The Reason Is You
30 Capítulo 30 - O Término - Parte 2
Notas iniciais

I wanna sleep next to you
But that's all I wanna do right now
So come over now and talk me down
Troye Sivan — Talk Me Down
Algumas horas mais tarde, Kara Leigh, esgotada do treinamento, entrou na estação para procurar por Murphy. Uma hora dessas, ele já deveria ter terminado o serviço comunitário do dia.
Após perguntar para um dos guardas, foi respondida, de má vontade, que ele ainda estava trabalhando em uma das salas. Quando ela finalmente encontrou a tal sala, o viu esfregando o chão, um tanto emburrado. Pois bem, nada que um beijo e um abraço não resolvessem.
— Ei, seu bobinho. — Ela disse, ao pular em suas costas, o abraçando por trás e beijando sua bochecha. — Quer ajuda para terminar isso? Queria passar o resto do dia com você...
Murphy suspirou. Ele não sabia se teria forças para fazer isso. Essa garota era a fraqueza suprema dele. E pulando em cima dele desse jeito... o que ele queria fazer com ela passava muito longe do que ele iria fazer naquele momento.
— Nós precisamos conversar, Kara Leigh. — Murphy disse. Seu tom estava sério, e fez com que ela se soltasse dele e o encarasse com uma expressão confusa.
— O que houve? Aquele cretino do Penn veio te encher outra vez? Mas é agora que ele vai ver só uma coisa! — Kara Leigh respondeu, fazendo menção de sair. Porém, foi impedida quando ele a segurou pelo braço.
— Não, não foi isso. Olhe... o que eu preciso falar com você é um assunto sério. Sobre você e eu. — Murphy respondeu, tentando se manter sério.
Ele estava realmente se esforçando para não perder o controle e se debulhar em lágrimas na frente dela. Perdê-la seria a coisa mais difícil do mundo. Contudo, as marcas no rosto dela, resultadas de um pesado treinamento, diziam que o culpado era ele. Por todas as coisas ruins que aconteceram com ela, que a obrigaram a tomar medidas ofensivas.
— Isso... você e eu... não dá mais. — Ele disse. Era como se uma faca tivesse sido cravada em seu coração. — Não posso mais fazer isso.
O brilho no olhar dela desapareceu imediatamente. No lugar, veio outro olhar confuso. Porém, com um elemento a mais. Mágoa. Ele sabia que isso iria acontecer. Sabia que iria partir o coração dela fazendo isso. Mas sabia que ela ficaria melhor sem ele.
— O que? Como assim? Eu não entendi... — Ela perguntou, em um tom magoado.
— Eu não quero mais namorar você. O que tem de difícil de entender nisso? — Ele perguntou, se forçando a usar um tom mais enérgico.
Aquilo o estava matando por dentro. Nunca, nem em um milhão de anos, ele queria tratá-la daquele jeito. Não ela. Quem sempre ficou ao lado dele, sabendo de seus defeitos e limitações. Que o amou, quando ninguém mais conseguiu fazer isso.
— John... por que está me tratando assim? — Ela perguntou, com mais mágoa ainda. — É porque eu vou morar em Polis? Eu já disse, você pode vir comigo.
— Não é isso. Você e eu nunca vamos dar certo, não importa o quanto nós tentamos. — Murphy respondeu, se virando de frente para ela. Mesmo assim, evitava olhar nos olhos dela, para não ver a expressão triste em seu rosto.
— Você não me ama mais, não é? — Kara Leigh perguntou, abaixando o tom de voz. — Por que não?
A mente dele estava gritando, eu te amo mais que tudo nesse mundo. Porém, ele estava forçando ao máximo para dizer exatamente o contrário. O contraste dos dois pensamentos fazia com que ele não conseguisse dizer uma só palavra.
— Você não entende! Enquanto estivermos juntos, nós dois vamos ser alvos daqueles terrestres imundos e desprezíveis! — Ele respondeu, praticamente cuspindo as palavras. — Eu não aguento mais ser um saco de pancadas!
Ela começou a se afastar dele, passo por passo. Ela estava segurando as lágrimas, sentindo seu corpo tremer enquanto fazia isso. Ela não o estava reconhecendo. O que havia acontecido para ele estar agindo daquele jeito?
— Por que eu iria a Polis com você? Para ficar o dia todo longe de você, enquanto os outros terrestres venham tirar sarro de mim, ou coisa pior, esperando você voltar para cuidar dos meus ferimentos? — Ele perguntou. Estava falando com desdém na voz, como se ela fosse um lixo. — Não, Kara Leigh. Se você vai fazer isso, você vai sozinha. Eu estou fora.
Ela permaneceu em silêncio por alguns minutos, não acreditando no que estava ouvindo. Ela virou de costas, sendo uma solução para não olhar para ele e para poder liberar algumas lágrimas, que já a estavam agoniando. Após um longo suspiro, ela finalmente conseguiu dizer algo.
— Se você acha que eu sou tão imunda e desprezível, não se preocupe. Eu vou embora, e você nunca mais vai precisar me ver. — Ela disse, não demorando a voltar pelo lugar de onde veio.
Assim que ela deixou a sala, as grossas lágrimas finalmente caíram. Ela deu uma última olhada para trás, para ter certeza de que aquilo tudo não havia passado de um grande engano, e de que ele iria vir atrás dela para pedir desculpas. Porém, não foi o que aconteceu. Era isso. Acabou.
A terrestre não se via em condições de continuar treinando naquele momento. Muito menos de ver alguém. Ela apenas precisava ficar sozinha, longe de tudo e de todos. Por fim, se escondeu em um dos vários cômodos isolados, no menor espaço possível, abraçou os joelhos e começou a chorar descontroladamente. Se apenas ela soubesse que aquela seria a última vez que o veria em um longo tempo...
*~*
Após tudo isso, Murphy também não estava com cabeça para ver ninguém. Ele estava com ódio de si mesmo por ter feito aquilo com a garota que ele amava. Tanto que quase jogou o esfregão na cabeça de Jaha, quando este entrou na sala para pedir a ele que o levasse até o túmulo de Wells, com a desculpa de que o havia tirado do serviço comunitário.
De todas as coisas que ele pensava em fazer naquele momento, visitar o túmulo do garoto cuja morte quase o condenou a morrer por enforcamento estava longe de ser prioridade. Contudo, sair do Acampamento parecia ser uma boa ideia. Passar algumas horas longe dali... longe dela. Apenas para esfriar a cabeça. Isso parecia certo.
Durante aquela noite, onde dormiu na antiga nave dos delinquentes, após ter uma conturbada conversa com Jaha, ele se isolou em um canto com suas próprias frustrações. “Fui perdoado e continuo sendo tratado como lixo”, foi o que ele dissera mais cedo. Realmente, era verdade. Praticamente todos o culpavam pelo que havia acontecido com Finn na aldeia terrestre. Todos, menos ela. Por que ele teve que descontar justo nela?
Algumas horas sem vê-la... não seriam apenas algumas horas. Ele não a veria de novo por um longo tempo, pois na manhã seguinte, se juntaria ao grupo de Jaha em uma expedição para encontrar a Cidade da Luz. E não seria tão fácil tirá-la de sua cabeça, já que Jaha fazia questão de lembrá-lo dela a cada cinco minutos. Principalmente durante aquela noite na nave...
— Você deveria vir. E trazer sua amiga terrestre conosco. Vocês dois merecem uma vida melhor, John. — Jaha disse, olhando para o garoto deitado no escuro.
— O único jeito de ela ficar bem é longe de mim. Se eu concordar em ir nessa palhaçada com você, vai ser só por isso. — Murphy respondeu, irritado como sempre. — Eu vou e ela fica.
Ele estava mantendo essa pose de durão há horas, mas tudo o que queria fazer era se virar para o lado e chorar. Com certeza, de todas as burradas que ele já havia feito na vida, essa era a pior de todas. Porém, era como ele havia dito... ela só poderia se desintoxicar ficando longe dele.
*~*
Kara Leigh estava chorando há várias horas, encolhida naquele espaço minúsculo dentro de um dos quartos. Ela ainda não estava acreditando no que havia acontecido. Em como Murphy tinha tido a capacidade de tratá-la daquela maneira. Ao ponto de chamá-la de imunda e desprezível. Tudo bem, ele falou do povo terrestre em geral, mas ela era uma deles...
Já chega. Ela já estava chorando há muito tempo, era hora de se reerguer. Ela enxugou os olhos, sujando seus dedos com os restos da pintura que estava em seu rosto. Pelo tanto que havia chorado, ela deveria estar com o rosto completamente preto uma hora dessas. Precisava se limpar antes de sair em público outra vez.
Ela saiu do seu confortável esconderijo e foi em busca de água para poder lavar o rosto. Entretanto, para ironia do destino, o primeiro lugar que ela encontrou foi a sala de engenharia e mecânica... onde trabalhavam Wick e Raven. O engenheiro não se importou muito com a presença da terrestre, por estar ocupado em seu projeto, mas a mecânica franziu a testa imediatamente, quando a viu na sala.
— O que está fazendo aqui, garota? E o que houve com o seu rosto? — Raven perguntou, em um tom neutro.
— Nada. Eu já estou indo. — Kara Leigh respondeu, dando meia volta. Porém, antes de sair, Raven a pediu para esperar. — Por quê? Pensei que, de todo mundo, a minha cara é a que você menos quer ver agora.
— Eu só queria pedir desculpas. Por ter te batido naquela hora... — Raven respondeu, dando a entender que estava com remorso.
— Não precisa se desculpar. Foi no calor do momento, você acabou descontando na primeira que viu na sua frente. — Kara Leigh respondeu, sem encarar a morena.
— Você está bem? Parece que alguém arrastou o seu rosto na lama. — Raven questionou, cruzando os braços.
— Eu vou ficar bem... mas sabe, não precisa fingir que se importa comigo. — Kara Leigh respondeu, levantando levemente o olhar.
Raven se espantou com o inchaço nos olhos da terrestre. As pálpebras estavam de um tamanho fora do normal, além de bolsas debaixo dos dois olhos. Isso, sem mencionar o rosto todo sujo.
— Nossa... você está péssima. Wick, eu vou fazer um intervalo! — Raven o avisou, antes de deixar a sala e levar a loira com ela.
— Espere um pouco, para onde está me levando? — Kara Leigh perguntou, enquanto Raven praticamente a puxava atrás de si mesma.
— Você precisa de um banho. Na verdade, estou esperando muito encontrar alguém pelo caminho, a Abby, a Octavia, até o Murphy... só para poder te largar nas mãos de algum deles. — Raven respondeu.
Kara Leigh não tinha tanta intimidade com Raven para contar que, na verdade, não poderia ser deixada nas mãos de Murphy porque aquele havia sido o dia em que ele partiu o coração dela em milhões de pedaços. O melhor a fazer era só acompanhá-la em silêncio, e desabafar com alguém mais próximo... talvez.
Acabou que não encontraram ninguém. Todos deviam estar ocupados uma hora dessas. A terrestre ainda não estava entendendo o porquê da mecânica estar sendo legal com ela, já que as duas sempre se estranharam no passado. Raven a levou a um cômodo que lembrava um vestiário, pegou um pano e derramou um pouco d’água nele, antes de jogá-lo em cima da loira.
— Você não vai querer que eu dê banho em você, ou vai? — Raven perguntou, ironicamente.
Kara Leigh suspirou e começou a limpar seu rosto. Raven estava andando de um lado para outro, como se estivesse agoniada com algo.
— Por que está sendo tão legal comigo? — Kara Leigh perguntou, assim que terminou de limpar o rosto. — Pensei que me odiasse por não ter concordado em salvar o seu amigo.
— Eu não odeio você. Sobre esse lance com o Finn, ele também teve sua parcela de culpa. Não morro de amores por você particularmente, mas... não me pareceu justo descontar em você a raiva que eu sinto do Murphy, só por ser a namorada dele. — Raven respondeu, se recostando em um parede e cruzando os braços. Após um curto período de silêncio, a terrestre suspirou outra vez antes de finalmente revelar a verdade.
— Eu era namorada dele... — Kara Leigh respondeu, olhando para o chão, envergonhada.
Outro período de silêncio, desta vez, mais longo. A morena arregalou os olhos, em uma expressão de quem não estava entendendo nada, incomum para ela.
— Ah, caramba... agora tudo faz sentido! Vocês terminaram, você chorou até não aguentar mais, e é por isso que entrou na minha área de serviço parecendo um panda explodido. — Raven indagou, voltando a andar de um lado para outro. — Caramba... acho até que simpatizei mais com você, garota.
— Depois que tirarmos nosso povo de dentro da montanha, eu vou partir para Polis. Não vou conseguir ficar aqui e vê-lo todos os dias... — Kara Leigh respondeu, cabisbaixa.
— Normal... quem em sã consciência aguenta ver o Murphy todos os dias? — Raven perguntou, em uma frustrada tentativa de fazer uma piada. Frustrada, pois a outra a encarou com um olhar de reprovação.
— Tenho certeza que eu já disse isso para todo mundo aqui, mas vocês já pensaram que ele é assim exatamente porque vocês o tratam igual lixo? — Kara Leigh perguntou, ainda encarando Raven com o olhar de reprovação.
— Não necessariamente. Você era a namorada dele, e isso não o impediu de ser um bosta com você. Foi ele que te deu um fora, não foi? — Raven perguntou. Desta vez, a terrestre não se irritou. Ela apenas sentiu seus olhos voltarem a lacrimejar. — Ah, vai... chorar não vai resolver nada.
Raven estava agindo de maneira completamente fora do normal dela nesse dia. Para completar o pacote, ela se aproximou da mais nova e pôs uma mão em seu ombro.
— Nós bem que te avisamos, esse garoto não vale nada. — Raven disse, da forma mais amigável que conseguiu. — Vá por mim, você arruma coisa melhor. Você costumava ser amiga do Jasper, não? Talvez, quando tirarmos ele da montanha, vocês dois se reaproximem.
— É... pode ser. Você está sendo muito legal comigo, chega a ser estranho. Tem certeza que não somos amigas? — Kara Leigh perguntou, enxugando algumas lágrimas que estavam caindo.
— Preciso voltar a trabalhar. Vá procurar sua turma, maluquinha. — Raven respondeu, dando um tapinha de leve nas costas dela e saindo do cômodo.
Por mais irônico que fosse, Kara Leigh nunca imaginou que, em um período de tristeza profunda, seria Raven quem se esforçaria para animá-la um pouco. Não tinha o mesmo grau de intimidade de Octavia, mas Raven se mostrou não ser tão ruim assim.
Ela terminou de se recompor e foi para fora, ver como estava se saindo o treinamento de seu povo dentro do território skaikru. Aparentemente, Indra havia finalmente deixado Octavia participar... e a morena estava levando a maior surra. Porém, ela se levantava sempre que era jogada no chão. Kara Leigh não se impressionou. Ela sabia que Octavia era determinada por natureza, e não iria parar por nada.
Logo, ela teve outras preocupações. Já era noite, e Lincoln ainda não havia voltado. Ele teve algum problema quando foi levar Bellamy até a montanha, com certeza. Juliet também não havia voltado. Deveria estar acompanhando Clarke na reunião com Lexa até agora.
Seu arco novo estava pronto, e ela havia feito algumas flechas nos dias anteriores. Talvez, um pouco de treinamento a fizesse se distrair. Contudo, bem quando a diversão ia começar, Indra interrompeu as lutas para seu povo se reunir em uma caçada, pois a comida do Acampamento finalmente havia acabado. Por pouco, Kara Leigh não se ofereceu para ir junto. Apenas parou ao ver Octavia tentando se levantar, inutilmente.
— Não se esforce, O. Você levou uma surra e tanto. — Kara Leigh disse, a ajudando a se levantar e a apoiando em seu ombro.
— Ainda estou menos machucada que você. — Octavia respondeu, tirando sarro da outra.
— Ande, espertinha. Deixe eu cuidar desses ferimentos antes que inchem. — A loira respondeu, ignorando a gracinha e levando-a para a tenda médica.
Enquanto tratava dos ferimentos de Octavia, a mente de Kara Leigh voltou a pensar no que havia acontecido mais cedo. Logo, a expressão dela voltou a ficar triste e seus olhos a lacrimejarem. Como é que ela iria superar isso se sequer conseguia esquecer?
— Ei, tenho certeza que Lincoln e Bellamy estão bem, não precisa pensar no pior. — Octavia disse, tentando confortá-la. Então, era isso que ela achava que estava atormentando os pensamentos da mais nova...
— É claro... eles estão bem sim. — Kara Leigh respondeu, em um tom de voz distante. Octavia estranhou e a encarou com a testa franzida.
— O que houve com você? A última vez que te vi desse jeito foi quando aconteceu aquela tragédia na sua aldeia. — Octavia questionou.
— Não aconteceu nada de mais, O, sério. Eu não quero falar nisso... — Kara Leigh respondeu, sem muita cerimônia.
— Pode parar, não tem segredo que você consiga esconder de mim. Estou sentindo cheiro de coisa errada, e quando tem coisa errada, o Murphy está envolvido, acertei? — Octavia perguntou, em um tom mais firme.
— Ele não é mais meu namorado. O que significa que eu não sou mais problema dele. Deve estar satisfeita, você nunca aprovou nós dois mesmo... — Kara Leigh respondeu, tão firme quanto a amiga.
— Não, espere um pouco aí. Esse garoto fez alguma coisa para te machucar? Porque eu avisei! Avisei que se ele te magoasse, nem que fosse só um pouquinho, eu iria quebrar a cara dele! — Octavia respondeu, fazendo menção de se levantar.
— Pode ficar sentadinha aí, você não vai fazer nada com ele. Tudo bem, se ele não me quer mais, não posso forçá-lo a ficar comigo. — Kara Leigh respondeu, cabisbaixa. Mesmo que eu ainda seja completamente louca por ele... pensou.
— Garoto burro. O que deu na cabeça dele? Por acaso, ele acha que vai encontrar alguém melhor que você? — Octavia perguntou, em tom de descontentamento.
— Eu disse que não queria falar nisso... — Kara Leigh respondeu, em um tom mais enérgico. — Preciso focar no que está acontecendo aqui agora. Vamos tirar nosso povo da montanha, depois eu vou me mudar para Polis e ser treinada pela Heda.
— É assim que se fala! Se você cair, deve se erguer. — Octavia respondeu, em um tom motivacional.
— O... posso te pedir um favor? — A terrestre perguntou.
— Sempre, o que foi? — Octavia devolveu a pergunta.
— Me chame só de Leigh a partir de agora... Lincoln começou a me chamar de Kara por causa da estrela mais brilhante do céu, aquela que mostra onde fica o norte. Só que agora... eu não brilho mais. — Ela respondeu, olhando para a frente.
As duas foram interrompidas por Indra, que pediu para falar com a morena em particular. Os próximos dias puderam se resumir em treinamento intensivo e planejamento para invadir a montanha. Leigh estava dando 100% de si para ficar mais forte e habilidosa, para poder ajudar a salvar seu povo. Ela passou a usar tranças no cabelo, assim como Octavia, além da pintura nos olhos, sua marca registrada.
Focando totalmente em seu treinamento, ela mascarava a dor de ficar pensando em John por muito tempo. Contudo, ela não sabia o que era pior. Vê-lo todos os dias, ou estar sem vê-lo desde que terminaram. Logo, Kane e Abby descobriram um bilhete deixado por Jaha, onde ele dizia que havia partido para a Cidade da Luz, e havia levado doze pessoas com ele, incluindo Murphy.
Então, uma hora dessas, ele deveria estar na Zona Morta. Realmente, Leigh não o veria durante um longo tempo.
*~*
Jaha e seu grupo estavam andando há cerca de um dia, e haviam chegado a um longo e vasto deserto. Durante quase todo o trajeto, Murphy veio em silêncio, repetindo para si mesmo em sua mente: eu sou um canalha, eu deveria desistir dessa baboseira, voltar e implorar o perdão dela.
Porém, ele não tinha culhão para fazer isso. Pensava que se aparecesse na frente dela outra vez, ela o mandaria pastar, e isso o destruiria completamente. E pensar que foi exatamente isso o que ele fez com ela...
Estava perdido em pensamentos quando ele e seu grupo avistaram uma carroça abandonada. Porém, não tão abandonada assim, pois uma terrestre pulou para fora da carroça e os abordou com uma faca. Jaha conseguiu fazê-la se acalmar, com toda aquela sua ladainha espiritualista, e conseguiu com que ela tirasse a máscara.
Ela era morena, de olhos castanhos e pele bronzeada. Tinha uma tatuagem no rosto, que ia desde a bochecha até a testa, passando pelo nariz. Ela chamou a atenção de Murphy. Era bonita, talvez tão bonita quanto Leigh. Ele as comparou, pois naquele momento, aquela terrestre estava com o mesmo olhar de Leigh no rosto, de quando ele a conheceu. Apesar de ser o completo oposto dela...
— Qual é o seu nome? — Jaha perguntou.
— Emori. — A garota respondeu. — Estou com muita sede, vocês tem água?
Murphy, automaticamente retirou sua garrafa da mochila e a entregou para Emori. Foi quase como um instinto. Como se ele estivesse tentando consertar uma burrada. Mesmo que estivesse fazendo isso com a garota errada...
Continua
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