The Reason Is You

11 Capítulo 11 - Fraqueza (Murphy Cuida De Kara Leigh)


Notas iniciais
Gente, desculpem a demora, sério. Fiquei na bad e perdi a inspiração, desculpem mesmo. Guys, esse capítulo é INTEIRAMENTE focado em Murpheigh, okay? E, outra coisa: AVISO DE CAPÍTULO EXTREMAMENTE MELANCÓLICO. Então, está bem água-com-açúcar e meio dramático. Mas eu sou assim mesmo, amo um drama :) Aqui, vocês vão aprender um pouquinho mais sobre o passado da Kara Leigh e o porquê de ela odiar violência. Boa Leitura!

But I'm only human
And I bleed when I fall down
I'm only human
And I crash and I break down
Your words in my head, knives in my heart
You build me up and and then I fall apart
'Cause I'm only human

Christina Perri — Human

Murphy estava agoniado. Já havia anoitecido e Kara Leigh ainda não tinha voltado. Ela disse que voltaria logo, mas já se passaram horas e nada dela aparecer. Talvez algo tenha acontecido com ela outra vez. Será que seu povo a capturou de novo? Se fosse o caso, ele arrebentaria a jaula só para ir atrás do infeliz que a machucou.

Seu coração disparou quando viu a figura de Kara Leigh. Porém, felicidade e alívio não eram o que ele estava sentindo ao ver aquela cena. Dois guardas, usando proteção facial, carregavam a garota inconsciente, um pelos braços e outro pelas pernas dela. Quando chegaram na jaula, um dos guardas abriu-a com a chave. Para impedir que Murphy escapasse, ele imediatamente socou o garoto do céu no estômago, fazendo-o cair para trás. O outro guarda jogou Kara Leigh com violência para dentro da jaula, trancando-a em seguida.

Algo estava muito errado ali. Kara Leigh estava tremendo e seus olhos estavam vermelhos. Ela estava... estava chorando sangue. Murphy também notou que as roupas normais da terrestre haviam sido substituídas por um curto e velho vestido branco, de alças. O que haviam feito com ela? Por que a trancaram junto com ele?

Porém, ele parou para pensar que pela primeira vez poderia tocá-la sem a jaula atrapalhando. Poderia segurá-la nos braços à vontade, sem o incômodo das grades. Seus pensamentos foram interrompidos quando Kara Leigh acordou, de repente, se engasgando com seu próprio sangue. A tosse era tão violenta que ela vomitou uma poça de sangue por entre uma das grades. Murphy não hesitou em segurá-la para que ela não caísse.

—John... – Ela reuniu forças para chamá-lo. – Não... não pode tocar em mim.

Ele estava confuso. Por que é que ela estava sangrando daquele jeito. Por que estava trancada com ele? E por que diabos estava proibindo-o de tocar nela?

—O que foi que fizeram com você? – Ele perguntou, ofegando pelo recente surto. – Por que te trancaram aqui? Por que está sangrando desse jeito?

—Isso é... – Ela também ofegava. – É a minha punição. Eles sabem de tudo. Sobre... sobre nós dois. Eu sou uma traidora.

Ela começou a tossir novamente. Murphy ficou completamente sem reação. Ele odiou vê-la naquela situação. A cada segundo, ela parecia piorar. Ele iria perder uma das duas únicas pessoas que se importavam com ele assim tão fácil? Não, não iria. Ele não pode fazer nada para salvar seu pai, mas não iria perder Kara Leigh também. Ele se lembrou de como fazia para parar uma tosse: dando tapinhas nas costas. E começou a dar tapinhas nas costas de Kara Leigh.

—Obrigada. – Ela disse, quando finalmente parou de tossir. – Mas é sério, você não deveria estar tocando em mim.

—Por que não? – Ele perguntou, parecendo indignado.

—Eu estou doente. Sou curandeira, sei bem como reconhecer sintomas, ainda mais quando eu sou a portadora da doença. – Ela respondeu. Sua voz ainda estava fraca. – E também sei que... doenças são contagiosas.

—Nem todas são. – Ele rebateu. Iria fazer de tudo para que ela deixar que ele a tocasse.

—Prefiro não arriscar... afinal, eu não conheço essa doença. Nunca a tive e nunca curei alguém que a teve. – Ela respondeu. – E julgando pelo fato de você ter má circulação, eu diria para você evitar doenças o máximo possível.

Uma brisa fria passou pela jaula e fez Kara Leigh tremer. O frio daquela manhã parecia ter se intensificado agora, com a chegada da noite. E Kara Leigh estava exposta a esse frio, doente e... usando aquele vestidinho curto. Um vestido que, por sinal, estava um pouquinho revelador. As pernas e os braços dela estavam à mostra, sem falar no decote. Não era um decote ousado, mas também não era algo exatamente conservador.

—Está tão frio... – Ela disse, ainda tremendo.

Murphy se apressou em pegar um dos cobertores e cobri-la. Seria uma pena perder aquela visão, mas a saúde dela era mais importante. Ainda não foi o suficiente. Ele queria deitar com ela e segurá-la em seus braços. Vê-la naquele estado tão frágil despertou nele a vontade de cuidar dela, de mantê-la segura. Basicamente, tudo o que ela estava tentando fazer por ele nos últimos dias.

Ignorando os avisos de Kara Leigh sobre não tocar nela, Murphy se deitou ao lado dela e a enlaçou pela cintura, por dentro do cobertor. Kara Leigh repetia sem parar para ele se afastar dela, se não ficaria doente também.

—Por favor, você vai ficar doente... – Ela disse, com a voz fraca.

—Desista. – Ele retrucou. – Eu não vou me afastar.

Murphy não estava nem aí se iria ficar doente ou não. Apenas queria que Kara Leigh ficasse bem. Mesmo não dando para ajudá-la muito, ele estava fazendo o seu melhor. Afinal, com aquele ar gelado, o melhor jeito de mantê-la aquecida era através de calor corporal. É claro, também tinham os cobertores, porém o calor corporal era uma opção relativamente melhor.

Enquanto ele usava sua outra mão para acariciar o cabelo dela, acidentalmente tocou em sua testa, comprovando o que ele estava pensando há algum tempo. Kara Leigh estava ardendo em febre. Mas não era só isso. Além da febre, ela não parava de tossir sangue, e algumas vezes, sangrava pelos olhos. Que tipo de doença era aquela?

As coisas pioraram quando Kara Leigh começou a ficar pálida, devido à perda de sangue. Murphy não sabia o que fazer. Ele também nunca havia visto aquela doença antes, então não sabia como explicar a origem de todo aquele sangramento. Tudo só começou a se acalmar quando a terrestre adormeceu, nos braços de Murphy, por conta da exaustão causada pela febre e pela perda de sangue. Ela estava realmente quente. Murphy a puxou para mais perto, antes de pegar no sono também.

Murphy sabia dos riscos de ficar assim próximo à Kara Leigh com ela doente daquele jeito. Propício a pegar doenças do jeito que ele era, não iria demorar para que ele também ficasse contaminado. Tocando nela ou não, ele iria ficar doente de qualquer jeito. Então, por que ficar longe agora que não tinham mais grades atrapalhando?

Eles dormiram por poucas horas. Murphy já estava acordado quando sentiu Kara Leigh se soltar de seus braços, correndo para tossir fora da jaula. Ele continuou a dar tapinhas nas costas dela. Quando ela terminou, ele ajudou a limpar seu rosto com uma das pontas do cobertor.

—Escute só. – Murphy disse. – Não importa o que aconteça aqui, você está proibida de morrer, entendeu?

—É... seguir essa ordem parece uma boa ideia. – Kara Leigh respondeu, ofegante.

Antes que ela pudesse desmaiar de exaustão novamente, Murphy notou algo que não estava ali antes. Havia um cantil, em um dos cantos da jaula. Ele o pegou para examinar o que havia dentro, afinal, poderia ser veneno, algum líquido inflamável ou qualquer coisa que os terrestres pudessem usar para matar os dois. Porém, para a surpresa dele, era apenas água. Junto do cantil, havia um bilhete, cujas palavras ele não conseguiu entender. Kara Leigh tomou o bilhete das mãos dele e se esforçou para ler. Assim que leu, ela sorriu de leve.

Drein daun, sis” — Estava escrito no bilhete.

Ela não perdeu tempo em beber a água do cantil. Não estava nem um pouco desconfiada da água ser venenosa, pois ela sabia quem era o autor do bilhete. Foi Lincoln. Ele havia deixado o cantil ali. Ninguém mais a chamava de irmã.

Mochof, bro. — Ela disse, quase como um sussurro no idioma terrestre.

A água a fez se sentir muito melhor. Ainda não tinha forças para sair saltitando por aí, mas também não sentia que iria desmaiar outra vez. Lincoln havia voltado à aldeia, arriscando a vida dele por ela outra vez. Lincoln havia oficialmente ganhado o prêmio de “melhor irmão de coração do mundo”. Se ela conseguisse sair dali viva, teria que se lembrar de compensá-lo muito por tudo aquilo.

Kara Leigh pegou o cobertor e se recostou nas grades. A água não fazia milagres, então ela ainda estava febril e fraca. Murphy se aproximou dela e pôs um braço ao redor dela, trazendo-a para perto. Ela permitiu o toque e se recostou no ombro dele. No momento, ele era a única coisa que a confortava de todo o sofrimento que estava passando. Ela estava doente, preocupada com Lincoln, preocupada com Octavia, preocupada com o povo do céu que iria ser atacado pelo exército de Anya e não podia fazer nada para impedir. Além disso, também estava preocupada com Murphy, pois o que aconteceria com ele a partir dali. Seria infectado pela doença e morreria? Porque Kara Leigh estava com a quase certeza de que ela mesma morreria.

—Eu estou com medo. – Ela sussurrou. – Não estou pronta para morrer.

—Eu já não disse? – Ele perguntou, a trazendo para ainda mais perto. – Você está proibida de morrer.

—Eu sei, mas... não é só a doença, sabe. – Ela respondeu. – O que será que vai acontecer conosco? Eu sou uma traidora para meu povo. E eles não estão exatamente querendo trocar flores com o seu povo. Nós temos que fugir daqui, ou seremos mortos!

—Você fugiria comigo? Pra longe daqui, só nós dois? – Ele perguntou, franzindo a testa, de modo que dava uma certa expressão de surpresa.

—Era o que eu estava planejando fazer. Eu ia roubar as chaves da tenda da líder, abrir a jaula e nós iríamos pra bem longe dessa guerra. – Kara Leigh respondeu, levantando a cabeça para olhar nos olhos dele.

Aquelas palavras despertaram uma pequena fagulha de felicidade em Murphy. Mais do que isso, ela era a felicidade dele. E ele não deixaria aquela felicidade escapar tão rápido.

—Olhe só. – Ele disse, beijando-a na testa. – Nós não vamos morrer agora. Vamos dar um jeito de sairmos daqui, e então, fugimos para longe.

Ele não podia prometer aquilo a ela. Como ela mesma havia dito, os terrestres iriam matá-los mais cedo ou mais tarde. Porém, era melhor que seus últimos momentos fossem de esperança do que de medo. Mesmo assim, até ele tinha um pouco de esperança, por mínima que fosse. Talvez, apenas talvez, de alguma forma, conseguiriam fugir da aldeia antes que algo ruim acontecesse.

Murphy estava distraído em pensamentos, quando olhou para baixo e viu Kara Leigh olhando fixamente para o anel que mostrara a ele dias atrás. Ela o segurava nas mãos, brincando com ele. Ela havia ganhado o anel de sua mãe. Era diferente de qualquer acessório dos terrestres. E nele, estavam gravadas as letras “LS”, cujo significado era desconhecido para ela.

—Esse anel é tudo o que eu tenho da minha mãe. – Ela comentou. Sua voz soava distante. – Posso te contar um segredo?

Ela levantou o rosto e o encarou. Seu olhar havia entristecido ainda mais. Murphy a abraçou um pouco mais forte para confortá-la. Afinal, pela recente tristeza em seu rosto, era provável que aquele seria um assunto muito delicado. Murphy, mais do que ninguém, sabia que “pais” podia ser um assunto bastante delicado. Então, ele apenas assentiu em resposta à pergunta.

—Minha mãe e eu... não nascemos em Trikru. Na verdade, não nascemos em clã nenhum. – Kara Leigh disse. – Quando eu era criança, nós vivíamos sozinhas na floresta, sem pertencer a clã nenhum. Eu não lembro muito disso, apenas que nós vivíamos escondidas dos guerreiros.

Kara Leigh sentiu os olhos marejarem. Por mais que tivesse poucas memórias da infância, as únicas que tinham eram intensas. Como o dia em que ganhou o anel, o dia em que conheceu Lincoln e ele passou a cuidar dela como um irmão mais velho, mas principalmente, o dia da morte de sua mãe.

—Não era uma vida perfeita, mas era uma vida boa. Lincoln sempre costumava trazer comida, escondido, para nós duas. Ele me ensinou tudo o que eu sei sobre ervas e remédios. Se eu usei remédios para curar você, é apenas porque Lincoln me ensinou a fazê-los. – Ela brincou, dando um leve sorriso. – Nós estávamos bem. Mas tudo mudou depois que Azgeda, a Nação do Gelo, atacou o território Trikru.

Agora, as lágrimas começaram a cair dos olhos de Kara Leigh. Lembrar daquele dia sempre a machucava por dentro. Mesmo que não se lembrasse de detalhes, era difícil esquecer guerreiros assustadores tentando matá-la. E pior, guerreiros assustadores assassinando sua mãe. E, além disso, o dia em que seus demônios internos sobre violência começaram a atormentá-la.

—Os guerreiros de Azgeda nos acharam em nosso esconderijo da época. Eu tentei fugir, mas fui pega. Minha mãe atacou o guerreiro que me segurava, para dar tempo de eu fugir. Eu fugi sim, mas... mas o soldado tirou sua espada e a cravou no peito de minha mãe. – Kara Leigh começou a soluçar. – E... quando vi o rosto dela, os olhos se fechando, eu fiquei tão magoada... tão irritada... que tomei a espada de outro guerreiro e, sem pensar duas vezes, matei o soldado que a assassinou. Só me lembro de... de ter ouvido gritos muito altos. E então eu notei... que era eu quem gritava.

Murphy mantinha sua expressão despreocupada no rosto, mas por dentro, ele estava completamente chocado. Como uma menina tão inocente e gentil pode ter saído de um passado horrível desses? Seu próprio passado também era horrível, mas ao invés de ser gentil como ela, ele se tornou um cretino. Ele era um cretino para qualquer pessoa. Menos para Kara Leigh.

—Depois disso, alguns soldados de Trikru chegaram a cavalo e me viram segurar uma espada suja de sangue. Ao meu lado, o guerreiro de Azgeda morto. Eles mataram o resto dos guerreiros do gelo e, me vendo com a espada na mão, me trouxeram para cá. O líder da época me aceitou na aldeia, e então, me tornei parte de Trikru. É claro, eles pensaram que eu seria uma guerreira promissória depois de me virem matar um guerreiro da Nação do Gelo. A verdade é que é... é por isso que eu não me dou bem com lutas. É por isso que não sou uma guerreira. Desde aquele dia, não consigo segurar uma espada sem lembrar do que eu fiz.

Kara Leigh escondeu seu rosto atrás de seus joelhos, torcendo para que Murphy não ficasse com asco dela por ela ser uma assassina. Algo que ela realmente não queria ser. Kara Leigh tremeu ao sentir a mão de Murphy puxando seu rosto para cima, forçando-a a encará-lo. Ele não parecia irritado, mas também não estava exatamente tranquilo.

—Está tudo bem. Foi a energia do momento. Eu sei que você não tinha a intenção de fazer aquilo, mas não teve outra escolha. Ele assassinou sua mãe e você ficou irritada, está tudo bem. Sabe, na Arca, várias crianças que tiveram seus pais executados pelo canalha do Chanceler ficam muito irritadas. Algumas tinham vontade de matar o desgraçado. Mas como não podiam, apenas descontavam sua raiva fazendo alguma besteira, ou cometendo um crime. E assim, eram presas, como eu fui. – Murphy disse, consolando a terrestre. – Não chore mais. Agora... você me deixa te contar o meu segredo?

Kara Leigh assentiu, enxugando as lágrimas e voltando a se recostar nele. Murphy respirou fundo, sem encará-la. Ele não tinha contado a história da sua vida para ninguém. Nunca havia falado sobre seu pai. Mas naquele momento, com ela, parecia ser a hora certa para falar sobre isso.

—Eu também costumava ser feliz. Mas tudo mudou no dia em que eu fiquei resfriado, quando era criança. Eu sei que não parece ser nada, mas na Arca, qualquer doença poderia ser perigosa. Tínhamos um regime de racionamento para tudo, incluindo remédios. Meu pai, preocupado com o meu estado, começou a roubar remédios. Só que era em vão, os remédios nunca funcionaram em mim. Depois de um tempo, o conselho descobriu tudo e executaram o meu pai. – Murphy evitava encarar Kara Leigh, pois seus olhos estavam marejando. – Tudo piorou depois que a minha mãe começou a beber. Perdi as contas de quantas vezes a encontrei bêbada pela casa. Ela vivia me dando broncas, brigando comigo, dia após dia. Até... até o dia em que eu a achei morta, em uma poça do próprio vômito. Mas o pior de tudo foi que... as últimas palavras que ela me disse foram: você matou o seu pai.

Kara Leigh, que estava recostada em Murphy, sentiu a respiração irregular dele. Ela não precisou encará-lo para saber que ele estava abalado. Talvez até chorando, mas ela não ousou verificar. Ela apenas fechou os olhos e se pôs de frente a ele, abraçando-o. Ela encostou sua cabeça no peito dele, então podia ouvir as batidas do coração dele. Ele retribuiu o abraço, ainda acreditando que aqueles eram os últimos momentos deles.

Ficaram assim por um tempo, um com necessidade do outro. Depois de alguns minutos, eles se deitaram, continuando um de frente para o outro. De vez em quando, Kara Leigh tinha crises de tosse hemorrágica e Murphy a ajudava, voltando a deitarem quando acabava. Ela estava com vergonha de si mesma. Já não bastava estar doente, agora temia a sensação de Murphy a encarar com diferentes olhos, sabendo que ela já havia matado alguém.

—John? – Ela o chamou. – Você me odeia, agora que sabe que eu sou... uma assassina?

—Eu já disse para nunca pensar que eu odeio você. – Ele respondeu. – Você me salvou e é a única que não me trata como lixo. E tudo o que você faz é com boa intenção. Na verdade, você é muito boa para esse mundo.

Ele pegou o anel de Kara Leigh e o colocou em um dos dedos da mão direita dela. Ela sorriu quando ele fez isso. Era quase como uma espécie de compromisso. Ela queria beijá-lo, mas seria estranho com ela doente, então se conteve. Ela fechou os olhos novamente, tentando dormir, mas tudo o que viu foi a lembrança daquele dia terrível.

Como os guerreiros Azgeda eram poucos, a invasão deles não chegou aos ouvidos do Comandante dos 12 Clãs. E assim foi melhor, pois evitaram uma guerra sangrenta e desnecessária. O líder que acolheu Kara Leigh era diferente de Anya. Ele a viu como uma criança com potencial a ser explorado.

Porém, quando Anya assumiu o posto de líder, e viu que Kara Leigh não tinha habilidades para ser uma guerreira, quis matá-la imediatamente. Apenas não a matou porque Kara Leigh tinha habilidades médicas, uma coisa que poucos tinham. Mesmo assim, Anya continuava achando a garota um peso morto. Mas Kara Leigh preferia ser considerada um peso morto do que pegar em uma espada e matar alguém novamente.

Kara Leigh dormiu e teve repetidos pesadelos em relação à morte de sua mãe. Algumas vezes durante a noite, ela acordou por conta das tosses hemorrágicas, mas voltava a dormir rápido. Ela estava bastante quente, sua febre havia subido. Seu único consolo era que Murphy estava ali com ela. Ela não sabia se conseguiria passar por essa situação sozinha. Mesmo estando extremamente preocupada porque, exposto daquela maneira, mais cedo ou mais tarde, Murphy iria ficar doente também.

Continua.

Notas finais
Pois é, gente. Eu avisei que seria extremamente dramático. Agora vocês sabem o porquê da Kara Leigh não ser uma guerreira (eu queria que fosse por um motivo hardcore). A coitada tem trauma de infância, cara :'( Se bem que o Murphy também é cheio dos traumas. Não se preocupem, os outros personagens vão aparecer no próximo capítulo! AVISO IMPORTANTE: Gente, eu realmente não queria mencionar isso, mas tem bastante gente lendo a fic e quase ninguém tá comentando. Eu amo os reviews de vocês, eles são uma coisa que me dá inspiração quando eu tô na bad. Vamos comentar aí, povo! Eu realmente queria saber se vocês estão curtindo a fic, as especulações para os próximos capítulos, etc... Kisses :3