The Reason Is You

23 Capítulo 23 - Amor Sob Pressão


Notas iniciais
Heey grounders e skaikrus! Pois é, eu sei que já faz um tempinho *desvia dos tapas*, mas eu estava bolando melhor o roteiro dessa fic para dar continuidade a 2° temporada. Enfim, vocês podem se decepcionar um pouquinho com esse capítulo (todo mundo tava esperando porradaria e tals...). Esse vai ser mais focado nos pensamentos de cada um e o choque que eles tiveram com a cena da aldeia. E claro, momentos Murpheigh e conselhos da Tia Octavia ♥ AVISO: ESSE CAPÍTULO CONTÉM CENAS HOT MURPHEIGH +18, JÁ VOU AVISANDO AGORA! Boa Leitura!

And there's certain things that I adore

And there's certain things that I ignore

But I'm certain that I'm yours

Certain that I'm yours

James Arthur — Certain Things

Kara Leigh perdeu a noção de quanto tempo estava sentada, encostada naquela árvore. Sua visão estava turva. Sua audição estava abafada. Ela via aspectos de cinzas, e ouvia o que pareciam serem choros. Ela já não sabia mais o que era realidade. Finn completamente louco, atirando descontroladamente em pessoas inocentes... aquilo era real?

—Você não devia ficar sozinha em uma hora dessas. – A voz de Murphy a despertou de seus delírios pessoais. Ele se sentou ao lado dela e pegou sua mão.

—Quantas vezes vamos ter que passar por situações dessas debaixo de uma árvore? – Kara Leigh perguntou, sem encará-lo diretamente. – A última vez que sentamos assim, encostados em uma árvore, você foi esfaqueado e eu fui obrigada a lutar no exército...

O olhar dela estava distante. E seu tom de voz estava... sarcástico. Murphy ainda não tinha tido a oportunidade de perguntar onde ela estava esse tempo todo, e nem ela a ele. Mas de uma coisa ele sabia. Se não tinha sido fácil para ele, para ela pareceu ter sido mil vezes pior. Ela não parava de olhar para os corpos...

—Nem tudo foi ruim... – Murphy respondeu, tentando mudar de assunto para distraí-la. – A primeira vez que nos beijamos foi debaixo de uma árvore, lembra?

—É, logo depois de ter sido torturada o dia todo e de você me acusar de ser uma alucinação... – Kara Leigh respondeu, sarcasticamente. – Eu me lembro sim.

O que acabou de acontecer mudou algo dentro dela. Ele a encarou e percebeu que o brilho que ela sempre mantinha no olhar quando estava com ele, já não estava mais ali. O jeito inocente e delicado também não. Nem parecia ser a mesma garota. Ele não sabia quem culpar. Não sabia se culpava Finn por enlouquecer e ter matado aqueles terrestres sem motivo nenhum, e não sabia se culpava a si mesmo por ter permitido que aquilo acontecesse. Ele poderia ter impedido. Se apenas tivesse se esforçado mais um pouco...

—Vou ajudar a recolher e queimar os corpos, são do meu povo. – Kara Leigh disse, se levantando. – Falo com você mais tarde.

Ele ficou sentado na beira da árvore, observando-a fazer tudo no automático. Ela não derramou mais nenhuma lágrima desde o reencontro dos dois. Octavia era a única skaikru ajudando os aldeões a recolherem os corpos. Clarke e Bellamy estavam mantendo Finn longe, tanto dos outros terrestres, quanto de Kara Leigh. Afinal, ela parecia bem determinada a dar uma surra nele.

Após acertarem tudo, e um funeral digno ter sido dado aos inocentes mortos, Nyko, que estava no posto de representante atual da aldeia, advertiu aos skaikrus que providências seriam tomadas. Aquilo chegaria ao ouvido da Comandante dos Doze Clãs, e que a situação do povo do céu só iria piorar. Agora, Octavia e Kara Leigh conversavam sozinhas com ele.

—Então a política será aplicada nele? Jus drein jus daun? – Kara Leigh perguntou a Nyko.

—É a opção mais provável. A Heda não vai permitir que um crime desses fique impune. Foram 18 mortos... – Nyko respondeu.

—Quando acontecer, eu quero ser uma das 18 lâminas. – Kara Leigh disse, friamente. – Eu quero ver o corpo dele queimar.

Nyko olhou para a garota, impressionado. Aquela era a irmãzinha de Lincoln? A fisa tímida da aldeia? Que chorava quando precisava segurar uma espada? Não era mais... Realmente, Lincoln fazia muita falta. Ele seria capaz de fazê-la voltar ao seu juízo normal. Por sorte, Octavia ainda estava ali. Ela era o elo mais próximo a Lincoln que Kara Leigh tinha agora. E quando a mais jovem deu as costas e se afastou, Nyko aproveitou para aconselhar Octavia.

—Ela está muito abalada com tudo isso. Todos nós estamos, mas... ela precisa de mais atenção. – Nyko disse. – Ela nunca foi acostumada com guerras, violência... por favor, fique de olho nela. Ou peça ao garoto que fique com ela. Até ela se acalmar.

—Pode deixar. O Lincoln não iria gostar de vê-la assim... nós vamos cuidar dela. – Octavia respondeu. – Espero que as coisas por aqui se acalmem logo. Sinto muito por tudo isso...

Octavia se despediu formalmente e partiu com seu povo. O sol estava se pondo, e não daria tempo de chegarem em casa antes do anoitecer, então teriam que acampar. O que era até bom, pois precisavam decidir o que fariam com Finn. Bellamy e Clarke ainda estavam encarregados de mantê-lo longe de Kara Leigh, que andava com Murphy.

Quando a noite caiu e eles realmente tiveram que montar acampamento, Octavia estabeleceu um perímetro entre os membros do grupo. Alguém teria que ficar de olho em Finn o tempo todo, trocando turnos, como uma guarda. Ela, Bellamy e Clarke fariam isso. Ao mesmo tempo, Murphy era o encarregado de vigiar Kara Leigh. Não que ele também não tivesse parcela de culpa pelo que aconteceu na aldeia, mas aos olhos de Octavia, agora era mais prudente deixá-lo solto. Afinal, ele não estava louco. A principal função era manter Finn e Kara Leigh extremamente longe um do outro.

Com uma fogueira no meio, o grupo descansava na floresta. Murphy e Kara Leigh estavam mais afastados dos outros, deitados juntos, como faziam nos tempos da jaula. Ele ainda tentava mantê-la distraída das imagens que ela viu mais cedo. Por mais que ele também estivesse muito abalado, ele temia que o psicológico dela estivesse pior. E durante a conversa que estavam tendo, ele saberia o porquê disso.

—O que aconteceu com você depois que eu saí com o exército? – Kara Leigh perguntou, quase sussurrando.

Ela estava deitada de costas para ele, enquanto ele estava com um braço na cintura dela, mantendo-a perto.

—Eles me deixaram lá, morrendo de dor a noite toda. No outro dia, o guarda que estava comigo foi morto pela Raven quando fomos checar os restos da nave. Ela quase me matou também. Só não matou porque as balas tinham acabado... – Murphy respondeu, com pesar na voz. – Eu merecia ter morrido naquela hora.

—Não diga essas coisas. Se você estivesse morto, eu não sei o que eu faria. Meu irmão também está morto... eu ficaria sozinha. – Kara Leigh respondeu. Ela parecia estar voltando ao estado simpático, mesmo que aos poucos. – Sua vida é muito importante para mim.

Ela segurou a mão dele que estava em sua cintura e a beijou delicadamente, fazendo-o depositar três beijos em seu pescoço. Algo que ele sabia que era o maior ponto fraco dela. Obviamente, não demorou muito para a pele dela se arrepiar. Ele a apertou contra si mais forte. Ele passou por tudo aquilo para poder tê-la outra vez, e agora ela estava ali, nos braços dele. Ele não perderia esses momentos por nada.

“Ela é a única que dá a mínima para mim, e eu não irei perdê-la outra vez.”

Ele continuou a contar sobre sua trajetória, com o povo da Arca descendo, a mudança do acampamento, coisas que ela já sabia. Também contou sobre ter fugido com Bellamy, Finn e alguns outros para procurarem pelo resto dos delinquentes desaparecidos, incluindo Clarke. Foi quando Finn enlouqueceu.

—Ele estava ficando cada vez mais louco. Chegou ao ponto de querer abandonar uma garota prestes a cair de um penhasco só para chegar na aldeia mais depressa. E isso que nem tínhamos certeza de que nosso povo estava lá. – Murphy continuou. – Duas meninas estavam machucadas, então nós nos dividimos em dois grupos. Bellamy e Octavia levaram as meninas de volta para o acampamento enquanto eu e Finn fomos para a aldeia.

Murphy confessou que, no começo, ele decidiu ir com Finn pensando em salvar a própria pele, já que se voltasse para o acampamento naquela hora, seria jogado na cadeia outra vez. Mas depois, vendo o quanto Finn estava insano, decidiu ficar com ele para tentar colocar um pouco de juízo em sua cabeça. Sem sucesso, levando em conta tudo o que aconteceu. E por último, ele quis ir junto para procurar por Kara Leigh. Ele tinha esperanças de que ela, de alguma forma, poderia estar na aldeia.

—Você tentou impedi-lo? De fazer aquilo? – Kara Leigh perguntou. As atrocidades cometidas por Finn não saíam de sua cabeça.

—Se eu tentei? Só faltava eu arrancar os dois braços para ele parar de atirar! – Murphy respondeu, acidentalmente sendo um pouco mais grosso do que de costume com ela. – Foi horrível para mim também... ter que assistir enquanto ele fazia aquilo... sem poder impedir.

Durante um minuto, ela se colocou no lugar dele. Ter que estar lá, sem ter como fazê-lo parar, pois ele já não escutava mais ninguém... e ainda se culpar por ter deixado aquilo tudo acontecer. O quão estragada a cabeça de Murphy não estava agora?

—A culpa não foi sua, você fez o que podia. O único culpado é ele. – Kara Leigh respondeu. Essa não, ela estava voltando a falar com aquela voz... Murphy tinha que fazer algo.

—Agora eu quero saber onde você estava esse tempo todo. Não estava no acampamento, eu teria te visto. Me fala o que aconteceu depois que a louca da sua líder te tirou de perto de mim. – Murphy disse, levantando sua cabeça, para poder olhar para o rosto dela.

—Eu fiquei escondida, durante a maior parte da batalha, esperando não ter que matar ninguém... e aí, teve o anel de fogo. Eu fui arremessada para longe e perdi os sentidos. Quando acordei... eu estava no lugar que todo mundo tem medo, cercada pelas pessoas que são monstros em nossas histórias. – Kara Leigh respondeu, abaixando a voz. Aquele era um assunto que ela não tinha facilidade em falar.

Ela começou a contar sobre tudo o que viveu dentro de Mount Weather. As intermináveis sessões de drenagem, o ambiente claustrofóbico de uma jaula minúscula, a troca constante de clima quente e frio, e o fato de os terrestres terem que ficar seminus para os procedimentos serem realizados. Murphy não sabia de nada daquilo e sentiu seu coração apertar. Imaginar sua garota tendo que passar por aquilo... ele simplesmente não conseguia.

—Foi isso durante três dias. Eu pensei que fosse morrer. Mas a Clarke apareceu e me salvou. Nós duas nos ajudamos. E, bom, tentamos levar a Anya conosco... e depois que pulamos da cachoeira... eu me separei delas. Foi difícil, eu estava machucada e cansada. Mas acabei encontrando a Octavia e o Bellamy, eles me levaram até o seu acampamento. – Kara Leigh continuou. – De lá, nós viemos até a aldeia, para buscar vocês dois. Mas as coisas não deram tão certo...

—Ei... não vamos pensar nisso agora, está bem? O mais importante, nós conseguimos. Você e eu estamos juntos de novo. – Murphy disse, virando o rosto dela para ele e beijando-a delicadamente.

Kara Leigh se deixou levar. Ela precisava de um momento de distração depois dessa sequência de dias estafantes. Murphy a beijou durante vários minutos, sem se importar se os outros estavam olhando ou não. Foi quando ele teve uma ideia. Ele levantou o rosto para ver se os outros estavam por perto. E viu apenas Clarke e Octavia adormecidas, e Bellamy mais afastado, vigiando Finn, também adormecido. Como é que ele consegue dormir depois de tudo o que fez hoje? Murphy se perguntou.

Pois bem, sem obstáculos, ele fez um sinal silencioso para ela o acompanhar. Os dois adentraram um pouco mais a floresta, não muito longe do resto do grupo, mas o suficiente para terem privacidade. Logo, sem ninguém por perto, ele começou a agarrá-la com toda a vontade do mundo, para compensar os dias que ficaram afastados. Ele a prensou em uma árvore, sem parar de beijá-la, enquanto ela, surpreendentemente, levantava as pernas, entrelaçando-as em seu quadril, trazendo aquela região para mais perto.

—Está apressadinha hoje. – Murphy brincou, entre beijos.

—É a saudade... – Kara Leigh respondeu, com uma risadinha.

Era impressionante a habilidade que Murphy tinha de fazer Kara Leigh se sentir melhor. Devia ser por isso que ela não suportaria a morte dele. Ele era como... a mão estendida para ajudá-la a sair do fundo do poço. Ele enxergava a alma dela, como realmente era. Ele a via, não como irmã, não como amiga, como algo mais. E aquele tipo de contato era único para ela. Ele era o primeiro e único.

Logo, ele estava deitado por cima dela, no chão, como tinham feito em sua “quase” primeira experiência. Ele estava atacando o pescoço dela, enquanto acariciava seus seios por baixo da blusa. Longe da fogueira, a única luz que tinham era a luz natural da lua. A luz, em tom azulado, contrastando com a pele pálida e os cabelos loiros dela, eram uma das visões mais lindas da Terra que ele tinha tido. Para ser melhor, só se ela estivesse sem roupas...

Ambos estavam machucados fisicamente, mas naquele momento não importava. Ela não sentiu a necessidade urgente de curá-lo que normalmente sentia. Ela só queria se entregar a ele o mais rápido possível. E quanto mais ela apertava o quadril contra o dele, mais ele percebia.

—Por mais que eu queira, é melhor não tirarmos tudo... – Murphy disse, delicadamente levantando a blusa dela, até os seios ficarem à mostra. – Se eles nos ouvirem, vai ser um horror.

Ele começou a chupar e mordiscar os seios dela, fazendo-a soltar pequenos gemidos. Ela praticamente implorava por mais dessas sensações.

—Então não vamos perder tempo... – Kara Leigh respondeu, desabotoando suas calças e colocando uma das mãos dele por dentro, enquanto ela mesma enfiava a mão por dentro das calças dele. Murphy reprimiu um grunhido de satisfação.

—Me provocando desse jeito... você vai ver só uma coisa. – Murphy respondeu, brincando com a intimidade dela.

Ele não sabia se iria aguentar muito tempo com ela com a mão em seu membro daquele jeito por muito tempo, então, tratou de distraí-la com toques bastante intensos em sua intimidade. Logo, já estava com três dedos dentro de uma intimidade bem molhada.

—John... se você não for agora... eu não vou aguentar muito tempo... – Kara Leigh disse, entre gemidos.

—Eu não vou te deixar na mão, minha linda. – Murphy respondeu, abaixando as calças de ambos o suficiente para poderem se relacionar. – Vem aqui.

Ele a penetrou suavemente, como das outras vezes. Ela soltou um gemido baixo e jogou a cabeça para trás, sentindo-o beijar seu pescoço novamente. Quando ela tornou a encará-lo, ele abaixou seu rosto, até encostar na testa dela. E os dois se encararam intensamente, até o fim.

*~*

Quando os dois voltaram para perto do grupo, tiveram uma surpresa um tanto desagradável. Octavia estava acordada, e não estava com uma cara nada amigável.

—Bonito, hein. Na situação que estamos, os dois ainda arranjam tempo para “dar voltinhas” na floresta! Não, de hoje não passa mais. – Octavia disse, visivelmente irritada. – Kara Leigh, você fica aqui comigo e com a Clarke. Murphy, vai lá fazer companhia para o Bellamy!

—Ah, de novo com isso? A Kara Leigh já é grandinha, não precisa de nenhuma babá! E ela é minha namorada, não vejo nada de errado no que estamos fazendo! – Murphy reclamou.

—É, Octavia. Você fazia a mesma coisa com o Lincoln e eu nunca reclamava. Às vezes, eu até ia dormir na minha casa, na aldeia, para deixar vocês dois sozinhos. – Kara Leigh respondeu, concordando com Murphy.

—Murphy, eu preciso dar uma palavrinha com você em particular. – Octavia respondeu, se levantando. – E você, direto para a cama, sua saidinha!

Octavia nem esperou Kara Leigh responder para levar Murphy para o meio da floresta. Ela estava irritada. Não por eles estarem fazendo sexo, aquilo era normal. Mas por outro motivo...

—Vai falar o que? Que eu preciso casar com ela primeiro? – Murphy perguntou, debochado.

—Murphy, a Kara Leigh é diferente de nós. As mulheres da Arca, não sei se você se lembra, mas eram implantados chips de controle de natalidade em seus quadris quando atingiam certas idades, para evitar a superlotação e segundos filhos. É, eu fui exceção nesse caso. – Octavia começou. – Mas a Kara Leigh é uma terrestre, ela não tem chip nenhum implantado nela. Então, se vocês dois continuarem desse jeito, sem tomar cuidado... você pode acabar engravidando ela.

—Eu tomo cuidado. Eu nunca deixei nada sair do controle. – Murphy respondeu, tentando se defender.

—Ela é só uma menina. Abby a examinou lá no acampamento e disse que ela é mais nova do que eu. Quer dizer, não sabemos, os terrestres não contam os aniversários. E se essa garota tiver uns quatorze anos? – Octavia continuou. – E eu sei que você não quer ser pai agora, então...

—Eu já disse que eu tomo cuidado. E quatorze para dezessete são só três anos de diferença. Conheço garotas de quatorze anos da Arca muito mais piranhas que ela. – Murphy retrucou. – Eu a amo, e não vou desistir dela assim tão fácil.

—Mesmo se ela te odiar depois de saber da história toda? Porque quando voltarmos, o conselho vai querer ouvir a sua versão e a do Finn sobre o que aconteceu lá na aldeia. E eu sei que você amenizou a história para ela. – Octavia respondeu. – Pense bem antes de magoá-la igual você faz com todo mundo.

Octavia se retirou, voltando para perto do grupo. É, agora ela havia tocado em um assunto delicado. Tanto sobre a idade de Kara Leigh quanto sobre a gravidez. Ela não tinha acesso aos métodos contraceptivos da Arca. Talvez ele pudesse falar com Abby e garantir que sua namorada não engravidasse por descuido. Mesmo que ele sempre se finalizasse fora do corpo dela... nada era impossível.

Não, é impossível... ela não tem quatorze anos. Prefiro pensar que ela tem dezesseis... Murphy pensou, para si mesmo. Não era algo inquestionável. Kara Leigh não era nenhuma criança, obviamente tinha de treze anos para cima. Mas como Abby disse que ela era mais nova que Octavia... o máximo era dezesseis mesmo. O que não fazia muita diferença, porque ele tinha dezessete. Ambos eram menores de idade.

Ele voltou para perto do grupo e viu praticamente todos adormecidos. Octavia havia trocado de turnos com Bellamy para ele poder dormir, enquanto ela vigiava Finn. Por sorte, Kara Leigh estava no mesmo lugar onde eles estavam deitados antes, então ele simplesmente se deitou ao lado dela, a abraçou e dormiu.

*~*

No amanhecer do outro dia, o grupo se preparou para voltar ao Acampamento Jaha. Kara Leigh ainda olhava atravessado para Finn. Definitivamente, ela não o perdoaria fácil. Nem sabia se o perdoaria. Quando chegaram, os guardas abriram o portão, com cara de poucos amigos. Abby já estava lá, como se estivesse esperando que eles voltassem desde cedo.

—Vocês enlouqueceram de vez?! – Abby não estava nada feliz. – Dei ordens restritas para nenhum de vocês deixar esse acampamento!

—Tínhamos que ir atrás dos nossos amigos. – Clarke respondeu. – Não dava para deixá-los lá fora.

—É, mas não é só isso... precisamos conversar em particular. – Bellamy continuou. – Eu, Clarke, Octavia e a senhora. O caso é grave...

—É melhor manter o Finn sob vigia também, o assunto é sobre ele. – Octavia disse. – O Murphy também, é melhor vigiarem os dois...

—Espero que tenham um motivo plausível para isso... – Abby respondeu, acenando para os três a seguirem.

Kara Leigh não pode deixar de se sentir um pouco deslocada no meio de tantas pessoas do céu. Que ainda estavam olhando torto para ela, como se ela fosse um pedaço de lixo. Murphy percebeu e segurou a mão dela, tentando aliviar a tensão. Mas o momento tinha que ser interrompido.

—Vocês dois precisam vir conosco. – Um guarda disse, se aproximando de Finn e Murphy.

—É, eu já estava esperando uma coisa dessas... – Murphy comentou, sarcasticamente. – Eu te vejo mais tarde, ok?

Ele se despediu de Kara Leigh, beijando-a na bochecha. Finn os acompanhou, sem dizer uma única palavra. Agora ela estava sozinha outra vez. E no meio do território skaikru. Ela iria entrar em pânico.

—Ei, você voltou! – Uma voz conhecida disse, atrás dela. Ela se virou e reconheceu a guarda Juliet. – Desculpe, eu sei que eu pareço uma chiclete, mas é que a Abby me encarregou de te manter segura enquanto estivesse aqui dentro. Ou seja, eu sou tipo a sua guarda-costas, ou qualquer outro nome...

—Pode me mostrar onde comer? – Kara Leigh perguntou, timidamente. Ela nem se lembrava qual tinha sido a última vez que comeu alguma coisa.

—Ah, sim, claro! Venha comigo. – Juliet respondeu, pegando-a pela mão e fazendo-a acompanhá-la para dentro da enorme Estação Alpha. – Nosso estoque está um pouco baixo, mas acho que eles não vão dar falta de duas barrinhas de proteína.

Logo, Juliet conseguiu “contrabandear” um pouco de comida para Kara Leigh, que devorou tudo em poucos minutos. Ela realmente estava com fome.

—Nossa garota... olhando para você assim, eu diria que não entendo o porquê do seu povo querer matar a gente. Nem todos são iguais a você, né? – Juliet perguntou, observando a mais nova comer.

—Eles querem matar vocês porque, na cabeça deles, vocês invadiram nosso território. – Kara Leigh respondeu, limpando a boca com a manga da blusa. – Eu não penso assim. Aqui tem espaço para todo mundo, ninguém precisa brigar.

—Quem dera todo mundo pensasse assim... não precisaríamos estar 24 horas com as armas apontadas lá para fora... – Juliet suspirou, cruzando os braços.

—Principalmente agora. Se eu fosse vocês, eu me prepararia. Uma coisa grande está para chegar... – Kara Leigh comentou, sugestiva.

—Espere aí... o que exatamente está para chegar? – Juliet perguntou, mais séria.

—Só espere a Abby voltar, ela vai contar tudinho. E provavelmente encher esse lugar de armamentos... novamente vou ficar no meio do fogo cruzado. – Kara Leigh respondeu. – E a culpa é toda do Finn!

—Finn Collins, o spacewalker? – Juliet perguntou. Kara Leigh assentiu. – É, esse garoto já era conhecido lá na Arca por ser um encrenqueiro. Droga, a Raven vai ficar tão irritada... a última vez que eu soube, ela era namorada dele.

—Não, isso já faz tempo. Não sei da Raven, mas o Finn tentou algo com a Clarke aqui embaixo. Só que também não funcionou, ela está com o Bellamy. E depois do que ele fez... eu duvido que alguém goste muito dele... – Kara Leigh respondeu.

As duas conversavam como se fossem amigas de longa data. Quase como se fossem irmãs. Mesmo Juliet sendo consideravelmente mais velha que Kara Leigh. No meio da conversa, Kara Leigh reparou em algo reluzindo na mão de Juliet.

—Isso na sua mão... é um anel? – Kara Leigh perguntou.

—É sim. Minha mãe me deu quando eu era criança, é a última coisa que eu tenho dela... ela morreu quando eu tinha doze anos. – Juliet respondeu, com pesar, mostrando o anel. – Vê só? “JS”, Juliet Stryder. São as minhas iniciais.

Espere um pouco. Um anel com iniciais gravadas... Kara Leigh tinha um idêntico a aquele, que também tinha ganhado de sua mãe.

—Eu tenho um igual a esse, sabe. Só que o meu está escrito “LS”. Também ganhei da minha mãe. Eu só queria saber onde eu deixei... – Kara Leigh respondeu.

Naquele momento, Juliet começou a encarar Kara Leigh seriamente. A terrestre ficou ali, sem entender nada. Juliet começou a analisar melhor as feições do rosto dela. Depois olhou para o próprio anel e para Kara Leigh, alternadamente. Era aquilo.

—Ah meu Deus... preciso falar com a Abby agora mesmo! – Juliet exclamou, puxando Kara Leigh pela mão e indo ao encontro da Chanceler.

Continua

Notas finais
OMG OLHA A REVELAÇÃO CHEGANDO!! Alguém já matou qual é a relação da Juliet com as origens da Kara Leigh? Se não, no próximo capítulo descobriremos hahahh! E mais uma vez tivemos Octavia Madre Teresa interrompendo os romances do nosso casal 20 favorito, mas dessa vez, fazendo uma observação importante. Vale lembrar que Kara Leigh NÃO tem 14 anos, ok? Ela é mais velha que isso. Mas não é pedofilia, sendo que o Murphy também é menor de idade. E olha o merdeiro chegando com o Finn quase tomando bofetadas na cara de todo mundo e a menção da nossa Heda linda maravilhosa que está chegando na fic povo! Mas não fiquem muito animadinhos, não vai rolar Clexa. Até porque quem leu até aqui sabe que AQUI É BELLARKE PO**A! Mas vamos lá que a treta não pode parar! Vou voltar pra minha batcaverna agora. Kisses ♥