The Reason Is You

28 Capítulo 28 - Execução De Um Assassino


Notas iniciais
Heey grounders e skaikrus! Primeiramente, lá vou eu me desculpar pela demora de novo. É difícil conciliar três fics e a faculdade ao mesmo tempo... Gente, ceis tão gostando da 5° temporada? Pessoalmente, eu tô achando um hino ♥ Tô vendo tanta gente reclamando da Octavia ligada no modo badass, e acho que só eu amei ela desse jeito. E a série tá de parabéns, pela primeira vez eu não consegui odiar uma vilã. Gente, a Diyoza era pra ser a vilã, mas essa mulher tem um puta carisma... sei lá, eu já teria passado pro lado dela uma hora dessas, sorry O. Mas enfim, vamos pra fic que aqui a gente ainda tá na midfinale da 2° temporada. E finalmente matamos o Finn! Aleluia, eu já não aguentava mais! Se bem que aqui eu resolvi focar mais nos sentimentos da galera que na morte dele em si. É, gente... parece que o Finn não é a única coisa prestes a morrer por aqui... tem um shipp que tá só o Titanic indo direto pro iceberg. Enquanto isso, outro shipp está nascendo das cinzas igual a uma fênix ♥ Ceis já tão ligados, né? Boa Leitura!

Kara Leigh e Murphy se afastaram dos outros, seguindo caminho até os destroços mais distantes da estação Alpha. A expressão da terrestre significava que as coisas não estavam bem. E ele temia saber exatamente o porquê.

— Só quero que me diga uma coisa. Você vai mesmo ter a coragem de tomar o partido do Finn? — Kara Leigh perguntou, cruzando os braços. A voz dela não estava exaltada. Mas estava firme e séria.

— O que ele fez foi terrível, eu sei. Mas não sei se é motivo para toda essa perseguição. — Murphy respondeu.

Geralmente, ele não apresentava tanta maturidade. Porém, o momento estava pedindo, desde que ela começou a demonstrar esse comportamento mais violento, tão diferente de quando ele a conheceu. Ele realmente estava com medo de não conseguir reverter esses hábitos da garota.

— Ele matou dezoito inocentes à sangue frio. Eu conhecia aqueles inocentes. Como curandeira mais ativa da aldeia, todos eles me procuravam quando precisavam de tratamento. — Kara Leigh respondeu, cruzando os braços.

— Bem, talvez nem fossem tão inocentes. Onde eles estavam quando sua líder estava te abusando? — Murphy perguntou, esperando ter despertado um ponto fraco nela.

— Com medo. Igual a mim. — Kara Leigh respondeu, sem nem pensar duas vezes. — O mesmo medo que sentiam no dia em que aquele maníaco os massacrou!

Murphy parou para respirar fundo, antes de responder qualquer coisa. Fechando os olhos, ele pensou em como poderia lidar com aquela situação. Ele não queria magoá-la, mas precisava mostrar que ela estava indo um pouco longe demais com toda essa sede de sangue.

— Sabe o que vai acontecer se vocês não o entregarem, não sabe? A Heda e o exército irão invadir o território skaikru e irão matar todos que cruzarem seu caminho. — Kara Leigh continuou. — Eu não quero perder você, John...

Ela o estava encarando com aquela expressão de cachorro abandonado. Ele se aproximou e a tomou em seus braços. Eram esses pequenos momentos que o faziam ainda ter um pouco de esperança. Ele se apaixonou por ela, especialmente por ela ter esse coração gentil, diferente dos outros terrestres. Mas agora, ela estava se tornando uma deles, cada vez mais agressiva. O que ele podia fazer para que isso não acontecesse?

— E se fosse eu nessa situação? E se a comandante estivesse querendo a minha cabeça, e não a do Finn? — Murphy perguntou, curioso com o que a terrestre iria responder. Ela levantou a cabeça e o encarou novamente.

— Você não teria matado inocentes. Teria? Se fosse eu no lugar da Clarke? — Kara Leigh perguntou, voltando a ficar séria. — Não. Eu estava na mesma situação da Clarke, eu estava até pior. E você não fez o que ele fez.

— Vai ficar zangada se eu ajudá-lo a sair dessa? — Murphy perguntou. A loira soltou um suspiro de desapontamento e deu de ombros.

— Teimoso... acho que não dá para te impedir de fazer nada. A última vez que eu tentei te impedir de fazer besteira, você enforcou o Bellamy. Então é melhor pensar no que vai fazer agora, John. — Kara Leigh respondeu. — Não vou me meter nisso, até porque, não preciso de mais problemas com a Heda. Mas não vou te impedir, se você quiser ir...

Murphy se inclinou e tomou os lábios dela em um beijo suave. Ele estava prestes a arriscar seu relacionamento para ajudar Finn, então era bom que valesse a pena.

— Desculpem interromper a troca de fluídos de vocês dois, mas preciso roubar o Murphy um pouquinho. — A voz de Raven interrompeu os dois, em um tom sarcástico. — E, Pocahontas, a Clarke está te chamando.

Kara Leigh e Murphy se entreolharam. Ele a encarou de um jeito compreensível, como se dissesse para ela ir, e foi o que ela fez. Mas não antes de alfinetar Raven uma última vez.

— Um dia, você vai aprender a me chamar pelo meu nome. — Kara Leigh disse, passando pela mecânica.

Assim que a terrestre saiu, Raven se voltou para Murphy. Como o menos esperado possível, ela conteve ao máximo a expressão de deboche que sempre deixava escapar perto dele. Desta vez, ela realmente parecia preocupada. E com razão, pois era a vida de Finn que estava em jogo.

— Preciso da sua ajuda. — Raven disse. — Vamos esconder o Finn amanhã, para que os terrestres não o encontrem. Vamos para a nave, uma mão extra pode ajudar.

— E você veio pedir a minha mão extra? Logo você? — Murphy perguntou, se lembrando de seu vasto histórico de desavenças com Raven. — Por que eu? Podia ter chamado quem quisesse...

— Não podemos confiar nos líderes, eles nos prenderiam aqui. Isso vai ser uma coisa entre nós, entendeu? — Raven perguntou, séria, se referindo aos delinquentes. — Na verdade, estou mais preocupada com outra coisa do que com os líderes...

Murphy franziu a testa, esperando que ela continuasse a explicar, pois ele não entendeu do que ela estava falando. Raven deu de ombros antes de continuar.

— Estou falando da sua namorada, seu besta! Ela não faz muita questão de esconder que quer cortar a cabeça do Finn. Estou achando que ela vai fazer besteira... — Raven respondeu.

— Ela não vai, já falei com ela sobre isso. Ela não vai nos impedir de tentar ajudá-lo. — Murphy respondeu. — Mas já que você mencionou isso, eu quero deixar uma coisa bem clara. Se eu tiver que escolher, ela vem em primeiro lugar, sempre.

— Mesmo que ela esteja se transformando em uma psicopata? Admita, Murphy. Eu que a conheço pouco já estou percebendo. Eu lembro de quando ela foi mantida na nave, quando Finn estava envenenado. Era só uma garota tímida e assustada. — Raven respondeu. — Sabe, pode ser que ela tenha ficado assim depois de se envolver com você.

Agora Raven havia tocado na ferida de Murphy. Tudo bem que eles tinham certos desgostos um pelo outro, afinal, o que Murphy fez com a perna de Raven não era algo que podia ser facilmente perdoado, mas partir para esse tipo de apelação era ir longe demais.

— Está dizendo que a culpa é minha? Ela vive andando com a Octavia, que é uma viciada em luta! O que ela passou dentro daquela montanha, duvido que muitos de vocês aguentariam! E está esquecendo que você mesma a torturou com aqueles cabos de choque?! — Murphy perguntou, nervoso, sem esperar pela resposta dela. — Vou ajudar o Finn. Mas se eu ouvir qualquer um de vocês colocando a Kara Leigh contra mim outra vez... tudo o que eu já fiz vai ser pouco!

Murphy acabou sendo mais enérgico que o normal novamente. Ele se preocupava mais em evitar levantar a voz para Kara Leigh, mas não fazia tanta questão de se conter para os outros. Principalmente se tratando desse assunto. Ele já estava cansado de todos colocarem tantas besteiras sobre ele na cabeça da terrestre. Ele não queria parar para pensar. Pois, se fizesse isso, era capaz de concordar com tudo o que dizia. Ele já estava acostumado a ser tratado como um lixo humano, que contaminava tudo e todos ao seu redor. E não queria pensar que o novo comportamento de Kara Leigh era culpa da influência negativa dele.

*~*

Kara Leigh foi ao encontro de Clarke, que estava conversando discretamente com Juliet. As duas pararam de falar assim que a viram se aproximando.

— Kara Leigh, vamos precisar da sua ajuda. — Clarke disse. — Juliet e eu queremos ir até a sua Comandante e tentar convencê-la a suspender o ataque.

— Sem sermos obrigadas a entregar o Collins... — Juliet completou, em um tom que parecia não muito convencido daquilo tudo. — E precisamos de um terrestre que nos acompanhe até lá, para provar que nossas intenções são boas.

— Já disse ao John que não concordo com o que vocês estão fazendo e não vou me intrometer. Precisam mesmo de mim para isso? Não pediram ao Lincoln? — Kara Leigh perguntou, cruzando os braços.

— Lincoln ainda está debilitado. É realmente uma emergência... — Clarke respondeu. — Escute, não precisa fazer isso pelo Finn. Faça pelo resto de nós. Se sua Comandante decidir começar uma guerra, seu povo vai matar muitos de nós. Tenho certeza que você não quer que a Juliet morra. Nem a Octavia, nem o Murphy.

Clarke estava certa em um ponto. Kara Leigh, por mais que tenha evoluído seu comportamento, ainda não queria uma guerra. Mas era tarde demais. Lexa não voltaria atrás em sua decisão. E Kara Leigh não estava nem um pouco interessada em salvar Finn.

— A Heda não vai mudar de ideia. Na verdade, ela já está sendo boa demais oferecendo somente uma morte em troca de dezoito. Lexa é a Comandante mais complacente que tivemos desde que eu entrei para Trikru. — Kara Leigh respondeu. — Mas vocês ainda podem tentar distraí-la. Ofereçam ajuda, tecnologia, comida, o que tiverem. Ela não vai aceitar, mas isso vai dar um tempinho para vocês fazerem o que tiver que fazer.

A terrestre virou o rosto. Ela não deveria estar ajudando. Estava concordando absolutamente com os termos que Lexa impôs para a trégua. Na verdade, só havia dito aquilo para distrair Clarke e Juliet, ao invés de Lexa. O que quer que os outros estivessem planejando, a Comandante iria descobrir mais cedo ou mais tarde. Era só uma questão de tempo. O que significava que Kara Leigh teria que sumir com Octavia, Lincoln, Murphy, e talvez, Juliet, pelas próximas vinte e quatro horas.

— Vamos agora mesmo. Antes que minha mãe descubra e tente nos impedir. — Clarke disse, tomando a dianteira.

Como Juliet fazia parte da guarda, ela tinha permissão de sair e voltar. E podia levar quem quisesse, sob escolta. Mas esse não era o único motivo para ela concordar em ir junto. Tinha que proteger Clarke lá fora, sim, mas ainda precisava proteger sua irmã. Ela havia acabado de descobrir que sua irmã mais nova estava viva, não iria permitir que um garoto que fez besteira e uma comandante terrestre maluca estragassem tudo.

Sair do Acampamento Jaha foi somente o primeiro desafio. O segundo foi conseguirem entrar na tenda de Lexa, que estava rodeada de soldados terrestres armados e completamente irritados. Lá dentro, encontraram a Comandante sentada em seu trono, afiando sua espada. Outros guerreiros, incluindo Indra, estavam com ela.

— Achei que já tínhamos discutido os termos, Clarke kom skaikru. — Lexa disse, de forma fria e firme, encarando as três mulheres em sua frente. — Não estou vendo Finn com vocês.

— Eu sei. Viemos negociar outra vez. Não precisamos de uma guerra, podemos ter uma trégua de outro jeito. — Clarke respondeu, tentando ser o mais suave e respeitosa possível com a líder terrestre. — O que podemos oferecer além de vidas?

Heda, permita-me matá-la. Essas ladainhas já foram longe demais! — Indra disse, no idioma terrestre, empunhando sua espada.

— Guarde a espada, não viemos confrontar vocês! — Juliet exclamou, se pondo à frente das duas, com sua arma em mãos. — Estamos aqui para negociar sem força bruta. Abaixe sua arma e eu abaixo a minha.

Os olhos da Comandante pairaram sobre a guarda. Juliet também a encarou. Os olhos azuis se encontraram como faíscas intensas. Lexa mantinha as pálpebras entreabertas, assim como os lábios, mostrando estar impressionada com a atitude ativa da guarda skaikru. Elas mantinham o olhar uma na outra, antes de Lexa quebrar o contato e se virar para Indra.

Abaixe a espada, Indra. — Lexa ordenou, no idioma terrestre. Então, ela se voltou para Clarke. — Eu quero que você e sua guarda esperem aqui. Kara Leigh kom Trikru, me acompanhe. Quero falar com você em particular.

A terrestre mais nova, que até então mantinha o olhar atento e a boca fechada, acompanhou a Comandante para fora da tenda. Quando saíram, Lexa disse para ela continuar caminhando, e a acompanhou.

— Está ciente do que elas estão me pedindo? — Lexa perguntou. Kara Leigh assentiu com a cabeça. — E você concordou, sabendo do que aconteceu, e ainda estando presente na aldeia no momento do massacre?

— Não vim implorar pela vida do Finn, Heda. Isso é com elas. Estou aqui porque sou contra a guerra. — Kara Leigh respondeu, continuando a caminhar, sem encarar Lexa. — Existem pessoas importantes para mim dentro do território skaikru. Mas minha aldeia e meu povo também eram. Aquele garoto massacrou inocentes, eu quero que ele pague.

— Elas sabem sobre seu posicionamento? — A Comandante perguntou, com seu usual tom firme.

— Todos os skaikru estão cientes do meu posicionamento. Falei com Lincoln, e ele também concorda. Uma vida em troca de dezoito me parece um acordo justo. — Kara Leigh respondeu. — Heda, se me permite perguntar, por que está interessada no que eu penso ou deixo de pensar? Não vai iniciar uma guerra de qualquer maneira?

— Sabe, Indra e outros guerreiros Trikru pensam que o que você e Lincoln fizeram é um ato de alta traição. — Lexa respondeu, desta vez, com um tom mais suave. — Vocês dois se envolveram romanticamente com membros de skaikru, chegando a desafiar ordens de seus superiores.

— Então, amar alguém me torna uma traidora? Seria o mesmo nível de traição se eu tivesse me envolvido com alguém de Azgeda, que não respeita sua coalizão, por exemplo? — Kara Leigh perguntou, se pondo em uma posição defensiva. Ela realmente não gostava quando alguém questionava seu relacionamento com Murphy.

— Seu crime não foi esse. Aliás, não acho que você tenha cometido crime algum. — Lexa respondeu, em um tom compreensivo.

Lexa era sábia. Não era à toa que ela fora escolhida para ser a Comandante dos Doze Clãs. Ela procura analisar todos os ângulos e refletir sobre todas as soluções antes de tomar uma decisão final. E o que ela enxergava na terrestre mais nova não era alguém traindo seu clã. Era alguém defendendo a pessoa amada. Havia algo sobre a loira. Como se fosse uma luz, ou algo do tipo.

Aliás, sua vontade nunca foi de entrar em guerra com os skaikru. Ela não os culpava por terem caído na Terra, em seu território. O problema começou quando eles começaram a ferir seu povo, e ela teve que tomar algumas providências. Afinal, sangue deveria ser pago com sangue.

— Você não é uma guerreira. Dá para notar pelo modo como caminha e se mantém de pé. Seu dever é salvar vidas, não tirá-las. — Lexa continuou. — Mas é sua vontade?

— Não quero mais ser indefesa, Heda. Não depois do que passei dentro da montanha. O que o nosso povo ainda está passando lá dentro. — Kara Leigh respondeu. — Eu quero treinar, para ajudar a salvá-los.

Lexa parou de caminhar e a encarou, analisando a garota novamente. Treiná-la e transformá-la em uma guerreira resultavam em apenas dois resultados diferentes. Ou ela se tornaria uma das guerreiras mais promissoras, ou se tornaria uma assassina sanguinária, sem um pingo de piedade. Mesmo assim... valia a pena refletir sobre o futuro daquela garota. Quem sabe, em pouco tempo, dependendo do rumo que as coisas tomarem, poderia se tornar sua segunda.

A Comandante a avisou para voltarem para a tenda, pois ainda precisava dispensar Clarke e Juliet, dizendo que não mudaria de ideia. Contudo, Lexa deu aos skaikru, um prazo de dois dias para eles entregarem Finn. Caso não o entregassem, a guerra estaria declarada.

*~*

Kara Leigh passou o resto das horas iluminadas pelo sol terminando de construir seu arco sozinha, encostada em alguns destroços. Dentro do acampamento, ela conseguiu uma linha forte o suficiente para prender na madeira. Para finalizar, ela entalhou alguns detalhes decorativos, como o símbolo de seu clã. Agora só precisava construir flechas.

Após anoitecer, ela avisou Juliet que passaria a noite com Murphy, antes de partir para procurá-lo. Antes que ela sequer pudesse encontrá-lo, acabou parando sem querer na enfermaria, onde encontrou Lincoln adormecido em uma das camas e Octavia dormindo sentada ao seu lado. Estava quase escuro, exceto por algumas lâmpadas acesas em outra parte da tenda médica.

Jackson, o aprendiz de Abby, ainda estava ali, terminando de organizar algumas coisas. Quando ele notou a presença da jovem terrestre no local, fez um sinal para que ela se aproximasse, e ela o fez.

— Ele melhorou? — Kara Leigh perguntou, sussurrando.

— Sim, está melhorando a cada hora, mas ainda não está totalmente recuperado. — Jackson respondeu, sussurrando. — Na verdade, eu queria falar com você sobre outra coisa. Abby me pediu para te entregar isso.

Ele retirou um frasco de pílulas do bolso e entregou na mão da garota. Ela olhou confusa para aquilo, direcionando o olhar para o jovem médico.

— Octavia disse a Abby que você é sexualmente ativa, e precisava de métodos contraceptivos. As mulheres da Arca possuem os contraceptivos implantados nelas, mas como você é uma terrestre, precisamos fazer do jeito antigo. — Jackson respondeu, vendo que a garota havia ficado confusa. — Isso são pílulas anticoncepcionais. Se tomá-las nos dias certos, impedem que você fique grávida.

— E quais são os dias certos? — Kara Leigh perguntou, voltando a encarar o frasco. — E por que está me dando isto se o estoque medicinal de vocês está baixo?

— Elas estavam na Arca há muito tempo. Pararam de ser usadas depois que inventamos o chip. O certo é tomar até um dia depois de ter relações sexuais. Isso foi um avanço da medicina. Antes disso, era necessário ingerir uma por dia, durante vinte e um dias, após a menstruação. E fazer tudo de novo, mês após mês. — Jackson respondeu. Percebendo que a garota ainda estava confusa e constrangida, ele resolveu amenizar a situação. — Está tudo bem, isso é perfeitamente normal. Sei como vocês adolescentes com os hormônios à flor da pele são, não faz muito tempo que fui um.

— Bem, obrigada, Jackson. Se ver a Abby, diga que eu agradeci a ela também. — Kara Leigh respondeu, tomando seu rumo para fora da enfermaria. Octavia consegue ser uma fofa quando não está bancando a superprotetora. A terrestre pensou, lembrando que a ideia foi de Octavia. E estava certa. Agora não era hora para bebês inesperados.

Pois bem, ela continuou a procurar por Murphy, mas desistiu depois de andar por praticamente o acampamento todo. Então, ela simplesmente decidiu esperar por ele em seu quarto. Ela entrou, se despiu de todas as roupas, exceto a blusa e deitou na cama.

Os longos minutos se arrastavam, parecendo horas. Já devia ser tarde, onde ele havia se metido? Será que ele havia ficado ressentido pelo que ela havia dito mais cedo e estava enrolando para não voltar para o quarto? Por fim, após milhares de paranoias rondarem sua mente, ela chegou à conclusão de que ele não queria dormir com ela. Kara Leigh acabou dormindo triste e chateada.

*~*

Ela acordou sentindo beijos em seu pescoço. Sem abrir os olhos, uma de suas mãos foi subindo para trás, até encostar no cabelo dele. Ela não percebeu de primeira, mas mantinha um sorriso malicioso no rosto.

— Achei que você não viesse mais... — Kara Leigh disse, com uma voz sonolenta.

— Acabei perdendo tempo demais com quem não merece. — Murphy respondeu, entre beijos. – Prefiro dar atenção para a minha garota.

— Te maltrataram outra vez? — Kara Leigh perguntou, sem obter uma resposta em palavras. Ao invés disso, ele apenas suspirou, desapontado. — Deve estar chateado. Acho que eu vou ter que cuidar de você.

A terrestre pensou que ele poderia ter se desentendido com Raven, Bellamy, ou qualquer um que não estivesse indo muito com a cara dele naquele momento... o que era 90% das pessoas. Contudo, resolveu não perguntar o que realmente havia acontecido, para não aborrecê-lo ainda mais. A verdade era que ele havia acabado de levar uma rasteira de Clarke, quando ela bruscamente o mandou ficar longe dela. Ele não sabia quanto tempo mais iria aguentar tantas pessoas lhe tratando mal. Até quando ele tentava ajudar...

Logo, os dois se viram emaranhados um no outro, se beijando apaixonadamente. A língua dele procurava pela dela com urgência, como se ele estivesse desesperado pelo toque dela. No outro minuto, já haviam se livrado das roupas, enquanto Murphy abocanhava um de seus seios, sugando o mamilo, e penetrava dois dedos em sua intimidade molhada.

Após muitos suspiros e gemidos baixos, ela inverteu as posições, ficando por cima dele, atacando todos os lugares onde tinha direito. Ela se concentrou no pescoço, pela maior parte do tempo.

— Você é tão viciante... faz ideia do quanto isso é perigoso? — Murphy perguntou, enquanto sentia os lábios da garota passearem por todo o seu corpo.

— Eu quero que você se sinta o mais amado possível. Que saiba que tem alguém que quer você... — Kara Leigh respondeu. — Eu te amo muito, John.

Ele olhou nos olhos dela e viu a garota por quem havia se apaixonado. Ela ainda estava ali, não era tarde demais. Ele não deixaria nem Raven, nem Octavia, ou quem quer que fosse, colocar minhocas em sua cabeça. Ele a amava, e nada iria mudar isso.

Seus corpos se uniram em um frenesi, permanecendo unidos, se amando, por indeterminados longos minutos. Ele precisava disso. Precisava de um momento com a única que se importava de verdade com ele, antes de ser jogado de volta à realidade onde todos o odiavam. Se ao menos ele pudesse estar com ela para sempre...

*~*

O dia seguinte não foi fácil. Logo cedo, o plano de esconder Finn foi posto em prática. Com isso, Clarke, Bellamy, Raven e Murphy partiram para levá-lo até a antiga nave dos delinquentes. Para não ficar pensando no que iria acontecer, Kara Leigh passou o dia com Lincoln e Octavia, ajudando o irmão a se recuperar da lavagem cerebral de Ceifador.

Contudo, aquele dia estava marcado para ser um dia vermelho. Antes do pôr do sol, a corneta dos terrestres pode ser ouvida. Aquilo significava uma coisa. Finn havia sido capturado. Perto do fim do dia, os três estavam próximos da cerca, observando as instalações do exército terrestre.

— Será que pegaram os outros? — Octavia perguntou, aflita. — Bellamy estava com eles...

— Não, a Heda quer apenas o sangue do Finn. Não há motivos para ela capturar ou matar os outros. – Lincoln respondeu.

— Eles vão começar ao anoitecer. Eu deveria estar entre eles... ser uma das lâminas. — Kara Leigh disse, de forma fria. Lincoln a encarou, de modo repreensivo.

— Você vai ficar onde está. Não precisamos nos envolver mais ainda nisso tudo. — Lincoln respondeu, em um tom autoritário. — Você precisa aprender a controlar os monstros dentro de você.

— Eu sei, é por isso que vou começar a treinar a sério. Na verdade, a Heda parecia muito interessada no meu treinamento quando conversamos ontem... será que... — Kara Leigh foi interrompida.

— Ela não vai ter você como segunda. Eu disse para você aprender a se defender sozinha, não a se tornar uma guerreira. — Lincoln continuou, autoritário.

— Não faça isso, Lincoln. Se ela quer lutar, deixe-a lutar. — Octavia respondeu. — Não a impeça de seguir seu caminho, pode ter algo grande esperando por ela. Bellamy também vivia obcecado em me prender, e se ele tivesse conseguido, eu não teria conhecido você.

A loira sorriu de lábios, em aprovação para a amiga. Octavia era realmente um enigma. Ela era superprotetora, e ao mesmo tempo reclamava de superproteção.

Nesse momento, sentinelas no portão se apressaram em abri-lo, para deixar os quatro fugitivos entrarem. Os três foram ao encontro deles. Todos eles estavam desapontados. Raven estava quase tendo um ataque de histeria. Assim que Murphy avistou sua namorada, não perdeu tempo em correr até ela e abraçá-la forte.

— Deu tudo errado. Ele se entregou. — Murphy disse, sem soltá-la.

— A escolha foi dele. Vocês fizeram o que podiam. — Kara Leigh respondeu, tentando confortá-lo.

— A Raven tentou me entregar no lugar dele... — Murphy continuou. Seu tom demonstrava o quanto ele estava desapontado e cansado de tentar agradar os outros.

Ao ouvir aquilo, Kara Leigh sentiu seu sangue ferver e sua respiração ficar pesada. Ela sabia que Raven estava passando por uma situação difícil, sabendo que iria perder Finn, e que agora não era o melhor momento para tirar satisfações. Mas não significava que as duas não teriam uma conversa muito malcriada daqui a alguns dias.

— Não precisa ter medo. Eu estou aqui, viu? Enquanto eu estiver com você, eles não podem te machucar. — Kara Leigh respondeu, o abraçando mais forte. Ela, mais que ninguém, sabia do trauma e do histórico de horrores que ele sofreu nas mãos do povo dela. — Ninguém vai te fazer mal.

*~*

A noite veio depressa. Com ela, os terrestres acenderam suas tochas e montaram seu abatedouro, tudo exposto, para que skaikru presenciasse o que acontecia com assassinos de inocentes. Alguns guerreiros arrastaram Finn até o tronco e o prenderam ali. Enquanto isso, Raven implorava pela ajuda de Clarke uma última vez, para que ela fosse falar com Lexa. Bellamy protestou, dizendo que era muito perigoso deixá-la entrar no meio de vários terrestres furiosos. Porém, Clarke atendeu ao pedido de Raven mesmo assim.

— O que ela pensa que está fazendo? Vai acabar sendo morta! — Octavia exclamou, observando Clarke adentrar o campo dos terrestres.

— Isso vai acabar mal. — Lincoln respondeu, encarando Octavia. — Fique pronta para lutar.

— Eu devia ter feito flechas hoje... — Kara Leigh comentou, vendo Clarke se aproximar da Comandante, sendo impedida por Indra.

— Dependendo de como isso acabar, você e eu vamos fugir antes que eles comecem a matar uns aos outros. Vamos para aquele clã do mar que você mencionou uma vez. — Murphy sussurrou, de forma que somente ela pudesse ouvir. Ela concordou, assentindo.

Não dava para ouvir o que Clarke tentava conversar com Lexa, mas seja lá o que fosse, não parecia estar funcionando. Por fim, a skaikru se aproximou de Finn, como se fosse se despedir. Kara Leigh percebeu o que Clarke iria fazer na hora, mas guardou para si. Ela nunca imaginou que fosse ficar triste com a morte dele. Não com a morte dele exatamente. Mas por se imaginar no lugar de Clarke, tendo que fazer aquilo... com Murphy.

— Não olhe, Kara Leigh. — Lincoln a alertou, tentando desviar o olhar da garota.

— Não... eu preciso ver isso. — Kara Leigh respondeu, afastando a mão dele e se aproximando mais da cerca.

Ela observou Clarke se afastar de Finn lentamente, enquanto o rosto dele estava caído. Ele já estava sem vida. Clarke lhe deu uma morte piedosa. No mesmo instante, gritos tomaram conta do ambiente. Terrestres gritavam, em protesto, por terem sua vingança anulada. E Raven... gritava por puro sofrimento de ter acabado de perder seu primeiro amor.

Por um momento, Kara Leigh sentiu sua dor. Lágrimas corriam por seus olhos, enquanto ela alternava olhares entre o corpo do garoto preso ao poste e a desolada Raven, gritando e chorando, caída ao chão. Por fim, a terrestre se atirou nos braços de Murphy, não conseguindo conter o choro. Aquilo doía só de imaginar. O que ela não sabia, era que algo muito parecido podia estar prestes a acontecer...

Continua

Notas finais
O MEU CORAÇÃO TÁ EM CACOS 3 Não pelo Finn, sorry... ele já foi tarde até. Aix gente, ceis perceberam que nosso shipp tá em perigo né? O Murphy já tá todo cheio de paranoias, ainda com gente colocando minhoquinhas na cabeça dele... Eu amo a Raven, mas quando é sobre o Finn, ela consegue fazer merda até demais. Realmente, nessa parte da série me dá uma dó enorme do Murphy, porque todo mundo culpa ele pela cagada que o Finn fez. Chega até a dar uma depressão no garoto, coitado :'( ALGUÉM GUARDA ELE NUM POTINHO PLEASE ♥ Agora vamos ao momento Telecurso 2000 de prevenção de gravidez e DST's da Tia Violet. Gente, eu tive que adicionar a cena das pílulas pra mostrar que ao menos ela tá se cuidando pra não engravidar. Aqui, elas são meio que uma evolução da pílula do dia seguinte. Considerando que The 100 se passa no futuro, eu espero que até lá, as farmácias já tenham conseguido inventar um anticoncepcional mais seguro. E vamos fazer de conta que todo mundo é tão radioativo que é mais provável as pessoas morrerem de câncer que contrair uma DST nesse universo. TEM UM CASALZÃO A CAMINHO GENTE! Conseguiram sentir o climão? Gente do céu, só faltou as duas se comerem com os olhos! #Lexiet já shippo ♥ E isso da Lexa querer a Kara Leigh como segunda, será que rola? Treinada pela Heda pessoalmente, que luxo hein... Mas enfim, vamos fazer uma roda na fogueira e torcer pro shipp principal #Murpheigh não ir pro beleléu, que parece que todos os personagens tão botando praga. #PraysInGrounder Kisses ♥