The Reason Is You

24 Capítulo 24 - Descendente Do Céu


Notas iniciais
OLÁ MARILENES! Preparadas para o capítulo com revelações mais plot twists que a série LOST? Ok, não é pra tanto, todo mundo já sabe... Enfim, sorry pela ausência do nosso shipp #Murpheigh :'( Prometo que compenso no próximo, ok? Esse capítulo é basicamente explorando as origens da nossa Pitanguinha preferida. *Aarone se pronuncia "Érron" Boa Leitura!

Anywhere you go you're gonna find me

No matter what you need

If you ever fall down

And you can't get back

If you lose your strengh to stand

Daughtry — I'll Fight

Antes de dar dois passos, Juliet congelou, ainda segurando a mão de Kara Leigh. A terrestre não entendeu nada. O que estava acontecendo ali? Por que essa preocupação toda por causa de um anel?

—Antes de irmos até a Chanceler, me responda duas coisas. – Juliet disse, sem olhar para o rosto da mais nova. – Qual é o nome da sua mãe e onde ela está?

—Ela morreu quando eu era mais nova. Assassinada por um guerreiro Azgeda. – Kara Leigh respondeu. – Se chamava Aarone.

Por mais que Kara Leigh tivesse poucas memórias da infância, ela ainda se lembrava ao menos do nome de sua mãe.

—Meu Deus... – Juliet começou a ofegar. Ela estava muito nervosa. Kara Leigh percebeu, pois a mão que segurava havia começado a tremer. – Não pode ser!

Juliet tomou coragem outra vez e saiu pelos corredores desesperada, indo até o compartimento onde Abby estava. Uma hora dessas ela ainda deveria estar reunida com o conselho, conversando sobre os dois garotos, mas isso podia esperar. Principalmente quando uma bomba desse tamanho estava prestes a cair no Acampamento Jaha.

—Espere aqui, está bem? Quando eu te chamar, você entra. – Juliet instruiu Kara Leigh, que assentiu, ainda confusa.

Juliet respirou fundo e entrou na sala. De fato, Abby estava reunida com os outros membros do conselho. Bem, ao menos os que restaram. Clarke, Bellamy e Octavia já não estavam mais com a líder skaikru. Ela sentiu seu rosto se avermelhar ao perceber que tinha interrompido a reunião, mas era por uma causa importante.

—Guarda Stryder, houve algum problema? – Abby perguntou.

—Alerta vermelho, Chanceler. Vai parecer difícil de acreditar, mas... aquela menina terrestre que chegou junto com os garotos... é minha irmã! – Juliet desembuchou tudo de uma vez.

Abby pareceu chocada por um momento. A Chanceler refletiu durante alguns segundos, enquanto um burburinho se instalava na mesa do conselho. Mas logo, ela se voltou para Juliet novamente.

—Tem certeza? – Abby perguntou.

—Certeza absoluta. – Juliet respondeu. – E eu posso provar.

—Em outro momento. Precisamos resolver um assunto por vez, e estamos discutindo sobre o que os garotos fizeram lá fora e as providências a serem tomadas. – Abby respondeu. – Além disso, estamos na Terra, não na Arca. Segundos filhos não são mais considerados como crime. Irei conversar com você depois que acabar aqui, está bem?

—Certo... obrigada de qualquer forma, Chanceler. – Juliet disse, saindo da sala, encontrando Kara Leigh ainda na porta.

—O que houve? Não era para eu entrar? – Kara Leigh perguntou.

—Não, agora não. Parece que a Abby tem assuntos mais importantes para resolver agora. Tipo a barbaridade que aqueles garotos fizeram na sua aldeia. – Juliet respondeu.

—Você quer dizer, que o Finn fez. O John não matou nenhum inocente. – Kara Leigh retrucou, defendendo o namorado. – Falando nisso, eu queria vê-lo.

—Mesmo se eu te levar lá, não vão te deixar falar com ele. – Juliet respondeu. – Ele e o Finn estão presos, Kara Leigh. E até a Abby resolver essa situação, eles vão continuar presos.

—Não tem nada que eu possa fazer? O John não tem culpa, ele não merece pagar por um crime que ele não cometeu! – Kara Leigh respondeu, tendo uma sensação de deja vu. Não era a primeira vez que Murphy estava no lugar errado e na hora errada quando um crime era cometido.

—Talvez sim, quando eles forem a julgamento. – Juliet respondeu. – Mas temos que esperar de qualquer maneira. Vamos matar tempo enquanto isso.

Juliet queria conhecer melhor a menina terrestre, antes de confirmar que aquela era mesmo sua irmã. Todas as evidências apontavam que sim. Juliet tinha doze anos quando sua mãe supostamente cometeu suicídio, roubando uma cápsula para descer para a Terra, em um período onde todos achavam que a Terra ainda era tóxica. O que somente Juliet sabia era que sua mãe estava grávida de um segundo filho. O que era um crime gravíssimo na Arca.

*~*

16 ANOS ATRÁS

Aarone Stryder entrou em sua casa na Arca com vários pacotes ilícitos, possivelmente roubados da enfermaria. Ela retirou o enorme casaco e a cinta, usados para disfarçar a barriga de oito meses, quando sua filha Juliet apareceu. A menina corria um risco enorme guardando o segredo de sua segunda gravidez, mas infelizmente era necessário. Aarone não pretendia abortar o bebê. O que significava que não poderia criá-lo na Arca. O risco de ser executada por isso e de Juliet ser prejudicada era muito grande.

—Juliet, preste atenção. Preciso que você guarde segredo do que a mamãe está fazendo. – Aarone disse, se aproximando da filha. – Seu irmãozinho não está seguro aqui.

—Mas eu posso cuidar dele. Eu vou proteger vocês dois, mamãe! – Juliet respondeu. – Ele vai poder viver aqui em casa, e eu vou trazer comida e brinquedos para ele, para ele não ficar entediado.

—Mesmo assim ainda é arriscado, filha. Com todas as inspeções de rotina... ele vai ser encontrado algum dia. – Aarone respondeu. – Eu vou levá-lo para a Terra e criá-lo lá.

—Mamãe, a Terra é inabitável, qualquer um sabe disso. Você não vai sobreviver lá! – Juliet respondeu. – Fique aqui, eu posso acobertar você.

—Não quero que aconteça com você o que houve com o seu pai... – Aarone respondeu, se lembrando do falecido marido.

Seu marido e pai dos dois filhos havia sido executado seis meses atrás, acusado de acobertar contrabando de peças mecânicas, essenciais para o funcionamento da Arca. Desde então, ela foi extremamente cuidadosa para não ser pega grávida outra vez.

—Mas eu vou sentir sua falta... – Juliet respondeu, chorando.

—Meu amor... eu também vou sentir a sua, mais do que você imagina. Mas eu quero que você tenha uma oportunidade de vida, sem que eu seja motivo para você se encrencar por qualquer coisa. – Aarone respondeu, acariciando o rosto da filha. – Você precisa ser forte. Eu vou ter que estar lá para seu irmão. E talvez um dia, nos veremos outra vez. Quem disse que a Terra ainda é inabitável?

Juliet se jogou nos braços da mãe, abraçando-a o mais forte que conseguia.

—Posso saber qual vai ser o nome dele? – Juliet perguntou, quando soltou a mãe.

—Bom, isso depende. – Aarone respondeu, tirando um pequeno anel do bolso e mostrando a Juliet.

—É igual ao meu. “LS”... vai começar com L? – Juliet perguntou.

—Vai sim. Se for menino, vai ser Lewis, como seu pai. – Aarone respondeu. – E se for menina, vai ser Leigh.

*~*

—O que é isso que você passou no meu cabelo? – Kara Leigh perguntou, um pouco incomodada. – Isso queima!

Juliet decidiu que aquela seria uma boa hora para um momento de garotas. Pelo menos meia hora, até Abby finalizar a reunião. Até lá, ela separou um tempinho para alisar o cabelo da terrestre, que era puramente ondulado, e cortar o seu próprio.

—Duas chapas de ferro quente. Se chama chapinha. – Juliet respondeu, na frente do espelho, cortando o próprio cabelo. – Se olhe no espelho, você está uma belezinha.

Kara Leigh, estranhando a resposta de Juliet, se levantou e foi até o outro espelho. Assim que ela se viu, seus olhos se arregalaram, quase não reconhecendo a si mesma. Seu cabelo estava completamente liso. Praticamente ninguém que ela conhecia tinha os cabelos tão lisos. Provavelmente só Octavia, mas agora nem dava para ver por causa das tranças.

—Essa sou eu mesmo? Uau... – Kara Leigh disse, se admirando no espelho, gostando da mudança de visual.

—Espere até seu namoradinho colocar os olhos em você... – Juliet respondeu, penteando os cabelos com um pente, finalizando o corte e colocando a tesoura em cima de um móvel.

Kara Leigh teve outra surpresa quando se virou para olhar o que Juliet tinha feito. Ela havia cortado praticamente todo o cabelo, que agora se encontrava extremamente curtinho. Foi uma mudança brusca, pois antes, mesmo com o cabelo preso em um rabo de cavalo, ele ainda chegava até abaixo do pescoço. A guarda não pode deixar de rir quando viu os olhos arregalados da terrestre sobre si.

—Ah, não ficou tão ruim assim, vai. – Juliet disse. – Esse cabelo todo já estava me pesando.

—Ficou bom, eu gostei. – Kara Leigh respondeu. – Mas eu queria falar com meus amigos agora...

—Pode ir, eu te encontro quando a Abby sair da reunião. – Juliet respondeu. – E se eu descobrir que você tentou entrar na prisão, eu te faço entrar lá como prisioneira, hein!

Kara Leigh achou melhor nem responder, saindo para procurar Octavia, Clarke e Bellamy. Ela tinha gostado de passar um tempo com a guarda skaikru. Era quase como uma irmã mais velha...

Ao andar por dentro da enorme nave, ela sentiu vários olhares dos membros do povo do céu sobre ela. Não só olhares, comentários também. Coisas pejorativas como “essa terrestre imunda acha que é uma de nós agora?”. Contudo, ela ignorou. Já estava acostumada a escutar esse tipo de coisa de seu próprio povo. Isso provava que nenhum povo era completamente ruim, cada um tinha pessoas boas e pessoas ruins. Quer dizer, menos Azgeda. Aos olhos dela, aquele clã era inteiro ruim.

Kara Leigh teve que sair de dentro da nave para encontrar Clarke, Bellamy e Octavia. Eles estavam sentados com Raven. Kara Leigh ainda não sabia como se comportar perto de Raven. Isto é, ela nunca sabia se Raven iria ser legal com ela, ou atacá-la com paus e pedras. Ela a perdoou pelo incidente com os cabos de choque, mas... ainda era um pouco estranho.

—Ei, gente... – Kara Leigh cumprimentou o grupo, se juntando na roda.

—Ah, Kara Leigh. Que bom que você apareceu, estávamos falando de você mesmo. – Clarke respondeu. – Estamos bolando um plano para derrubar Mount Weather, e vamos precisar da ajuda do seu povo. Será que você consegue convencê-los de que tem pessoas do seu povo lá dentro, enjauladas?

—Caramba, Clarke! Deixe a Pocahontas respirar! – Raven a repreendeu. – Eu ainda preciso trabalhar no rádio, de qualquer maneira.

Kara Leigh sentiu um alívio profundo. Ótimo, então Raven estava de bom humor. Mas nem ela não sabia o que tinha feito para deixar Raven tão irritada... Se ela soubesse que Kara Leigh deu uma surra em Finn na aldeia, a deixaria ainda mais irritada.

—Olhe, Clarke... eu não sei se o meu povo vai querer colaborar numa hora dessas... – Kara Leigh respondeu, receosa. – Depois do que aconteceu em Tondc... isso vai chegar nos ouvidos da Heda com certeza. E ela vai ficar furiosa.

—Viram só, eu disse! – Octavia respondeu. – No máximo eles vão sozinhos resgatar o povo deles e deixar o nosso se ferrar lá dentro.

—Eles vão todos morrer, isso sim. Mount Weather tem todo um sistema de segurança, algo que nós entendemos. – Clarke respondeu. – Eles precisam da nossa tecnologia e nós precisamos do exército deles. Uma troca justa.

—Esse plano está mal formulado, nem sabemos como entrar lá. – Bellamy disse. – Precisamos estudar o que acontece por lá, é por isso que a Raven está consertando o rádio.

—E eu não sou a melhor influência para o meu povo nesse momento... eles ainda acham que eu sou uma traidora por ter me envolvido com um garoto skaikru. – Kara Leigh respondeu.

—Isso nós podemos resolver rapidinho. Eu vou buscar o cinto... – Octavia disse, ameaçando se levantar, fazendo Kara Leigh a encarar sarcasticamente.

—Você não quer nem que eu comece, Octavia. Porque eu estou morrendo de vontade de bater um papinho com o Bellamy e contar as coisas que você fazia com o Lincoln na caverna! – Kara Leigh respondeu, de modo triunfal, conseguindo a peripécia de fazer Octavia ficar muda e vermelha. E era difícil alguém conseguir calar Octavia desse jeito.

—Não, de novo não. Eu não quero nem imaginar isso! – Bellamy respondeu, balançando a cabeça em negação. Surpreendentemente, Raven era quem mais tentava segurar o riso.

—Pocahontas um, Xena zero. – Raven brincou, se levantando. – Eu vou dar uma olhadinha no Finn e no traste.

Acho que você quis dizer “no John e no traste”. Kara Leigh pensou, tentando esconder a expressão de sarcasmo. Contudo, até ela queria dar uma espiadinha na prisão. Por razões óbvias.

—Posso ir junto? – Kara Leigh perguntou.

—Calminha aí, eu tenho acesso à prisão, mas nem tanto. – Raven respondeu. – Desculpe...

—Nos mantenha informados, Raven. – Bellamy disse, enquanto Raven saía de perto deles. – Isso ainda vai dar um problema enorme...

Bellamy não poderia estar mais certo. E como iria...

Não muito tempo depois, Juliet saiu da estação, com Abby a seguindo. A reunião deveria ter acabado, e provavelmente estariam adiando o julgamento dos rapazes para isso. As duas se aproximaram do pequeno grupo.

—Sem perguntas, eu quero que vocês quatro me sigam. A guarda Stryder tem algo de importantíssimo para dividir. – Abby disse, os chamando para uma conversa privada. – E é bom que os quatro ouçam de uma vez só.

Ótimo. Agora, finalmente a hora da verdade. O que tanto Juliet estava escondendo? Clarke, Bellamy e Octavia estavam sem entender nada. Mas quando eles soubessem... ficariam de queixo caído. Kara Leigh mais ainda...

Adentrando a sala da Chanceler e trancando a porta, o grupo se reuniu em volta da mesa redonda, ansioso para ouvir sobre o que era tudo aquilo.

—Bom, o que eu tenho para dizer é que primeiramente, isso é confidencial. Apenas a Chanceler e o conselho sabem... ou suspeitam. Isso não pode sair daqui. – Juliet começou, deixando todos ainda mais apreensivos. – Enfim, quando a senhora ainda era a Dra. Griffin, lá na Arca, se lembra da sua colega de serviço, Aarone Stryder?

—Sua mãe? Não tem como eu não me lembrar da Aarone. Ela foi minha mentora em muitos aspectos da medicina. – Abby respondeu. – Se me lembro bem, ela cometeu suicídio pela Terra, quando você ainda era pequena.

—É, foi basicamente isso. Mas estávamos enganados sobre a Terra ser inabitável. Significa que ela sobreviveu aqui durante um tempo. – Juliet continuou. – O que ninguém sabia é que ela estava grávida do segundo filho. O que era um crime gravíssimo na Arca.

—É, eu mais do que ninguém sei disso. – Octavia respondeu. – Eu passei dezesseis anos morando debaixo do chão!

—Ainda estou tentando entender o que isso tudo tem a ver comigo... – Kara Leigh respondeu. – Nossas mães tinham o mesmo nome, e daí?

—O nome, o anel, a semelhança física, a idade, tudo bate certinho. Nossas mães não tinham o mesmo nome. Nós é que temos a mesma mãe. Você é o bebê que ela estava esperando. É minha irmã. – Juliet respondeu.

Kara Leigh sentiu tontura e exaustão ao ouvir aquilo. Ela não conseguia se mexer e seus olhos estavam tão arregalados que pareciam que iriam saltar para fora das órbitas. Não, aquilo tinha que ser uma brincadeira.

—Você está brincando comigo, não é? Eu não sou skaikru! Eu nasci aqui, nesse planeta! – Kara Leigh respondeu, levemente exaltada. – Eu... entrei em Trikru depois da morte da minha mãe. Antes disso, éramos praticamente exiladas sem clã, eu nunca soube o porquê. Acho que agora faz sentido, ela desceu do céu... eu acho que estou passando mal.

—Certo, respire fundo, bem devagar. – Clarke disse, segurando Kara Leigh pelos ombros, impedindo que ela caísse. A terrestre obedeceu. – Melhorou?

—Acho que sim... obrigada, Clarke. – Kara Leigh respondeu. – Então... você é minha irmã de sangue. Caramba, eu tenho uma irmã...

—E você é uma segunda filha, igual a mim. – Octavia comentou. – Caramba, Bell... por que a mãe não teve a mesma ideia? Eu poderia ter crescido aqui, ao ar livre, ao invés de debaixo do chão.

—Arriscado demais, ninguém sabia que a Terra era habitável. – Bellamy respondeu. – Além disso, a mãe delas era médica, a nossa era uma operária. Ela nunca teria os recursos para consertar uma cápsula sem ser pega.

Minha mãe era médica? Acho que sei de quem puxei o talento para a coisa... Kara Leigh pensou. Por mais que Lincoln tivesse sido quem a ensinou todos os macetes sobre ervas e como usá-las, o dom da garota para a medicina era bem evidente.

—Isso muda algo? Quer dizer, eu ainda sou Trikru, uma “terrestre” como vocês chamam... – Kara Leigh disse.

—Aarone desceu ainda grávida, você nasceu na Terra. Certamente, ainda é uma terrestre. – Abby disse. – Mas o fato de descender do nosso povo... pode ser vantajoso para uma aliança entre os povos.

—Ou pode me exilar de vez... eu disse, eles não estão de bom humor em relação a skaikru. – Kara Leigh respondeu. – E sinceramente, eu me sinto estranha aqui. Como um peixe fora d’água. A floresta é o meu lar...

Octavia a entendia completamente. Ela também não se sentia em casa com seu próprio povo. Ela era como um espírito selvagem e indomável, cujo lar era na floresta e seu dever era lutar nas guerras.

—Não, você entendeu errado. Eu quis dizer que não estamos te obrigando a ficar, você pode ir se quiser. Mas enquanto eu for Chanceler, eu quero que saiba que você sempre será bem vinda ao nosso território. – Abby respondeu.

—Mais um motivo para calar a boca daqueles imbecis lá fora que dizem que todos os terrestres são ruins. – Juliet disse. – Você pode ficar e provar o contrário.

Provar o contrário só porque descendo dos skaikru? Não, obrigada... Kara Leigh pensou. Para que a aliança entre os povos realmente fosse possível, uma simples ligação de sangue não seria suficiente.

—Eu vou ficar. Mas apenas porque tem pessoas importantes para mim aqui. Não porque eu faço parte do seu povo. – Kara Leigh respondeu. – Além disso, vocês irão precisar de proteção contra o grande ataque.

—Ela tem razão. Mãe, não iremos arranjar aliados contra Mount Weather agora. Pelo menos, não enquanto não resolvermos a questão do Finn e do Murphy... – Clarke disse.

—Kane foi até os terrestres, tentar negociar um acordo de paz... se eles já estão cientes do que aqueles garotos fizeram... Kane pode até estar morto agora. – Abby respondeu, com um tom de preocupação.

—Pode ser que sim, infelizmente. Mas mandar mais alguém lá nesse momento só vai piorar tudo. – Kara Leigh respondeu. – Primeiro, vocês precisam decidir o que vocês farão com o Finn.

—Certo. Estamos adiando isso por tempo demais. – Abby respondeu. – Vou me reunir com o conselho e decidir de vez o que fazer com os dois.

—Eu gostaria de testemunhar à favor do John. – Kara Leigh disse. – Se for possível.

—Será arranjado. – Abby respondeu. – Mas apenas o conselho poderá decidir qual vai ser o destino dele. E do Collins também.

Finn vai morrer de qualquer jeito. Se não pelas mãos do próprio povo, pelas mãos da Heda. Mas se alguém sequer pensar em tocar no John, terão que se ver comigo! Kara Leigh pensou, determinada em inocentar o namorado.

*~*

Kara Leigh permanecia sentada, do lado de fora da sala de julgamento, esperando ser chamada. As horas pareciam não passar. Sequer dava para ouvir algo. Tudo o que ela sabia é que estava a poucos metros de distância de Murphy e não tinha permissão de vê-lo.

Juliet estava fazendo companhia a ela. Agora que foi confirmado que as duas eram realmente irmãs, algumas respostas seriam bem vindas. A primeira pergunta que a terrestre fez foi sobre quem era seu pai. Juliet respondeu que infelizmente ele havia sido executado antes de sua mãe descer à Terra.

—Então você cresceu sozinha? – Kara Leigh perguntou.

—Não, eu fui viver com a família de uma amiga minha. Nós duas crescemos e treinamos para nos tornarmos parte da Guarda. – Juliet respondeu.

—Sua amiga está aqui? – Kara Leigh perguntou.

—Não. Ela desceu com a Estação Factory. Teve apenas uma sobrevivente, e não foi ela. – Juliet respondeu, com pesar.

—Sinto muito por sua perda... – Kara Leigh disse, em um tom baixo. – Eu também perdi alguém que cresceu comigo.

Kara Leigh contou a história de como conheceu Lincoln e como ele cuidou dela e de sua mãe por muito tempo. Quando a mãe dela foi morta por um guerreiro Azgeda, Lincoln adotou Kara Leigh como irmã mais nova e a levou para viver com ele, junto com o povo Trikru. Também contou de como ele a ensinou a manipular ervas.

—Octavia disse que os Ceifadores o levaram. – Kara Leigh continuou. – Mas eu sinto que ele ainda está vivo... só está longe.

—Ele parece ser um cara legal. Eu queria tê-lo conhecido. – Juliet disse. – E agradecer por ter tomado conta da minha irmã durante tantos anos.

Nesse momento, as portas da sala se abriram e um dos guardas chamou Kara Leigh para entrar. Juliet não podia acompanhá-la, então ela teve que ficar de fora. A terrestre adentrou a sala, um pouco nervosa. Geralmente não era levada tão a sério. Isso se dava pelo fato de ela ter sido uma “bonequinha delicada” durante tanto tempo. Mas as coisas iriam mudar bastante agora. Se a força bruta e a grosseria eram essenciais para proteger aqueles a quem ela amava...

Abby e o conselho estavam sentados em fila horizontal, com Abby no centro, de frente para Finn e Murphy. Quando Murphy a viu entrar na sala, uma expressão mista de alívio e preocupação se formou em seu rosto. Ela se conteve para não olhar muito para ele, mas também estava preocupada com o rumo que as coisas iriam tomar.

—Muito bem. – Abby começou. – Kara Leigh kom Trikru, nascida Leigh Stryder, integrante do Clã da Floresta, residente da aldeia de Tondc. Nos conte seu relato do que aconteceu no dia de ontem, em sua aldeia.

Abby teve que fazer essa introdução toda, pois todos os julgamentos eram oficiais e deveriam ser registrados de maneira completa. Kara Leigh não demorou a contar sua versão da história. De que foi até a aldeia para procurar por Murphy, e quando chegou lá, encontrou Finn atirando e matando inocentes, enquanto Murphy o tentava impedir. Porém, Finn não deu ouvidos e continuou atirando. Apenas parou quando viu Clarke na frente dele.

—Por mais que ele tenha perdido a razão e o bom senso, e tenha se deixado levar pela ansiedade em encontrar Clarke, ele ainda sim matou inocentes. – Kara Leigh continuou. – Não sei se nas leis skaikru tem alguma punição para isso, mas se meu povo colocar as mãos nele... bem, sangue deve ser pago com sangue.

E com essas últimas palavras, ela se retirou da sala, sem olhar para trás. Ela temeu ter sido muito fria. Se ela mesma de alguns dias atrás se visse agora, ficaria horrorizada. Mas ela sabia que toda aquela frieza era necessária. E que qualquer maneira de tentar salvar Finn da morte certa não iria funcionar. Agora só restava esperar que Murphy não pagasse pelos crimes de outro.

Continua

Notas finais
AHH MANO REVELAÇÕES!! Então aí está, a Kara Leigh e a Juliet são irmãs, mistério resolvido! Parece que nossa Octavia não é mais a única segunda filha conhecida. Sinceramente, eu queria tanto que a série explorasse mais esse lado dos segundos filhos... tanto assunto pra explorar e eles escolhem aquela desgraça da city of lights que foi uma bosta... KKKKKKK A Kara Leigh tá a dois passos de avançar na fuça do Finn de novo kkkkk. Pode deixar que o que é dele tá guardado. Mas enfim, vamos seguir o baile. Qual vai ser a reação do Murphy quando descobrir que a Kara Leigh descende dos skaikru? EITA TRETAS QUE NÃO ACABAM! Kisses ♥