The Roommate

12 Killin' Me Softly With His Song-Pt. 2


Notas iniciais
Olha só que coisa, vocês não tiveram que esperar meses pra ter update da fic, vamos comemorar!!! o/ Okay, agora é sério. Vou tentar manter esse ritmo de postagem o máximo que puder, agora que tenho como escrever mais mesmo com o trampo e o intensivo do curso de moda que faço. Pois é, eu sou a Mulher Maravilha, meu povo. Me amem agora. #sqn --------------------------- KITTY: Eu confesso que passei um bom tempo sem escrever (pelo menos sem escrever nada que possa ser aproveitado na história), graças ao maldito bloqueio de escritor, a falta de tempo e de inspiração. Mas como isso passou (quer dizer, ainda me falta um tempo pra escrever bastante, mas pelo menos consigo escrever) prometo que vai vir muito mais coisas pra vocês. A menos que já tenham se cansado de mim. Por favor que não seja isso...

O serviço de delivery do restaurante japonês chegou na hora que Logan estava na cozinha fazendo o molho branco e eu estava no banho. E ele nem me chamara do banho. Recebeu meus rolinhos e até pagou por eles. Eu quis reembolsá-lo, mas ele se recusou.

–Eu vou acabar sendo mimado demais assim. –Falei, de cabelo ainda molhado e com minha calça de moletom favorita, a que mais me lembrava de Minnesota. Nem tinha colocado camisa quando Logan me chamara pra pegar minha comida. E não, isso não foi premeditado para deixar o Logan sem fala... Mas ele ficou me encarando, meio vermelho, e eu pude jurar que vi ele mordendo o canto do lábio inferior. Então é, premeditado ou não, deve ter tido seu sucesso.

–Só cale a boca, pegue sua comida, suba lá em cima e trabalhe sua magia no quarto de ensaio, sim? –Logan levantara a mão e tinha se aproximado do meu peito, como se fosse me empurrar, mas no último segundo recuou- Enquanto isso, eu vou trabalhar a minha magia aqui na cozinha. Espero mesmo que sobre espaço para a minha lasanha, Kendall.

–Eu também. –Assenti enquanto subia com meus rolinhos ainda quentes até o quarto de ensaio.

Uma hora se passou no quarto de ensaios e todos os meus rolinhos já tinham sido devorados, e o cheiro da lasanha do Logan lá na cozinha parecia chamar meu nome. É, pelo jeito eu ia querer mais que só um pedaço da lasanha dele.

Olhei mais uma vez para a nova partitura da música do James, com as minhas modificações. Trabalhei melhor na melodia, deixei-a quase lenta, como uma canção de ninar, porém tinha algo de poderoso na essência dela. A letra é que foi a parte mais fácil. Eu podia ver que James tinha desistido da letra em muitas partes da música, mas a parte usável da letra combinou perfeitamente com o que eu planejava. E o tempo todo, desde que encontrei a música na pasta até aquele momento no quarto de ensaio, eu fiquei pensando no Logan, nas conversas que nós dois tivemos a sós, em cada momento que tivemos desde que ele chegou na minha vida... Mais do que nunca aquela música era dele. Se alguém a ouvisse e soubesse desses poucos dias entre mim e Logan, poderia saber que aquela música era dele.

–A LASANHA JÁ TÁ PRONTA, QUENTINHA DO FORNO! –Logan gritou, me fazendo deixar cair a palheta- E EU ESPERO QUE TENHA UMA MÚSICA QUENTINHA AÍ DO SEU FORNO PRA ACOMPANHAR!

–EU JÁ TÔ DESCENDO!!! –Gritei de volta, pegando a palheta do chão. Peguei a partitura nova e desci as escadas, já me deliciando com o cheiro da lasanha parisiense do Logan- Okay, eu tenho um trato a fazer com você, Sr. Mitchell.

Logan me olhou por um segundo, me vendo com violão e partitura em mãos, com cara de sério, e começou a rir enquanto cortava um pedaço de lasanha para si.

–Tudo bem, Sr. Knight. –Ele tentou fazer jeito de sério, mas ainda tinha um sorriso no rosto- Que trato quer fazer comigo?

–Eu toco pra você a música do James que fiz as modificações. Se você gostar da canção, me deixa comer um pedaço a mais de lasanha.

–Tá bem... –Logan riu, mas assentiu- E se eu não gostar da canção?

–Então me vingarei de você e no jantar que vem você vai comer a minha comida. Fechado? –Estendi a mão e Logan a apertou firme, o sorriso não parecia deixar o rosto dele.

–Fechado. Estou louco pra te ouvir de novo.

Diante da animação de Logan, eu comecei a ficar sem jeito. Mas tive que me concentrar. Não era só por que justo o cara mais desejável da face dessa terra estava na minha frente que eu tinha que ficar todo idiota. Eu era um artista, antes de qualquer coisa. Profissionalismo sempre. Respirei fundo, coloquei a partitura na mesa, para que Logan acompanhasse a letra (e até pudesse cantar junto. Vai que eu dava sorte de ter outro dueto com ele?). Eu particularmente não precisava. Tinha toda a partitura nova decorada de cabeça. Peguei a cadeira e me sentei, já arrumando o violão no meu colo. Eu já comecei os primeiros acordes, me esforçando para não encarar Logan.

I got my head under water

Could you steal my thunder?

You steal my thunder

I’ve been lost in the mazes

My heart locked in cages

Unlock the cages

‘Cause I’m like a road, like a road that needs paving

Just like a stone, like a stone needing shaping

Don’t care if it breaks my bones

Assim que me senti mais seguro, olhei pra cima e vi Logan me encarando, encantado. A partitura ainda estava na mesa. Seus lábios tremiam levemente. Ele estava cantando as letras comigo. Eu quase quis parar de cantar pra dizer “pode cantar comigo, se quiser”, mas me contive. Continuei a cantar, dessa vez, olhando pra ele. Queria que Logan soubesse que aquela parte era para ele, sobre ele. Era ele.

Could you be home?

Could you be safety?

A place to rest my soul

‘Cause I’ve been on my own for too long

Don’t leave it alone

Keep pushing on baby

‘Cause I’ve been losing hope

I’ve been losing

I’ve been bruised so

Could you be home, whoa

Home, whoa

Could you be home?

Could you be home, whoa

Durante o tempo que escrevi aquilo, fiquei pensando nele e em mim. Sobre o que Logan dissera sobre a época dele no Texas antes de se mudar para a California, quando ele não tinha tantos amigos. Sobre a minha época em Minnesota, terminando a faculdade de música, tocando em restaurantes a noite pela grana extra que ajudaria na faculdade (e pelo feedback do público. Nada poderia ser um teste maior pra mim do que uma plateia) e lidando com as emoções conflitantes que surgiram depois da última notícia do meu pai. Tanto Logan quanto eu estávamos perdidos, sozinhos à nossa maneira, antes de chegarmos a California, carregando na bagagem nossos sonhos, medos e dúvidas. Será que ali encontraríamos um lar que fosse nosso? Será que encontraríamos alguém que fosse nosso porto seguro?

Não importava se Logan pudesse me querer ou não como um namorado, não me importava se ficaríamos na vida um do outros como amantes de estrela cruzada ou só bons amigos. Eu tinha feito uma promessa a mim mesmo que Logan, antes de mais nada, nunca estaria sozinho. Eu seria o porto seguro dele. Eu seria o lar para onde ele poderia voltar se precisasse.

E mesmo que Logan não soubesse, ele já era o meu lar.

Sleeping, sleeping in benches

Lost in the trenches

You pull me from trenches

‘Cause I’ve been alone, been alone, I’ve been taken

Just like a ghost, like a ghost reawaken

Don’t care if it breaks my bones

No momento que parti para o último refrão eu e Logan trocamos olhares. De alguma forma, eu sabia que ele tinha entendido sobre o que eu queria dizer no refrão. Ele assentiu de leve, como se dissesse “está tudo bem, Kendall” e sorriu, me encorajando a terminar a canção, olhando nos olhos dele.

Could you be home?

Could you be safety?

A place to rest my soul

‘Cause I’ve been on my own for too long

Don’t leave it alone

Keep pushing on baby

‘Cause I’ve been losing hope

I’ve been losing

I’ve been bruised so

Could you be home, whoa

Home, whoa

Could you be home?

Could you be home, whoa

Terminei a canção em um floreio do violão e por um minuto, era somente nós dois, nos encarando silenciosamente. Logan pegou a partitura e se levantou, indo em minha direção. Eu já ia me adiantando, falando como se, de repente, as palavras estivessem escapando da minha boca.

–Isso é só o começo. Não é totalmente oficial, quer dizer, James vai ter que aprovar e pode acontecer outras mudanças, mas... É um começo e...

Logan estava frente a frente a mim, com a partitura ainda na mão. Ele havia levantado a mão livre e tocara de leve meus lábios pra me silenciar. Meu fôlego quase se perdeu quando senti os dedos dele na minha boca.

–A música é linda, Kendall. É incrível. –Ele sorriu de leve, me entregando a partitura- Eu adorei. E James Diamond seria a pessoa mais louca do mundo se não adorasse também.

–Obrigado Logan. –Falei, fazendo os dedos dele escorregarem em minha boca- De verdade.

Os dedos de Logan se demoraram um pouco mais em minha boca, descendo em meu lábio inferior, quase puxando-o para baixo. Foi quando ele abaixou a mão e respirou fundo, fechando os olhos. Quando os abriu, ele ainda tinha aquele brilho de encanto e algo mais no olhar, mas estava bem escondido dessa vez.

–Bom, melhor você guardar o violão e se preparar pra jantar. –Balançou a cabeça, como se concordasse consigo mesmo- Eu vou trazer a lasanha pra mesa. Alguém aqui merece um pedaço duplo pelo ótimo trabalho.

–Obrigado por reconhecer que fiz um ótimo trabalho. –Fiz uma mesura exagerada antes de subir a escada novamente- Eu desço rapidinho.

–Rápido mesmo, a lasanha vai esfriar...

POV Geral

Em meio ao frio incomum daquela época na California, Jenny Tinkler só pensava em uma coisa: “cara, eu devia ter levado um casaco. E minha perna tá doendo pra caralho”.

Jenny sempre se acostumou com a falta de sorte e equilíbrio dela (e com os efeitos colaterais ocasionais que isso trazia. Estava ali, a perna dela, imobilizada, que não deixava mentir), então uma perna engessada ou um braço quebrado nunca a incomodou, mas cara, aquela perna doía pra caramba. E ela já quebrara a perna antes, milhões de vezes, quando ainda morava em Minneapolis e depois que chegara a Los Angeles, e nunca doera tanto assim.

Mesmo assim, tremendo de frio e com uma perna engessada extremamente dolorida, Jenny apressou o passo. Ela tinha que estar no ensaio em 15 minutos. Sorte que o lugar onde ela ensaiava era relativamente perto, mas ela ainda precisava andar um bocado. Ela poderia ter pegado o carro se ele não estivesse no conserto depois da última peripécia de Jenny.

Ela estava quase perto do hangar onde sua banda ensaiava quando Jenny ouviu um barulho de passos. Achou que seria o Erik. O baterista sempre se atrasava pros ensaios, já que ele morava do outro lado de Los Angeles, bem longe do hangar. Mas ela conhecia os passos do cara, ela conhecia bem os passos dos caras da sua banda. Não era o Erik.

–Quem tá aí? –Ela gritou, esperando que alguém a ouvisse. Ninguém respondera de volta. Nem mesmo os caras da sua banda vieram. Isso se eles estivessem no hangar- E-e-eu tô avisando, eu tenho spray de pimenta!

–Acho que isso não vai adiantar muito, docinho. –Uma voz grave surgiu atrás dela, junto com uma pancada forte na sua cabeça. A pancada não a deixara tonta o bastante. Jenny já havia batido a cabeça mais vezes e com mais força que aquilo, mas aquilo a deixara desequilibrada por um minuto. Ela quase caiu em cima da própria perna engessada, mas outro cara a pegara, um dos braços a segurando enquanto sentia uma mão com um pano cobria a boca e o nariz. Jenny sentiu o cheio enjoativo e entorpecente do clorofórmio. Ela ainda não tinha apagado completamente pra ouvir a conversa dos homens que a capturara.

–Uma pancada na cabeça? Achou que uma pancada funcionaria com Jenny Tinkler? –A voz de um dos caras surgiu, furiosa- Essa puta tem a cabeça dura, uma pancadinha não ia desmaiar ela.

–Cala a boca, porra. –O outro cara, que tentara nocauteá-la, falou- Bom, agora você tem ela. O que vai fazer?

–O que você acha que ele vai fazer com ela? –Uma terceira voz apareceu- O chefe vai ser divertir com ela, claro...

–É, claro. –A primeira voz sussurrara, chegando mais perto de Jenny, que podia jurar que conhecia aquelas vozes, mas sua mente estava nublada demais com o clorofórmio pra lembrar quem eram- Mas ela ainda está se mexendo demais. Se vou ter minha diversão com ela, preciso que ela fique parada. De vez.

Um dos caras riu. Uma risada cruel, cheia de duplos sentidos. Era como se ele soubesse o que o cara ia fazer.

–Pegue ela, cara. –A primeira voz ordenara a um deles- Temos que sair daqui. O hangar é bem movimentado.

Jenny pode sentir um dos caras a pegando no colo e deixando o pano com clorofórmio em seu rosto. Aquele troço estava a deixando mais sonolenta a cada segundo, mas ela ainda conseguiu ouvir o cara que a segurava segundo antes de apagar completamente.

–Me desculpe, Jenny. Eu espero que me perdoe...

POV Kendall

Acordei de manhã com o sol batendo na minha cara. Encarei a janela, de olhos cerrados, tentando me acostumar com a luz do sol. Por um segundo, estranhei não ter tido um sonho com o Logan naquela noite. Ou então, se tive, não me lembrei do que se tratava. Considerando que, como meus sonhos com o Logan não eram tão normais, poderia ser até um alívio, mas não me sentia aliviado. Eu até aceitaria o sangue e tudo mais se ele estivesse nos meus sonhos.

Me sentei na cama, me espreguiçando, e olhei o relógio. 8 da manhã. Tinha que estar na Rocque em uma hora e meia. Me levantei e comecei a arrumar a roupa pra hoje. E tudo isso sentindo o cheiro de panquecas com chocolate. Agradeci mentalmente o fato de Logan fazer questão de cuidar do café da manhã.

Meia hora depois eu descia as escadas de banho tomado e roupa trocada e encarei Logan, meio confuso. Ele ainda estava de pijama, cabelo bagunçado, descalço, com um olhar preocupado, mas ainda assim conseguiu disfarçar com um sorriso.

–Fiz panquecas com gotas de chocolate e tem uns waffles também. –Logan apontou para a mesa com a espátula- Se quiser uma coisa salgada, posso fazer uma omelete, sei lá.

–Não, só a panqueca tá ótima. –Falei, me sentando, sem deixar de olhar Logan. Ele parecia esconder algo de mim- Tá tudo bem? Me parece nervoso.

–Acho que não esconderia muito tempo de você, alguém ia acabar contando. –Logan sentou, encarando a mesa- Estão todos do Palm Woods falando disso. Jenny Tinkler foi assassinada ontem.

–O quê? Como assim?

Demorei um segundo para me lembrar da Jenny. Era a loirinha com a perna imobilizada daquele dia na festa que teve aqui. Não cheguei nem a conversar com ela, mas ela parecia ser tão legal. Como alguém a mataria?

–Bom, pelo que disseram, ela tinha sumido indo para o hangar ensaiar ou algo assim. –Logan, mordeu o canto do lábio- Foi encontrada um pouco antes do hangar.

–Caramba... –Suspirei- Eu sei que nunca nem falei com ela, mas cara...

–É, eu também não cheguei a falar com a Jenny, mas ainda assim fiquei chocado, e quem era próximo ela ficou arrasado. Stephanie veio aqui mais cedo pra me contar, ela estava um caco emocional.

–Stephanie esteve aqui? –Arregalei os olhos- Como ela sabe onde moramos?

–James deve ter contado a ela. –Logan deu de ombros- Enfim, ela falou que os pais da Jenny vão chegar de Minneapolis hoje para preparar o velório dela e de noite vão junto com o corpo dela para Minnesota e vão enterrá-la lá.

–Mas os pais dela vão fazer o velório assim, tão depressa?

–Stephanie contou que os pais da Jenny estão arrasados. Querem que isso se resolva rápido para que não passem nem mais um minuto na cidade onde a filha morreu. –Logan deu um gole no suco de laranja antes de continuar- Enfim, James também deve ter sabido das notícias. Carlos me ligou mais cedo pra me avisar que James deu o dia de folga a nós dois, pra gente ir ao velório da Jenny.

–Bom, nesse caso, vou arrumar minha roupa de luto e esperar. –Me levantei, já sem nenhum apetite- Quem quer que tenha feito isso com a Jenny, não pode ficar impune. Ele vai ter que pagar por isso.

–Ah, e ele vai... –Logan murmurou, achando que eu não podia ouvi-lo, mas eu ouvi. E vi também. Seu rosto era uma máscara de fúria e frustração, mas em segundos ele tinha voltado ao normal- Eu... Vou terminar meu café e me preparar para o velório da Jenny também.

–Okay, então.

Fui subindo a escada, tentando desvendar o humor de Logan naqueles últimos segundos, porém sem sucesso.