Notas iniciais
Peço desculpas a todos vocês principalmente pela demora; foram quatro meses sem atualização. Acredito que não há nada que eu possa dizer, ou fazer, para que me perdoem por todo esse tempo sem nenhuma postagem! Mas desejo sinceramente que a história mantenha o interesse. E agradeço por não desistirem de mim ;)

O dia amanhecera frio, e as nuvens cinzentas que cobriam o céu e escondiam o sol pareciam torná-lo ainda mais desanimador para qualquer um que se aventurava a sair de casa; ou do hotel, como era o caso. O vento frio os obrigara a colocar roupas um pouco mais pesadas, mas, apesar disso, o incômodo formigamento nas mãos e no rosto não passava. Eram mais ou menos dez horas, e, no Impala, os Winchesters iam ao cemitério enquanto debatiam a respeito do caso. Sam afirmava com convicção que havia algo estranho na maneira como tudo parecia ter alguma ligação com Michael Witting, que não era normal, tantos desastres ocorrerem ao redor de uma única pessoa. Afirmava que deveria haver algo de errado com o loiro, e, principalmente, alguma explicação plausível para o fato de parecer tão desesperado. Apostava no envolvimento com o sobrenatural. Dean, por outro lado insistia que não existia nada de errado com o rapaz, se fixava à teoria de que ele só estava assustado, só queria respostas para a morte da irmã. Insistia que o irmão estava atropelando as informações, que estava juntando coisas que não tinham a menor ligação, e formando um mosaico disforme que não os levaria a lugar algum.

Claro que, sendo Dean, ele não fora tão filosófico, mas o contexto de suas palavras era esse. Algo que, particularmente, começava a enfurecer o irmão mais novo.

— Eu juro que não entendo você, cara! — o moreno finalmente desistiu de tentar esconder sua frustração, e o encarou, sentado no banco do carona; o mais velho mantinha os olhos cravados no caminho enquanto The Fallen, de Black Sabbath, tocava ao fundo. — Numa hora, está obcecado em acabar com todos os seres sobrenaturais que entram no nosso caminho, como se eles pudessem nos ajudar a encontrar o pai; noutra, nem se importa com as únicas pistas que temos, e faz parecer que elas não são nada de mais!

Era sempre a mesma velha discussão: cada um via o caso por um ângulo diferente, cada um tentava resolver as coisas ao seu modo, e nenhum deles estava completamente certo. Porque, embora fizessem uma excelente dupla, as controvérsias existentes entre os irmãos fazia com que constantemente estivessem em atrito, obrigava-os a sempre discutir, porque quase nunca chegavam a uma conclusão, a uma decisão, antes que algo mais acontecesse, e precisassem agir unicamente com a adrenalina do momento. Eles estavam sempre brigando, fosse por motivos banais, ou algo mais sério, como era o caso; mas havia momentos em que tudo começava a sair do controle, porque o que antes era um simples bate-boca virulento, tornava-se cada vez mais complicado.

— Que pistas, Sam? — o mais baixo arqueou uma sobrancelha irônica, dirigindo-lhe um breve olhar repreensivo, pouco antes de voltar sua atenção para a estrada, apertando o volante com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos. — Michael acabou de perder a irmã mais nova. Acabou de perder uma das pessoas mais importantes da vida dele. É absolutamente normal que esteja...

— Parecendo culpado? — o caçula o interrompeu, inflexível, parecendo irritado com a insistência do loiro.

— Claro que não! — o primogênito finalmente se virou para fitá-lo, a expressão séria. — O que eu estou tentando dizer é que não deve julgá-lo agora, quando está tão assustado com a morte da menina. Você ouviu o que ele contou, deve saber como ele se sente agora. Não pode ao menos esperar a poeira baixar, antes de jogar tudo sobre seus ombros?

Aquele era um argumento válido, Sam sabia. Tinha plena consciência de que a morte repentina de alguém de grande importância na família podia acarretar numa série de perturbações, e que, geralmente, os pais se perdiam tanto nas próprias dores que, caso tivessem outros filhos, nem se davam conta do abismo que lentamente se estendia à frente deles. Sabia que perder um pai, uma mãe ou um irmão, era o suficiente para qualquer um enlouquecer de tristeza, ou pior. Em momentos como aquele, parecia que permanecer vivo não era uma dádiva, e sim uma maldição.

Isso, porém, não o impediu de comprimir os lábios, porque algo lhe dizia que, por mais desesperado que estivesse com relação à morte da irmã, havia algo de totalmente errado no comportamento de Michael. Havia algo de errado na maneira como seus olhos recobravam e perdiam o brilho a todo momento, na maneira como ele parecia sempre olhar para os lados, como que à espera de que alguém ou alguma coisa surgisse das sombras para levá-lo para longe do pai. Sacudiu a cabeça com veemência, tentando afastar aqueles pensamentos, meio indignado.

Apenas não podia deixar de lado a coincidência envolvendo Robert Tranks.

— Porque, curiosamente, pouco tempo depois da morte da irmã, outra pessoa com quem Michael tinha ligação... Dean, cuidado!

A exclamação de alerta foi ligeiramente tardia, pois, no momento em que o loiro se virou para a pista e enterrou o pé no freio, o barulho das rodas de seu baby derrapando violentamente fez com que um xingamento automático lhe escapasse por entre os lábios, mas não foi rápido o bastante para impedir que a lateral do carro batesse na ruiva que caminhava rente à calçada, aparentemente sem rumo.

— Puta que pariu!

Mal saiu do Impala, o cheiro de pneu queimado obrigou Dean a praguejar mais um pouco, enquanto batia a porta e corria para socorrer a menina. Seu irmãozinho, no entanto, já tentava ajudá-la. Ela parecia atordoada e nada mais, apenas apalpando o asfalto e murmurando incoerências, como se estivesse em busca de algo. Graças a Deus, Sam não deixou de notar, o impacto não havia sido muito grande. Agachado ao seu lado, tocando seu braço enquanto lhe oferecia algum apoio, os únicos danos que seus olhos enxergavam eram os leves arranhões nas palmas das mãos da moça.

— Hey, garota, está tudo bem? — questionou, naquele tom atencioso que somente Sam Winchester dominava por completo.

A garota finalmente virou o rosto para encará-los, os óculos já esquecidos. Sam praguejou baixo ao reconhecê-la como sendo a adolescente ao lado da mulher de Robert Tranks, perguntando-se por que diabos tinham de ser tão azarados. Dean apenas arqueou as sobrancelhas, dividido entre a confusão por ela permanecer parada, o susto por tê-la praticamente atropelado, e o desejo de escapar daqueles olhos que, apesar de estarem fixados em si, nitidamente não o enxergavam.

Isso tudo morreu de imediato, porém, no momento em que Brooks soltou uma exclamação baixa, meio surpresa, meio chocada, como se não pudesse acreditar em algo que acabara de ouvir:

— Winchesters?!

Porque eles não se lembravam de terem sido apresentados a ela. E, acima de qualquer outra coisa, não se lembravam de qualquer pessoa normal saber o sobrenome da família, ou pronunciá-lo com tamanha naturalidade, apesar de todo o espanto.

Apenas os monstros pareciam capazes de fazê-lo.

Notas finais
Beijos, e até a próxima!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.