The Red Room
4 Capítulo 4
Michael sentiu-se muito estranho abrindo a porta para dois estranhos. Mais cedo os havia visto com roupas formais, e agora, além de parecerem apenas dois rapazes, ainda carregavam uma bolsa grande o suficiente para que uma Winchester entrasse lá dentro. Não perguntou nada, porém. Prometeu a si mesmo que colocaria o mínimo possível de empecilhos no caminho dos agentes. A última coisa que queria naquele momento era perder a recente carga de esperança que recebera daqueles homens.
Ainda assim, não conseguia deixar a inquietação de lado enquanto os guiava para o andar de cima da casa, para o quarto de Gwen. Não entrou lá desde o incidente, e não pôde externar em palavras a forma como se sentiu após abrir a porta e entrar no aposento.
Era algo misturado com mágoa, tristeza e culpa. O coração apertou no peito, e ele respirou fundo, trêmulo, mantendo a mão sobre a maçaneta.
— Podem checar o que quiserem... — os olhos escuros cravaram-se na gaiolinha vazia sobre a cômoda de mogno, ao lado da cama. — Vou buscar algo para beberem.
O agente mais alto, o moreno de olhar franco, assentiu uma única vez, como se compreendesse seus motivos. O outro, loiro, não se virou para encará-lo. E, apenas talvez, as coisas fossem melhores assim. Não sabia se seria capaz de suportar outro olhar como aquele. Virou as costas e saiu apressadamente, pisando duro e cerrando os punhos pelo incômodo.
No quarto de Gwen, os olhos de Dean ainda estavam cravados nas paredes vermelhas.
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— E o medidor de ondas eletromagnéticas? — Sam perguntou quase frustrado, enquanto observava o irmão mais velho se atirar na cama de solteiro.
O loiro sacudiu a cabeça em negação, alongando-se preguiçosamente. Havia sido um dia tedioso e inútil. Não encontraram absolutamente nada no aposento onde a menina foi encontrada morta. Tudo o que sabiam era que Witting colecionava adesivos de cadernos antigos, e que mantinha a gaiola de seu canário de estimação em memória do animal desaparecido.
“Crianças” foi o que Dean pensou, quando Michael explicou o motivo de o objeto ainda estar ali.
— Nenhum sinal de fantasma, Sammy. — declarou, embora estivesse igualmente incomodado com aquela situação.
Não era a primeira vez que algo daquele tipo acontecia, obviamente, mas nunca ocorrera daquela forma. Nenhum dos irmãos jamais se sentiu tão... Inquieto dentro de um aposento. Parecia que havia algo os observando, mas procuraram em todos os lugares, chegaram até mesmo a retirar alguns móveis pequenos do lugar. Não havia nada. Nem mesmo na janela, que Michael admitiu estar aberta naquela fatídica noite. Sem enxofre, sem ondas sobrenaturais.
— Precisamos olhar o corpo. — o moreno bagunçou o cabelo com as mãos, suspirando. — Sabe o que isso significa, não sabe?
O mais velho o encarou desanimado, mas nem um pouco incrédulo. Já haviam feito coisas semelhantes antes. E isso não significava, necessariamente, que precisavam se sentir à vontade com aquela situação. Dean brincou com a chave do Impala durante alguns instantes, antes de decidir que precisava relaxar. Beber algumas, dormir com uma garota qualquer. Coisas comuns de um caso comum.
Sam não perguntou, porque sabia que o loiro não se livraria de velhos hábitos tão cedo. Nunca, para falar a verdade. A frequência poderia até diminuir, mas ele continuaria sendo aquele Dean cafajeste e cheio de pose que conhecia desde sempre. Estranhamente, ter plena consciência disso fez com que o caçula se sentisse mais confortável com todo o restante.
Se para o loiro estava tudo bem, não seria ele a complicar as coisas. Para sua surpresa, no entanto, quando o mais velho estava na porta, ainda colocando sua adorada jaqueta de couro, parou, e ficou ali durante vários minutos.
O mais alto já abrira uma cerveja, com o notebook aberto à sua frente, uma vez que não conseguiram nenhuma pista no quarto de Gwen, precisavam voltar às pesquisas, e sabia que o loiro não fazia o tipo de alguém que gosta de ficar em frente ao computador para acessar algo, que não fossem sites pornográficos e quaisquer outras besteiras do tipo.
Mas aquela atitude era no mínimo peculiar.
— O que foi? — Sam franziu o cenho, estranhando o silêncio repentino do irmão.
Dean parecia prestes a dizer alguma coisa, mas, logo em seguida, sacudiu a cabeça e lançou seu melhor sorriso sacana para o moreno.
— Nada. Foi só... Uma bobagem que me passou pela cabeça.
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