The Rose Of Darkness

21 Capitulo 12 – (...) A verdadeira forma do Anjo.


Notas iniciais
Olá meus pequenos, desculpem-me a demora.

Fiquei decepcionada por não caber o título inteiro, mas tudo bem.

Esse capítulo será divido em duas partes, mas não se preocupem, a segunda já estará devidamente postada.

Espero que os fantasmas comentem para me deixar feliz.

Sem mais delongas, uma boa leitura.

*NÃO SE ESQUEÇAM DE VER AS IMAGENS ESPECIAIS E AS MÚSICAS*

*TERÁ UM VOCABULÁRIO JAPONÊS NAS NOTAS FINAIS, PARA QUEM NÃO SABE O SIGNIFICADO DOS TERMOS JAPONESES QUE APARECERÃO NO MEIO DA HISTÓRIA*

Até mais,

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Capítulo Doze,

Olhos púrpura.

A verdadeira forma do anjo.

Música de abertura

“Anjos são capazes de pressentir o perigo

Anjos são capazes de proteger

Anjos são superiores e fortes

Mas, anjos realmente podem amar?

Sinto meus pés desabarem neste chão molhado

Minhas pernas sangram, e meus pulsos estão feridos agora

Onde você está? Para qual saída devo caminhar?

Seus olhos desejam realmente me ver bem

Mas seu coração renega minha companhia

Venha até aqui, quero lhe sentir

Quero ter certeza de que dentro deste by I Want This\">corpo tão puro há uma grande fera sanguinária

Não machuque-os, por favor

Sei que você é um bom garoto, mas pode realmente me ouvir?

Meus olhos enxergam você, um anjo.

Mas minha razão vê um mero homem de asas quebradas.

Uma fera?

Me abrace.”

~~

SilentStreets — Domingo, 03h24 AM.


O vento batia fortemente naquelas úmidas e escuras paredes, juntamente carregado e gélido. E, quando seus negros cabelos se enroscaram na ponta de sua unha, ela levitou os olhos verdes acompanhado de um sorriso frio, perigoso.



O rapaz arqueou uma das sombracelhas com certa dúvida. Oque ela estaria tramando agora? Talvez temesse uma resposta, porque, já sabia da escuridão que a sua mente pertencia. A mente daquela mulher.



— Oque pretende fazer com todos esses corpos? — Dylan questionou entre dentes.



Ela sorriu, descontraída.



— Irei usá-los, hoje. — ela respondeu.


Ele apertou os olhos, temendo oque pudesse vir a seguir.

Em seguida fitou os exatamente cinco corpos jogados e amontoados um em cima do outro, no chão daquele beco.

— Usá-los? — ele parou por um segundo e pensou — Então pretende mesmo fazer aquilo?

— Sim, meu querido. Hoje será o dia em que darei uma lição naquele imbecil. Já estou farta de tanta insistência. Darei uma pequena correção naquele albino. — ela riu.

— Ele pode ser mais ameaçador do que parece, Meredy. Tomaria cuidado de fosse você.

Ela revirou o rosto, dando de ombros, e simplesmente andando para perto dos corpos amontoados ao canto daquele beco.

— Irei por metade de minha força em cada um desses corpos, e mesmo assim, será mais do que suficiente para acabar com a raça daquele cãozinho medroso. — ela disse chutando com a ponta de seu salto os corpos no chão.

Tsc. Você é muito confiante de si, Meredy. — Dylan murmurou, revirando os olhos.

Ela sorriu, voltando para perto de seu subordinado.

— Você fica bem mais interessante quando cala a boca e concorda comigo, sabia? — ela falou se aproximando e enrodilhando os braços no pescoço do rapaz de forma sensual, olhando-o.

Ele sorriu sarcástico.

— Mas você sabe. Eu não sou um escravo obediente que concorda tão facilmente. Meu coração é seu, mas minha mente ainda está viva e pertence somente a mim.

— Ora, não seja tão irritante! — ela irritou-se, largando-o e se afastando — Temos que pensar em nosso jogo para hoje.

Dylan se encostou na parede, cruzando os braços.

— Divirta-se com seu joguinho de tortura. Meu único by I Want This\">interesse é descansar. — ele disse, desinteressado.

— Faça como preferir, querido. Hoje eu agirei sozinha. — afirmou.

As folhas das by I Want This\">árvores adentraram naquele local assustador com agilidade, carregadas pelo vento feroz.

Afinal, era Outono.


~~



A janela batia com violência naquele quarto meio a escuridão, enquanto seus cabelos ruivos remexiam-se no travesseiro;



“As folhas das by I Want This\">árvores dançavam junto aquele vento gélido, e seus pequenos olhinhos cinzentos olhavam curiosamente para um pequeno coelho branco que adentrava aquele minúsculo jardim, saltitante. Seus olhos pareciam petrificados, estáticos com aquela pequena criatura.



— Oh, há quanto tempo não vejo um coelho por aqui. — a mulher disse animada, aparecendo de repente ao lado do garotinho e sentando-se naquela escada.



Ele virou o rosto na direção daquela jovem mulher,



— Onee-chan!* — ele exclamou contente — Você tá tão bonita com essa roupa.



Ela sorriu, afagando carinhosamente a cabeça do menino.


— Arigato, pequeno. — agradeceu — Oque estava fazendo até agora aqui fora?

— Brincando.

Ela estranhou, olhando sutilmente ao redor daquele jardim.

— Brincando? Sozinho? — ela o viu assentir — E porque não pediu pra ele brincar com você?

O garoto por um momento pareceu chateado,

— Ele não gosta de mim, Onee-chan. Você é a única aqui que se importa comigo. — ele respondeu manhoso.

Ela sorriu.

— Isso não é verdade, eu tenho certeza que ele teve os motivos dele pra não brincar com você, e a propósito, todos aqui amamos muito você, seu baixinho. — ela disse brincalhona, dando um pequeno empurrão com o ombro.

— Mas, Onee-chan, — ele insistiu com o típico rostinho choroso — sempre quando eu vou falar com ele e o chamo pra brincar comigo, ele sempre diz que não é mais uma criança como eu, que fica andando por aí amolando os outros.

Ela sorriu torto, abraçando o pequeno irmão de lado.

— E você é um garoto esperto, então não deveria ouvir as idiotices que ele te fala. — ela disse — E também não acho certo vocês serem tão distantes, afinal, vocês são irmãos. Porque não tenta ter uma amizade maior com ele?

O garotinho suspira,

— Não me importo de não ter um irmão, Onee-chan, está tudo bem. — ele sorriu falsamente, tentando fugir daquele assunto.

O vento soprou novamente naquele jardim,

— Você está crescendo. — ela sussurrou para si mesma, enquanto olhava-o distanciar o olhar para os arbustos, qual o pequeno coelho se escondia.

— Ei, Onee-chan! — ele chamou sua atenção — Você vai embora de novo?

— Não, eu não vou embora, pequeno. — respondeu carinhosamente.

Ele pensou um pouco,

— Mas sempre que você se veste com essa roupa estranha, quer dizer que você vai embora.

Ela sorriu,

— Ir embora é uma palavra muito pesada, não acha? Afinal, nunca diga isso de algo que irá retornar. — ela falou — Vou apenas viajar a trabalho, novamente.

Ele a olhou docemente, aprofundando aqueles pequeninos olhos em sua direção, apreciando o quanto sua irmã mais velha era bonita. Os hipenotizantes olhos acinzentados e os longos cabelos negros poderiam atrair a atenção de qualquer rapaz que fosse. Vestia-se “estranhamente”, como o pequeno costumava dizer, uma calça de couro preto juntamente com seus distintivos e uma blusa justa cor-de-sangue. E sua jaqueta igualmente de couro preta.

— E como é o seu trabalho, Onee-chan? — ele perguntava com interesse e um sorriso angelical.

— Eu salvo os bonzinhos daqueles que pretendem fazer o mal, pequeno. É um papel muito importante para mim manter segura a vida de todas as pessoas boas, e por fim salvá-las das malvadas. Os homens de preto. — explicou.

Mas, o pequeno parecia confuso.

— Homens de preto? Hm. Quem são eles?

— Oh, eles são pessoas muito malvadas que querem sempre machucar os inocentes, pessoas boas assim como você e eu. São muito maus, muito, muito.

Ele apertou os olhos, sorrindo.

— E você tem o trabalho de salvar as pessoas boazinhas desses monstros? Uau, você é mesmo incrível, Onee-chan!

Ela sorriu contente, naquele momento.

E enquanto os galhos das árvores próximas balançavam incansáveis diante ao vento, a mulher esticou os dedos para trás de seu pescoço, retirando então o seu cordão,

— Ei pequeno, você sabe para que serve isto? — ela disse escondendo o cordão em suas mãos, enquanto apontava para a pistola no seu colo.

O garotinho sorriu animadamente.

— Eu sei sim Onee-chan! Serve para matar, não é?

Ela soltou risadinhas.

— Não, pequeno, ela não serve somente para matar. — começou — Esta arma tem o papel de me proteger, e ao mesmo tempo aqueles que eu quero que sejam protegidos. Eu a uso contra os malvados do qual te contei, e, quando chega a hora certa eu os elimino.

O garoto analisou aquela pistola,

— Sério? Muito legal, Onee-chan.

Ela suspirou.

— Sabe pequeno, chegará o dia em que eu não estarei mais aqui, e não poderei mais ficar ao seu lado como estou agora. Chegará o dia em que eu me encontrarei com os nossos pais, e ficarei com eles nas estrelas. Então, quando chegar esse dia, eu quero que você siga os seus próprios passos, quero que procure os seus próprios objetivos, mas que mesmo assim nunca se torne outra pessoa. Quero que você se torne daqui uns anos um grande homem, que protegerá quem ama e a todos, assim como eu. Mas além de tudo isso, espero que não faça algo tão perigoso como eu faço agora, quero que fique vivo muitos anos para seguir o futuro de nossa família. Quero que seja você.

O pequeno garotinho a olhava com a ponta dos olhos vidrados e lacrimejantes, emocionado.

Mas, oque ele tinha de inocente e infantil, ele também tinha de forte. Um garoto esperto, que protegeria sua irmã, apesar de tudo.

Mas aquilo não importava, afinal, ele era apenas um pequeno garoto de sete anos. Nada mais podia compreender.

De certa forma ele podia ter certeza, havia uma profunda tristeza nos olhos de sua irmã.

— Onee-chan, porque está dizendo isso tudo?

Ela sorriu e abriu então a palma das mãos, revelando aquele simples cordão com um pequeno pingente na ponta, um pingente em especial.

— Quero que isso a partir de hoje seja seu. — ela esticou os braços em volta do pescoço do garotinho, colocando o cordão — Isso é algo muito especial, então tome conta, tudo bem?

Ele parecia confuso ao olhar aquele delicado pingente em formato de coração em seu pescoço,

— Mas Onee-chan, isso é seu, é o seu amuleto dos sonhos!

Ela apenas deu de ombros, apontando com o queixo para o pingente;

— Abra-o. — ela disse baixinho como em uma ordem.

Ele ainda estava confuso, mas acatou a sua ordem. E, lá estava encravada a frase; “Que seja doce”. Abriu cuidadosamente aquele pingente dourado, e de lá se revelou uma minúscula foto, a foto de sua irmã mais velha.

— Onee-chan...

— Isto é para que você se lembre de mim, para que toda vez que sentir falta de um abraço meu, ou simplesmente de alguém para conversar. Também te dará sorte, então tome cuidado com ele como se eu estivesse aí dentro. Será o seu amuleto dos sonhos.

O sorriso do garoto era enorme, ao mesmo tempo em que olhava para sua irmã com felicidade.

Mas algo estava errado, certo?

— Mas isso não importa, porque no dia depois de amanhã você estará comigo novamente, me abraçando uma duas até um milhão de vezes. Eu te amo, Onee-chan! — e então ele pulou em sua direção, especificamente para seus braços, abraçando-a apertadamente, com amor, com inocência e carinho de uma criança.

E, de seus olhos acinzentados e femininos jorrou uma lágrima.

— Espero que você cresça e seja um garoto bonzinho, meu pequeno Castiel. — ela disse melodiosa em seu ouvido, enquanto a cada segundo ele apertava-a mais naquele abraço.

Mas anos mais tarde, ela nunca voltaria, afinal. Sua irmã tão linda, dos puros olhos cor-da-lua e voz melodiosa, se ausentou por exatamente seis anos seguidos naquela maldita missão.

E naquele instante, enquanto as folhas das árvores balançavam e ao mesmo tempo caiam ao chão daquele jardim, meio aquele abraço de dois irmãos que se amavam, a cada pequeno instante a cena foi-se tornando borrada, cada vez mais impossível para sua visão. E em meros segundos, tudo se foi perdido.

Do mais puro olhar infantil, para a maior decepção.

Tudo tornou-se negro.”


E então seus olhos se abriram de imediato, tal expressão cruelmente assustada, e seu corpo se moveu violentamente para frente.



O sonho havia se acabado.



Um cruel sonho, mas ao mesmo tempo uma doce lembrança daquela primavera recheada de amor, mas ao mesmo tempo dolorosa. Dolorosa por lembrar de sua irmã, dolorosa por se recordar do dia que ela partiu para aquela viagem incansável, pouco tempo depois daquela primavera. Um sonho cruel que lhe fazia lembrar dos Sete anos mais tarde, quando seu pequeno coração se rasgou por completo em dor. As flores haviam levado-a com o vento para longe, simplesmente carregado sua irmã para a morte.



Aquilo ardia em seu coração, como se grandes mãos estivessem realmente lhe sufocando a alma e a garganta.



Suspirou fundo, levando o máximo de ar que suportava para os pulmões, enquanto levava seus dedos para os cabelos, apertando as mechas ruivas com raiva.


Mas a realidade estava ali no fim das contas, e não poderia mais entrar em uma falsa fantasia.

— Merda de sonho. — ele murmurou irritado para si mesmo naquela cama — Merda de lembranças...

E então descurvou a coluna, voltando a se deitar no colchão e fitar aquele teto tediosamente branco. Estava tudo se tornando tão vazio de repente.

Apertou seu cordão, junto ao pingente. O amuleto dos sonhos.

“Onde será que ele está agora?

Você pode me dizer, Onee-chan?”

~~

Eram exatamente 6h42 da manhã quando a pequena garota se levantou de sua cama, destinando-se calmamente para a porta de seu quarto, que dava acesso livre para o corredor do segundo andar. Ela enfiou somente a cabeça no vão da porta e olhou para ambos os lados. Não havia ninguém. Então, desceu para o andar de baixo sem fazer barulho.

Quando chegou no meio daquela escada para o primeiro andar, fitou a grande janela da sala, tais cortinas brancas balançando freneticamente, e de lá um corpo másculo se impulsionava para fora. Ela arregalou os olhos, mantendo sua atenção ainda maior naquele ser que pulava para o jardim afora.

“Zero?”

Seus pensamentos voaram, e naquele momento as cortinas mantiveram-se calmas novamente. Ela andou em passos apressados para perto dela, mas nada pôde ver além do jardim recém coberto por pequenas gotas de sereno da noite passada, e de lá, pôde ver claramente ao canto daquela janela; seu anjo protetor em cima de uma árvore, mas não por tanto tempo. Por um instante ela o viu partir com um simples impulso para longe dali.

Onde ele estaria indo?

Suspirou.

**

O céu estava nublado, para a surpresa da garota.

Passaram-se sete horas dês do ocorrido de Zero pela manhã, e ela podia sentir um aperto em seu peito. Levitou os braços com muito esforço para pegar aquela pequena caixa de biscoitos de chocolate em cima da estante, enquanto a azulada encontrava-se na sala ao lado de “Ryuzaki”.

— Onde foram os seus guardiões? — Hikkaru perguntou sorridente.

Mellanie se virou, indo na direção deles com a caixa de biscoitos de chocolate.

— Foram na cidade comprar algumas coisas.

— Eles me parecem bastante apegados à você. — o rapaz detetive soltou de repente, com a calmaria de sempre.

Mellanie sorriu ao canto dos lábios. Era verdade, eles se importavam com ela como uma família de verdade, como verdadeiros pais. Mas no final, aquilo não passava de uma farsa em sua cabeça. Nunca seria real, e ela sabia que aquela alegria nunca duraria para sempre.

— Oque ouve, Mell-chan? — Hikkaru pareceu preocupada.

— Não é nada, só estou preocupada com a investigação. São muitas mortes.

Lawliet parecia distraído ordenando alguns torrões de açúcar em cima da mesa, próximo à sua xícara de café.

— Para falar a verdade sobre o caso, não estamos fazendo absolutamente nada para deter os assassinatos. — ele disse — E, a polícia não irá mover um dedo.

Mellanie suspirou, decepcionada.

— Não a polícia, mas o FBI já está agindo. Há um detetive importante que está ajudando, pelo que eu saiba. — Mellanie disse,

— L não está fazendo absolutamente nada, também. — ele falou de modo frio, como de costume.

Mellanie deixou os olhos abertos em dúvida.

— Como é que você sabe disso?

Hikkaru apertou os punhos sobre a mesa com firmeza, temendo oque viria a seguir. Mas se conteve, sem interromper.

— Porque, — o rapaz sorriu pequenamente, largando sua xícara de café sobre a mesa e olhando a pequena a sua frente — eu sou o L.

A garota sentiu sua garganta ferver com o café, começando a tossir possessivamente, engasgada.

— Oque está dizendo, Lawliet?! — ela ordenou uma resposta, mandando um olhar irritado em sua direção.

A garota de cabelos azuis suspirou.

— Ele está dizendo a verdade, Mell. Ele é o detetive L. — a azulada confirmou.

A garota olhava para os dois, abismada.

— Então vocês me escondem algo desse tamanho e me contam só agora? É isso? —falava com irritação — Lawliet, você era o porteiro da minha antiga escola!

— Era apenas um disfarce temporário para os meus novos casos, Mellanie.

— Vocês vão me contar tudinho agora mesmo, mas só se não quiserem suas cabeças rolando pela casa.


~~



Aquele Supermercado estava absolutamente lotado, carrinhos de compras pra lá e pra cá, já estavam atormentando os neurônios do homem de longos cabelos. Mas, Lunna parecia se divertir com as caretas dele.



— Esse lugar não é do bem, estou em pânico. — ele murmurou para Lunna no mesmo momento em que uma criança perturbada esbarrou em suas pernas.



A mulher riu.


— Ora Kaien, não seja tão rabugento. Até parece que nunca veio a um Supermercado antes. — ela ria,

Ele fechou a cara.

— E qual o problema? Não gosto de lugares tão movimentados como este, olha só aquele garoto, até parece que tem um mini capeta em seu corpo.

Ela revirou os olhos e entrou em uma nova sessão, enquanto o homem a seguia quase pendurado em seu braço.

— Moço, será que você poderia pegar aquele saco de biscoitos pra mim? — uma garotinho minúsculo disse agarrando a mão do homem, chamando sua atenção com os grandes olhinhos pidões.

Kaien sorriu maravilhado.

— Claro pequeno, é esse que você quer? — ele apontou para o saco de biscoitos, dando para ele em seguida.

O garoto pareceu contente, mas olhou o homem com mais atenção.

— Ei, você é estranho. Isso é cabelo de verdade ou é uma peruca, moço? — o garotinho perguntou inocentemente.

Kaien arregalou os olhos.

— Oh sim pequena criança, este homem teve sua cabeça queimada quando mais jovem, e hoje ele usa esse cabelo falso. — Lunna se intrometeu com um largo sorriso.

A criança se afastou assustada, enquanto Kaien mirava seus olhos perigosamente para a mulher.

— Você é uma pessoa má. — ele disse com birra.

Ela gargalhou e deu leves tapinhas em suas costas.

— Para de falar besteiras e me ajuda a pegar esse sabão em pó ali em cima, eu não alcanço. — ela disse controlando as risadas.

— Lunna? — uma voz masculina se foi ouvida do outro lado da sessão de limpeza.

A mulher virou o rosto na direção do individuo, e sorriu.

— Jade? — ela se aproximou dele e o abraçou, surpresa — Oque faz aqui?

— Vim comprar produtos de limpeza para minha irmã, e você? — ele perguntou ao olhar discretamente para o homem alto ao lado da jovem mulher, que por si carregava uma pequena cesta de compras.

— Eu vim comprar o básico lá pra casa. — ela sorriu simpática.

Kaien agora retomava ao seu típico semblante sério, fixando atentamente seus olhos caramelados na direção daquele cara com cabelos estranhos, como se estivesse analisando-o.

— Seu tio? — Jade perguntou descontraído, apontando com o queixo para o homem ao lado de Lunna.

Ela olhou para seu lado e sorriu divertida,

— Oh não, ele é só-

— Marido. — o homem disse interrompendo a mulher ao lado — Sou marido dela.

Lunna o olhou mortalmente, como se pudesse cortá-lo apenas com o olhar.

Kaien sorriu abertamente com os olhos levemente semi-cerrados na direção daquele rapaz de cabelos verdes.

— Sério? Não sabia que era casada, Lunna. — ele disse com um pequeno sorriso sem graça.

Ela abria a boca prestes a protestar, mas o homem de longos cabelos a agarrou pela cintura, abraçando-a de lado.

— Pois é, a vida é complicada meu jovem. — Kaien disse enquanto encenava uma cena de “casal” feliz.

Mas não demorou muito para que o rapaz de despedisse e saísse do campo de visão dos dois.

— Oque foi isso? Ficou maluco? — ela disse empurrando ele para longe.

Ele gargalhava, seus olhos ardiam por uma vingança vitoriosa.

— A vingança é doce, minha “querida”.

Ela bufou, jogando o sabão em pó dentro da cesta de compras com violência.

— Com que cara eu vou chegar no trabalho segunda feira, hein?

— Quem era o esquisito mesmo? — ele sorriu.

— Meu ajudante de trabalho, ele me ajuda quando não está na faculdade. — ela respondeu.

— Lunna, é apenas uma criança. Oque estava pensando em fazer? Sua pedófila. — Kaien disse entre risos.

Ela deu um soco em sua cabeça, fazendo-o acariciar o local para cessar a dor.

— Você é idiota? Ele tem vinte anos. — ela retrucou.

— Uma criança. — repetiu.

— E você é um velho, — ela pausou — agora, se você vir com essas brincadeiras de novo eu enfio a mão na sua cara. Vamos embora.

Kaien soltou ar pela boca, dando glória aos deuses.

— Finalmente vamos embora desse hospício. Vamos, antes que apareça alguém pra jogar macumba em meus cabelos maravilhosos. — ele disse praticamente arrastando a mulher para o caixa.

— Não agüento mais você, irritante. — ela terminou o diálogo.


~~



Mellanie estava em sua sacada, com os braços apoiados no parapeito dela, olhando para baixo, elevando os pensamentos para longe, mas nada parecia ser tão simples. Era como se uma enorme cortina de fumaça escondesse seus pensamentos, e a razão deles. Nada fazia mais sentido.



Ao olhar para baixo por um momento, viu o carro preto estacionar em frente a sua casa. Seus guardiões haviam finalmente chegado, com algumas sacolas de compras do supermercado.


Ela sorriu.

E ao olhar para o céu novamente, percebeu-se que ele continuava triste e cinza, ocultado por várias nuvens naquela tarde. Algo apertava em seu coração. Mas, oque?


**



Kaien e Lunna adentraram a casa, carregados de sacolas daquele lugar de malucos, como costumava dizer o homem. Mas, por um momento ele pôde sentir um calafrio atingir sua espinha. Eram exatamente 17h01 da tarde, e o tempo começara a se fechar cruelmente, como em um cenário de filme de terror. Sentiu uma pontada em seu peito e fitou Lunna estranhamente.



— Kaien, oque foi? — ela perguntou preocupada.


O homem suspirou,

— Aquele inconseqüente está novamente metido em confusão.

Lunna apertou os olhos com tristeza.

— Zero? Mas onde ele está agora?

— Prestes a cometer uma loucura.

O homem estava incrivelmente sério, enquanto recolhia novamente seu pesado casaco, olhando Lunna.

— Kaien...

— Vamos atrás dele, antes que seja tarde demais.

Enquanto a mulher olhava-o com preocupação, passos puderam ser ouvidos no topo da escada.

— Eu também vou. — Mellanie disse firme, olhando pesadamente para seu guardião mais velho.

— Mellanie, — ele colocou a mão sobre a testa, desanimado — fique aqui e espere pela nossa volta, não iremos demorar.

— Você não entende, não é? — a garota sorriu nervosa — Eu nunca deixaria que alguma coisa sequer acontecesse à vocês dois. Sabe oque vocês significam para mim agora? Vocês conseguiram algo que eu nunca tive, conseguiram ser meus pais, por mais que isso seja uma fantasia que acabará um dia, vocês são minha família agora. E, eu nunca deixaria que você, minha tia ou principalmente Zero se ferisse.

Lunna a olhava com os lábios doloridos por conta da pressão dos dentes que os mordiscavam diante ao nervosismo.

— Mellanie, recomendo que não vá. Será ruim para você e principalmente Zero, e tenho absoluta certeza de que ele não gostaria que você o visse no estado que ele está agora. — Kaien disse.

— Eu vou, não irei deixá-lo se machucar. — ela disse sentindo seus olhos arderem — Ele está se ferindo a todo esse tempo por minha causa, então não me deixem sofrer trancada aqui. Eu irei.

Kaien suspirou, virando em direção da porta.

— Então vamos.

— Kaien! — Lunna o repreendeu.

— Lunna, se ele realmente estiver no estado em que penso estar, nem mesmo eu poderei detê-lo. — ele começou — E, somente a Mellanie poderá trazê-lo de volta a si.

A garota baixinha desceu as escadas como na velocidade da luz, enquanto o vento ameno carregava seus cabelos castanhos durante o percurso agitado.

Não demorou muito para já estarem dentro daquele carro de tintura negra.

“Zero, onde você está?”

~~

[Imagem Extra do Capitulo ~ Meredy]

[Imagem Extra do Capitulo ~ Castiel ~ Quando Criança]

[Imagem Extra do Capitulo ~ Lunna ]

[Imagem Extra do Capitulo ~ Kaien]

[Imagem Extra do Capitulo ~ Jade]

Fim da Primeira Parte

Notas finais
VOCABULÁRIO JAPONÊS:

Onee-chan - Irmã mais velha.

Arigato - Obrigado.

**

Bom, espero que tenham gostado, agora comentem e vão para a segunda parte, ande ande! *-*