenome, afinal? Ela tinha poucos amigos e raras pessoas sabiam seu sobrenome. Como aquele cara poderia saber? Enquanto sua pele se arrepiava de forma brusca, ela apertou os punhos no sofá. Ela queria desafiá-lo por mais um pouco. Ele queria ser mais esperto? Bem, que tentasse então.

— Muito bem senhor inteligente. Fala aí pra todo mundo porque são vinte e nove vítimas e não vinte e oito. – Ela o desafiou por mais uma vez, forçando um sorriso falso que talvez estivesse prestes a se desmanchar por conta do horror de aquele cara nada amigável saber seu sobrenome.

Ele retirou finalmente o dedo da boca, voltando a sua postura anterior com as palmas apoiadas nos joelhos. Agora seus olhos estavam completamente presos naquela figura loira a sua frente. Ela estava realmente desafiando-o?

— Muitas das mortes não foram transmitidas pelo noticiário da televisão, vocês já deveriam saber disso então por esse motivo convocaram a ajuda de um policial para ajudar, estou certo? Ele conseguiu as fitas das câmeras de segurança das cenas do crime, de cada canto da cidade onde ocorreram as execuções. Mas um simples policial local não pode conseguir tudo o tempo todo. Houve uma morte há dois dias atrás, onde um advogado voltava para sua casa de madrugada quando foi brutalmente assassinado no meio da rua. Haviam marcas de faca por todo o seu corpo. Suas roupas estavam irreconhecíveis e, um laço de fita encontrava-se próximo ao corpo. – Ele dizia com tamanha tranqüilidade inexistente em qualquer um naquela sala enquanto olhava friamente aquela loira visivelmente irritada. — Então senhorita Chie, nunca mais duvide de mim. Eu nunca estarei errado.

Os olhares daquela sala ainda se fitavam naquele homem. Todos estavam paralisados e de certa forma assustados. Como ele sabia de tudo aquilo, afinal? Ele era uma pessoa normal?

— Vinte e oito ou vinte e nove, seja como for, temos que acabar com essa matança. Não pode continuar. As pessoas estão aterrorizadas. Vamos conseguir acabar com tudo isso, certo? Vamos ficar juntos? – Mellanie dizia com um pequeno sorriso ao canto da bochecha, fitando cada rosto naquela sala.

— Contanto que eu não morra no meio da investigação, está tudo bem! – Nathaniel disse abrindo um sorriso grande enquanto acenava frenético.

Miha e Hikkaru sorriram em concordância enquanto Lysandre também assentia com a cabeça de forma afirmativa. Mary forçou um sorriso enquanto ainda se negava firmemente por dentro. Absolutamente não suportaria aquele cara. Ela suspirou e abaixou discretamente a cabeça. Lysandre moveu seu rosto para o lado com um sorriso zombeteiro.

— Não suporto esse cara. – Ela cochichou irritada bem próximo ao rapaz de olhos bicolores.

Ele soltou uma risadinha abafada.

— Está nervosinha só porque está com medo.

Ela olhou-o.

— Medo?

— Sim. Você tá com medo de que ele seja melhor que você. – Ele terminou, voltando a sua postura normal no sofá.

Ela levantou o rosto e afrouxou os punhos, controlando o nervosismo. Ele nunca seria melhor que ela. Aquilo que ele disse minutos atrás havia sido apenas sorte. Era oque ela de qualquer forma, tentava enfiar em sua cabeça. Mary sorriu ao canto dos lábios confiante e o fitou por alguns segundos. Nada iria passar por cima dela, muito menos um cara estranho como aquele. Ela estava firme.


Depois que olharam mais alguns papéis e pastas, todos foram para casa. Hikkaru fora também para seu quarto. Havia sido um dia longo e principalmente; uma noite longa. Tudo que ela queria era um banho e sua cama macia. Obviamente Zero não voltaria mais esta noite.



Após terminar seu banho, Mellanie voltou enrolada em sua toalha vermelha, deixando por descuido pingar algumas gotas de água no chão do quarto. Um vento forte subitamente alcançou seus braços e pernas nus, e ela se virou para encarar a sacada encobrida pela cortina de seda branca. Nada de incomum. Por enquanto.



Quando ela se virou prestes a tirar a toalha molhada a fim de se trocar, algo pulou bem atrás dela freneticamente, atravessando as cortinas com tudo, fazendo-a cair na cama devido ao susto.



Zero havia feito aquilo.



Mas como exatamente ele havia pulado para aquela sacada tão alta? Ele era alguma espécie de felino?


— ZERO! Você não vai descansar enquanto não me matar de susto?! – Ela gritava em tom de repreensão enquanto pressionava a toalha contra o corpo, mantendo-a firme e segura.

Ele estava sério. Sério talvez demais.

Apenas lançou um olhar de pedra para a garota jogada na cama e saiu tão rápido como veio. O único som que ela pôde escutar foi a porta batendo com violência.

Mellanie apoiou a palma da mão no peito, sentindo seu coração disparar. Aquele olhar havia a amedrontado mais que o susto que havia levado.


O som de seu coração estava de certa forma, alertando-a que havia algo errado.





[Imagem Extra do Capitulo ~ Miha]



[Imagem Extra do Capitulo ~ Mary — Olhos]

[Imagem Extra do Capitulo ~ Lawliet — Black and White]

[Imagem Extra do Capitulo ~ Hikka-chan]

Fim da segunda parte.


Notas finais
Obrigada por mais um. Beijo e quero comentários, sim? *beija*