The Roommate
23 Between Heaven and Disaster - Pt. 1
Notas iniciais
Acordei meio atordoado, sentindo o colchão embaixo de mim um pouco mais duro do que o normal. Foi quando lembrei que tinha passado a noite no estúdio. Um segundo depois apurei o ouvido. Ouvi uma melodia que me parecia muito familiar, mas não conseguia me lembrar exatamente onde eu havia ouvido ela antes. Abri os olhos devagar, para me acostumar com a claridade no cômodo, e quando meu campo de visão ganhou foco, vi Logan sentando no piano, tocando. Seu rosto estava sereno, mas ao mesmo tempo concentrado na música. Era um lado dele que eu estava gostando de conhecer, e sinceramente não me importaria em acordar assim toda manhã. Eu fechei os olhos e me permiti viajar na melodia, mas na mesma hora o piano parou de ser tocado. Abri meus olhos, meio triste. Justo na hora que eu estava mais gostando...
—Bom dia Kendall. –Logan se levantou do banquinho do piano e pegou algo que estava ao lado dele em um carrinho. Uma bandeja de café da manhã- Eu espero não ter te acordado, mas é que eu vi a música na pasta do James e a melodia era tão linda... Eu tive que tocar ela pra saber se ela era realmente tão bonita quanto eu imaginava tocando ela na minha mente. A melodia é sua?
—No começo não. –Admiti, me sentando na cama de solteiro do estúdio, pendendo minha cabeça de um lado para o outro, tentando me livrar da rigidez no pescoço- Tinha só uma parte da letra e alguns trechos da melodia. Trabalhei mais na melodia, aproveitei o que o James tinha começado a fazer e abandonado e... Bom, na verdade, a melodia é tudo o que eu tenho no momento. Achei que ficaria bem com a parte da letra que James escreveu, mas ela não encaixa na melodia, e nem consegue se harmonizar com as letras que tento encaixar nela...
—Então, é só a melodia. Por enquanto...? –Logan perguntou, colocando a bandeja na minha frente e puxando uma cadeira giratória que ficava na mesa de mixagem pra se sentar- Ah sim, eu fiz o café da manhã hoje, mas eu estranhei você nem ter descido. Quer dizer, é só eu colocar o bacon na frigideira que você acorda, é o despertador perfeito. Aí fui te chamar no seu quarto e então lembrei que você disse ontem que ia ensaiar no estúdio.
Endireitei melhor a bandeja na minha frente enquanto me sentava reto e lembrava de ontem à noite. O dueto no luau funerário de Mercedes, o beijo no elevador... Apesar do momento em que todo mundo passava, aquilo era o meu ponto alto. Um pequeno raio de luz no meio da escuridão.
—Obrigado, Logan. Foi muito gentil da sua parte... –Agradeci, olhando melhor o conteúdo da bandeja. Waffles com calda de chocolate, suco de cranberry, bacon frito e omelete com cheddar e tomate. Peguei um dos waffles e deu uma mordida com cuidado para não derrubar calda em cima de mim- E a propósito, é só a melodia mesmo. Até eu encontrar um jeito de fazer a letra funcionar com a melodia. O problema é que eu não consigo. Pela primeira vez na vida eu fico empacado em uma composição, e eu não gosto disso. Me sinto meio inútil.
—Relaxa. Vai dar tudo certo Kendall. Até por que você é o cara mais talentoso que eu conheço. –Logan falou, se levantando da cadeira e indo em direção ao piano- Vai achar um jeito de destravar e colocar essa cabecinha loira pra funcionar.
—Valeu, Logie. –Logan não ficou corado dessa vez, mas dava pra ver que ele ainda ficava meio sem jeito quando eu o chamava assim- Eu vou comer o seu café da manhã e depois vou tomar um banho e ficar decente o bastante pra irmos à Rocque Management...
—Na verdade Kelly ligou pra cá, alguns minutos antes de eu trazer seu café. –Logan me interrompeu, levantando um dedo- Ela falou que Griffin volta hoje do Peru e quer conversar com todos que são agenciados da Rocque. Como o prédio da Rocque Management ainda está fechado pela polícia, a reunião será aqui na business room do Palm Woods. A reunião provavelmente vai ser de noite, então temos muito tempo para nos preparar pra isso. Até lá relaxa, não se afobe demais. Coma seu café da manhã com calma ou vai acabar se engasgando com a comida.
—Se eu me sufocar com a comida, você me salvaria com uma respiração boca-a-boca? –Falei, arqueando a sobrancelha. Logan ficou vermelho por um segundo antes de dar um risinho.
—Não dá pra salvar ninguém de um sufocamento com respiração boca-a-boca, Kendall. –Logan balançou a cabeça- No mínimo eu teria que fazer uma manobra de Heimlich.
—Você não respondeu minha pergunta... –Falei cantarolado para Logan. Ele balançou a cabeça mais uma vez antes de pegar algo de cima do piano (que um tempo depois fui perceber que era o caderno do Logan) e se aproximar da minha cama.
—Sim, eu te salvaria. Por que você é uma ótima companhia e tenho certeza que esse lugar ficaria bem silencioso e chato sem você. –Ele riu, e eu acabei rindo junto- Mas principalmente por que eu começo a achar que um mundo que não exista Kendall Knight não é um mundo onde vale a pena viver.
Minha risada cessou enquanto eu processava o que Logan me dissera. Se fosse dita em um contexto totalmente diferente poderia se passar até por uma declaração de amor. Mesmo comigo admitindo pra mim mesmo que estava gostando do Logan, ainda não tinha tido tempo de fazer uma quase declaração como Logan fizera agora. Sem contar que eu não sabia realmente o que Logan sentia por mim. Ele deixou claro que não queria um relacionamento amoroso, mas praticamente 24 horas depois ele toma a iniciativa de me beijar. Ah, e que beijo. Até mesmo me lembrar daquele beijo me deixava sem fôlego. Eu já não tinha dúvidas de que Logan era o cara mais conflitante que eu já conheci desde o primeiro dia, quando estive no limite entre confessar o que eu sentia por ele ou tentar manter tudo na amizade. Mas agora eu já tinha me confessado. Logan sabe que o que sinto por ele é bem mais do que amizade. O conflito que me corrói por dentro agora era saber se ele sentia por mim o mesmo que sinto por ele ou se ele só queria me confundir.
E eu realmente esperava que não fosse a segunda opção.
—Eu vou... Deixar você terminar o café da manhã. –Logan se aproximou e me deu um beijo no alto da minha cabeça- Quando terminar, é só me procurar. Vamos decidir juntos o que fazer no resto da tarde.
Eu tenho uma ideia do que fazermos juntos no resto da tarde, mas isso envolve uma cama, as nossas roupas jogadas no chão e você, moreninho, cavalgando em cima de mim como um bom garoto criado no Texas faria em um rodeio, meu monstro interior ronronou, plantando a imagem no meu cérebro antes que eu pudesse fazer ele calar a boca.
Me desculpe, mas eu prefiro investir nele e ao mesmo tempo, dar um tempo pra ele pensar na possibilidade. Eu prometi isso a ele, meu lado racional tentou argumentar, mas a imagem de Logan subindo e descendo no meu colo, mordendo o lábio tentando segurar os gemidos que viriam enquanto minha mão o masturbava no mesmo ritmo das subidas e descidas dele ficava cada vez mais nítida. Eu rezava a todas as forças superiores presentes no planeta pra que eu não tivesse uma ereção na frente do Logan.
Vai me dizer que não quer mesmo esse cowboy treinando a montaria em cima de você? O monstro deu uma risadinha maliciosa.
—Claro. –Assenti, vendo Logan sair do meu estúdio e fechando a porta. Eu suspirei pesadamente enquanto sentia meu membro latejar a ponto de doer. Amaldiçoei minha imaginação sempre tão vívida. Agora a imagem que eu tinha do sexo selvagem que poderia ter com Logan não ia sair da minha cabeça tão cedo. Abri o botão e o zíper do jeans (sim, eu dormi de calça jeans. Eu sou muito idiota) e empurrei a calça o bastante para que meu membro saísse, já semiereto. Respirei fundo e torcia para que Logan não resolvesse entrar por que havia esquecido de falar de algo. Seria complicado explicar pra ele que eu estava me masturbando imaginando uma fantasia tão vívida com ele na minha cabeça...
POV Logan
—Eu vou... –Dei uma pausa curta enquanto olhava Kendall. Eu ainda não conseguia entender por completo o poder que ele tinha sobre mim. Quanto mais eu me esforçava pra tentar afastá-lo (para proteger ele de quem eu realmente sou), mais ele conseguia me atrair. Ou talvez fosse eu mesmo que, inconscientemente, não conseguia evitar em me aproximar dele. Como na noite passada, no elevador...- Deixar você terminar o café da manhã. –Dei um beijo no alto da cabeça do Kendall e fui me levantando da banqueta- Quando terminar, é só me procurar. Vamos decidir juntos o que fazer no resto da tarde.
—Claro. –Kendall assentiu e eu saí do mini estúdio, fechando a porta. Assim que a fechei, me escorei de costas para ela, respirando fundo.
Eu não podia ficar fingindo indiferença, nem pra mim mesmo. Eu gostava do Kendall, gostava demais. E era mais que óbvio que ele também gostava de mim. Mas ele ainda me amaria se soubesse do meu segredo? Isso seria sempre uma incógnita pra mim. Queria poder afastá-lo, de verdade. Quanto mais longe ele pudesse estar de mim, melhor seria pra ele. O caso é que eu sou meio egoísta quando se trata do Kendall. Aquele mesmo impulso que me atraía a ele continuava me puxando pra mais perto dele, e quanto mais perto eu estava dele, menos eu o queria longe de mim.
—Quanto mais longe eu me afasto, mais você me traz pra perto... –Murmurei pra mim mesmo, olhando para o meu caderno. A melodia da música do Kendall ainda estava bem fresca na minha mente, e ficar pensando no meu dilema emocional me enchia de inspiração. Fui para o meu quarto e procurei rapidamente por uma caneta. Eu precisava escrever.
Duas horas depois e nem sinal do Kendall. Ele não tinha vindo me procurar como pedi a ele, mas eu podia ouvir o som do piano (e algumas vezes do violão) vindo do mini estúdio. Talvez ele estivesse trabalhando na música dele. Pelo menos ouvir ele tocar era quase terapêutico pra mim. Meu cérebro não trabalhava tanto pra pensar, e era exatamente o que eu precisava fazer no momento.
Eu queria dar um ponto final em tudo o que estava acontecendo ultimamente. Voltar para a casa dos meus pais em Houston. Desistir dessa ideia... Mas se eu fizesse isso ninguém aqui em Los Angeles estaria a salvo. Muito mais gente ia sofrer, e eu desistindo seria uma covardia. Eu devia isso. Por Jenny e Mercedes, que se foram por pura estupidez minha. E principalmente por ela... Mas algo a mais entrava na equação do meu plano. Algo que me convencia a ficar com mais facilidade, e isso me assustava.
Meus pensamentos foram interrompidos pelo meu celular tocando. Olhei a tela e estranhei o número que me ligava. Desbloqueei a tela com um deslizar do meu dedo e atendi, meio receoso.
—Alô?
—Logan, é você? –Uma voz de garota meio estressada falou. Eu reconhecia aquela voz, só não sabia com ela tinha conseguido meu número.
—Lucy? Como descobriu meu número?
—Pedi pro Carlos passar pra mim há alguns dias, achei que não tinha problema nenhum.
—E não tem problema nenhum mesmo. –Sorri, me sentando na cama- O que foi, aconteceu alguma coisa?
—Não, não aconteceu nada. –Lucy suspirou- Eu tava pensando se você não estiver tão ocupado dando uns amassos no Kendall...
—Eu não tô dando uns amassos no Kendall. –Falei ao mesmo tempo em que minha mente me denunciava. É, mas ontem no elevador a história foi diferente. E não adianta negar, você gostou daquilo sim.
—Resposta muito defensiva... –A garota riu do outro lado da linha- Enfim, queria saber se você tá livre pra conversar e quem sabe, comer umas batatinhas com queijo?
—Claro. –Eu respondi, depois de dar uma risada alta- Quer que eu leve o Kendall também? Ele tá há horas naquele estúdio se matando pra achar uma letra pra música do James...
—E eu ficar de vela pro casalzinho feliz? Nope. –Lucy falou, a voz fingindo ofensa- Eu queria que fosse uma conversa mais particular.
—Okay, eu acho. –Dei de ombros enquanto pegava uma camiseta azul e meus jeans pretos no closet- Eu te vejo no lobby em 5 minutos. Eu preciso me arrumar rapidinho.
—Sem problemas. A gente se vê. E mande lembranças minhas ao seu loirinho. –E antes que eu pudesse protestar, dizendo que Kendall não era meu loirinho, Lucy desligou. Suspirei e bloqueei meu celular, jogando-o na cama antes de trocar de roupa.
Meia hora depois eu e Lucy estávamos rindo loucamente, sentados em banquetas em um pub inglês no qual Lucy se apresentava quando ela ainda era amadora. Ela me contou que não tocava mais lá por conta de agenda de shows e tudo mais, mas o dono do lugar era amigo dela, então sempre tinha um desconto especial para ela em nome dos “velhos tempos”.
—Eu tô dizendo, depois daquele show, nunca mais usei sapatos prateados no palco. Peguei trauma...
—Devo imaginar... –Falei, tentando recobrar o fôlego- Bom, acho que você queria conversar comigo, não é? Ou só quis me atrair pra cá com a promessa de batata frita com queijo e histórias constrangedoras da sua época de underground?
—Hey, eu era bem mais foda na época de underground. –Lucy levantou um dedo- E as batatinhas daqui são uma delícia.
—Nisso eu não posso discordar. –Sorri, pegando uma batata com cheddar derretido e coloquei na boca. Mastiguei com aquela expressão serena no rosto, esperando que Lucy falasse.
—Okay, você sabe ser bem passivo opressivo quando quer. –Lucy suspirou, fingindo derrota- Sei que é meio tarde pra falar sobre isso e que é meio estupidez, mas eu queria pedir desculpa.
—Desculpa pelo quê? –Levantei a sobrancelha, sem entender nada.
—A festa do James, no seu primeiro dia aqui...
Logo que ela falou da festa eu comecei a me lembrar de cada momento. Quando Kendall praticamente gritou que era gay no meio da festa para tentar impedir o avanço da Lucy, quando pela terceira vez naquele mesmo dia eu senti uma vontade irresistível de beijar o Kendall (a primeira foi no final do nosso primeiro almoço e a segunda no final do nosso primeiro dueto), quando eu tive a brilhante ideia (notem a ironia) de encher a cara no bar da festa por pura frustração. Frustrado por querer beijar o Kendall, frustrado por não ter coragem pra isso, frustrado por ficar pensando em um provável relacionamento que talvez não pudesse dar certo (okay, esse em especial me fazia surtar mais. Nunca pensei na possibilidade de um relacionamento com ninguém) ao invés de me focar no objetivo que me trouxe de volta para a California. Lembrei do vexame que dei na festa por conta da minha brilhante ideia (mais uma vez, notem a ironia), de Kendall me levando pro apartamento com a ajuda do Dak, meu eu bêbado praticamente se jogando pra cima do Kendall, confessando que queria ir além com ele, ele dizendo que eu era lindo...
—Mas... Você não me fez nada, Lucy. –Eu falei, ainda confuso.
—Kendall. –Lucy falou, simplesmente- Eu estava em modo predatório, nem saquei que ele era gay e que ele gostava de você, e me atirei pra cima dele sem misericórdia. Eu não quis dar em cima do seu homem, só queria saber se tinha alguma chance com ele.
—Pra começar, eu e o Kendall somos só amigos––
—Amigos não tem essa tensão sexual que vocês dois carregam por onde vão. –Lucy me interrompeu, dando um gole no seu ginger ale– E principalmente amigos não olham um pro outro como eu vejo vocês se olhando. Se bem que é diferente o olhar um do outro...
—Como assim?
—Bom... –Lucy ponderou por um breve segundo- Kendall te olha como se você fosse a coisa mais preciosa do mundo pra ele, sabe? Ele te olha com tanto carinho, tanto amor... E você, bom, não que você não tenha isso tudo no olhar quando você olha pra ele, mas em você é mais urgente, mais desesperado. Como se algo estivesse te torturando por dentro, algo que te impede de sentir o que você sente pelo Kendall.
Me mexi na banqueta, meio desconfortável. Lucy pode não saber do meu segredo, mas ela sabe que estou em conflito comigo mesmo em relação ao Kendall. Lucy era bem perceptiva em relação aos outros, mesmo que não pareça à primeira vista.
—Mas enfim, o que eu sei disso? –Lucy voltou a falar, fazendo um gesto do tipo deixa pra lá com a mão- Eu só tive dois relacionamentos sérios, e nenhum deles era exatamente saudável.
—Eu nunca tive um relacionamento sério. –Confessei, me encolhendo na banqueta- Então é, eu não sei nada de relacionamentos. Mesmo...
—Cara, eu nunca imaginaria... –Lucy levantou uma sobrancelha em uma expressão divertida. Peguei um guardanapo de papel e fiz rapidamente uma bolinha pra jogar nela.
—Quando foi que você sacou? –Perguntei antes de dar um gole na minha soda limonada.
—Que eu era bissexual? –Assenti, esperando Lucy continuar- No nono ano. Eu meio que gostava de um garoto que fazia as aulas de ciências junto comigo, mas nessa época eu comecei a reparar mais nas garotas que estudavam naquela mesma sala. Foi quando eu conheci ela. Madison Montgomery. Ela era inteligente, bonita, e sempre tinha os melhores comentários sobre as aulas. Fiquei por meses confusa e apaixonada por duas pessoas ao mesmo tempo, até chegar o baile do nono ano. O garoto que eu gostava? Convidou uma garota que estava no colegial, talvez pra aumentar a moral dele entre os amigos chatos dele, e aconteceu de ficarmos eu e Madison sem um par para o baile. Eu inocentemente perguntei a ela se não podíamos ir no baile juntas, pra fazermos companhia uma a outra. Acabou que na noite daquele baile nos escondemos em uma das salas e tivemos nosso primeiro beijo. –Lucy suspirou, desenhando distraidamente na condensação do copo de refrigerante dela- Terminamos no final do segundo ano do colegial, não consigo me lembrar do motivo. Madison foi quem terminou comigo. Talvez por que os idiotas que faziam parte do corpo docente convenceram ela de que o que ela passava era só uma fase, que logo ela ia querer uma vida normal, não sei bem... O que importa na história é que ela terminou comigo. De um jeito meio bruto, devo dizer. Nunca chorei tanto como na noite que ela terminou comigo.
—E o seu outro relacionamento?
—Uns dois meses depois que cheguei em Los Angeles, no final do terceiro ano. –Lucy fez uma cara meio retorcida, como se o gengibre do refrigerante estivesse forte demais- Beaufort Landon. No começo ela era um fofo. Educado, gentil, divertido, bom de cama... –Ela sorriu, sem nenhum vestígio de vergonha em seus olhos- Ele vivia me enchendo de presentes e tudo mais, e achava que ele não tinha nenhum problema sobre eu ser bissexual. Até que algum tempo depois a fachada dele começou a cair. Eu descobri que ele andava me traindo com as Jennifers, e inventando boatos de que eu estava traindo ele com outras pessoas. Claro que quem me conhecia sabia da verdade. James e Jo, principalmente. Eles foram as pessoas que mais me defenderam.
—Ah, então é por isso que a relação entre você e as Jennifers é meio estremecida... –Levantei uma sobrancelha, finalmente encaixando uma peça do quebra cabeça.
—Stephanie deve ter contado sobre as Jennifers na sauna, imagino... –Lucy deu um sorrisinho- Bom, não é mentira. Nem um pouquinho dela. No dia que eu vi essa bela cena acontecendo, eu soube que elas tinham chutado o Beau, dizendo que o pênis dele era como Napoleão Bonaparte. Pode ter uma história ilustre, mas não é nada grande...
—Espera. –Interrompi Lucy no meio da risada histérica dela. Algo que ela tinha dito clicou em minha cabeça- Beau?
—É o apelido dele, duh. –Lucy revirou os olhos- E é só. O grande, maravilhoso histórico romântico de Lucy Stone.
—Só que não, não é? –Eu sorri, tentando esconder meu nervosismo. Como eu pude me esquecer? Eu sou um completo idiota...
—Tá mais pra só que nunca. –Lucy voltou a rir- Valeu, Logan. Por querer passar um tempo comigo. Acho que eu devia conversar mais vezes com você. Você é um excelente ouvinte.
—Muitos anos de prática, logo você chega lá. –Sorri, meio sem graça- Que horas são? A gente tem que estar no Palm Woods pra nos preparamos para a reunião.
—Umas duas e pouco da tarde. –Lucy pegou o celular na bolsa e conferiu rapidamente e o guardou de volta- Acho que você tem razão. Quanto mais tempo tivermos pra nos preparamos mentalmente para o que o Griffin tem a dizer, melhor. Vou pagar nossa conta e então vamos pra lá.
—Okay, então... –Me levantei da banqueta, terminando meu refrigerante- Ah, Lucy. Esqueci de perguntar. Se não quiser responder tudo bem, é só que fiquei curioso...
—Manda, bonitinho... –Lucy perguntou, procurando a carteira dentro da bolsa.
—O Beau... Você ainda vê ele pelo jeito...
—Como assim?
—Sei lá, me pareceu isso. Talvez por que você parece ter mais raiva dele do que da Madison. –Dei de ombros, tentando parecer que eu não dava tanta importância àquilo.
—É, você é inteligente mesmo. –Lucy suspirou- É, eu vejo ele de vez em quando. Ele é baterista na banda de apoio do James. A gente se esbarra vez ou outra. É meio chato, mas ele não se atreve a mexer comigo. Ele sabe que eu tenho mais defensores que ele dentro da Rocque.
Eu ri, junto com Lucy. Não podia negar que Lucy tinha seus amigos dentro da agência, e que todos eles defenderiam ela se precisasse, assim como ela os defenderia, mas ainda assim temia que, por mais amigos que ela tivesse, nenhum deles conseguiria defendê-la do que poderia vir.
A não ser talvez eu, se estivesse mais alerta.
Ainda não consigo acreditar que me esqueci de um deles. Eu sou tão idiota. Mas dessa vez não vou cometer o mesmo erro. Agora eu tinha certeza que a lista estava completa.
Agora era hora de me focar no meu objetivo e fazer o que vim aqui pra fazer.
Só tinha um problema.
Kendall...
Fale com o autor