The Reason Is You
17 Capítulo 17 - Extremo (A Ira De Murphy E O Medo De Kara Leigh)
Notas iniciais
If I Told You What I Was
Would You Turn Your Back On Me?
And If I Seem Dangerous
Would You Be Scared?
Imagine Dragons — Monster
Murphy ainda estava lá, deitado com Kara Leigh em seus braços, acariciando os cabelos dela. Ela dormia serenamente, sua respiração batendo no peitoral dele. Ele deveria estar com sono, mas não conseguiu dormir. Não depois de tudo o que aconteceu. Nenhuma garota jamais conseguiu fazê-lo se sentir tão bem quanto ela tinha feito. Ela era tão linda. Tão linda. Por dentro e por fora. Ele poderia ficar ali com ela para sempre.
Murphy sentiu o pequeno corpo da terrestre se mexer sobre si. Ela abriu os olhos e sorriu ao olhar para cima e encontrar os olhos dele a mirando. Aos olhos dele, ela parecia ainda mais linda do que de costume.
—Oi... – Kara Leigh sussurrou, dando um beijo rápido nele. – Estamos aqui há quanto tempo?
—Há muito... há pouco... depende do ponto de vista. – Murphy respondeu, segurando-a mais forte. – Por mim, poderia passar o resto da vida aqui, com você.
—Bobo. – Kara Leigh respondeu, com um sorriso. – Vamos ter que voltar alguma hora. Meu irmão e seu povo irão notar que sumimos...
—Dane-se todo mundo. Eu quero ficar aqui, com você. – Murphy respondeu, em seu usual tom sarcástico. – Agora tenho que dar satisfação para todo mundo? Aonde vou, com quem vou e quem namoro é problema meu, não acha?
—Quem dera fosse simples assim... – Kara Leigh respondeu, cruzando os braços no peitoral dele.
—Às vezes eu só queria gritar para todos ouvirem: sim, eu estou namorando uma terrestre e dane-se o que os outros acham! – Murphy disse, puxando a garota para si e a beijando apaixonadamente. Ela ficou muito feliz em ouvir a palavra namorando.
—É... e eu queria gritar para a minha aldeia inteira que meu namorado é skaikru e não estou nem aí para o que os outros pensam disso! – Ela disse, acompanhando a animação dele. – Guerra idiota... será que ninguém percebe quanto tempo estão gastando brigando? Tem espaço para todo mundo, ninguém precisa matar ninguém!
—Realmente. Por que não param de perder tempo brigando e aproveitam para fazer coisas melhores, tipo o que acabamos de fazer? – Murphy respondeu, fazendo Kara Leigh arregalar os olhos e corar, soltando uma risada logo em seguida.
—John! – Kara Leigh tentou o repreender, mas ela não conseguia parar de rir. – Você é muito pervertido!
—Mas você gosta... – Ele respondeu, começando a beijar seu pescoço e sussurrando. – Não gosta?
Aquele era o ponto fraco dela. Era só ele começar a beijar o pescoço dela que ela perdia completamente a linha do raciocínio. Quem diria que a mocinha tímida e contra violência iria acabar ficando com um bad boy sarcástico e imprudente de outro povo?
—Não faça isso... – Ela disse, soltando pequenos suspiros. – Nós temos que voltar...
—Ah, deixe eu aproveitar só mais um pouquinho. – Ele pediu, a colocando embaixo dele e continuando a beijá-la.
Ela parecia estar um pouco mais solta, pois gemia baixinho e até abriu as pernas para que ele se encaixasse no meio delas. Ela continuava estremecendo a cada toque. Ela se arrepiou inteira quando sentiu a língua dele tocando um de seus seios. Ela pensou que nunca se acostumaria com isso. Então, de repente, ele parou com os beijos e subiu um pouco.
—Quero que faça algo para mim. – Ele disse, pegando na mão dela e a levando até seu membro, instruindo-a de como estimulá-lo. – Mexa desse jeito.
Ela ficou assustada no começo, mas começou a gostar quando viu o jeito que ele estava reagindo ao toque dela. Os suspiros e gemidos de sua voz rouca causavam calafrios na espinha dela. Ele voltou a beijá-la, dando mordiscadas nos lábios, orelha e leves chupões no pescoço. Então, para “retribuir o favor”, ele desceu uma de suas mãos até a intimidade dela e começou a estimulá-la também.
Agora os gemidos e suspiros dos dois combinavam como uma sinfonia. As mãos dele pareciam fazer mágica, pois em poucos minutos, ela já estava bastante molhada. O mesmo poderia ser dito dele, apesar da garota ser inexperiente, o toque dela estava bom até demais, e ele estava perto de chegar ao ápice. Mas ele ainda não queria. Não sem prová-la outra vez.
—Preciso de você outra vez. – Ele disse, quase como um suspiro, voltando a ficar entre as pernas dela.
Ele a penetrou, de leve, pois ela ainda estava se acostumando com aquela situação toda. Dessa vez, ela não sentiu dor alguma. Ainda era algo diferente, mas era algo bom. Ele começou a se movimentar dentro dela, fazendo-a agarrar as costas dele e deixar leves arranhões. Ela estava tão mais solta, que se movimentava simultaneamente com ele. Até que ela tomou uma atitude inusitada que o deixou completamente surpreso.
Ela tomou controle da situação, invertendo as posições. Agora sim, ela estava parecendo um anjo. As bochechas dela estavam escarlates, mas ela não parou com os movimentos em momento algum. Ele gostou tanto dessa atitude, gostou tanto de vê-la assim, toda linda só para ele, que ao invés de ficar deitado, ele se ergueu, ficando sentado com ela em seu colo.
Agora ela tinha liberado o animal secreto que havia dentro dele. Ele segurou os quadris dela e começou a movimentá-los e apertá-los. Ele não conseguia parar de olhar para ela, pensando em como era sortudo por tê-la. Se dependesse dele, seria os dois contra o mundo. Ninguém iria sentir falta dele mesmo. Mas ela tinha entes queridos ali. Ele não podia pedir para ela fazer isso, por mais que ela já tenha dito sim.
Ele acordou dos pensamentos quando sentiu a garota beijando seu pescoço, como ele fazia com ela, só que mais timidamente. Ele sorriu e a abraçou, trazendo-a para mais perto. As costas dela tinham algumas cicatrizes, ele já viu e pode sentir. Provavelmente era resultado dos abusos que a líder da aldeia dela cometia contra ela constantemente. Porém, ao contrário da maioria dos terrestres que ele já viu, ela não tinha nenhuma tatuagem no corpo. Usava pinturas faciais de vez em quando, mas não tinha tatuagens.
—Estou tão apaixonada... – Ela sussurrou, enquanto beijava o pescoço dele.
—Eu quero você para mim... – Ele respondeu, deitando-a outra vez e ficando por cima dela.
Ele ainda a abraçava, e começou a acelerar o ritmo. Ela se contorcia e fechava os olhos constantemente. Provavelmente estava vendo estrelinhas, o que era ótimo. Todas as vezes que ela virava o rosto para o lado, ele aproveitava para dar um beijo em uma das bochechas escarlates da menina. Ele sentiu o ápice vindo e tratou de sair de dentro dela para se finalizar. Ela não precisou, um líquido saía de dentro dela, escorrendo por suas coxas.
*~*
—Agora precisamos ir, é sério. – Kara Leigh disse, apanhando suas roupas jogadas pelo bunker. – Meu irmão vai ficar preocupado.
—Se você insiste... – Murphy respondeu, suspirando desapontado. Ele queria passar mais tempo com ela.
Quando ambos já estavam vestidos, saíram do bunker, apenas para descobrir que já tinha anoitecido.
—Essa não, já anoiteceu! – Kara Leigh disse, preocupada. – Você vai conseguir voltar para o seu acampamento?
—Sim, eu já sei o caminho de cor. – Ele respondeu, colocando um braço ao redor do ombro dela. – E você, vai conseguir voltar para a sua aldeia?
—Não posso pisar na aldeia, vou voltar para a caverna do meu irmão. Para mim é tranquilo, conheço essa floresta como a palma da minha mão. – Ela respondeu. – E quando estou perdida, eu sempre me guio por Kara.
Ele franziu a testa, não entendendo o que ela havia dito.
—Se guia como? – Ele perguntou, confuso.
—Por Kara. — Ela apontou para o céu, para uma estrela muito brilhante. – É a estrela mais brilhante, que sempre aparece para o lado norte.
—Ah, agora entendi. É que é estranho uma estrela ter o seu nome... – Murphy respondeu.
—Na verdade, eu tenho o nome dela. Kara significa luz brilhante no meu idioma. Lincoln começou a me chamar assim depois que entrei para Trikru. – Kara Leigh respondeu, olhando para Murphy. – Minha mãe me chamava apenas de Leigh...
—Acertaram em te chamar assim, então. – Murphy disse, puxando a menina e beijando seus lábios. – Você é a estrela mais brilhante nesse planeta.
Ela abaixou o olhar, envergonhada com o elogio, mas mantendo um sorriso de lábios.
—Se você se perder, já sabe. É só se guiar por Kara. – Kara Leigh respondeu, voltando a encará-lo. – Preciso ir agora...
Antes de deixá-la ir, deu um último beijo nessa garota que ele gostava tanto. Depois, ambos seguiram em direções opostas. Murphy voltou para seu acampamento, torcendo para não ser visto passando pelo túnel. Pelo o que ele pode ver, a maioria dos que tinham saído para caçar já tinham voltado. Mas não viu a “princesa” Clarke e nem seu pretendente n°2, Finn. Provavelmente estavam se pegando por aí. Para se misturar, Murphy foi até a pilha de caças, apanhou um peixe e foi até outro canto para limpar.
Ele brevemente começou a tirar as entranhas quando uma Raven enfurecida veio até ele. Ela já estava cansada de ser segundo plano. Poucos dias se passaram desde que ela terminou com Finn, e ele nem esperou para ficar com Clarke na primeira oportunidade, tanto é que saiu para caçar com ela. Mas Raven precisava ter certeza.
—Os caçadores voltaram? Finn está com eles? – Raven perguntou, nervosa.
—Não, ainda não. – Murphy respondeu. – Mas relaxe, eu tenho certeza que a Clarke está mantendo ele fora de perigo.
Raven bufou e foi embora. Segundos depois, Jasper apareceu por trás dele.
—O que você fez com a garota, Murphy? – Jasper perguntou, sério. – A terrestre. Você a matou?
Murphy respirou fundo, se controlando para não socar Jasper imediatamente. Ele havia visto Kara Leigh, havia falado com ela, mas se ele por acaso estivesse se apaixonando por ela, Murphy teria que amigavelmente matá-lo.
—Ela não é mais problema seu, Jasper. – Murphy respondeu, concentrando sua raiva no peixe. – Você contou a alguém?
—Não, não contei. – Jasper respondeu, nervoso. – Mas não consigo parar de pensar no olhar assustado dela. Acho que ela realmente não queria fazer mal.
—Você não sabe nada sobre ela, entendeu? – Murphy disse, enérgico. Ele não queria chamar atenção, mas não gostava nada desse interesse repentino de Jasper por Kara Leigh. – Agora vá embora antes que eu me irrite ainda mais.
Jasper simplesmente assentiu, indo embora desconfiado. Ele se lembrava de que tinham falado alguma coisa sobre Murphy ter dito que teve ajuda na aldeia dos terrestres. Ajuda de uma garota. Será que era a mesma garota?
*~*
Raven estava na tenda de Bellamy, esperando-o voltar. Ela estava muito frustrada. Ainda amava Finn, mas não era e nem seria mais correspondida. Ela precisava esquecê-lo de qualquer maneira. E Bellamy era a pessoa mais apropriada para ajudá-la, já que ele também seria magoado com essa história, já que tinha sentimentos pessoais por Clarke quase imperceptíveis, mas não invisíveis.
Bellamy entrou e ficou surpreso com a presença da mecânica em sua tenda. Ela estava sentada em sua cama, olhando para a frente, com um olhar extremamente magoado.
—Eles não perdem tempo, não é? – Raven perguntou. – Quanto tempo faz? Um dia e meio?
—Acho que você se confundiu com alguém que se importa com isso. – Bellamy respondeu, entendendo exatamente o que ela estava dizendo. Clarke e Finn, era óbvio.
Bellamy apenas fingia que não ligava, mas ligava e muito. Ele não gostava nada de ver Clarke andando para cima e para baixo ao lado de Finn. Mas como ele não tinha tomado iniciativa até agora, não podia reclamar de nada.
—É hora de seguir em frente, Raven. – Bellamy disse. Raven se levantou e começou a tirar a roupa. Ela realmente estava fazendo isso? – O que está fazendo?
—Eu... estou seguindo em frente. – Raven disse, terminando de se despir. – Devia fazer o mesmo. Tire suas roupas.
Bellamy apenas ficou parado, tentando processar o que estava acontecendo. Raven estava nua em sua frente, propondo de os dois dormirem juntos para superarem Clarke e Finn. Será que era o certo a se fazer? Raven era linda, mas Bellamy só conseguia pensar em Clarke nesse momento.
—Tudo bem, deixe que eu faço isso para você. – Raven se aproximou, mas Bellamy a impediu. Depois de pensar duas vezes, ele mesmo tirou a própria camisa e a beijou, iniciando algo que poderia ser a confirmação de que Clarke não era sua.
Bellamy sabia que iria se arrepender mais tarde, pois o arrependimento já estava chegando. Mas ele não podia mais negar Raven à essa altura do campeonato. Além do mais, quem garante que Clarke não estaria fazendo essas mesmas coisas com Finn nesse exato momento?
Mesmo assim, mesmo com o coração partido por uma possível rejeição, no meio do ato com Raven, Bellamy suspirou o nome de Clarke involuntariamente. Raven se ofendeu, mas foi até o fim com tudo aquilo. Afinal, foi ideia dela.
*~*
Kara Leigh chegou na caverna e encontrou o lugar vazio. Onde será que Lincoln tinha ido naquela hora da noite? Com seu povo o caçando? Ela esperou, por várias e várias horas. Mas nada de ele aparecer. Ela não conseguiu dormir de tão preocupada. Poucas horas antes do amanhecer, ela mirou uma espada em um canto.
Tudo bem que Lincoln tinha lhe dado poucas lições de luta, e tinha o fato de ela realmente odiar violência... mas se Lincoln foi capturado por Anya, ou pior... pelos homens da montanha, ela tinha que fazer alguma coisa. Devagar, foi até a espada, não desviando o olhar por um segundo, e a pegou. Olhar para a espada, pegar em uma espada a fazia lembrar do dia da morte de sua mãe toda vez. Mas seu irmão estava em perigo, e dessa vez era sério. Chega de bancar a garotinha indefesa.
—Ai laik heing gon yu, bro. — Ela sussurrou, em seu idioma, saindo da caverna.
*~*
Murphy teve uma das melhores noites de sono dos últimos tempos. Ele simplesmente estava nas nuvens depois do dia que passou com Kara Leigh, no bunker. Agora, eles tinham dado um passo muito grande em seu relacionamento, o que significava que estava ficando cada vez mais sério. Murphy nunca foi um garoto de compromissos sérios, mas com ela era diferente. Ele mal podia esperar para vê-la outra vez.
Mas, em todo caso, ele ainda tinha contas a acertar com alguns garotos do acampamento. Myles, o garoto que saiu para caçar com Clarke e Finn foi encontrado noite passada, ferido na floresta. Enquanto isso, a princesa e o spacewalker não foram mais vistos. Não que Murphy se importasse com eles, é claro. Mas ele tinha uns assuntos pendentes com Myles.
No dia em que ele foi enforcado injustamente, Myles foi quem atou os nós da forca que tocou seu pescoço. Ou seja, assim como Connor, ele tinha que pagar. Murphy esperou Bellamy sair da nave, garantindo que o lugar estava vazio, e entrou. Ele segurava um saco plástico.
—Água... água... – Myles gemia de dor, pedindo por água. Sua voz foi silenciada por Murphy, quando ele colocou o saco plástico em sua cabeça, sufocando-o.
—Isso é por atar o nó que eles usaram para me enforcar. – Murphy disse, terminando de sufocar Myles. – Diga “oi” para o Connor por mim.
Sua vingança estava quase completa. Agora só faltava uma pessoa para riscar de sua lista. O problema foi que, ele teve uma testemunha inusitada em seu crime. Jasper estava descendo as escadas da nave, olhando a cena com os olhos arregalados. Murphy tentou disfarçar.
—Ele parou de respirar, eu só... só estava ajudando-o! – Murphy disse, tentando esconder o que havia feito. Ele também estava com uma arma nas mãos.
—Abaixe a arma, Murphy... – Jasper respondeu, em um tom ameaçado.
—Ele tentou me matar. – Quando Murphy percebeu que Jasper não estava caindo, foi obrigado a apontar a arma para ele. – Ei, não se mexa!
—Está tudo bem... – Jasper respondeu, com as mãos para cima. – Não tem problema, é sério... Não é o primeiro segredo seu que eu guardo...
—Tem sim. Sabe o que vai acontecer se contar ao Bellamy, não sabe? – Murphy perguntou, ainda apontando a arma para ele.
—Contar o quê ao Bellamy? — A voz de Bellamy perguntou, através do walkie-talkie que Jasper carregava. Droga, Jasper tinha apertado um botão sem Murphy perceber.
—Me dê o rádio, Jasper... – Murphy disse, após respirar fundo.
—Murphy tem uma arma, ele matou o Myles! – Jasper disse rapidamente, com o rádio em mãos, logo antes de levar uma coronhada da arma de Murphy. Depois, Murphy fechou a porta da nave antes que alguém mais pudesse entrar.
—Murphy, o que diabos você está fazendo? – Bellamy perguntou, do lado de fora.
—Se tentar ser um herói... o Jasper morre! – Murphy respondeu, laçando um olhar maligno a Jasper, antes de amarrá-lo e amordaçá-lo.
Jasper acordou e percebeu a enrascada em que se meteu. Ele pensou que se tivesse ficado lá em cima por mais dez segundos, não estaria nessa situação agora. Murphy tinha todos os motivos para matá-lo, devendo a intrigas passadas envolvendo uma certa garota terrestre. Ele também percebeu que Murphy o estava encarando com um olhar de cão raivoso.
—Fale a verdade, você por acaso contou a alguém sobre ela? – Murphy perguntou, apontando a arma para ele.
Jasper estava amordaçado, então não podia falar. Ele simplesmente balançou a cabeça para os lados, negando.
—Bom... mas se por acaso, eu não te matar aqui e descobrir que você chegou perto dela outra vez, eu mesmo te mato sem cerimônias... – Murphy respondeu, em um tom sombrio.
Jasper tentou responder, mas a mordaça o impedia de falar. Murphy, bufando de insatisfação, foi até ele e abaixou a mordaça.
—O que disse? Eu não entendi? – Murphy perguntou, sarcástico.
—Então é verdade o que dizem no acampamento? – Jasper indagou. – Quer dizer, todos sabem que a Octavia namora um terrestre. Mas você era só suspeito... agora acho que o que eles dizem é verdade. Você não a matou, não foi?
—Mas é claro que não, imbecil! Você por acaso mataria a sua garota? – Murphy perguntou, agressivo.
—E se ela fosse uma espiã? E se nesse tempo todo, ela só está fingindo gostar de você para tirar informações para o povo dela vir nos atacar? – Jasper perguntou, provocando Murphy. – Sinceramente, é o único motivo pelo qual eu imagino alguém querendo ficar com você.
—Eu não estou de brincadeira! – Murphy respondeu, irritado. – Quem realmente tem contas a acertar comigo por aqui é o Bellamy... mas eu não me importaria de matar você também. Motivo já tem.
Murphy amordaçou Jasper novamente. Tudo bem que Jasper era um palhaço na maior parte do tempo, mas o que ele tinha dito fazia sentido. Quando Murphy estava na jaula, Kara Leigh passava a maior parte do tempo fora, fazendo outras coisas. Ela ia pegar comida, remédios e falar com a líder da aldeia, isso ele sabia. Mas e se ela estivesse escondendo algo? E se ela fosse uma espiã do povo dela, que só está fingindo que está sendo caçada? Será mesmo, que durante todo esse tempo, ela estava simplesmente usando-o?
Não, não podia ser. Ela sempre foi tão meiga com ele, uma das melhores pessoas que ele tinha conhecido. Agora, ele iria viver com o inferno da dúvida. Ela não faria algo desse tipo com ele, ou faria? Se fosse verdade, o mundo dele iria se despedaçar por completo outra vez. Se ela fosse traiçoeira a esse ponto, ele perderia a fé nas pessoas completamente. Um pedaço dele seria arrancado novamente.
*~*
Octavia, sabendo do que estava acontecendo na nave, correu até lá. Vários garotos estavam com rifles apontados para a nave, incluindo Bellamy. Mas todos estavam cansados, por ficarem guardando o acampamento e trabalhando nas minas explosivas para se defenderem dos terrestres.
—Acabei de saber que o Murphy está mantendo o Jasper como refém na nave! – Octavia disse, ofegando de tanto correr.
—É, está sim... você já acabou sua parte? – Bellamy perguntou.
—O que? Bellamy, meu amigo está lá dentro com um assassino! – Octavia respondeu, desesperada.
—O, olhe em volta. Ninguém está trabalhando. – Bellamy disse, apontando para o redor deles. – Se os terrestres nos atacarem agora, nós vamos morrer.
—É, bem típico... não se importa nem com a Clarke, que está por aí, sabe-se lá onde, imagine se vai se importar com o Jasper... – Octavia atingiu o ponto fraco de Bellamy. – Murphy! Eu juro que se você encostar um dedo no Jasper, eu mesma te mato!
—Octavia, deixe que eu cuido disso. – Bellamy disse, puxando-a para longe da nave.
—Sério? Porque parece que você não está fazendo nada! – Octavia respondeu, irritada. Droga, ela nunca deveria ter baixado a guarda com Murphy, para início de conversa. Com esse comportamento, imagina o que ele faria com Kara Leigh quando estivessem sozinhos. Não, chega. Essa tentativa de romance dos dois estava mais do que na hora de acabar.
Nessa hora, Raven surgiu de trás da nave. Ela estava ofegante, e parecia ter rastejado em alguma coisa.
—Bellamy, você tinha razão. Tem um painel ali atrás da nave. – Raven disse, ofegando. – Se eu conseguir desativar, posso fazer a porta abrir.
—Murphy, eu sei que você pode me ouvir. – Bellamy disse, com o walkie-talkie em suas mãos. – Você não quer machucar o Jasper, você quer machucar a mim.
—Tenho motivos suficientes para machucar os dois...— Murphy respondeu, através do walkie-talkie. – Mas admito que machucar você é mais interessante.
—Então, o que acha de uma troca? – Bellamy ofereceu. – Você deixa o Jasper sair, e eu entro no lugar dele.
—Bell, não! – Octavia tentou protestar, mas Bellamy a segurou com um braço.
—Só você entra... e desarmado. — Murphy parecia estar concordando. Bellamy apenas queria ganhar tempo para Raven conseguir abrir a porta. Seria perigoso, mas ele tinha que tentar. – Tem 10 segundos para entrar, ou eu atiro na perna do Jasper. 1, 2...
—O, vai ficar tudo bem. – Bellamy assegurou para a irmã. – Raven vai dar um jeito. Enquanto isso, faça os outros trabalharem. Os terrestres estão vindo.
—4,5... — Murphy continuava a contar.
—Tudo bem, estou aqui. – Bellamy disse, subindo no metal da porta da nave. Um segundo depois, Jasper foi arremessado para fora, sendo amparado por Octavia. Depois, a porta se fechou novamente, com Bellamy dentro da nave.
—Jasper, tudo bem? – Octavia perguntou, desamarrando Jasper.
—Tudo... não foi nada de mais. – Jasper respondeu, se levantando. – Agora precisamos tirar o Bellamy de lá, Murphy enlouqueceu!
—A Raven está tentando mexer no painel da nave para abrir a porta. – Octavia disse. – Mas acho que isso vai demorar muito. Tenho uma segunda opção. Pode ser demorada também, mas pode ser mais rápida do que Raven.
—O que seria? – Jasper perguntou.
—Todo mundo, voltem ao trabalho! – Octavia gritou para o acampamento. – Jasper, você precisa ajudar a Raven com o painel, pode ser que demore menos. Enquanto isso, eu vou atrás da minha alternativa b.
—Você ainda não disse o que é... – Jasper reclamou.
—O único ponto fraco do Murphy... a terrestre chamada Kara Leigh. – Octavia respondeu, virando as costas e indo para fora do acampamento. Ela precisava achar Kara Leigh depressa, antes que Murphy fizesse algo com Bellamy.
Continua.
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