The Reason Is You
21 Capítulo 21 - Três Na Fuga, Três Na Busca
Notas iniciais

Hello from the other side
I must have called a thousand times
To tell you I'm sorry
For everything that I've done
But when I call you never seem to be home
Adele — Hello
Clarke, Kara Leigh e Anya caíram em um poço que as levou a um carrinho em uma caverna escura. O pior nem era isso. Haviam corpos dentro daquele carrinho. Mais assustador que isso... alguns ainda se mexiam.
—Eles estão vivos, estão vivos! – Kara Leigh balbuciou, completamente apavorada.
—Rápido, peguem minhas mãos! – Clarke disse, agarrando as mãos das duas terrestres e pulando para fora do carrinho.
Antes que pudesse fazer algo, Kara Leigh sentiu a mão de Anya a puxando para um lado da caverna.
—Vamos, não podemos deixar nosso povo para trás! – Anya disse, puxando a garota. Porém, Clarke interviu e a puxou de volta.
—Anya, não! Olhe, meu povo está lá dentro também, mas eles tem guardas armados. Temos que fugir e procurar ajuda! – Clarke exclamou. – Por enquanto, temos que achar algumas roupas. Não dá para fugirmos praticamente nuas...
—Você poderia tentar não ser um peso morto, pelo menos uma vez na vida! — Anya disse, no ouvido de Kara Leigh, no idioma terrestre.
Tudo bem que ela estava morrendo de medo, mas ouvir aquilo de Anya, uma hora dessas... fez o sangue dela ferver.
—É exatamente o que eu estou fazendo, estou tentando nos tirar daqui. Voltar lá sozinha e desarmada é burrice! — Kara Leigh respondeu, em um tom grosso. – Não faça eu me arrepender de ter tirado você de dentro da jaula!
Nem deu tempo de Anya sentir o baque das palavras de Kara Leigh, pois um barulho bastante conhecido chamou atenção das três. Elas olharam para trás e viram as sombras chegando. Eram eles...
—Ceifadores! – Kara Leigh disse. – O que vamos fazer? Estamos desarmadas!
—Entrem no carrinho! – Clarke ordenou, e as três subiram no carrinho.
Aquilo era assustador. Elas estavam se fingindo de mortas, no meio de corpos reais. Ficou ainda pior quando os Ceifadores apareceram e despejaram mais corpos por cima delas. Kara Leigh pensou que fosse gritar, mas Clarke apertou sua mão, para que ela ficasse quieta. Em resposta, ela segurou a mão de Clarke mais forte ainda.
O carrinho começou a ser carregado. Elas perderam a conta de quanto tempo ficaram ali, debaixo dos corpos. Entre todas as vezes que Kara Leigh fora abusada por Anya, ou qualquer outro terrestre em sua aldeia, aquilo estava sendo mil vezes pior. Era definitivamente o pior dia da vida dela.
Quando o carrinho parou, Clarke imediatamente chamou as duas para saírem, assim que os Ceifadores saíram de perto. Anya, porém, estava dando uma morte piedosa a um terrestre ao lado dela. Aquelas palavras ditas a alguém momentos antes de sua morte. Yu gonplei ste odon, sua luta acabou. Kara Leigh não tinha certeza se diria isso para si mesma até o fim do dia.
Elas pegaram algumas roupas que estavam no carrinho, para se protegerem do frio dentro daquelas minas. Na verdade, para Kara Leigh, o frio pouco importava. Ela só queria sair daquele lugar horrível e voltar para as pessoas que ela amava... se é que estavam vivos. Ela o deixou sozinho. Sua última lembrança de John era dele agonizando de dor e preocupado, amarrado a uma árvore. Ela devia ter lutado mais.
—Esse lugar é um labirinto! – Clarke exclamou, enquanto as três corriam para tentar achar uma saída dali.
—Isso que eles estão fazendo conosco... o que é? – Anya perguntou, mostrando suas marcas das picadas de agulha. Kara Leigh também tinha várias dessas marcas.
—Eles estão usando o sangue de vocês. Eu vi um soldado voltar com queimaduras de radiação e horas depois ele estava curado. É como se o seu sangue pudesse curá-los de alguma maneira. – Clarke respondeu.
—Então é por isso que todos tem medo dos Homens da Montanha. – Kara Leigh comentou. – Por essa coisa horrível que eles fazem... eu não desejaria isso nem para o meu pior inimigo. Nem para você, Anya.
Mas logo, Clarke e Kara Leigh perceberam que Anya não estava mais com elas. As duas se entreolharam, como se dissessem “eu vou me arrepender disso” uma para a outra. Mesmo assim, foram atrás da companheira.
—O que está fazendo? Esse é o caminho de volta para os Ceifadores! – Clarke disse, alcançando Anya.
—Você segue o seu caminho, eu sigo o meu. Não precisa de mim para achar o caminho de volta para o seu povo, você tem ela! – Anya respondeu, apontando para Kara Leigh. – E você, sua covarde, pode ficar com eles! Não precisamos de outro fornicador de skaikru entre nós!
Agora ela tinha tocado no ponto fraco de Kara Leigh.
—Já chega disso! Não preciso mais aturar os insultos de alguém que vai entrar lá desarmada e ser morta porque é cabeça dura demais para pensar em uma solução coerente! – Kara Leigh exclamou, irritada, passando o braço por Clarke. – Vamos, Clarke.
Kara Leigh conseguiu arrastar Clarke por alguns instantes, até esta conseguir se soltar.
—Não, Kara Leigh. Isso está errado, não podemos simplesmente sair e deixar a Anya aqui para morrer! – Clarke disse.
—Se a situação fosse inversa, ela nem teria me tirado da jaula. – Foram as últimas palavras de Kara Leigh, antes de ela continuar andando. Clarke, atordoada, foi atrás dela.
De repente, as duas foram abordadas por vários ceifadores. Ela não sabia se era pelo efeito da adrenalina, mas Kara Leigh estava tão irritada que nem sentiu medo. A vontade dela nesse momento era de cravar sua espada em cada um deles, isso se ela tivesse uma espada. Mesmo assim, ela ainda tinha unhas, muito compridas por sinal. Em um gesto rápido, ela colocou o braço na frente de Clarke, de modo protetor. Iria ser morta? Provavelmente. Mas levaria alguns deles com ela.
Contudo para a extrema sorte, ou extremo azar delas, um barulho alto fez os Ceifadores recuarem com dor, enquanto Homens da Montanha em trajes especiais, e armados, chegavam perto das duas.
—Forasteira, se afaste! – Um deles disse. – Clarke Griffin, você vem conosco!
As duas estavam prestes a ser algemadas e levadas de volta quando Anya apareceu, arrancando as máscaras dos Homens da Montanha, fazendo-os morrer com a radiação.
—Encontrei uma saída! – Anya disse, incitando as duas a segui-la. – Por aqui!
Anya não matou todos os guardas, havia mais chegando. Elas precisavam correr depressa. Logo, elas viram o que Anya havia dito que era uma saída. Uma cachoeira gigante, bem alta, cuja queda poderia matá-las. Outra vez, Kara Leigh viu sua vida passando diante de seus olhos. Será que ela iria passar o resto da vida sendo desafiada pela morte, ou iria morrer de uma vez naquele exato momento? Se não fosse pela cachoeira, seria pelos guardas armados.
—Espere, precisa haver outra saída! – Clarke disse, se afastando da cachoeira.
—Não tem! – Anya respondeu.
Os guardas estavam se aproximando, era agora ou nunca. Kara Leigh estava com medo novamente. Ao olhar para aquele vale gigante, ela só conseguia pensar uma coisa: eu vou morrer. Porém, em um surto de adrenalina, ela pensou em todos que a estavam esperando lá fora. Tentou pensar que todos estavam vivos e esperando ela voltar. Lincoln, Octavia e John. Ela teria que ser forte por eles. Por todos aqueles que eu amo, ela pensou. Em um movimento rápido, agarrou a mão de Anya e saltou da cachoeira.
*~*
Murphy nunca pensou que sua vida fosse dar uma reviravolta tão grande em menos de dois dias. Ele foi preso, libertado, serviu de guia, tudo isso sob as ordens de um Bellamy muito revoltado. Na verdade, foi até bom pedirem para ele explicar onde fica a aldeia terrestre onde ele foi preso. Assim, poderia verificar se Kara Leigh estava por lá.
Bem, seria bom se ele estivesse sozinho. Agora ele tinha que aguentar Bellamy vermelho de raiva e Finn, que estava começando a enlouquecer. Os dois por causa de Clarke. Ao menos Sterling e Monroe eram tão na deles que Murphy nem ligava. Bellamy estava especialmente preocupado com ela, devido aos recentes acontecimentos. Ele não a culpava por ter fechado a nave e o deixado de fora, era a única chance que eles tinham para acender o anel de fogo. Mas ela e mais 47 estavam desaparecidos há dois dias, e graças à Abby, eles puderam sair do Acampamento Jaha (um belo substituto para o acampamento dos delinquentes) e procurar por eles.
No entanto, enquanto Bellamy estava mais concentrado, Finn parecia que iria perder a cabeça a qualquer minuto se não encontrasse Clarke. Ele estava diferente. Não era mais o pacifista que chegou à Terra. Agora ele era agressivo e impulsivo. É, definitivamente, Murphy gostava mais dele antes. Mas enfim, ele estava procurando o caminho para a aldeia, quando eles avistaram alguns terrestres ao longe.
—É ali. Eu disse que iria achar. – Murphy disse.
—Eu não vejo ninguém além de terrestres. – Bellamy respondeu. – Nosso povo não está aqui.
—Filho da mãe! – Finn disse, apontando sua arma para um deles. – Aquele cara com um olho só. Ele está com o relógio da Clarke.
—Aquele relógio era do pai dela... ela nunca entregaria sem lutar. – Bellamy disse, mais para si mesmo. Será que eles estavam com o povo deles? Com Clarke? – Está bem, vamos fazer o seguinte.
Bellamy começou a explicar o plano para a equipe, sobre como iriam capturar o terrestre de um olho só e interrogá-lo.
—Eu vou ganhar uma arma agora? – Murphy perguntou. Por favor, coloquem uma arma na minha mão para que eu possa atirar em todos vocês e ir encontrar a minha garota, pensou.
—É, algo do tipo... – Bellamy respondeu.
Ok, a concepção de arma que Murphy tinha era completamente diferente do que Bellamy fez. Ao invés de ganhar um fuzil, ele ganhou um par de pedras. Um maldito par de pedras! E para servir de isca! É, quando ele achava que teria alguma sorte na vida...
Pois bem, o plano deu certo e eles conseguiram capturar o terrestre. Porém, quando Bellamy perguntou para onde eles iriam levá-lo para interrogá-lo, e Finn sabia de um lugar, Murphy não imaginou que seria aquele lugar. O mesmo bunker onde ele tirou a virgindade de Kara Leigh, que tinha se tornado um dos lugares com algum valor sentimental para ele. Ele não queria estragar as lembranças boas que tinha ali fazendo algo cruel, como interrogar, e possivelmente torturar, aquele homem de um olho só. Droga, Finn, por que não escolheu outro lugar?
—Pois bem, eu vou perguntar de novo e vou continuar perguntando até você responder. Onde achou isto? – Bellamy perguntou, mostrando o relógio para o terrestre.
—Eu já disse, achei do lado de fora do seu acampamento. – O terrestre respondeu.
—É mentira, ela nunca tiraria isso voluntariamente! – Finn respondeu, agressivamente tirando o relógio das mãos de Bellamy. – Cadê a garota que estava usando este relógio?!
—Eu nunca vi uma garota! – O terrestre respondeu, mais nervoso.
—Ele está mentindo de novo, talvez seja hora de parar de perguntar gentilmente. – Murphy disse. Ele entendia o que Finn e Bellamy estavam passando. Se aquele homem estivesse com o anel de Kara Leigh, por exemplo (coisa que ela praticamente nunca tirava), Murphy já estaria enchendo ele de porradas, perguntando sobre ela.
Por fim, foi exatamente isso que Finn fez. Mesmo com Bellamy o mandando parar, ele continuou. Até que conseguiram chegar em um acordo e o terrestre concordou em desenhar o mapa para a suposta aldeia onde Clarke e os outros estariam sendo mantidos. Quando ele terminou, entregou o mapa a Bellamy.
—Vamos andando. – Bellamy disse.
—E quanto a ele? – Sterling perguntou, apontando para o terrestre.
—Deixem-no aqui. Lidamos com ele quando isso acabar. – Bellamy respondeu, com a postura firme.
—E se ele escapar? Ele sabe exatamente para onde estamos indo! – Murphy respondeu.
—Nós não vamos matá-lo! Ele está desarmado, Murphy! – Bellamy respondeu, mais severamente.
—Não tem outra opção, Bellamy! – Murphy também começou a levantar a voz. – Não tem nem no que pensar. Ele é um maldito terrestre!
—Sua namorada também é! – Bellamy respondeu, tocando na antiga ferida de Murphy. – Não se esqueça disso.
—Eu não esqueço... principalmente quando sei que a sua namorada a matou com aquele anel de fogo! – Murphy cuspiu as palavras com ódio. – E ainda sim eu estou aqui, te ajudando a encontrá-la! E não sei porquê. Pois até onde sabemos, tanto Clarke, quanto Kara Leigh, quanto sua irmã Octavia podem estar mortas!
Um barulho de disparo interrompeu a discussão acalorada dos dois. Finn estava com sua arma na mão, apontada para a cabeça do terrestre. Ele havia atirado. A visão de ninguém menos que Finn fazendo aquilo foi perturbadora, tanto para Bellamy quanto para Murphy.
—Agora sim, vamos andando. – Finn disse.
*~*
Kara Leigh acordou, sentindo seu corpo sendo parcialmente molhado pela água do rio que a carregou vários metros até chegar à margem. Ela olhou ao redor e viu Anya e Clarke, um pouco afastadas. Anya já estava acordada, enquanto Clarke ainda estava inconsciente.
—Você conseguiu, insetinha. — Anya disse, no idioma terrestre. – Ainda está viva.
—Depois de tudo o que passamos, você ainda me insulta... — Kara Leigh respondeu, saindo da água. – Droga, por que você me odeia tanto? Seja sincera, não diga que é porque eu sou um peso morto! Posso não gostar muito de atacar os outros sem necessidade, mas não é por isso que eu sou uma inútil! Sou uma das, se não a melhor curandeira da aldeia. Quando seus soldados aparecem envenenados, sou eu quem dá antídoto a eles. Conheço essa terra de cima a baixo, conheço todas as plantas e sei fazer todos os remédios. Não me tome por inútil só porque não sou uma sanguinária igual a você!
Pela primeira vez, Kara Leigh conseguiu deixar Anya muda e impressionada. Porém, quem ficou impressionada foi a própria Kara Leigh, com o que Anya disse depois.
—Eu nunca odiei você. Eu tinha inveja. — Anya respondeu. — Você é como uma princesinha intocável. Sei que você e Lincoln não são parentes de verdade, mas ele te ama e te protege como se fossem da mesma família. Eu só tinha essa relação com minhas segundas, e nenhuma era tão intensa quanto a que vocês têm. E por Heda, você matou um guerreiro Azgeda quando ainda era uma criança sem treinamento nenhum! Isso fez meu sangue ferver completamente quando você não quis entrar para o exército. Você tem potencial, e está jogando fora porque tem medo. É por isso que eu te infernizo todo esse tempo. Para ver se você deixa a guerreira poderosa dentro de você finalmente sair.
—Aquele guerreiro Azgeda matou minha mãe. Fiz isso puramente porque ele me machucou e tirou alguém que era importante para mim. — Kara Leigh respondeu. —É o único motivo que eu acho plausível para tirar a vida de alguém. Sangue se paga com sangue. E ainda não me orgulho disso. Eu nunca mataria um desconhecido em um campo de batalha, sendo que ele nunca fez nada para me atingir. Essa é a diferença entre nós duas.
Kara Leigh começou a caminhar para dentro da floresta, dando um último olhar para trás. Anya não a impediu de ir.
—Nossa luta acabou, senhora. — Kara Leigh disse, entrando na floresta de vez.
Mesmo ferida e cansada, ela precisava encontrar as pessoas que eram importantes para ela. Nem que tenha que ir desde o território Azgeda até a Zona Morta, ela iria encontrá-los. Toda vez que pensava em John, seu coração lhe dizia para ir mais depressa.
Ela andou. Andou por horas. Perdeu a conta de quanto tempo havia caminhado quando sentiu algo incomodando em seu braço. Estava ardendo. Ela levantou a manga da jaqueta e viu que tinha uma elevação sobre sua pele. Droga, o que era aquilo?
Pior que isso, ela olhou para trás e viu pessoas com trajes especiais em seu rastro. Ela estava sendo cuidadosa e tapando seus rastros, como é que eles a acharam? A elevação. Só poderia ser aquilo. Rapidamente, ela procurou por uma pedra afiada no chão. Quando achou o mais próximo disso, respirou fundo e cortou seu braço, enfiando sua outra mão e retirando um pequeno dispositivo que era a tal elevação. Ela chorou um pouco com a dor, mas não importava agora. Ela precisava correr, e muito.
E por outras muitas e indeterminadas horas, ela correu. Estava prestes a perder suas esperanças, quando ouviu a corneta que anunciava a névoa ácida. Névoa ácida, isso significava duas coisas. Uma, ela tinha que procurar algum lugar para se esconder, e duas... Lincoln estava por perto. Ela começou a correr ainda mais rápido, com a esperança de encontrar seu “irmão”, quando tropeçou e caiu, rolando descontroladamente até perto de um precipício. Seu ouvido chiou e sua visão ficou turva. Novamente, havia algo quente escorrendo por sua testa, e por outras partes do corpo.
Ainda com a visão turva, ela notou alguém se aproximando dela. Tinha mais alguém, mas ela não conseguia ver quem era. As vozes gritando pareciam não fazer sentido. Até que ela pareceu recuperar um pouco os sentidos e viu quem era.
—Ah, meu deus! Kara Leigh! – A voz, extremamente familiar, era de Octavia. Ela queria falar, mas não conseguia. – O que está fazendo aqui? Onde esteve esse tempo todo?
—Octavia... – Kara Leigh só teve forças para chamar seu nome.
—Droga, você está sangrando! Bellamy, me ajude aqui! – Octavia gritou. Logo, a figura de Bellamy apareceu na frente dela. Octavia entregou um pedaço de pano para ele. – Amarre isso na perna dela, eu vou pegar água.
Kara Leigh sentiu Bellamy, de fato, fazer um torniquete na perna dela. Mas ele também a pegou no colo e a sentou em uma pedra. Isso era estranho, só Lincoln a pegava no colo, e quando pegava...
—Você devia ter aparecido cinco minutos atrás, garota. – Bellamy sussurrou, só para ela ouvir.
—A gente não deveria ir atrás dele, Bellamy? Não faz nem cinco minutos que ele e o Finn saíram. – Uma garota, que Kara Leigh não conhecia disse. Ela olhou para os lados a procurando e viu uma menina ruiva com tranças no cabelo. – Ele vai matar a gente se descobrir que nós achamos a terrestre dele e não contamos.
—Não, Monroe, isso pode esperar. – Bellamy respondeu. Octavia voltou com o cantil cheio de água e deu para Kara Leigh beber. – O, ela pode saber sobre a Clarke e os outros...
—Clarke... eu vi a Clarke... – Kara Leigh disse, ainda fraca. Ela não tinha mais forças para se manter acordada, e desmaiou em seguida.
—O, ela viu a Clarke! – Bellamy exclamou. – Ela sabe onde ela está!
—É, eu ouvi, Bell. Mas não dá para perguntar nada com ela desse jeito! Vamos levá-la junto com a Monroe e a Mel para o acampamento. Dê um tempo para ela se recuperar. – Octavia disse. – Amanhã nós perguntamos sobre a Clarke e bem... vamos atrás do Finn e do Murphy. Só espero que eles não façam nada estúpido.
—Devíamos ir agora, não tem mais motivo para eles irem até a aldeia. – Bellamy respondeu, pegando Kara Leigh no colo outra vez.
—Não, deixe eles irem. Kara Leigh disse que viu a Clarke, mas não disse onde. – Octavia respondeu. – Sei que o Finn está meio pirado, mas o Murphy não vai deixar ele fazer besteira na aldeia da namorada dele. Ou será que vai?
Bellamy e Octavia se entreolharam, preocupados. Agora que Kara Leigh havia aparecido, ela era o estopim para muitas perguntas. Onde ela estava desde o anel de fogo, onde Clarke estava, onde os outros 47 estavam. Mas ainda sim, Octavia não estava preparada para dar a dolorosa notícia de que os Ceifadores capturaram Lincoln. E sendo Ceifadores, não é difícil imaginar o que eles fazem com as vítimas. Ela própria ainda estava sofrendo com isso.
Fora isso, ainda tinham que fazer todo o caminho até a aldeia para buscarem Finn e Murphy. Com certeza, Kara Leigh iria querer vê-lo quando acordasse, e não iria ficar nada feliz de saber que ele estava armado na aldeia dela, cheia de pessoas inocentes.
—Vamos logo para o acampamento. – Bellamy disse.
Continua
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