The Rose Of Darkness
27 Capitulo 16 – O Garoto da Capa Vermelha - P2
Notas iniciais
Este vai ser curto e falará sobre o inicio do treino com o Zero, para domar a Ookami-oni.
Espero que gostem.
Capítulo Dezesseis,
O Garoto da Capa Vermelha P2 – Primeiro Ato: Domareis-te, coração possuído?
"Quem sabe,
O coração daquele que não me diz respeito,
Serás meu?
Mesmo que tão complicado,
Mesmo que tão agressivo,
Serás meu?
Demônios sentem a presença dos anjos,
Domareis-te teu coração,
Vejas quantas flores desabrocham ao redor de nós,
Contudo, tão recheado por flores quanto este jardim em volta,
És teu coração,
Meu bem (...)" – Suellen c.
— Nossa, você tomou mesmo todo o café. — ela sorriu fascinada.
Lawliet, ou porque não dizer L estava em pé frente à sacada, com as cortinas arrastadas para o canto e tão brancas como sua própria camiseta de mangas longas. Ele olhava, olhava e olhava sem parar para o horizonte ensolarado. Tinha coisas a fazer e metas a cumprir. Mistérios que somente a mente daquele detetive tão astuto poderia desvendar. Algo maior que todo aquele céu preenchido pelo azul tão forte... o azul que o fazia lembrar dos olhos dela, a mesma garota que estaria em pé naquela sala, admirando o tanto de café que ele poderia ser capaz de ingerir. Mas além de tudo aquilo ali naquele ambiente, o azul lhe trazia lembranças cruéis de sua infância. As lembranças dos olhos de vidro coloridos pelo azul-turquesa hipnotizador. Os olhos da boneca de porcelana que tanto amou e, os olhos da mulher morta naquele mesmo ano recheado por sangue e desejo.
Ele se virou finalmente ainda com as mãos nos bolsos da calça jeans longa, qual bainha arrastava pelo calcanhar.
A olhou,
— Creio que ela queira falar comigo.
A azulada assentiu.
— Sim, sim. Ela me pareceu um pouco confusa dês da última conversa de vocês dois. Você não pareceu estar muito interessado em explicar os detalhes e a máscara por trás do seu nome. — ela disse apertando os dedos uns nos outros,
Ele voltou para o sofá, se sentando de seu modo estranho como de costume. Pegou um torrão de açúcar e o apertou no polegar.
— Também quero conversar com aquela garota. Há coisas em que estou curioso em saber. — ele falou sem retirar a atenção do torrão — Sabe em qual dia ela estará desocupada?
— Hmm... não sei, está acontecendo tantas coisas estranhas naquela casa ultimamente que me deixa confusa.
Ele a olhou ao canto dos olhos,
— Quais coisas?
— Dês de que eu cheguei dei de cara com um garoto estranho por lá, ele tem cabelos cinzentos, quase brancos e veste casacos suspeitos. Ah, e ele me lembra um cachorro pervertido. — ela riu — Ele fica sempre perto dela. É engraçado as vezes, mas muito confuso. De uns tempos pra cá vem acontecendo muitas coisas estranhas, como de ele sumir por aí saltando pela janela. Tem vezes que ele some pra valer e deixa o guardião dela muito nervoso, e ela também. A uns dias atrás, de tardinha, eu estava aqui fazendo tortinhas pra você, e eu os vi voltar de carro e Zero me pareceu bem sonolento e aliás, estava machucado pra valer. Será que ele se mete em confusão com gangues ou algo assim? Suspeito...
O detetive levou o polegar para os lábios. Pensou por um momento.
— Como eu pensei. — ele concluiu com calmaria e um pequeno pensamento vitorioso.
— Me conta, Law-kun! — ela insistiu fazendo bico.
— Não. Será interessante ver a sua cara de surpresa quando descobrir tudo o que realmente acontece naquela casa. — disse colocando o torrão de açúcar dentro da xícara — Uma família de história interessante, afinal...
— Eles parecem bem malucos, mas são normais. Nunca vi a tia Lunna tão psicótica como agora. Deve ser por causa daquele homem.
— Nunca confie demais no que somente aparenta ser... Hikkaru...
Os olhos azuis tomaram a atenção para o detetive (...),
~~
— 13h15min. Em casa, SilentStreets —
Mellanie estava na cozinha enquanto acabava de trazer uma bandeja repleta de salgadinhos. Pôs sobre a mesa da copa onde o pequeno Alam encontrava-se sentado, ele pareceu analisar o alimento com curiosidade.
Zero por sua vez estava sentado — lê-se jogado — no sofá da sala, e naquele momento a porta se abriu com rapidez anunciando a chegada atrasada dos dois guardiões atrapalhados.
— Nunca mais você fica no meu trabalho, entendeu? — Lunna parecia irritada ao repreender o mais velho.
Ele contudo, sorria.
— Não tenho culpa se aquele cara de cabelo verde não vai com a minha cara... — ele pausou ao levar o indicador ao queixo — ... Aliás, não tenho culpa se ele não vai com a cara do seu marido...
Aquilo pareceu ser a gota d’gua pra mulher que deu um belo soco no estomago do guardião mais velho sem um pingo a mais de paciência.
Mellanie fez uma careta e sorriu em seguida, acenando pra sua tia.
— Querida! Desculpe pela demora... — ela disse com um sorriso, mas logo fez uma expressão de curiosidade ao encarar o garoto comendo feito um anjo na mesa — Oh, quem é esse pequeno aí?
— Esse é Henry, eu o achei perdido perto do parque. Ele não sabe o número de telefone da casa dele, aliás, ele parece não saber muito sobre aparelhos eletrônicos... — ela sorriu sem graça — Mas oque eu sei é que está perdido.
Lunna analisou o garoto e olhou na direção de Kaien, que o fitava sério.
— Bom, enquanto a família não vem procurá-lo, você ficará na responsabilidade de cuidar dele Mellanie. — o homem apenas disse.
Zero permaneceu em silêncio.
— Kaien, vamos conversar sobre aquele assunto, então? — a garota perguntou com mistério oque fez o esbranquiçado levantar as “orelhas” de curiosidade.
— Teremos que começar com o teste querida. E, se for comprovado que você tem a afinidade certa poderá começar o treinamento. Mas será bastante cansativo então quer mesmo arriscar?
— Eu farei de tudo, Kaien-san.
— Poderá ser perigoso... não estamos lidando com qualquer coisa. Estamos lidando com vibrações infernais. — Kaien alertou.
Zero apertou os olhos e se levantou do sofá com agitação. Não estava gostando nada daquela história, ainda mais sabendo que sua protegida poderia correr riscos e se ferir.
— Do que estão falando? — o hunter perguntou, oque fez a garota disfarçar e coçar a nuca.
— Zero... não é nada demais... — a baixinha tentou enrolá-lo.
Ele por sua vez se aproximou como um vulto e, agarrou o braço direito dela com força.
Lunna arregalou os olhos com toda aquela agitação.
— Está escondendo algo de mim, não está? Conte agora.
Ela o olhou com firmeza e de sua boca não saiu absolutamente nada.
Kaien colocou a mão na testa e respirou fundo.
— Largue-a, Zero. — disse calmo — Afinal de contas, não adianta esconder nada dele. — continuou — Zero, iremos domar a Ookami-oni.
O esbranquiçado arregalou os olhos púrpura e largou o braço da garota, que havia aliás ficado vermelho.
O pequeno Alam soltou o pedaço de salgadinho no prato. Aquela conversa estava interessante.
— Se fizerem isso irão se machucar. — o hunter virou para Kaien enquanto fitava a nuca do mesmo, qual havia uma cicatriz mediana semelhante a uma mordida violenta de algum tipo de canino animal — Não quero que se machuque, Mellanie.
Ela suspirou.
— Já tomei minha decisão e, se eu passar no teste, eu irei começar esse treinamento com você. Eu tenho noção que no começo será violento e agressivo, e que você perderá a consciência e poderá me ferir, mas mesmo assim, eu quero poder fazer algo por você. — ela disse firme.
Lunna aproximou-se com um sorriso enquanto tocava o ombro do guardião mais velho.
— Kaien quer te dar uma coisa, querida. — a mulher disse.
— Oque é?
— Isto, — o homem enfiou a mão dentro do casaco bege e de lá tirou um pequeno cordão com um pingente bem pequeno em um formato muito especial — Pegue e observe.
A garota tomou em mãos o pequeno colar dourado junto ao pequeno pingente. Um amuleto? Seu formato era a figura idêntica ao símbolo dos casacos de Zero. O símbolo do clã dos Kiryuu’s.
Ela sorriu,
— Porque está me dando isso?
O rapaz de cabelos cinzentos olhou o pequeno pingente e fechou os olhos, perturbado. Já sabia oque aquilo queria dizer, e muito bem.
— Essa é uma das cinco raras peças dos Kiryuu no mundo todo. Ela tem uma única função em suas mãos: afastar a Ookami-oni de Zero. Será como uma interrupção imediata, e ele sentirá um choque e então, expulsará o lobo do corpo dele, impedindo-o de perder a consciência. Use isso na hora que achar conveniente.
— Entendi. Vai ser de grande utilidade em nosso treinamento, obrigada Kaien-san. — ela sorriu.
O homem sorriu e retirou o casaco, colocando-o sobre o pendurador na parede. Olhou para Lunna e então subiu as escadas, mas antes que pudesse completar seu caminho virou-se no topo da escadaria;
— Iremos para o jardim dos fundos às Três, então lembre-se de estar lá, tudo bem querida? — ele apenas avisou.
Mellanie assentiu contente sentindo uma grande explosão de animação percorrer por todo o corpo e, quando se virou viu que seu anjo protetor colocava o casaco azul-marinho. Apertou os olhos e demonstrou uma falsa irritação. Correu rapidamente até ele, segurando-lhe pelo braço.
— Onde pensa que vai? Hoje está proibido de sair de casa. Que tipo de cão de guarda é você afinal? — ela deu bronca.
Ele suspirou.
— Oh, então ele é realmente um cão de guarda?! — o garoto baixinho disse com um pulo ao chegar perto dos dois. Olhou o cara grande pela ponta dos pés com um sorriso maroto — Ele tem mesmo cara daqueles cachorros grandões que protegem pessoas.
— Mellanie? — Zero chamou-a.
— Oque é?
— Tem certeza que não quer se livrar dessa pequena coisa irritante? Eu posso mandá-lo para o céu em um segundo apenas. Por favor?
Ela então acertou um soco com o punho fechado na cabeça dele, oque fez o menino sorrir vitorioso.
— Aquelas coisas estavam realmente gostosas, plebéia! — o pequeno garoto referia-se aos salgadinhos.
— Ei, me chame de Mell enquanto você ficar aqui comigo, está bem? — ela afagou os cabelos castanhos quase negros do garoto.
Ele revirou o rosto fingindo não se importar,
— Vou pensar nisso. — ele fez bico.
— Então, vai me contar quem é você e de onde veio, baixinho? — ela provocou novamente ao bagunçar-lhe os cabelos.
Ele fez careta,
— Acho que você merece saber pela hospitalidade que está me dando... hum... certo, irei lhe contar. — ele sorriu disfarçadamente.
— Mais tarde meus ouvidos serão todos seus, pequeno Henry.
**
O céu continuava incrivelmente vivo no céu.
Mellanie pegou o pequeno Alam pelo pulso e saiu o puxando para que atravessassem a rua. Os pequenos olhinhos negros puderam ver o grande chafariz e lá uma linda mulher sentada na beira, com cartas estranhas nas mãos. Ela os olhou e sorriu, principalmente ao ver que a baixinha estava com o garoto.
— Saritcha, olha oque eu trouxe pra você. — Mellanie disse ao soltar o menino e dar um pequeno empurrão nele.
Ele olhou a sensitiva.
— Oh, mas oque temos aqui? — a mulher sorriu, entrando na brincadeira.
— Depois daquela hora que vim falar com você eu o achei aqui por perto. Está perdido.
A mulher o olhou pensativa e então o puxou para mais perto, agarrando as pequenas mãos contra as suas em seguida, oque o assustou um pouco com a aproximação.
— Não se preocupe, apenas relaxe e me deixe dar uma olhada. — ela o acalmou e então fechou os olhos, apertando de leve as palmas das mãos dele nas dela.
Mellanie olhava com curiosidade quando alguns segundos depois viu a mulher soltar as mãos do garoto e sorrir.
E então disse;
— Seu gato está a caminho. Pelo que vi de suas mãos houve um pequeno contratempo em sua casa. — ela esclareceu e ele sorriu aliviado.
— Que bom, pensei que aquele irresponsável tivesse me deixado aqui neste lugar estranho. — o garoto baixinho fez uma pequena reverência para a mulher, que retribuiu com educação.
Mas a garota não entendeu absolutamente nada. Apenas deu de ombros e se despediu de Saritcha, levando o menino para frente da casa novamente.
As horas estavam passando depressa e então lembrou-se que há poucas horas iria fazer o teste. Um pequeno nervosismo atingiu em cheio sua pele.
“Mamãe, me dê sorte para que... eu seja a escolhida para tomar conta daquele cão teimoso...”
**
Podia-se sentir o vento tocar a pele com suavidade. Os galhos das grandes árvores naquele quintal dos fundos balançavam e balançavam chocando-se ao tronco no final.
Mellanie encontrava-se de pé naquele gramado banhado por um verde magnífico enquanto olhava com atenção cada pequeno detalhe do pingente que havia ganhado de seu guardião mais cedo. O símbolo da rosa. O símbolo tão prestigiado pelo clã dos Kiryuu’s.
Ela sorriu e se virou.
Kaien Cross estava lá, sentado no pequeno degrau de escada bem próximo da baixinha. Com seus óculos no rosto e os cabelos longos presos em um rabo de cavalo, como de costume. Ele levou o olhar para a guardiã mais nova. Lunna estava à apenas alguns metros de distancia, regando as plantas daquela parte da casa. Tratava de todas as flores com tanto cuidado quanto as do pequeno jardim da frente.
Zero estava encostado na árvore com olhar perdido enquanto o pequeno Alam estava sentado também no degrau de escada, ao lado de Kaien.
Os cabelos negros e curtos então se agitaram com a ventania daquele grande quintal. A pquena garota, tal com a alma perdida ou quem sabe, engolida por um dos cinco demônios da escuridão, estava lá. Um pouco distante demais de todos. Ninguém podia vê-la, com exceção de Mellanie. Mas algo estava estranho. Por algum motivo desconhecido, ela podia ser vista também pelo caçador com coração de lobo. Zero podia vê-la.
Ela suspirou, talvez achando ridículo estar ali naquele momento. Não sentia-se feliz. Tudo que ela queria era poder voltar para o lado de sua protetora, Saritcha. Ao lado dela toda a escuridão ia para longe. Mas de uma maneira ligeira e misteriosa, também podia sentir a presença da luz quando ficava ao lado da baixinha de nome meigo.
Os dedos pálidos se moveram na direção dos olhos e então, retirou o tapa-olho, desvendando o olho verde de vidro. Um par de olhos bicolores estavam ali agora, no rosto angelical.
— Está na hora Mell. — o Cross chamou a atenção da garota e se levantou, aproximando-se de Mellanie.
— Oque tenho que fazer para começar? — ela perguntou com entusiasmo.
Ele apertou as mãos dela onde justamente lá estava o cordão com o pingente.
— Lembre-se de segurar firme em uma mão o cordão a todo o momento. Só por segurança. — disse ele — Zero, venha aqui.
O Kiryuu pareceu despertar de um devaneio e então olhou os dois com semblante sério. Se aproximou com má vontade.
— Isso é loucura. — ele resmungou.
O Cross fitou o rapaz severamente.
— Não seja teimoso e comece. Isto é necessário, você sabe. Talvez essa seja sua última salvação, então não negue que precisa de ajuda. — o mais velho dizia com os olhos presos no rapaz, talvez com toda a razão do mundo — A morte está bem perto, Zero, então não tente ser forte.
Zero fez uma pequena caminhada com o olhar, fazendo-os atingir então em cheio aos da garota. Os verdes tão lindos e sensíveis. Como poderia ajudá-lo a domar um demônio?
— Comece... começar com oque, Kaien-san? — ela pareceu confusa.
Kaien olhou-a,
— Começar a liberar a Ookami-oni, Mell. Essa é a primeira coisa a se fazer. — respondeu.
Sentiu sua pele gelar com suas palavras. A garota olhou para seu anjo negro e então apertou os punhos com nervosismo.
— Mellanie, isso é uma escolha sua. Quer continuar com isso? — Zero perguntou olhando-a nos olhos.
Ela hesitou por um momento, e então sorriu com fibra;
— Eu prometi ajudar você. Não vou voltar atrás.
“Tsc, garota tola. Arriscando-se por alguém que acabara de conhecer. Tão boba...”, a menina Mayuri pensou ao mesmo tempo em que observava toda a cena.
Alam encontrava-se agora ao lado da jardineira, que posicionava-se com o regador de água nas mãos, aflita.
Zero abaixou a cabeça e então assentiu com um pequeno gesto de cabeça.
Tudo pareceu muito rápido, e uma leve escuridão encontrou as retinas da garota. Tal escuridão talvez inexistente para os olhos de outros.
Logo em seguida uma forma rígida se formou daquele gramado, com as patas e unhas firmes na terra. Ele estava lá novamente, encarando-a com frieza. O lobo Demoníaco.
— Afaste-se, — Kaien disse em alerta, segurando com firmeza o braço da garota e arrastando um tanto para trás. Precisava manter certa distância agora — Não tenha medo meu Botão de Açúcar, tudo ficará bem se você agir com tranqüilidade, assim como da última vez que o deteve, lembra? Mas só que desta vez você tem que mantê-lo nesta forma por mais alguns instantes. Se ele hesitar em lhe atacar, essa será a resposta.
— Res...posta? — ela gaguejou sem desviar os olhos dos vermelhos do lobo.
— Se ele hesitar em lhe atacar, algo irá acontecer, e então... saberemos que você é a escolhida.
Ela carregou ar para os pulmões.
Kaien se afastou novamente, indo agora para trás, voltando aos degraus.
A fera afiava as garras no chão gramado a todo o momento, como se estivesse preparando uma emboscada, como se estivesse pronto para atacar.
Ele era tão... amedrontador... tão... diferente do que Zero parecia ser que a fazia sentir arrepios.
Mas de fato não era ele.
— Você não me assusta. — ela disse com voz desafiadora, encarando-o — Zero está aí dentro, e eu ordeno que faça-o voltar a consciência. Você não pode continuar manipulando-o. Quero que devolva-o para mim, Ookami-oni.
O nome da fera pareceu sair de seus lábios com zombaria.
O lobo agitou-se, aproximando mais um pouco as patas da frente.
Como era enorme... aquela forma... aquele demônio era realmente grande e ameaçador...
E então tudo pareceu acontecer rápido demais. Os movimentos como um raio de luz. As patas daquele animal simplesmente voaram, tomando um impulso sobrenatural para frente. Os olhos verdes se encontraram com tais vermelhos como o sangue. E então ela se viu perdida naquele momento. Estaria morta antes que pudesse piscar? Ou aquilo fora apenas sua mente atacando-a novamente com ilusões?
Pôde sentir então a pressão dolorosa de suas costas chocarem-se contra o chão gramado. Abriu os olhos e se encontrou novamente com os vermelhos do lobo extremamente grande. Ele estava posicionado em cima dela agora, com os caninos para fora ameaçando perigo.
“Estou morta”, pensou ela com a respiração tremula, sentindo o canto de seus braços pálidos se encontrarem com as garras afiadas da Ookami-oni.
— Se você é realmente um demônio, prove-me disto. Me mate agora. Você é tão terrível quanto aparenta? Se você é realmente um demônio, eu repito, me mate agora. — ela tornou a dizer com calmaria, olhando a fera nos olhos vermelhos perigosos. Estava louca? Enfrentando-o de frente, de tão perto, enfrentando a morte.
Os caninos se abriram mais, e quando ela pensou que teria sua cabeça abocanhada por tais dentes, sentiu uma luz cegante atravessar a escuridão dos olhos fechados.
Abriu-os de imediato, e então pôde ver com clareza o peito do lobo se abrir em uma luz e de lá, a cicatriz deixar-se clara. A cicatriz da Ookami-oni, aquele era o contrato sendo formado.
A luz se apagou, e então tudo voltou ao normal. Ela apertou os olhos com força, e quando tornou a abri-los encarou em cima de si, e oque antes era um lobo enorme a prensando, agora apenas o seu protetor estava ali, em cima de si. Zero estava de volta, com sua forma normal, os olhos púrpura como os de sempre, os cabelos brancos como os de sempre, tudo como o de sempre. Ela arregalou os olhos ao vê-lo desmaiar e cair definitivamente em cima de si.
— Ele perdeu muita energia, está desmaiado agora. — Kaien disse com correria ao chegar perto o suficiente e se abaixar junto à garota.
Ela tornou os olhos normais e calmos, e então enlaçou os braços finulos em volta das costas rígidas de seu anjo negro. Abraçou Zero com carinho.
— Olhe como ele parece um anjo desse jeito. Enquanto dorme parece uma criança perdida, longe dos problemas, não parece? — riu — Tão problemático... Meu cãozinho de guarda...
Kaien não resistiu, soltou um pequeno sorriso nos lábios enquanto Lunna largava o regador no chão e tocava os ombros do homem.
Ele se levantou,
— Vamos entrar agora. Logo começará a escurecer. — Lunna disse para todos.
Kaien agarrou os braços de Zero e o jogou para trás dos ombros.
— Por Deus Mellanie, pare de dar tanta comida a esse cara. Dessa forma não vou conseguir mais carregá-lo nas costas! — Kaien disse de forma brincalhona, enquanto abria com o pé a porta dos fundos.
— Olhe, parece que seu novo amigo dormiu aqui Mell. — Lunna disse,
A garota abaixou o olhar para o pequeno degrau de escada, e ele estava deitado preguiçosamente, o pequeno Alam. Como havia dormido com tanta facilidade? Mas como? Com toda aquela agitação e um lobo gigante no meio do quintal.
Vá entender a mentalidade de uma criança de oito anos...
Ela sorriu e o pegou nos braços, e quase instantaneamente ele agarrou com os dois braçinhos o pescoço da garota, fungando sonolento.
Ela moveu o olhar para o lado,
— Obrigado por vir até aqui. Diga a Saritcha...
— Não irei dizer nada para a Saritcha, humana. — Mayuri se apressou a cortá-la e dar as costas.
Mellanie sorriu,
— Se cuida, pequena. Espero que consiga demonstrar que gosta de mim algum dia. Porque, eu gosto de você. — e então a garota atravessou a porta, entrando na casa.
Mayuri ainda de costas sorriu hesitante,
— Mas que humana insistente... tsc.
**
— Ele vai ficar bem? — ela perguntou,
— Claro, só está muito cansado. Mas não se preocupe, ainda é capaz de ele acordar de madrugada para espiar em sua sacada, você sabe, para ver se você está bem. — o guardião respondeu risonho ao colocar Zero deitado na cama.
Ela retribuiu um sorriso meigo,
— Mas, oque foi aquela luz... naquele momento? Saiu do peito dele de repente quando estava em cima de mim, ele não me machucou em momento algum. Depois que a luz foi embora se formou uma marca no peito, um tipo de cicatriz...
Kaien sorriu,
— O contrato foi selado.
— Contrato? Oque isso significa?
— Isso significa que o coração da fera é seu agora, Mellanie. Você conseguiu.
— Então quer dizer...
Ele assentiu,
— Isso mesmo, você foi a escolhida, e o contrato foi selado pela Ookami-oni.
Seu coração explodiu.
— Eu pude ajudá-lo em algo, afinal...
— Mas lembre-se, este é apenas o começo de tudo. Os perigos e a morte não se afastarão somente por causa dessa vitória.
O guardião mais velho afagou o topo da cabeça da menina, e então retirou os óculos do rosto.
**
Já era tarde, Mellanie entrou em seu quarto e então pôde ver o pequeno corpo debruçado ao canto da cama. Ela sorriu. O pequeno garoto dormia pesadamente.
Ela suspirou e então entrou no banheiro, tomou um longo banho, não demorou para que voltasse novamente e deitasse na cama ao lado do garoto para dormir finalmente.
Que dia cansativo.
Olhou-o ao canto dos olhos por uma ultima vez e então se virou para o lado contrário. Encolheu as pernas.
As luzes estavam desligadas e a escuridão pareceu tomar conta de tudo ao redor, como se estivesse engolindo completamente tudo.
Dormiu.
**
[Imagem Extra do Capitulo ~ Mayuri]
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