The Reason Is You

13 Capítulo 13 - Epidemia (Kara Leigh Pede Ajuda Para Octavia)


Notas iniciais
Hey gente! Pois é, sei que demorei, mas foi o mais rápido que consegui escrever e postar. Vida de universitária não é nada fácil :( Só um avisinho: Como é uma fic Bellarke, eu vou diminuir as cenas da Clarke com o Finn e acrescentar cenas dela com o Bellamy, ok? Boa Leitura!

If I could, then I would
I'll go wherever you will go
Way up high, or down low
I'll go wherever you will go

The Calling — Wherever You Will Go

Lincoln voltava para a caverna com os pensamentos perdidos em Octavia. Ele havia colocado a flor em um lugar onde teria certeza que ela veria. Porém, parece que ela não viu, pois ele esperou vários minutos e ela não apareceu, não lhe deixando outra alternativa, a não ser, ir embora. Lincoln estava bastante preocupado, pois o que estava para chegar naquele acampamento carregava o manto da morte. A questão era, Octavia seria afetada ou não?

Já havia anoitecido há tempos quando Lincoln chegou na caverna. Kara Leigh ainda estava dormindo, isso era bom. Quando ela descobrisse onde o “namorado” dela estava, não iria descansar até encontrá-lo. E não era uma boa ideia ir até lá. Porém, agora sua maior preocupação era Octavia. Ela estava vulnerável ao ataque do vírus. E se ela ficasse doente? Mesmo se não ficasse doente, como ele iria fazer para tirá-la do acampamento antes do ataque do exército de Anya? De qualquer maneira, ele teria que levar sua irmãzinha e sua amada para bem longe de toda aquela guerra.

O terrestre passou muito tempo desejando que Octavia não fosse afetada pela doença. Já não bastou ver Kara Leigh passar por aquilo, ele não aguentaria se Octavia também adoecesse. Lincoln adormeceu, do outro lado da caverna, pensando em como iria proteger as duas garotas da vida dele.

*~*

Bellamy já tinha tido problemas demais para um dia. Primeiro, teve que ir examinar os restos da Nave Exodus, que explodiu acidentalmente. Ele foi principalmente por causa de Clarke. Ela havia perdido a mãe na explosão, e estava completamente abatida. Bellamy odiava ver Clarke triste. Ele gostava dela, e se importava muito com ela, apesar de não demonstrar. Se eles fossem os únicos ali, Bellamy daria total apoio abertamente à ela. Porém, infelizmente, Finn já estava ali para apoiar Clarke. Ao menos Raven estava junto, algo pelo qual Bellamy agradeceu, assim ela não deixaria Finn fazer nada.

Agora, completamente cansado do longo dia, ainda tinha que lidar com Murphy, um psicopata sádico que causou o suicídio de uma garotinha. Ele estava furioso. Queria espancar Murphy até matá-lo. Afinal, Bellamy deixou bastante claro que se Murphy algum dia voltasse ao acampamento, seria morto.

—Eu já disse, eu não estava voltando escondido. – Disse Murphy, com a voz fraca. – Eu estava fugindo dos terrestres.

—Alguém viu terrestres? – Perguntou Bellamy. Os batedores negaram. – Então, nesse caso...

Bellamy estava prestes a atirar em Murphy, quando Finn interviu. Ótimo, agora tinha que lidar com Finn também.

—Qual é o seu problema? – Perguntou Finn, alterado, abaixando a arma da mão de Bellamy.

—Fui bem claro sobre o que aconteceria se ele voltasse! – Respondeu Bellamy, rudemente.

—Pense um pouco, ele estava com os terrestres, ele tem informações valiosas! Nós podemos usá-lo, não o mate! – Exclamou Finn, se colocando entre Bellamy e Murphy.

Clarke, que estava quieta até agora, se manifestou. Ela concordou com Finn, para a surpresa de Bellamy.

—Finn está certo. – Disse Clarke, indo até a direção de Murphy. – Não vamos matá-lo agora.

—Clarke, você não pode estar falando sério! – Exclamou Bellamy. – Apenas pense na Charlotte.

—Eu estou pensando nela! – Rebateu Clarke. – O que aconteceu com a Charlotte foi tanto culpa dele quanto nossa.

O suicídio de Charlotte ainda estava bastante vivo nas mentes de Clarke e Bellamy. Afinal, não era todo dia que uma garotinha tirava a própria vida. Charlotte fez isso apenas porque não conseguia mais lidar com todos tentando protege-la e se machucando por ela. Todos pensavam que tudo isso havia começado porque culparam Murphy pelo crime dela. Mas na verdade, começou quando ela matou Wells.

Clarke estava abaixada, examinando Murphy. Ele estava seriamente machucado. Tinha hematomas e cortes pelo corpo todo. Um ombro estava como se tivesse sido fatiado em carne-viva. Um olho estava tão inchado que o garoto mal conseguia abri-lo. O que mais chamou a atenção de Clarke, fora Murphy estar coberto de sangue, foram suas mãos. As unhas, principalmente.

—Ele não está mentindo... – Disse Clarke, com um certo tom de horror. – As unhas dele foram arrancadas. Ele foi torturado.

Bellamy, ainda mais irritado, deu um passo a frente.

—O que foi que você contou sobre nós? – Perguntou Bellamy, em um tom agressivo.

—Tudo. – Respondeu Murphy, com a voz fraca.

Clarke se levantou e foi até Bellamy. Ela estava apreensiva e preocupada, mas não significava que estava pronta para receber Murphy de braços abertos, como se nada tivesse acontecido.

—Dê um tempo para ele melhorar. Então, iremos interrogá-lo. – Disse Clarke. – Quando terminar, ele vai embora, certo?

—E se ele não quiser ir embora? – Perguntou Bellamy, voltando o olhar para Murphy. Clarke também voltou seu olhar para Murphy.

—Então, o matamos. – Respondeu Clarke.

*~*

Kara Leigh acordou com o cheiro de algo cozinhando. Ela se espreguiçou, se sentindo muito melhor do que dias atrás. Todas as dores de cabeça, hemorragias e o cansaço haviam sumido. Ela achou que finalmente havia se curado da doença.

A garota se levantou e foi em direção ao “irmão mais velho”, que estava perto do fogo, cozinhando um pedaço de carne. Ela chegou perto dele sorrindo igual a uma criança, debruçando-se nos ombros dele.

—Isso que estou sentindo é o cheiro da carne que só o meu irmão sabe preparar? – Ela perguntou, em um tom bastante infantil.

Lincoln, apesar de não demonstrar, gostava desse lado mais infantil de Kara Leigh. Era bom, pois assim ele sabia que nem a guerra contra o povo do céu conseguia tirar a inocência e energia daquela garota. Lincoln sorriu de canto, sem encará-la.

—Então você acordou. Até que enfim, eu estava prestes a te enterrar. – Disse Lincoln, brincando.

—Sem graça! – Ela retrucou, no mesmo tom de brincadeira, dando um tapinha leve no ombro dele. – Por mais que eu ame a sua comida, não acha que comer carne de manhã é meio estranho?

—Manhã? Kara Leigh, já estamos no meio do dia. – Respondeu Lincoln. – Você dorme demais.

—Não foi de todo mal, afinal, acho que já não estou mais doente. – Disse Kara Leigh, abrindo um sorriso de orelha a orelha.

Lincoln se virou e abraçou Kara Leigh. Ela era vários centímetros mais baixa do que ele, então ele a tirou do chão. Ela foi pega de surpresa, porém, retribuiu. Alguns segundos depois, ele a soltou.

—Sabe como eu fiquei preocupado? Podia ter acontecido algo pior! – Disse Lincoln. – Nem todos são fortes o suficiente para sobreviver ao vírus.

—Sei, mas a culpa não foi minha. Foi Anya quem... nossa, falando em Anya, o que ela vai fazer conosco? Estamos condenados, nem podemos mais voltar para a nossa aldeia! – Exclamou Kara Leigh, preocupada.

—Você tem razão, não podemos voltar. Se voltarmos, Anya irá nos matar, com certeza. – Respondeu Lincoln. – Também não podemos ficar aqui por muito tempo.

—Como assim, não podemos ficar aqui? – Kara Leigh perguntou, desconfiada.

—Vamos ter que fugir. Iremos para o leste, viver com o clã do mar. Vou tentar levar Octavia conosco, não quero que ela esteja lá quando Anya atacar. – Respondeu Lincoln.

O coração de Kara Leigh doeu por um momento. Se ela fosse embora, deixaria para trás tudo o que conhecia. Seu lar, seu povo... e Murphy. Ela sabia que, se ele fugiu, a uma hora dessas já deveria ter alcançado o acampamento do céu. Estava preocupada, pois se a doença não o matasse, Bellamy o mataria. E agora, Lincoln queria levá-la embora, para bem longe. Se ela fosse, provavelmente nunca mais veria John. Isso era muito doloroso.

—Lincoln, eu não quero ir embora. – Disse Kara Leigh, olhando fundo nos olhos de Lincoln. – Tenho assuntos inacabados aqui.

—Se está falando do prisioneiro, é melhor esquecer. Ele não vai durar muito tempo. Quando Anya atacar, ele será o primeiro a morrer. – Respondeu Lincoln.

—A mesma coisa vai acontecer com Octavia, e você quer salvá-la! Por que eu não posso tentar salvar o John? – Perguntou Kara Leigh, começando a se irritar.

—Vocês dois seriam mortos antes que você pudesse fazer alguma coisa. Ele não vale mais a pena, é um caso perdido. – Disse Lincoln.

—Bem, de acordo com Anya, eu também sou. – Retrucou Kara Leigh, indo em direção à saída da caverna. – E pensar que você me apoiou nisso tudo...

Lincoln não respondeu. No fundo, ele só queria o melhor para Kara Leigh. O fato dela ter uma relação com o prisioneiro parecia ser algo bom, até Anya descobrir e decidir usar isso como uma arma de guerra. Kara Leigh não estava mais segura perto daquele garoto do céu. Lincoln entendia perfeitamente o porquê dela não querer deixá-lo. Afinal, ele também não queria deixar Octavia.

Kara Leigh saiu da caverna, totalmente irritada, parecendo uma típica adolescente quando não consegue o que quer. Ela não foi muito longe, pois sabia que a floresta não era mais segura. Porém, a terrestre precisava de um pouco de ar fresco para processar tudo o que Lincoln disse. Ela até havia perdido a fome. Inacreditável! Ele realmente queria que ela desistisse de John. Mas não assim tão fácil. Anya podia queimá-la viva, mesmo assim, ela não desistiria de John. Agora só precisava dar um jeito de vê-lo, afinal, o acampamento do céu não era um lugar exatamente seguro. Apenas uma pessoa poderia ajudá-la a se aproximar de lá sem ser morta: Octavia.

*~*

Clarke estava desesperada. No início da tarde, as pessoas começaram a ficar doentes do nada, incluindo ela mesma. Os sintomas incluíam hemorragia pelos olhos e tosse sangrenta. Fora o corpo pesado e a dor de cabeça, similares as de uma gripe. As primeiras a demonstrar os sintomas foram as pessoas que trouxeram Murphy para o acampamento. Isso não era nada bom. Ela entrou na nave e encontrou Murphy vomitando sangue no chão. Outra pista.

—Ei, Murphy. Olhe para mim. – Ela chamou. – Como foi que você escapou dos terrestres?

—Eu não sei... eu só acordei e vi a minha jaula aberta. Não tinha ninguém, então fugi. – Respondeu Murphy, ofegando.

Clarke tirou os olhos dele por um segundo. Aquela foi a pista final do que ela já imaginava.

—Eles te deixaram ir... – Ela disse, quase como um sussurro.

Nessa hora, Bellamy entrou na nave, parecendo estar com pressa. Clarke o impediu de se aproximar.

—Bellamy, não se aproxime. – Disse Clarke, acenando coma mão para ele se afastar.

—O que aconteceu? Ele te fez alguma coisa? – Perguntou Bellamy, preocupado. Se Murphy tivesse feito algo a Clarke, estaria ainda mais ferrado.

Clarke apenas negou com a cabeça. Aquilo estava estranho. Bellamy se aproximou mais e viu Clarke sangrando pelos olhos. Pior que isso, atrás dela, Murphy estava tossindo sangue. Não era algo exatamente bonito de se ver.

—Mas o que é isso? – Perguntou Bellamy, enojado com a cena.

—É uma guerra biológica. – Respondeu Clarke. – Você estava esperando os terrestres se vingarem pelo o que aconteceu na ponte. É isso. Murphy é a arma.

Bellamy começou a andar pela nave, completamente irritado. O que era aquilo, algum tipo de revolta pelo incidente com a forca? Se fosse, Bellamy não estava nem um pouco arrependido.

—O que é isso, hein? Algum tipo de vingança? – Perguntou Bellamy, irritado. – Vai ajudar os terrestres a nos matar? Quando é que eles vem?

—Eu não sei. – Respondeu Murphy, fraco.

—Pare de mentir! – Exclamou Bellamy.

—Murphy, só pense, ok? O que você viu lá que é útil? Ouviu alguma coisa? – Perguntou Clarke.

—Eles são cruéis, maus... – Respondeu Murphy. – Só consegui sobreviver com a ajuda de uma deles. Ela era diferente, não era violenta, não gostava de lutas. Se não fosse por ela, eu não teria sobrevivido nem a metade do tempo em que fiquei trancado lá.

—E ela não disse nada sobre quando eles vem atacar? – Perguntou Clarke.

—Vai mesmo confiar nas palavras de uma terrestre? Seria idiota demais confiar em um inimigo! – Disse Bellamy, com raiva.

—Ela me contava tudo... inclusive, ela me contou da vez em que vocês a capturaram e a torturaram. – Disse Murphy, encarando Bellamy com um certo olhar de fúria.

—Aquela garota? – Perguntou Clarke, desviando o olhar.

Pelo que Clarke se lembrava, aquela terrestre não era ameaça nenhuma. Pelo contrário, ela estava era assustada com as ações de Bellamy e Raven. Clarke olhou para Bellamy, vendo que ele estava com a mesma expressão que ela. Ambos estavam mudos, sem reação. Mas Bellamy acordou do transe.

—E você acreditava nela? Por acaso ela disse que o exército do povo dela vem matando gente há semanas? – Perguntou Bellamy, irritado.

—É claro que disse, ela me contava tudo! – Murphy reuniu forças para falar, ele ainda estava fraco. – Mas ela não tinha nada a ver com o exército, pelo contrário, ela aguentava os abusos da líder para poder continuar me ajudando. Ela pode até estar morta agora, por minha causa.

—Ah, eu não consigo mais aguentar essas mentiras! – Disse Bellamy, se aproximando, para machucar Murphy.

—Bellamy, não! Essa coisa, seja lá o que é, se espalha por contato. – Disse Clarke, acenando para Bellamy se afastar.

Os guardas que vigiaram Murphy durante a noite começaram a tossir sangue. Um deles tossiu sangue até morrer. Aquela coisa, seja lá o que fosse, estava se espalhando rápido. Clarke tinha que fazer alguma coisa antes que as coisas piorassem.

—Bellamy, precisamos conter essa doença. – Disse Clarke. – Mande todos os que tiveram contato com o Murphy entrarem na nave. Ei, Connor, quem estava com você quando o acharam?

Connor, um dos garotos que ajudou a trazer Murphy, que agora estava doente, deu um passo à frente.

—A primeira a chegar lá foi a Octavia. – Disse Connor.

Bellamy e Clarke se entreolharam, preocupados. Agora sim, Bellamy estava prestes a perder a cabeça. Primeiro, Clarke já havia pegado a doença. Agora Octavia, sua irmãzinha, também poderia estar doente.

—Bellamy... chame a Octavia, preciso examiná-la. – Pediu Clarke.

Bellamy assentiu, saindo da nave. Aquilo não podia estar acontecendo. Ele não ligava se ele mesmo ficasse doente, desde que Octavia (e, talvez, Clarke) não adoecesse. Enquanto isso, Clarke voltou sua atenção para Murphy.

—Murphy... preciso que me ajude a achar aquela garota terrestre. – Disse Clarke.

*~*

Octavia estava folheando o livro de Lincoln, distraidamente, até que sua paz foi perturbada por Bellamy, que a arrastou até a nave para ser examinada por Clarke. Quando chegaram lá, viram Clarke ajudando Murphy a se deitar em uma das camas improvisadas.

—Como pode ter certeza? Quando a viu pela última vez? – Perguntou Clarke.

—Há uns dois dias... ela estava comigo, e quando eu acordei ela tinha sumido. Os terrestres são cruéis... eles a mataram. – Respondeu Murphy.

Apenas um encontro bastou para Clarke perceber que Anya, líder dos terrestres, não era muito amistosa. Mas matar uma garota inocente só por ter ajudado alguém parecia crueldade demais, até para ela.

—Clarke. – Bellamy a chamou, fazendo Octavia dar um passo à frente.

Clarke se aproximou dos dois e começou a examinar Octavia. Bellamy viu ela conversando com Murphy e ficou curioso.

—O que você e Murphy estavam falando? – Perguntou Bellamy.

—Estava perguntando a ele como fazer para achar a garota terrestre. – Respondeu Clarke. – Ela pode ter uma cura para essa doença.

—Espere aí, que garota terrestre? – Perguntou Octavia, enquanto Clarke examinava seus olhos.

—A que foi capturada, junto com Lincoln. – Respondeu Clarke. – Achei que ela podia ter uma cura, mas segundo Murphy, ela está morta.

Octavia não conseguiu processar tudo de uma vez. A garota terrestre capturada junto com Lincoln era Kara Leigh! A mesma Kara Leigh que assistia suas aulas de luta com Lincoln, a mesma Kara Leigh que guardava seus segredos, a mesma Kara Leigh que havia se tornado sua melhor amiga. Como diabos Murphy a conhecia? E como, por tudo que é mais sagrado, ela estava morta?

—Não faz diferença. – Disse Bellamy. – Não se pode confiar em um terrestre mesmo.

—Acabamos aqui. – Disse Clarke, terminando de examinar Octavia. – Ela não tem sintoma nenhum.

—Então ela não está doente? – Perguntou Bellamy, parecendo esperançoso.

—Eu disse que ela só não tem os sintomas, mas isso pode mudar. Vou ter que mantê-la aqui, só por precaução. – Respondeu Clarke.

—Mas nem pensar! – Exclamou Bellamy, dando uma boa olhada no lugar. Estava cheio de pessoas doentes, gemendo de dor. – Esse lugar é horrível, você fica doente só de ficar aqui.

—Vou mantê-la lá em cima, junto com quem não apresenta sintomas. – Explicou Clarke. – Pense só, vai ser um ótimo jeito de impedi-la de sair escondida outra vez.

Octavia estava quieta e pasma até aquele momento. Toda aquela informação repentina sobre Kara Leigh havia feito seu cérebro travar. Como assim morta? Ela teria que tirar isso a limpo, o mais rápido possível. Mas antes, precisava dar uma pequena lição em Clarke e seu irmão.

—Vá se ferrar, Clarke! – Retrucou Octavia.

—Pode ir, Bellamy. Eu aviso se a condição dela mudar. – Disse Clarke.

Bellamy encarou Clarke por um bom tempo antes de sair. Ele realmente a queria só para ele naquele momento. Por um único momento, a tão durona Clarke pareceu vulnerável, delicada, frágil. Bellamy queria ficar ali e cuidar dela até ela melhorar. Será que algum dia a “princesa” da Arca iria sair de seus pensamentos?

Assim que Bellamy saiu, Clarke se virou para Octavia, que havia começado a subir as escadas para o nível superior.

—Octavia, espere. – Disse Clarke. – Preciso que saia escondida de novo.

Clarke instruiu Octavia a sair escondida e ver Lincoln, atrás de um remédio para aquela doença. Octavia gostou, assim poderia tirar a dúvida dolorosa sobre a possível morte de Kara Leigh. Porém, Octavia não tinha certeza se queria ouvir que a garota terrestre estava realmente morta.

*~*

Após se acalmar, Kara Leigh voltou para a caverna e fez as pazes com Lincoln. Ela explicou calmamente que não queria deixar Murphy para morrer nas mãos de Anya, ou até mesmo nas mãos de Bellamy. Lincoln, apesar de não concordar mais com a relação dos dois, ouviu o que sua “irmãzinha” tinha a dizer até o fim. Ele então, respondeu que não queria que ela fosse infeliz, mas que também precisava mantê-la segura. Por isso, precisavam ir embora o mais rápido possível.

—Eu... eu posso ao menos... ir me despedir dele? – Perguntou Kara Leigh, segurando o choro.

—Não é uma boa ideia. Uma hora dessas, ele provavelmente acha que você está morta. Além disso, aquele lugar é perigoso e você sabe disso. E já que ele está prestes a morrer, é melhor assim. – Respondeu Lincoln.

—Lincoln, por favor... – Kara Leigh sentiu fraqueza nas pernas e caiu ajoelhada. – É minha última chance de vê-lo!

Antes que Lincoln pudesse responder, uma apressada Octavia entrou na caverna, chamando por ele.

—Lincoln! – Gritou Octavia.

Octavia se aproximou mais e viu uma coisa que a deixou extremamente aliviada. Kara Leigh estava ali, viva e sem ferimentos. Mesmo assim, ela não parecia bem. Parecia que estava prestes a se debulhar em lágrimas.

—Kara Leigh, você está viva! – Octavia estava indo ao encontro dela, quando Lincoln a impediu, examinando seu rosto.

—Lincoln... você sabia disso? – Perguntou Octavia, sussurrando.

Kara Leigh se levantou e saiu da caverna, para dar privacidade a Lincoln e Octavia. Ela ficou feliz por poder ver Octavia outra vez. Aquela era a oportunidade perfeita. Assim que Octavia saísse, Kara Leigh iria fazê-la levá-la até o acampamento do céu.

—Eu tentei te tirar de lá, você não viu a flor? – Perguntou Lincoln.

—Eu vi sim, mas antes que eu pudesse sair, achamos o garoto que vocês mandaram para nos infectar. Tem pessoas morrendo, eu vim aqui atrás de uma cura. – Respondeu Octavia.

—Não existe cura. – Disse Lincoln, com um certo ressentimento na voz.

—Espere um pouco, você ia nos deixar morrer? Você ia me deixar morrer? – Perguntou Octavia.

—A doença passa rápido, é usada contra inimigos no campo de batalha. Dura apenas alguns dias, horas nos mais fortes. Alguns, como você, são imunes. Não estou surpreso que seja uma das mais fortes. – Respondeu Lincoln, abraçando a garota.

—Campo de batalha? Seu povo vai... – Octavia foi interrompida.

—Vão atacar pela manhã. – Lincoln completou.

Lincoln explicou a situação para Octavia. Ele não podia fazer mais nada para ajudá-los porque agora, seu povo o considera um traidor. Não pelo incidente da ponte, mas por Octavia. Ele disse que pretendia ir embora logo, e levaria Kara Leigh.

—Vamos embora quando anoitecer. Octavia, preciso que venha conosco. – Pediu Lincoln.

—Lincoln... eu não posso. Não posso abandonar o meu irmão para morrer. – Respondeu Octavia.

—Não há mais nada que possamos fazer. – Disse Lincoln.

Octavia parou para pensar. Ela queria ir com Lincoln, mas não podia deixar Bellamy morrer. Ela ao menos poderia avisá-los do ataque, e depois fugir com Lincoln. Octavia contou sua ideia a Lincoln e ele concordou, contanto que ela voltasse para eles poderem partir. Antes de Octavia ir embora, Lincoln a puxou para perto e a beijou carinhosamente. Ele fez isso mais algumas vezes antes de ela sair de vez.

Octavia estava tomando seu caminho de volta para o acampamento quando Kara Leigh a surpreendeu na floresta. A garota do céu até tinha se esquecido de que havia visto sua pequena amiga terrestre viva e ilesa.

—Octavia, espere. – Disse Kara Leigh, parando na frente de Octavia. – Preciso que me leve até o seu acampamento.

—Por que, o que aconteceu? – Perguntou Octavia, agitada.

—Eu conto no caminho, vamos logo! – Kara Leigh pegou a mão de Octavia e saiu correndo pela floresta.

Kara Leigh deixou Octavia tomar à dianteira e as duas começaram a andar pela floresta. Kara Leigh ainda não sabia como contar que conhecia (e tinha uma relação com) o garoto que havia levado a doença para o acampamento, e que precisava vê-lo urgente. Mas ela tinha quase certeza de que Octavia, sendo sua melhor amiga, a apoiaria. Mal sabia que nem Octavia iria aprovar aquilo.

Continua.

Notas finais
Aix, povo... o que será que a O vai fazer quando descobrir que a Kara Leigh tá dando uns pegas no Murphy? Não se preocupem, todas as partes meio confusas desse capítulo serão explicadas no próximo :) Deixem aquele review maravilhoso que faz com que eu escreva 3x mais rápido :3 (SPOILER): Nada a ver com a fic, mas eu ainda não superei a morte da Lexa... nem shippo Clexa mas eu gostava muito da Heda maravilhosa :'( Quando a Lexa aparecer na fic eu vou chorar em todo capítulo que vou escrever com ela... Sugestãozinha básica: o que acham de eu criar um Twitter para a fic? Assim vou poder responder dúvidas dos leitores, explicar qualquer mal entendido, dar pequenos spoilers sobre o futuro dos shipps (aquela carinha). Só uma ideia, o que acham? Kisses :3