The Red Wire

2 Capitulo 1


– De novo o mesmo sonho, já havia um tempo que não o tinha, estava inclusive feliz achando que não sonharia com aquilo novamente. Isso é normal? Ter o mesmo sonho repetidas vezes, o certo não seria termos sonhos diferentes? – Suspiro desanimado relembrando do sonho da noite passada.

– Verdade. Vai ver você está ficando louca. – Marianne comenta zombeteiramente.

– Os sonhos têm te incomodado muito? – Silvia pergunta enquanto observa com uma expressão um pouco assustadora seu namorado Thomas ao longe conversando com outras meninas.

– Bom, sim tem incomodado. É triste e até doloroso. – Respondi sem pensar muito na resposta.

– Doloroso? Como assim é doloroso? – Silvia desvia o olhar por um instante para mim aparentemente curiosa a respeito do que eu disse.

– Não sei explicar direito a sensação, mas é como se eu já conhecesse o cara que aparece no meu sonho. – Dessa vez Silvia me olhou com uma expressão meio séria. Acho que ela ia tirar onda com a minha cara, nossa convivência juntas durante anos já me permite identificar quando ela vai fazer alguma graça, para minha sorte Thomas apareceu como um anjo, literalmente. Sei que não devo dizer essas coisas sobre o namorado da minha amiga, não estou interessada nele nem nada do tipo, mas não posso mentir ele é um gato. Têm olhos verdes que parecem duas piscinas, seu cabelo é loiro um pouco enrolado, tem um sorriso muito bonito, parece até que saiu de uma propaganda de pasta de dente, sem contar com o físico invejável. Tirando o fato de que ele tem uma personalidade muito difícil eu até tentaria ser amiga dele, infelizmente não nos damos muito bem, pois ele adora implicar comigo. Até um ano atrás ele era um completo playboy, é muito inteligente, mas usava essa inteligência só para fazer travessuras. E ainda usa, mas com limite, pois agora a Silvia o coloca na linha. Apesar de que às vezes ela apronta junto com ele, o que causa um terror na escola.

Silvia estava conversando com Thomas, e Marianne estava olhando de um lado para o outro a procura de alguém, e eu sei muito bem quem é esse alguém.

– Ele está ali atrás. Está conversando com o Wellison. – Apontei para o rapaz moreno de olhos e cabelos castanhos que estava dando altas gargalhadas, seu nome é Robert, ele é da mesma sala que o Thomas, ambos são de outra sala. Ele é meu amigo de infância, me dou muito bem com ele. É uma pessoa muito simpática, é o tipo de pessoa que a sua mãe te imploraria para casar, é inteligente, bonito, educado, gentil e vem de uma boa família. Que por acaso era uma das mais ricas da cidade.

– Ah Obrigado Cris. Vou lá com ele. – Marianne gostava do Robert, e ele também gostava dela, mas nem um dos dois tinham se declarado para o outro ainda, era muito fofo ver os dois juntos, ele sempre ficava um pouco envergonhado quando a Mari estava perto, e ela sabia disso e ficava provocando ele. Às vezes ela sentava na mesa dele e levantava um pouquinho a blusa dizendo que estava se abanando pois ficava com calor, ele era bem branquinho e por isso ficava bem vermelho quando ela fazia isso.

Nossos dias juntos são sempre divertidos, a Silvia ou o Thomas quase toda semana são chamados pelo menos uma vez por causa de alguma travessura, a Mary fica se jogando para cima do Robert, e as vezes até para outros garotos só para poder fazer ciúme no Robert, e eu sempre rindo das trapalhadas deles, isso quando eu não me junto também.

Nós moramos em uma cidade relativamente pequena, chamada Klouví, é uma cidade muito agradável, e os dias são divertidos, depois da escola sempre saímos juntos para ir a uma lanchonete, ou para badernar na rua. Eu acho que poderia viver assim para sempre, com a Silvia, a Marianne, o Robert e o Thomas, não necessariamente aqui em Klouví, talvez em alguma outra cidade, afinal nos quatro sempre quisemos sair e explorar o mundo. Aqui em Klouví é proibido falar sobre as cidades de fora, mas nós nunca fomos muito de seguir as regras que nos impõem então sempre nos encontrávamos escondido para conversar sobre isso. Até mesmo o Robert banca o rebelde de vez em quando, no mês retrasado logo no inicio do ano, em Janeiro o Robert escutou o pai dele falando escondido com a mãe dizendo que depois que se formasse na escola ele iria providenciar o casamento do Robert com a Raquel, uma menina do 2° ano, ela não era feia nem nada, na verdade ela é muito bonita bem loirinha e com um corpo delicado parece uma boneca, mas acho que é muito tímida, pois nunca a vi falando com ninguém, pelo menos não com alguém que pudéssemos ver, o que as vezes me dava um arrepio. Robert ficou furioso, afinal ele gosta da Marianne, e quem é que força o próprio filho a se casar com alguém em pleno século XXI, sinceramente achei um absurdo, ele teve uma discussão muito feia com o pai, e até agora eles estão brigados o Robert saiu de casa e está morando com o Thomas que antes morava sozinho. Porem tirando o Thomas, somente eu a Sivia e a Marianne sabemos disso, pois para os outros o pai dele espalhou uma história de que tinha permitido o Robert morar com o Thomas para que fosse mais independente, apesar de sabermos muito bem que esse não é o caso pois o pai do Robert não gosta nem um pouco do Thomas.

Hoje havia sido nosso ultimo dia de prova, e todos estavam exaustos, por isso resolveram voltar para casa ao invés de badernar, pois alem das provas normais, temos provas de exercício físico. Temos de correr 10 vezes ao redor da escola, e a avaliação é feita pela quantidade de voltas e a velocidade com que corremos. Robert ficou em primeiro lugar e Thomas em segundo, eu a Silvia e a Marianne, bom ficamos em colocações boas o suficiente para conseguirmos uma nota que nos fizesse passar.

Na volta para casa depois de nos despedimos das meninas Robert me chamou para ir a um lugar com ele.

– Você não deveria estar chamando outra pessoa para sair com você?

– Sim eu sei. Mas eu queria que você me desse sua opinião a respeito de algo.

– Então, o que é?

– Eu decidi que depois dessas provas eu vou chamar a Marianne para sair comigo.

– Como pretende fazer isso? Não vai simplesmente chegar e dizer você quer sair comigo né?

– Não. Eu iria me declarar para ela, depois de leva-la para um passeio. O que você acha... É muito clichê? – Ele me perguntou com uma expressão meio envergonhada, não resisti a rir um pouco, acho ele muito fofo. Quando estou com ele sinto como se tivesse um irmão mais novo – Não ria Cris, estou nervoso. Realmente gosto dela e quero muito que possamos sair juntos.

– Me desculpe, não fiz por mal. Acho que ela vai gostar se você fizer isso. Pode não parecer mas a Marianne é bem romântica, ela vai ficar muito feliz. Mas porque demorou tanto seu palerma?

– Achei que ela não gostava de mim. Mas o Thomas desde o começo do mês fica me dizendo que ela gosta, e que eu era muito burro por não perceber, mas tirando você e a Silvia eu nunca tinha ficado muito perto de outras garotas, então como é que eu ia saber? – Até um tempo atrás o Robert era educado em casa pela mãe, mas depois que ela morreu, o Sr. --- até que tentou educa-lo mas não tinha muito tempo livre, afinal ele era o governador de Klouví então ele resolveu finalmente colocar o Robert em uma escola comum.

– Mas você é realmente lento Robert. Tudo bem venha, vamos lá em casa temos que discutir algumas coisas. – E assim passamos o resto da tarde conversando sobre o como ele iria se vestir no dia seguinte, o que ele deveria fazer para surpreendê-la dentre varias outras coisas. Robert saiu já era noite. Meu pai insistiu para que pudesse leva-lo em casa de carro, mas Robert falou que ainda ia passar em alguns lugares antes de voltar para casa, ele havia me dito que ia comprar um cordão com formato de coração que havia visto uns dias antes, com isso ele se retirou com grande sorriso no rosto.

– Então por que essa felicidade toda? – Meu pai perguntou meio risonho. E minha mãe olhava um pouco curiosa.

– Não é nada não. – Respondi sorrindo. Meus pais me olharam meio desconfiados, eles não eram muito a favor de namoro durante a adolescência, por isso achei melhor não contar, para eles era você crescer e partir direto para o casamento. Eles achavam que as pessoas deveriam ser mais conservadoras, e que os jovens de hoje eram muito atirados. Eu sempre ria dessa conversa deles, pois eles mesmos haviam namorado escondidos antes de casar, minha vizinha Kathleen que me disse. Ela manja das fofocas e é a melhor amiga da minha mãe. Se quiser saber de alguma coisa é só perguntar para ela.

Naquela mesma noite, no outro lado da cidade. Os guardas pareciam perseguir alguém sem muito sucesso, um homem encapuzado, que por sinal era muito rápido. Eles o encontraram saindo de uma área proibida, o homem nocauteou todos os guardas e depois saiu andando.

– Então Allan, reporte a situação. – Uma voz fina começa a falar por meio de um fone de ouvido.

– Sim. Eu consegui entrar em Klouví. Tinham poucos guardas na passagem que usei e por isso foi muito fácil de passar. Vou dar uma olhada no lugar e depois falo com você de novo Verônica.

– Seja rápido Allan. Encontre a garota e fuja daí.

– Ok. – Allan dá um sorriso e começa a se esgueirar pelos corredores de um enorme prédio.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.