The Riddle Called Slender Man

5 Capítulo 5 - Ordem ou Destino? Amigo ou Inimigo?


Notas iniciais
Penúltimo capitulo...
Enjoy :D

Gah -

Era hora de fugir! Não importando como. O medo seguia cada passo e cada suspiro podia ser o ultimo. Entre aquelas paredes, eu só podia suar sangue.

Como vamos fazer isso? – Perguntou Rute. Ela parecia com medo e eu não a culpava. Também estava com medo.

Vamos pensar em algo...

Mas como? Não sabemos nada sobre esse lugar!

–Você disse que essa era sua antiga escola! Você deve conhecer esses andares...

Sim! Mas... – Seus olhos tinham lagrimas, sua voz era rouca – Eu não consigo me lembrar. Existem paginas em branco.

Eu a abracei, de alguma forma, nós duas estávamos muito ligadas. Era estranho, esse mundo, mas era real. De alguma forma.

Se acalme, okay? – Disse. – Nós vamos conseguir!

A noite chegou novamente e junto com ela veio o medo. Por algumas horas, tanto eu quanto Rute, não conseguimos dormir. Mas logo ela adormeceu. Tentei ficar o máximo possível acordada. Mas era extremamente difícil, logo todas as luzes foram se apagando aos meus olhos. Tudo ficou quieto e eu adormeci. Acordei com uma figura escura em minha frente, era minha companheira. Ela estava agachada perto de mim, mantinha os olhos focados no chão, enquanto usava os dedos para escrever algo na poeira. Me sentia um pouco zonza, e ainda estava cansada. Já estávamos no terceiro dia desse sofrimento, e eu precisava muito fugir.

O que é isso? – Perguntei, com a voz falha. Eram alguns números, três trios.

–São números de salas, desse colégio. – Respondeu, sem olhar para mim.

Esperei ela continuar, mas ela se mantinha focada naqueles números.

–E o que tem essas salas?

–Não sei...

–Você está bem? – Perguntei, me sentia preocupada. Algo estava me incomodando. Havia algo no olhar dela, viciado, psicótico. Ela estava vidrada naquilo.

Ele me contou... – Disse ela, após ficar alguns minutos no silencio.

Estremeci. Algo estava errado.

–Rute... – Comecei, colocando a mão no ombro de minha amiga. – “Ele”? Quem?

Ela olhou para mim. Seus olhos estavam vermelhos, como se não tivesse dormido um minuto sequer nas ultimas horas. Lagrimas escorriam, mas ela continuava sorrindo lunaticamente. Aquele olhar vidrado continuava, quando falou, sua voz saiu amedrontada e falha. Como se fosse algo horrível e ao mesmo tempo divertido de se falar.

–Slender Man – Disse ela.

.*.*.*.*.

Rute -

“Tudo está escuro. Eu acabo de acordar, ainda sinto os braços de Gah me envolvendo. Sinto afeição por ela, parece que é uma pessoa muito amável. Mas eu ainda sinto medo.

Sinto uma pressão que só aumenta. Como se eu estivesse mergulhando mais fundo e mais fundo, dentro do oceano: A cada centímetro fica mais escuro, mais difícil de respirar, mais esmagador. Mais mortal!

O que eu devo fazer? Devo tentar salvar nós duas? Sim. Não posso morrer e não quero que Gah morra. Temos muito para viver, temos muito para descobrir. Afinal, nem sabemos se isso é real! Slender Man, esse nome não me faz lembrar nada.

Me levanto na escuridão, estou na salinha, Gah não parece acordar. Essa é a hora de eu caminhar... Os corredores são largos. Mas eu não sei por onde começar, são tantos. Fecho os olhos e giro, giro e giro. Nem me dou o trabalho de abrir os olhos, sei que estou tonta. Só coloco um pé na frente do outro e ando.

Ando e ando... Tudo está tão quieto quanto deveria. Mas deveria estar quieto?

De repente eu ouço passos. Ouço vozes. Gritos. Uma luz atravessa minhas pálpebras e eu sou obrigada a colocar o braço na frente para diminuir a intensidade. Um sopro gelado e aconchegante toca meu corpo. Abro os olhos lentamente, por um segundo meu coração dispara.

Não de medo, mas de alegria.

Eu estou no meu colégio. No pátio. Tem uma linda árvore no centro, suas folhas são verdes e seus galhos tem um tom vivo. Tem crianças correndo e conversando em cada canto. Algumas brincam, sentam no chão, pulam corda. Outras só comem seus lanches sentados nos bancos. A grama cresce verdinha, as borboletas flutuam pelo ar. Os pássaros cantam... Olho para trás e não vejo escuridão, só corredores cheios de armários. Tudo limpo, conservado e clareado. Até mesmo eu! Não tenho cortes, nem vergões de machucados. Minhas roupas não são sujas e rasgadas. Estou usando um belo vestido azul, com laços rosa. Ele tem bordados brancos, uso meias cumpridas e sapatos bonitos. Eu me sinto feliz.

Quero corredor pelo pátio, me divertir com meus amigos. Mas o diretor está me olhando. Eu estou de um lado do pátio e ele do lado oposto. Ele me encara com seus olhos negros, seu terno é marrom e limpinho. Eu gosto dele... Eu acho que gosto. Tem um homem atrás do meu diretor, também usa terno. Esse homem é muito grande, tem braços muito longos e seu rosto é branco. Ele está curvado. O que é esse homem? Parece magro demais para um ser humano. Meu diretor tira os óculos, os limpa com um paninho e coloca de volta. O céu esta bem azul. Sinto algo em minha mão, algo liso. Olho e vejo que estou segurando um papel, um pequeno pedaço de papel rasgado. Está amassado. Eu desamasso e leio:

“Vá à enfermaria, depois do intervalo. Preciso conversar com você!

– Nuse.”

Nuse é a enfermeira, ela é tão querida. Sempre me faz cócegas, me dá pirulitos. Ela conversa comigo, ela é legal. Mas eu não gosto de todas as perguntas dela, sobre como eu me sinto enquanto cresço. Ela diz que sou muito tímida... Talvez ela esteja certa.

O sinal toca.

Eu devo ir a enfermaria, mesmo sem saber o porquê. Do outro lado meu diretor da meia volta e começa a caminhar para o mesmo sentido que eu. Mas ele está bem longe. O homem magro atrás dele não se mexe, não faz nada. Eu vou andando, meus amigos passam por mim, indo no sentido oposto. Eu passo pelo homem sem rosto, ele não faz nada. Quando saio do pátio, não tem mais ninguém lá.

A verdade, é que eu não vi direito. Não tem mais ninguém no pátio, não tem mais nada. Nem cor, nem som, nem vida.

Mas eu não tinha visto isso. Eu estava andando para a enfermaria. Na minha frente ainda tinha cor, ainda tinha som, vida. Eu passo por salas de aula, por laboratórios e por murais cheios de papeis e cartazes coloridos. Mas quando eu já não posso mais olhar para eles, quando estou longe, eles voltam a serem cinza. Cinza quer dizer sem vida, vazio.

Viro para a direita, depois para a esquerda. A enfermeira Nuse passa por mim. Ela não sorri, nem olha para meus olhos. Ela mantém uma expressão controlada, no seu olhar eu vejo dor. Vejo lagrimas. Ela não para, ela vira o corredor e continua. Eu não deveria me encontrar com ela? Por que ela está saindo? Eu não sei a resposta, mas provavelmente devo fazer o que ela me pediu no bilhete. Eu entro na sala dela. Eu me sento na maca e espero.

Passam segundos. A enfermeira volta. Mas ela não entra na sala, não olha para mim. Ela olha para a janela. Fixamente. Lagrimas escorrem pelo seu rosto, ela está sentindo dor. Muita dor.

–Nuse? – Pergunto, minha voz infantil e inocente chega aos ouvidos dela. E a enfermeira Nuse parece querer morrer. Sim, ela quer morrer.

‘Desculpe... ‘ – Ela sussurra. Ela não está me olhando, mas é para mim. Ela bate a porta e ouço o som da fechadura se trancando. Por que ela se desculpou? Por que me trancou sozinha na enfermaria?

Sozinha... Quem dera.

A porta do banheirinho que tem dentro da enfermaria se abre. Lentamente meu diretor sai de lá. Ele ainda está de óculos. Eu estou com medo.

–Diretor? – Pergunto, ainda inocentemente. Queria que ele soubesse o que é inocência.

Ele se vira para mim, não precisa dizer nada. Ele tira os óculos e coloca em cima da mesa. Tem um sorriso demoníaco nos lábios dele. Eu me afasto, tento me colocar de pé, para correr. Mas ele é mais rápido. Ele me segura e me joga na maca. Acho que gritei... Ou tentei gritar, sua mão está na minha boca. Ele me prende com força, sua outra mão está me tateando. Ela está descendo e subindo por mim, mas eu não quero isso. Ouço um som de zíper se abrindo, de botões de uma calça se desabotoando. Ele está querendo fazer algo. Suas mãos me tocam, mas ele não podia. Não é a hora para mim... Não. Minhas roupas vão saindo e ele é quem está tirando. Ele quer que algo entre... Canalha.

Ele está me olhando, não o diretor. O homem magro. Ele não tem olhos, mas está enxergando a cena. Por que ele não faz nada? Só fica parado na frente da janela, como se estivesse esperando algo acontecer. Sinto uma dor forte, algo que não senti antes. Uma dor dentro de mim... Fisicamente. Meu grito é suprimido pela mão nojenta do meu estuprador. Meus olhos lagrimejam, e eu quero morrer. Não! Eu quero que ele morra!

Fecho os olhos. E tudo some. O som do ranger da maca. Os suspiros do diretor, suas mãos não me tocam mais, ele não está em cima de mim, nem dentro. Não sinto mais dor. Alguns segundos se passam, na minha cabeça. Para o mundo foram meses.

Abro os olhos. Estou em uma sala iluminada pelo por do sol, podia ser bonito. Mas não é. A sala é a enfermaria, meses depois daquele momento agonizante que se repetiu tantas outras vezes. Mas agora, não iria mais acontecer. Eu estou de pé, na minha frente contemplo o corpo do meu diretor. Tem varias manchas de sangue no peito dele, onde eu o perfurei. Mas a que mais se destaca é o corte em seu pescoço, reto. Escorre muito sangue por ali. Tem uma poça de sangue bem no meio das pernas dele, e um martelo do lado. Algo foi esmagado... Existe espanto, terror, medo e dor na expressão dele. Isso me agrada. Na maca, deitada em um sono eterno, a enfermeira Nuse está esticada. Seu corpo parece torcido, ela tem muitas marcas verdes e roxas. Como se alguém tivesse batido varias vezes nela, com um martelo. Ela gritou bastante, mas agora dorme para sempre. Tomara que esteja tendo um belo pesadelo. Continuo encarando o chão, tem sangue nele, na parede, no teto, na maca, no meu vestido, no meu corpo, nos cadáveres, na mesa e na faca em minha mão.

A porta está aberta, não houve necessidade de tranca-la desta vez. Ou melhor, a enfermeira Nuse não teve tempo. Meu martelo foi mais rápido. Cada golpe mais rápido que cada passo do diretor, que quando chegou não teve tempo de me contemplar sorrindo, agora eu não tinha mais inocência. Meu martelo também foi mais rápido que os reflexos dele, garantindo que ele nunca mais estupraria ninguém na vida. As facadas foram lentas, assim como cada segundo que eu passei nas mãos dele. A porta está aberta, mas eu já fiz essa observação. Slender Man está parado nela. Ele não vai me atacar, ele não. Não tem sangue nele, a morte não se suja de sangue. Ele estende o braço cumprido para mim, e abre a mão cor de mármore. Tem um óculos na palma da mão dele, e uma das lentes está quebrada. Tem sangue nesse óculos, e ele é do diretor. Encaro meu amigo Slender Man, ele faz o mesmo. Eu sei. Sei que ele está sorrindo para mim...

E eu também”.

.*.*.*.

Estamos andando de forma apressada pelo colégio. Gah precisou me jogar um pouco de água e me fazer beber um pouco também, eu comecei a chorar e chorar. Levou mais de uma hora para que eu conseguisse me recompor e explicasse a razão de eu estar escrevendo aqueles números. Contei o meu sonho: Eu estava sentada e Slender Man estava na minha frente. Todo o resto estava escuro, mas eu sabia onde estava. No colégio, num corredor especifico. Atrás do homem magro, tinham três portas. E em cima de cada porta, acima da soleira, tinha um numero marcado: 126, 134, 090.

“Falta algo!” – Pensei, mesmo sem contar esse detalhe para Gah.

Eu falei para ela onde ficava cada sala, pelo o que eu lembrava. Mesmo sem saber qual sala era qual. Nós andamos um pouco e percebemos que nós estávamos no primeiro andar, e que o colégio tinha três, chutamos que cada andar tinha cerca de cem salas, visto que o colégio tinha três prédios que eram interligados por corredores e pátios. Gah queria simplesmente correr e correr. Localizar o muro, pular e correr, pois ela já tinha visto que estávamos cercadas por um bosque. Embora eu não me lembrasse dele. Mas eu insisti que era fundamental que entrássemos nas salas, e que procurássemos algo que ajudasse na nossa fuga, pois a nevoa do lado de fora era muito densa.

Ela concordou, sem relutar muito. Estava preocupada comigo. Andamos mais alguns metros e chegamos a um corredor “bifurcado”.

–É agora? – Perguntou ela.

Sim! – Respondi, ela segurava minha mão. Ela estava com medo, mas queria se mostrar forte. Queria me proteger. – Não fique com medo, confie em mim!

Ela me olhou, havia uma lagrima no seu olhar. Seus olhos eram tão lindos. Mas também tão cheios de medo e algo que era familiar, algum tipo de angustia que não podia ser revelada. Um arrepio atravessou meu corpo quando um vento forte passou. Tirando-me de meus devaneios.

Certo – Disse ela, sorrindo. – Vamos nessa.

Gah soltou minha mão e se virou para a esquerda.

Boa sorte! –Disse ela, sem olhar para mim. Dei uma olhada no uniforme sujo e rasgado que ela usava.

Para você também, Gah! – Respondi – A propósito, já disse que você usa o uniforme dessa escola?

Ela me olhou com uma expressão de confusão.

–Achei ele na banheira, quando acordei – Ela falou enquanto seu olhar mostrava um certo transtorno, algo estava se mostrando complexo para ela. – Não é uma coincidência. Faz sentido, até. Não é?

Sim! – Respondi, indo para o lado oposto dela. – Faz sentido!


Gah -


É difícil me guiar, não por falta de pontos que me ajudem a encontrar a sala, está tudo bem marcado. Mesmo sendo um colégio grande, tem placas e todas as soleiras de portas são numeradas. Eu tinha que encontrar a sala 090, enquanto Rute ia para a sala 134. Depois nós nos encontraríamos na sala 126. Mas minha dificuldade em rumar para o lugar certo era o medo. Slender Man, eu podia sentir. Às vezes parecia que eu estava louca, parecia que qualquer vento poderia ser ele. Mas eu sei como é sua presença, não é algo que você consegue esquecer. Acredite!

Rodei e creio que me perdi por corredores, falta de atenção. Levei mais alguns minutos para encontrar o caminho de volta e então rumei para a sala correta. Quando cheguei ao corredor correto diminui o passo e passei a andar devagar, observei as soleiras das portas até encontrar o numero que queria.

–87... 88... 89... – Contei, em sussurros – 90!

Tentei abrir a porta cinza, ela rangeu e tive medo de quebrar alguma coisa. Mas lembrei que não faria diferença quebrar algo ali, então forcei e com meu empenho a porta “cedeu” e eu consegui abrir. Não foi uma surpresa encontrar uma sala vazia, eu já estava acostumada. Como todo o resto do colégio, aquele lugar era cinza e silencioso. Pouca luz entrava pois as janelas estavam tapadas com uma tinta escura, o quadro negro estava cheio de rabiscos de giz e só algumas carteiras se encontravam ali – algumas no chão outras quebradas.

Ótimo! – Bufei, aborrecida. Qual era o sentido de ir ali?

Lamentei não ter insistido mais no meu próprio plano, não fiz isso pois estava com pena do estado de Rute. E quis colaborar com ela. Mas vendo a sala, senti uma frustração enorme.

Espero que Rute tenha mais sorte...

Avaliei minhas opções e percebi que já que estava ali, não seria mal xeretar a sala. Caminhei com cuidado e tentei procurar qualquer tipo de “pista” nas paredes, no teto e no chão. Não achei nada de novo, apenas alguns arranhões profundos e pequenas manchas de sangue. Apenas uma coisa me surpreendeu... E nem sei se deveria. No quadro, entre todos os rabiscos de giz e sangue, havia uma palavra escrita. Estava bem grande e no centro, mas, por causa da baixa iluminação, era necessária atenção para ler.

“CUIDADO”

Estava escrito, mas o que me causou um arrepiou e certa confusão, foi a palavra escrita em letras formais. Pequena e no canto, embaixo do aviso. Era um complemento a palavra anterior. Estava escrito:

CUIDADO com todos.”

Rute –

Não houve dificuldades em achar a sala. O mais difícil tinha sido enganar Gah. Era por uma boa causa. Eu havia dado a ela um numero qualquer de sala, e tinha mentido para onde eu iria. A sala 134 era o armário do faxineiro, e eu não tinha a menor intenção de ir para lá. Eu ia para uma sala bem mais “sofisticada”. A sala era a 100.

Tive pressa, pois não sabia quanto tempo minha companheira demoraria a chegar até seu destino. Mas supôs que ela provavelmente se perderia, pois estava assustada. Quando encontrei a sala desejada, girei a maçaneta e empurrei com força. Nada aconteceu.

A porta estava realmente trancada.

Merda! – Exclamei.

Olhei em volta, procurando por algo útil, e encontrei um extintor preso a parede. Estava bem enferrujado e provavelmente não funcionaria contra um incêndio. Mas me seria útil para abrir a porta. Era uma porta grande, de madeira. Porta dupla, com o trinco bem no meio, entre as duas. Bati algumas vezes, com força, usando o extintor. Na quarta ou quinta vez a porta se escancarou. Dentro, admirei a escuridão mórbida e silenciosa.

Tateei a parede a procura do interruptor, quando o encontrei, cliquei algumas vezes, sem sucesso. Era de se esperar. Andei apressadamente até o lado oposto da sala, e tentei encontrar as janelas. Encontrei um tecido velho e grosso que estava preso a parede. As cortinas. Puxei com força e elas se desprenderam, permitindo que a luz entrasse pelo vidro, que me mesmo sujo, não precisava ser quebrado para que eu conseguisse a luz desejada. O escritório do meu diretor estava diferente de todo o resto do colégio. O local estava com vida e tudo parecia organizado. Olhei em volta e encontrei algo interessante do lado da porta. Como se esperasse ser encontrado. Sorri, estava procurando aquilo... Ou melhor, ele.

–Olá! –Falei, saudando de forma animada para meu velho amigo.


Gah –

Corri para a sala 90 o mais rápido que pude. A pressão a minha volta estava se tornando forte demais, havia algo me perturbando absurdamente. Quando cheguei levei um susto, algo estava errado! Eu simplesmente estava passando por um deja vu? Alguma tortura do tal Slender Man? Eu estava de volta ao meu local de origem, a enfermaria. Tremi ao tentar entrar, eu não conseguia. Aquele parecia ser o símbolo de toda a dor e angustia que eu havia sentido até agora, ali havia começado. Eu estava certa disso...

–Pode entrar! – Disse uma voz, carinhosamente, vindo de trás de mim.

Olhei e encarei Rute, sorrindo para mim. Ela parecia estar bem melhor de quando eu a vi pela manhã. Havia um novo brilho em ser olhar, não mais lunático, agora determinado.

–Eu acordei aqui... Esse lugar me assusta – Disse, tremendo. Tinha decidido não mostrar medo, passar segurança a ela. Mas perdi o foco ao ver qual era a sala 90.

–Enfermarias assustam a todos. – Disse ela, colocando a mão em meu ombro. – Fique tranquila eu também tenho medo! Mas acredito que nós devemos entrar ai. Temos algo para procurar.

Ela ficou alguns segundos em silencio, me encarando.

E também, nós não podemos ficar dominadas pela medo. Não nesse lugar! – Ela sorriu ainda mais para mim, me passou uma certa paz. – Vamos! Nós precisamos fugir, lembra?

Fiquei um pouco perplexa, não deveria estar sendo consolada por uma garota mais jovem que eu. Eu tinha prometido protegê-la. Como se fosse um dever, no fim, eu pensava que essa era minha missão!

Certo! – Falei, retirando qualquer pensamento de medo da minha presença. Virei e avancei em direção a sala, Rute me acompanhou em passos largos.

.*.*.*.

Encarei morbidamente a água suja da banheira. Parecia ainda mais deprimente que antes, ainda mais sem vida. Olhei o banheiro em volta e ela continuava como antes, cinza e frio. Mas eu me sentia mais segura, acolhida pelo encorajamento de Rute. A esperança de fugir desse pesadelo havia proporcionado uma força que eu havia guardado para um momento especial.

Tentei procurar por algo na banheira, na pia e na porta. Não achei nada, tudo parecia como antes. Tentei ver se tinha algo na janela, mas era muito alta para alcançar. Notei que não tinha procurado no vaso sanitário, talvez propositalmente. Não queria ir lá a não ser que fosse a ultima opção. Me aproximei com cuidado e dei uma rápida olhada. Estava tão sujo quanto o resto do banheiro, mas fedia um pouco. Havia certa poça de água no fundo do banheiro e dentro tinha vi certo brilho, como se a luz tivesse refletido em algo. Me ajoelhei na frente e coloquei a pensar.

“Não é tão ruim comparado a todo o resto... Vamos, vamos...” – Disse para mim mesma. E enfiei a mão dentro da poça, retirei o objeto rapidamente, reluzente em minha mão. Era um canivete, provavelmente o utilizado para fazer a mensagem na porta.

–GAAH! –Gritou Rute, de dentro da enfermaria. Estava distraída então levei um certo susto, deixando cair o canivete. Recolhi rapidamente e procurei nas minhas roupas algum bolso, e assim que achei coloquei o canivete ali.

Andei apressada até chegar em Rute, ela estava curvada sobre a mesa, e tinha um rola de papel em seu lado. Ela observava um mapa, que parecia algo como uma planta do colégio.

–Estou tentando encontrar a saída! – Disse ela, sem me olhar. – Útil não é?

Muito! – Respondi, entusiasmada. – E o que é esse rolo?

–Ainda não vi! – Disse, ela pegou e me entregou – Dê uma olhada.

Desenrolei e percebi de cara que era outro mapa, desta vez, do bosque e redondezas. Principalmente focado no bosque.

–É um mapa do bosque! – Disse sorridente. – E tem algumas indicações sobre a cidade, olhe!

Apontei para um marco, indicava um posto de policia. Rute pareceu tão feliz quanto eu.

–Agora podemos planejar nossa fuga! – Falou, parecia novamente uma garota normal, que anseia por um grande presente.

–Sim! – Disse, abraçando-a – Mas devemos planejar tudo nós mínimos detalhes para não haver erros. Certo?

Ela também me abraçou, e concordou com a cabeça. Era hora de fugir do grande pesadelo de Slender Man.

Notas finais
Comentem, se não for cair sua mão.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.