The Reason Is You

8 Capítulo 8 - Revelação (Kara Leigh Se Declara Para Murphy)


Notas iniciais
É HOJE POVOOOOO!!! TERCEIRA TEMPORADA HOJEEEE!!! QUEM VAI VER HOJE SEM LEGENDA??? Não notem na minha retardadice natural, eu só tô ansiosa pela S3 (ainda mais porque a primeira cena vai ser do Murphy :3) E também é hoje a grande cena aguardada por todos os Murpheigh shippers!! Sem mais delongas, vamos ao cap! Boa Leitura!

Keeping secrets safe, every move we make
Seems like no one's letting go
And it's such a shame cause if you feel the same
How am I supposed to know?
Will we ever say the words we're feeling
Deep down underneath it, tear down all the walls
Will we ever have a happy ending
Or we'll be forever only be pretending?

Glee — Pretending

Murphy acordou e não encontrou Kara Leigh ao seu lado. Ainda chovia um pouco, e ela havia deixado os cobertores ali. Ele pensou que ela poderia ter ido pegar comida, remédios ou qualquer outra coisa que eles precisassem. Mas ela ficou fora o dia todo. Agora que ele era responsabilidade dela, não havia mais motivos para ela ficar fora o dia todo.

Durante aquela noite, quando ele ficou abraçado a ela por o que pareceu ser horas, ele finalmente conseguiu sentir algo. Ele conseguiu sentir o que era ser querido por alguém, ter alguém, gostar de alguém. Aquela garota havia provocado isso. Ele precisava dela, agora mais do que nunca. Durante esse tempo, ele havia... se apaixonado por ela. Pela primeira vez em sua vida, John Murphy estava apaixonado por uma garota. Terrestre ou não, John Murphy estava apaixonado por Kara Leigh.

Sim, a chuva da noite passada fez com que ele contraísse um leve resfriado. Apenas leve porque Kara Leigh trouxe os cobertores, evitando uma doença mais séria. Ele tossia um pouco, mas não era nada muito sério. O que mais doía nele era o fato de Kara Leigh ter sumido o dia todo. Onde ela estaria? O que estaria fazendo? Será que havia desistido dele? Provavelmente sim. Afinal, porque ela arriscaria sua vida para ajudar um criminoso que não tinha mais salvação?

*~*

Kara Leigh e Lincoln agora vagavam pela floresta escura, após terem sido ajudados por Octavia a fugir da nave. Ambos estavam com dificuldades para andar, devido aos machucados causados pelas torturas que sofreram nas mãos do povo do céu. Kara Leigh principalmente, pois sua perna ainda estava ferida. Lincoln a ajudava como podia. Ele só não a carregava no colo porque estava fraco para fazer isso. Ela notou isso e mesmo machucada tentou aliviar a tensão.

—Viu só? Eu disse. Ela é sua namorada sim! – Disse Kara Leigh, tentando distrair Lincoln.

Lincoln a encarou com aquele olhar típico de irmãos mais velhos quando suas irmãzinhas pegam no seu pé. Ela estava machucada ao extremo, totalmente suja, mancando e ainda tinha forças pra fazer piadinhas. Mas isso não iria ficar barato mesmo.

—Pelo menos eu fiz alguma coisa. Você está de amores pelo prisioneiro na nossa aldeia e até agora não tomou uma iniciativa sequer! – Rebateu Lincoln.

Kara Leigh ficou quieta por um segundo. Sim, era verdade que ela sentia algo por Murphy. Se Anya já desconfiava disso, Lincoln que a conhecia melhor do que ninguém já deveria saber disso há tempos. Não havia mais motivos para esconder.

—Então, quando você disse que sabia sobre mim... era sobre... – Kara Leigh não terminou.

—Sobre você e o prisioneiro. – Lincoln completou. – Soube assim que vi você tratando os ferimentos dele.

Ela se calou novamente. Lincoln já a tinha visto e ela nem desconfiou. Se ele a viu tratando dos ferimentos de Murphy, então provavelmente já teria visto as vezes em que ela foi abraçada pelo garoto do céu. Já a teria visto dormindo ao lado dele, no lado de fora da jaula.

—Se alguém souber disso eu serei morta. Na verdade, irão matá-lo também. Você sabe o que acontece com um traidor em nossa aldeia, não sabe? – Ela perguntou.

Lincoln a entendia perfeitamente porque agora ele sentia o mesmo medo. Se alguém descobrisse sobre Octavia, ele seria morto, acusado de traição. Anya era muito rigorosa em relação à isso. Ele apenas estranhou o fato de nada ter acontecido com Kara Leigh ainda. A garota era completamente exposta. Anya já deveria saber de tudo à essa altura. Se nada aconteceu, alguma coisa estava errada. E isso deixava Lincoln mais nervoso ainda.

—Você precisa ter muito cuidado. Se isso tudo for verdade, é arriscado você ficar exposta assim. – Disse Lincoln.

—Anya nunca irá saber. Ela me encarregou de cuidar dele, então se eu estiver perto da jaula, apenas estarei fazendo o meu trabalho. – Respondeu Kara Leigh.

—Então é verdade mesmo? – Perguntou Lincoln.

—Sim. Totalmente verdade. – Kara Leigh respondeu, após respirar fundo. – Desde o dia em que falei com ele pela primeira vez. Ele não me tratou mal como quase todo mundo. Ele me aceitou. Na verdade, ele me entende muito bem. Afinal, ele também é um rejeitado.

—Sinto o mesmo por Octavia. – Respondeu Lincoln.

Lincoln se lembrou de quando resgatou Octavia daquele barranco. Ela realmente tentou compreendê-lo. Ela entendeu que ele apenas estava tentando salvá-la. E mesmo ela tendo surtado na caverna, ela voltou atrás quando ele foi capturado por Bellamy. Ela o salvou, assim como ele a havia salvado. Isso só fez com que ele se apaixonasse por ela mais ainda.

—Pelo menos Octavia sente o mesmo... – Disse Kara Leigh, cabisbaixa. – Eu nunca serei correspondida. Por que ele se apaixonaria por mim? Sou do povo que o capturou e o torturou.

—Por que você salvou a vida dele. – Respondeu Lincoln. – E com tudo isso que você me contou, ele seria tolo de não gostar de você.

—Você... você acha mesmo? – Kara Leigh perguntou, sentindo suas bochechas corarem.

—Eu tenho certeza. – Respondeu Lincoln. – Por experiência própria, faça alguma coisa antes que seja tarde demais.

Aquelas palavras ecoaram na cabeça de Kara Leigh por vários minutos. Será que era verdade? Ela teria que se arriscar para descobrir. Provavelmente Murphy nunca mais irá querer vê-la em sua frente, mas se não arriscasse nunca teria certeza. Lincoln estava certo, era melhor fazer algo agora, antes que seja tarde demais.

—Ei Lincoln, você vai voltar para a caverna? – Perguntou Kara Leigh, mudando de assunto.

—E deixar você andar na floresta sozinha depois do que aconteceu hoje? Mas nem pensar. – Respondeu Lincoln. – Eu vou com você até a aldeia.

Kara Leigh se lembrou de que havia perdido as ervas com que iria preparar o remédio para resfriado. Se Murphy estivesse doente, ela não poderia aparecer na aldeia sem essas ervas.

—Espere um pouco, eu não posso voltar para a aldeia sem as ervas que eu peguei! Eu preciso delas para fazer um remédio para resfriado. – Disse Kara Leigh.

—Não precisa das ervas, eu tenho o remédio bem aqui. – Disse Lincoln, retirando um pequeno frasco do bolso. – Octavia me devolveu os outros frascos.

Kara Leigh pegou o frasco e agradeceu ao “irmão mais velho”. Naquele momento, ela quis abraçar Octavia com força. Ela havia sido muito legal com eles. Impediu que continuassem sendo torturados, tratou de seus ferimentos e ainda os libertou. E agora, graças a ela, tinha o remédio para Murphy. Era uma pena que nem todas as pessoas do céu fossem como Octavia.

—Precisamos andar mais rápido. – Disse Lincoln. – Você consegue?

—Preciso forçar a perna um pouco, mas acho que consigo. – Respondeu Kara Leigh.

E assim, os dois apertaram o passo em direção à sua aldeia. Lincoln estava preocupado com a reação de Anya ao saber que eles haviam sido torturados pelo povo do céu. De certa forma, não foi de todo mal, pois agora eles conheciam o acampamento do céu por dentro. Enquanto isso, Kara Leigh estava passando mal de ansiedade. Ela não aguentava mais a hora de encontrar Murphy. Ele podia estar muito doente, ou pior. E além disso, havia aquele outro assunto.

*~*

Murphy permanecia em silêncio dentro da jaula, porém sua mente não podia estar mais inquieta. Agora que a noite cobria o céu, suas preocupações em relação à Kara Leigh dobraram. E cada vez mais ele insistia na ideia de que ela havia desistido dele. Seu coração estava prestes a se partir. Ele seria abandonado de novo? Voltaria a ser tratado como lixo? E isso tudo doía muito mais por vir de alguém com quem ele achava ter uma ligação especial. Ele só não havia desistido ainda por causa de sua parte em que estava apaixonado por ela e tinha uma certa esperança de que ela iria voltar. Ele estava distraído em seus pensamentos quando dois soldados se aproximaram.

—Não é tão corajoso agora sem a inútil da Kara Leigh para te proteger, não é? – Debochou um dos soldados.

—Olhe só a cara dele! – Disse o outro soldado. – Está pedindo uma lição, não está?

Era só o que faltava. Agora teria que aguentar o abuso dos outros terrestres. Pelo que parecia, Kara Leigh não iria voltar. Ele teria que aprender a se defender sozinho.

—Por que os dois não vão catar os piolhos um do outro? – Perguntou Murphy, devolvendo o sarcasmo. – Com esses cabelos nojentos, eu duvido que não haja piolhos aí no meio.

Aquilo foi o suficiente para um dos soldados segurá-lo pela camisa e dar um belo murro em seu rosto. Ele mandou o outro soldado buscar as chaves da jaula, para que pudessem dar uma surra completa em Murphy. Assim que voltou, não perdeu tempo em abrir a jaula e arremessar Murphy para fora, com violência.

O que fizeram com Murphy foi crueldade total. Inúmeros socos, chutes e pancadas de todos os tipos. Murphy estava fraco por conta do resfriado e dos machucados que ainda não haviam sarado totalmente, então não conseguia revidar os ataques. Além disso, os soldados tinham o dobro do seu tamanho. Só restava esperar que acabassem com isso logo.

Quando aconteceu, um Murphy seriamente ferido foi devolvido à jaula. Estava com vários novos machucados e os antigos voltaram a doer. Estava coberto de sangue, suor e terra do chão. Agora o ciclo estava completo. Ele estava ferido fisicamente e emocionalmente. Sem Kara Leigh, ele não iria durar muito tempo. Aliás, ele nem queria durar muito tempo. De que adiantava viver em um mundo no qual ninguém o queria? Seria melhor acabar com isso logo. Antes que notasse, lágrimas silenciosas desciam de seus olhos. Já havia muito tempo que não chorava. E para ele chorar, o motivo deveria ser realmente sério. Agora, não lhe restava alternativa, a não ser, esperar por seu fim.

*~*

Kara Leigh e Lincoln chegaram na aldeia chamando a atenção de vários terrestres. Eles estavam usando roupas inabituais e estavam cheios de hematomas que não pareciam ter sido causados pelo seu próprio povo. Lincoln só usava a jaqueta do céu que Octavia dera a ele, deixando seu peitoral machucado à mostra. A blusa de Kara Leigh estava rasgada, e também mostrava os ferimentos em sua barriga. Fora a perna que não parava de sangrar. Se não fosse estancado logo, ela iria desmaiar.

—Precisamos falar com a líder. – Disse Lincoln.

—Mas eu preciso ir... – Kara Leigh foi interrompida.

—Ele não vai fugir, você pode ir vê-lo mais tarde. – Retrucou Lincoln. – Primeiro, você precisa tratar de seus próprios ferimentos antes de qualquer outro.

A garota reclamou, porém não teve outra escolha, a não ser, obedecer Lincoln. Eles então foram até a tenda de Anya, onde foram recebidos por ela. Ela chamou alguns terrestres mais habilidosos para tratarem dos ferimentos de Lincoln e Kara Leigh. Enquanto isso, ela mesma foi reparando nos hematomas deles.

—Essas queimaduras... não são de fogo. – Disse Anya. – São de algo mais forte.

Kara Leigh reprimiu um grito quando uma terrestre aplicou uma espada em brasas na sua perna. Ela odiava esse método de estancamento, mas nesse caso, era o único que funcionava. Ela estava pálida e suando por causa da perda de sangue. Seus olhos estavam fundos e ela não conseguia parar de tremer. Lincoln também estava assim, porém ele foi mais forte quando a espada em brasas foi aplicada na sua mão para fechar o buraco aberto pela presa.

—Uma raspa feita por uma bala de arma de fogo... queimaduras estranhas... isso não se parece com o nosso método. – Disse Anya. – Vocês foram torturados pelo povo do céu?

A líder perguntou em seu hábito tom firme. Kara Leigh estremeceu de medo. No fundo, Anya sabia que eles foram torturados, mas ela só faria alguma coisa se isso fosse confirmado por eles. Ela não diria nada, mas não sabia se Lincoln faria o mesmo. Afinal, ele não dava a mínima para o povo do céu. Octavia era a única coisa que estava fazendo-o hesitar. Mas isso não era um problema, afinal, se os terrestres resolvessem atacar o acampamento do céu, ele daria um jeito de tirar Octavia de lá e mantê-la segura.

—Sim. – Respondeu Lincoln. – Fomos pegos de surpresa por disparos das armas. Eles eram numerosos. Nós corremos, mas Kara Leigh foi atingida e eu voltei para ajudá-la. Depois disso, eles me nocautearam e só acordei no acampamento deles. Eles nos capturaram e nos torturaram para conseguir informações sobre nosso povo.

Anya manteve sua expressão séria enquanto Lincoln contou o ocorrido. Kara Leigh sabia que uma parte era mentira, mas também sabia que não seria muito saudável contar a Anya que ele foi capturado ajudando uma deles.

—Então vocês estiveram no acampamento deles? – Perguntou Anya. – Isso é bom, pode nos ajudar. Preciso que me conte tudo.

—Eu posso contar, vi muita coisa. Mas deixe Kara Leigh descansar, ela foi muito mais torturada do que eu e está exausta de andar com a perna ferida. – Pediu Lincoln.

—Estou bem, Lincoln. – Respondeu Kara Leigh, voltando seu olhar para Anya. – Não se preocupe, senhora. Eu não contei nada a eles.

—Se usasse toda essa resistência para o treinamento de combate, seria uma guerreira excelente. – Disse Anya. – Porém, prefere optar por ser um peso morto. Pois bem, vá descansar. Mas amanhã quero que volte aqui para terminar o relatório de Lincoln. Afinal, ele pode ter deixado escapar alguma coisa.

Ela assentiu e saiu da tenda, deixando Lincoln e Anya à sós. Ela não tinha certeza do que Lincoln diria. Provavelmente contaria sobre tudo, sob os riscos de ser punido caso não contasse. E seria melhor assim, pois estariam se livrando do risco de serem mortos. Porém, ela tinha um pressentimento de que mesmo com as informações de Lincoln, seu povo não iria libertar Murphy. Pelo contrário, iriam fazer algo ainda pior do que torturá-lo. Talvez até matá-lo. Essas preocupações a fizeram lembrar de que precisava ver Murphy. Ela não perdeu tempo e foi direto para a jaula.

Kara Leigh encontrou Murphy em um estado horrível. Completamente machucado, como se tivesse sido torturado de novo. Ele se manteve cabisbaixo, nem notando quando ela chegou. Vê-lo naquele estado fez com que seu coração doesse por tê-lo deixado sozinho. Será que isso nunca iria acabar? Tudo o que os dois povos faziam era machucar uns aos outros, não importando quem, se fosse de um povo diferente ou até do mesmo. Ela não iria aguentar toda essa violência para sempre.

—John? – Ela o chamou, caindo ajoelhada no chão.

A voz aguda de Kara Leigh acordou Murphy de seu estado deplorável. Ele olhou para cima, achando estar sofrendo alguma alucinação. No começo ele achou que sim, pois ela estava parada na sua frente, como sempre fazia. Ele abaixou o olhar novamente, achando estar maluco. Até ela o chamar de novo.

—John, sou eu. – Ela disse. – Por favor, olhe para mim.

Ele a ignorou, o que ela achou estranho. Ele nunca a havia ignorado. O que teriam feito a ele para que chegasse a esse ponto? Ela enfiou o braço por dentro da jaula, para pegar a mão dele, porém não conseguia alcançar. Ela retirou o braço, em derrota.

—Não faça isso... – Ela pediu, começando a sentir os olhos marejarem.

—Me deixe sozinho. – Ele respondeu, quase como um sussurro.

—O que? – Ela perguntou, espantada. Ele nunca a tinha mandado embora antes.

—Vá embora. Você é só uma alucinação. Kara Leigh não está aqui, ela me abandonou. – Ele respondeu, num tom mais grosseiro.

Aquilo foi demais para ela suportar. Os olhos marejados agora soltavam grossas lágrimas. Seu coração doía como se estivesse sendo esmagado.

—Olhe para mim! – Ela disse, num tom alterado. – Por que acha que eu sou uma alucinação?!

Murphy a encarou depois dela ter dito isso. Seu rosto estava machucado, então era difícil de ver a expressão que ele fazia naquele momento. Ele estava tão magoado que ainda achava que ela era apenas fruto de sua imaginação. Que a verdadeira Kara Leigh estava longe.

—Porque a Kara Leigh foi embora antes de eu acordar, ficou fora o dia todo, e provavelmente não vai mais voltar! – Respondeu Murphy, alterando o tom também. – Ela percebeu que eu não tenho mais solução e me abandonou!

—Eu não abandonei você! – Kara Leigh respondeu, ainda com o tom alterado. – Sim, eu saí cedo, mas foi só pra buscar um remédio! Eu sabia que você iria ficar doente com aquela chuva, então saí para preparar um remédio para resfriado!

Ela pegou o frasco do remédio e o enfiou por dentro da jaula. Porém, Murphy ainda não estava totalmente convencido.

—Se era só isso, por que sumiu o dia todo? – Ele perguntou.

Kara Leigh não respondeu com palavras. Ela apenas afastou a blusa rasgada, revelando as queimaduras com o cabo de choque, levantou a manga, mostrando o corte do canivete e levantou a calça, mostrando o raspão do tiro.

—Enquanto eu pegava as ervas, seu povo me capturou e me torturou. – Ela respondeu. – Consegui fugir quando anoiteceu. Onde acha que consegui essas roupas? Eu não sou uma alucinação!

Murphy parou por um minuto e percebeu o quanto babaca ele estava sendo. Ele estava achando que ela o havia abandonado, enquanto na verdade estava passando o dia sendo torturada pelo seu povo. Um certo acesso de raiva percorreu sua mente quando pensou que ela poderia ter sido tocada por Bellamy. Se fosse, Bellamy era um homem morto.

Murphy saiu de sua posição encolhida e foi ao encontro da garota. Ele estava muito machucado, então não podia fazer movimentos bruscos. Ele deu uma boa olhada nela e reparou em seus olhos fundos, provavelmente pela perda de sangue, vermelhos pelo recente choro. Ele colocou a mão para fora da jaula, procurando a mão dela. Ela se sentiu muito mais aliviada com aquele gesto, e deixou que ele segurasse sua mão.

—É você mesmo? – Ele perguntou. – Você não é uma alucinação? Você não me deixou?

—Sou eu sim. – Ela respondeu, sorrindo entre as lágrimas. – Eu morreria, mas não abandonaria você. Você é o único que me entende, sabe como é ser indesejado. É um dos únicos que não me trata mal, por que eu abriria mão disso? Eu disse, não vou deixar você morrer. – Ela respirou fundo, tomando coragem para o que iria dizer a seguir. – Você vai me odiar e pedir para eu sair, mas eu preciso acabar com essa agonia. John Murphy, eu estou apaixonada por você.

Murphy arregalou os olhos, boquiaberto com o que acabou de escutar. Nunca, nem em um milhão de anos ele achava que iria ouvir isso. A garota por quem estava apaixonado o corresponder. Isso parecia loucura, mas era a verdade. Kara Leigh acabara de dizer que estava apaixonada por ele.

—Eu vou entender se você não quiser mais me ver. – Ela disse, abaixando a cabeça. – Eu vou embora.

Murphy agarrou forte a mão dela, não a deixando sair. Com o outro braço, ele subiu o braço dela, até chegar no rosto, trazendo-a para perto. Logo os rostos estavam tão próximos que ambos conseguiam sentir a respiração um do outro. Então, Murphy acabou com a distância, juntando seus lábios com os de Kara Leigh. Ele a beijou calmamente, apenas movendo os lábios contra os dela. Ela, que nunca tinha feito algo daquele tipo, seguiu os movimentos dele.

Aquilo parecia o paraíso. Kara Leigh sentia como se estivesse voando entre as nuvens. Ela não poderia estar mais feliz. A delicadeza com que Murphy a beijava, a fazia se sentir mais extasiada ainda. Murphy já havia beijado várias meninas, mas era a primeira vez que beijava uma menina tão delicadamente. Ele estava apaixonado, então era algo ainda melhor. Ela era inexperiente, ele havia notado. Mas nem por isso deixava de ser algo bom.

Após um tempo, ele decidiu ensinar algo novo a ela, e aprofundou o beijo. Aquele gesto fez o coração da terrestre acelerar completamente. Se antes ela estava nas nuvens, agora ela estava fora de órbita. Ela tentou seguir os movimentos dele, e seu jeito desajeitado mostrava inexperiência completa. Mas Murphy nem ligou. Estava perfeito, pois era a garota dos seus sonhos. Após um tempo, se separaram pela falta de ar.

—Agora que eu não deixo você ir embora. – Disse Murphy, segurando o rosto dela com as duas mãos. – Nunca, entendeu? Nunca pense que eu odeio você. Eu também estou apaixonado por você, Kara Leigh.

Ela sorriu e o abraçou. Tomou cuidado para não machucá-lo, pois ele estava bem ferido. Eles perderam o sono completamente, então passaram a noite em claro. Murphy contou a história dos dois brutamontes que o espancaram e o deixaram daquele jeito. Kara Leigh quis sair para buscar água, panos e remédios, mas Murphy não deixou. Em resposta, ele perguntou dos hematomas dela, sobre quem a havia torturado. Ela não deu nomes, pois se ele soubesse que Bellamy teve dedos nisso, não iria descansar até acertar as contas. Apenas disse que foi torturada por um grupo de garotos e garotas, e que não ouviu nenhum nome. Ele desconfiou, mas não disse nada para não deixá-la nervosa.

—A líder solicitou minha presença amanhã cedo. Provavelmente para perguntar sobre o acampamento deles. Vou ter que sair um pouquinho. – Disse Kara Leigh.

—Eu não gosto dessa ideia. Olhe o que aconteceu hoje! – Retrucou Murphy.

—Mas eu não vou nem sair da aldeia. E além disso, preciso pegar suprimentos para tratar seus ferimentos. – Ela respondeu, ganhando uma encarada. – Não se preocupe, não vou precisar sair da aldeia para isso.

Eles conversaram mais um tempo. O sono só chegou perto do nascer do sol. Ele a beijou novamente antes de dormirem. Ele enfiou o braço por fora da jaula, enlaçando a menina em um abraço confortável. Ele não tinha certeza se a deixaria sair de novo, pois a preocupação não deixava e a vontade não queria.

Continua.

Notas finais
E entãoooo??? Rolou legal ou não? Eu (na minha humilde opinião narcisista) achei que ficou maravilhoso :3 Sim teve drama de novela mexicana sim, e ainda não acabou. Cara, eu imagino uma abertura de novela mexicana pra essa fic com os nomes dos personagens zuados em espanhol kkkkk eu sou retardada. Agora BORA ASSISTIR A TERCEIRA TEMPORADA SEUS LINDOSSS!!! Que POR FAVOR tenha Murphy pra caramba! Kisses :3