The Reason
3 Capítulo 3
I'm sorry that I hurt you. It's something I must live with everyday. And all the pain I put you through. I wish that I could take it all away. And be the one who catches all your tears. That's why I need you to hear.
Eu sinto muito ter te magoado. É algo com que devo conviver todos os dias. E toda a dor que eu te fiz passar. Eu gostaria de poder retirá-la completamente. E ser aquele que apanha todas as suas lágrimas. É por isso que eu preciso que você escute.
No dia seguinte o ônibus já estava concertado e voltamos para a estrada rumo a Denver. O show seria daqui a dois dias e tínhamos muito o que fazer. Enquanto isso ficamos no ônibus rumo ao próximo show. Peguei meu livro “P.S. I Love You” sentei-me na minha cama e fiquei lendo meu livro favorito. A cada página lida, eu sofria mais do que eu já estava sofrendo. Só o título do livro me fazia lembrar momentos que passei ao seu lado.
Eu fiquei isolado onde ficavam as camas, enquanto que Alec, Jon e Spencer se divertiam jogando baralho entre os puffs. Depois de algum tempo minha vista estava cansada, o que fez deixar meu livro de lado e ajeitar-me na cama.
# Flashback #
Iríamos fazer uma entrevista para a Billboard, a revista que faz bandas comuns se tornarem conhecidas e importantes. Ficamos esperando no camarim ate que alguém viesse nos chamar para começarmos.
Para nossa sorte Alec trouxe um violão e começou a tocar alguma coisa devido à demora. Spencer estava comendo guloseimas com Jon e eu estava tomando um energético. Entre um gole e outro eu acompanhava Alec com os vocais. Quando terminei de tomar meu energético, um homem de terno entra pela porta e informa que daqui a pouco começaríamos com a entrevista. Fomos educados em esperar.
Foi só o tempo de Alec tocar mais duas ou três musicas que o entrevistador chegou para começarmos. Fomos para outra parte do prédio e lá começamos com as entrevistas, já devia estar na vigésima ou mais. Jon e Spencer ajudaram Alec e eu a responder a algumas.
– Para finalizar com a entrevista... — Começou o entrevistador, logo pensei que coisa boa não podia ser, Alec olhou para mim e estávamos pensando na mesma coisa. Seu olhar me informava isso. -... As fãs comentam muito sobre Alshua em seus blogs e outras redes sociais, isso realmente existe ou são coisas da imaginação delas?
– Bem... – Pigarreei. -... A imaginação é uma boa forma de pensar em algo que irreal e que possa se tornar real.
– Mas Alshua realmente existe ou não?
– Se você quer que seu sonho se torne realidade, você corre atrás para alcançá-lo, não? – Alec respondeu também. — Deixamos que nossos fãs pensem o que realmente lhe fazem bem, se pensar em Alshua faz bem a elas, então não vamos proibir ou nos queixar sobre isso.
– Obrigado rapazes. – Comentou o entrevistador.
Saímos andando pelos corredores do prédio e entramos no elevador, segurei sua mão e entrelacei nossos dedos, ele olhou com receio, mas não desfez o meu gesto. Apenas sorriu e continuamos os nossos passos. Abraçamo-nos como bons amigos e o beijei na bochecha. Jon e Spencer riram quando ele limpou meu beijo, e eu sabia que ele tinha feito isso por brincadeira. Eu tinha mais do que admiração por ele. Eu tinha a amizade, e além dela o amor, e ele ainda não sabia deste ultimo.
# Fim do Flashback #
Fui acordado do meu sonho por Spencer. Ele queria conversar e eu não estava com muito animo para isso. Olhei para meu relógio e pelo horário devíamos estar chegando em Denver.
– Já chegamos em Denver? – perguntei ao Smith.
– Estamos quase lá.
– E como o Alec esta? – Um pouco sem jeito me ajeitei na cama e olhei Alec de longe que conversava com Jon animadamente.
– Eu sabia que você ia perguntar. Ele esta bem e bastante ferido com as coisas que você disse a ele.
– Eu me arrependo por cada uma dessas palavras Spencer. Cada uma delas, sem exceção.
– Eu sei que você se arrepende. Ontem ele me disse que também se arrepende do que disse a você, mas como você sabe, o Alec é difícil e cabeça dura, por mais que ele esteja errado, ele nunca vai admitir.
– Spencer, eu sinto a falta dele por perto de mim.
– Joshua, te aconselho a uma coisa: corre atrás e tenta se desculpar com ele. O Alec tem esse jeito durão, mas tem um coração mole para sentimentos, é só você insistir que uma hora ele cede.
– Não sei, depois das coisas que falei para ele não sei se ele vai querer voltar a falar comigo. – Mantive meu olhar direcionado a ele por uns segundos.
– Deixe de ser idiota Joshua, faça o que falei e lute por seu objetivo. Promete que vai pensar e fazer alguma coisa?
– Prometo.
– Isso mesmo, agora ânimo porque já estamos chegando ao hotel.
Nosso ônibus parou bem em frente à porta de entrada do hotel, andamos rapidamente ate o elevador e fomos ate nossos respectivos quartos. Spencer e Jon foram para o seu quarto e Alec e eu fomos para o nosso que era bem ao lado de Spencer e Jon. Fomos juntos porem calados. Entrei no quarto, jogando minha mala no chão e indo ate um sofá enorme que tinha dentro do nosso quarto. Sentei-me no sofá e fiquei olhando para ele que tinha se deitado na cama.
– Vai ficar me olhando ate quando? – Ele perguntou depois de perceber que estava sendo observado.
– Quem disse que estou te observando?
– Seus olhos me dizem isso.
– Meus olhos não dizem nada.
– Então porque eles estão olhando diretamente para mim?
– Porque não tem outro lugar para olhar.
– Você é muito cínico e deve se fazer de louco, só pode.
– E você se faz de desentendido. Sabe o que eu queria mesmo?
– Não, o que? – Disse cruzando os braços.
– Ter uma conversa amigável para finalmente me entender com você.
– Não comece com aquele assunto de novo. Você errou, admita isso.
– Se eu errei você errou também. Eu sinto a sua falta, e olha que nem se passaram vinte e quatro horas.
– Se contente com a minha ausência.
– Impossível você não sentir a minha falta também.
– Pode crer que sim, porque eu não sinto. – Percebi que ele mentiu.
– Já sei o que vou fazer.
– O que? – Perguntou confuso franzindo o cenho.
– Nada que seja do seu interesse Alec. Eu só estava pensando alto, só isso.
– Grosseiro.
Preferi ignorar seu ultimo comentário ao invés de responder, ambos já estávamos bastante feridos, não precisávamos de mais uma ferida para causar mais dor ainda. Não tinha nem como eu sair dali para deixá-lo em paz por alguns segundos. A portaria do hotel tinha milhares de fãs, só porque eu queria descer para fumar um pouco. Quando eu fico nervoso, em momentos como esse eu tenho vontade de fumar. Lembro uma vez que o Georginho me disse: "Você parece uma chaminé ambulante fumando essa porcaria, isso ainda pode te matar. Por favor, Joshua, pare de fumar essa merda." Eu ri com isso naquele dia. Está ai uma coisa que posso parar de fazer. Peguei a caixa de cigarros e joguei-a no lixo.
– O que você pensa que você está fazendo? — Ele perguntou sem entender nada.
– Estou apenas cuidando da minha saúde. Você mesmo me disse que essa merda um dia pode me matar. Então estou me livrando dela.
Ele ficou mais do que pasmo com a minha atitude, também não era para menos. Ficamos cada um no nosso canto, nem ousamos ser incomodados por Spencer e Jon que deveriam estar dormindo, a noite chegou bem rápido. Alec foi tomar um banho primeiro enquanto eu terminava de ler mais um capítulo do livro. Quando ele saiu eu já tinha terminado de ler, peguei minha toalha e o pijama que ele me deu de aniversário e fui tomar uma ducha. Com a água morna, as dores em meu corpo melhorariam.
Sai do banho enxugando meu cabelo com a toalha e com o pijama no corpo, olhei de longe e ele já tinha adormecido. Amanha seria o dia do show e tínhamos que estar dispostos. Acordei com o sol ultrapassando o vidro da janela porque ele tinha puxado as cortinas.
– Acorde seu preguiçoso, temos que fazer a passagem de som.
– Que horas são? — Perguntei esfregando os olhos.
– Hora de acordar porque há muito que se fazer hoje.
– Já vou Alec, tá parecendo a minha falando.
– Você tem sorte por eu não ser ela.
– Realmente eu tenho essa sorte. Não conseguiria imaginar você no corpo da minha mãe.
– Você e a sua imaginação.
– Minha imaginação é foda. Alec, eu sei que nós, eu e você, estamos brigados, mas não vamos deixar isso transparecer no palco mais tarde, okay?
– Eu ia lhe pedir a mesma coisa. – Concordamos em não deixar isso transparecer no palco.
Embora a nossa conversa de poucos segundos atrás tenha sido civilizada, foi muito bom ele ter me acordado, mesmo eu tendo dormido um pouco a mais como sempre acontecia.
# Flashback #
– Joshua, acorda. Vamos nos atrasar.
Acordei com alguém chamando por meu nome, olhei para o relógio e enfiei a cara de novo no travesseiro. Não consegui raciocinar direito e reconhecer a voz de quem havia me chamado. Esse alguém foi ate o meu closet e pegou algumas roupas, voltou puxando as minhas cobertas e sentou-se em uma poltrona.
Olhei para ver quem era e fiquei um pouco surpreso quando vi que era Alec que estava fazendo isso tudo. Geralmente ele costumava ficar irritado com a minha demora. Estranhei a súbita mudança. Sentei-me na cama e espreguicei-me, peguei a calça e a vesti. Fui ate o banheiro, para fazer o resto da minha higiene.
– Joshua, sabe sobre aquele assunto? – Ele começou
– O que tem? – Perguntei antes de começar a escovar os dentes.
– As pessoas estão falando que é real. – Cuspi a espuma na pia, apareci na porta do banheiro. Ele estava sentado na cama, na mesma cama onde tínhamos feito amor na noite anterior. Ele acariciava a seda macia onde tínhamos nos deitados.
– As pessoas falam demais. E sem contar que é verdadeira a minoria das coisas que elas falam, então não tem porque se preocupar. Ate a gente assumir nosso relacionamento, as deixem usarem a criatividade delas para alguma coisa, enquanto isso usamos a nossa para fazer o que fazemos de melhor.
– Musica? – Ele arregalou os olhos.
– Também, mas tem outra coisa. – Arqueei as sobrancelhas e fique encarando o seu olhar.
– Não me diga que não é o que eu estou pensando?
– É isso mesmo que você esta pensando.
– Como que você consegue pensar nisso em um momento desses?
– Alec, você se preocupa demais.
– Se eu não me preocupar sabe-se lá o que pode vir acontecer.
– Alec, relaxa. É só a gente tomar cuidado que não vai acontecer nada. Você não concorda comigo?
– Concordo, mas é que eu tenho tanto medo.
– Hey, não se preocupe. – Fui ate ele e o abracei. – Vou terminar de me arrumar e já vamos, okay?
– Okay.
Voltei ao banheiro e terminei de me arrumar. Passei um perfume, porque gosto de ficar cheiroso para ele. Penteei o cabelo, coisa que não costumava fazer, só ajeitava com a mão antes de ter decidido com Alec sobre o nosso sentimento em relação um ao outro. Voltei para o quarto e coloquei minha camisa e comecei a abotoar cada botão, ele se aproximou e me ajudou. Eu sempre me atrapalhava com os botões dessa camisa. Demos um selinho e saímos para o nosso compromisso.
# Fim do Flashback #
Hoje eu percebo o motivo do qual ele tinha medo. Apressei-me e entrei na van que nos levaria ate o local do show. Spencer e Jon já estavam a nossa espera. E nada satisfeitos com a nossa demora.
– Posso saber o motivo da demora dos dois?
– Não enche Jon. Vá procurar algo melhor pra fazer.
– Eu só fiz uma pergunta Alec.
– É que o dorminhoco aqui dormiu demais como sempre.
– Mais que diabos vocês fizeram de noite para ele ter acordado a essa hora?
– Não fizemos nada Spencer. Eu demorei a dormir se não fosse o Alec, sabe-se lá que horas eu iria acordar.
– Ainda bem que ele te acordou.
O motorista da van nos levou ate o local do show, colocamos nossos equipamentos no palco, guitarras, baixo, bateria, microfone, amplificadores, tudo mesmo. O técnico de som ajustava o volume do microfone de cada um de nós, conforme íamos falando ate uma altura nos agradar, depois disso foi à vez das guitarras e baixo e por fim, a bateria do Spencer.
Para a nossa sorte as guitarras estavam afinadas, não demoramos muito a tocar o inicio das musicas para ver se os instrumentos estavam bons. Depois de uma hora voltamos para o hotel para descansarmos.
Foi só o tempo para descansarmos um pouco e tínhamos que voltar para o local do show e nos arrumarmos no camarim. Entramos no palco dez minutos depois, Spencer foi para a bateria, Jon pegou o seu contrabaixo, eu fui para o microfone e Alec pegou a sua guitarra e começou a fazer um solo de introdução para o show.
Começamos cantando “The Only Difference Between Martyrdom And Suicide Is Press Coverage”, logo no começo assim que Alec me ajudou com os vocais, tirei o microfone do pedestal. Eu me movimentava de um lado para o outro, para ao lado do Jon por alguns minutos, voltava para o centro do palco e ia ate o Alec parando ao seu lado também enquanto cantava. Em uma parte da musica estendi meu microfone a Alec para que ele cantasse um pequeno “Oh Oh”.
A próxima musica foi “Time To Dance”, eu andei para o outro lado do palco e olhei para ele de relance. Fui ate ele e começamos a cantar juntos no meu microfone. Alec cantava os “oh oh” de musica. Quando chegou a parte de “Boys Wil be boys” fiquei mais próximo dele. Depois de Time To Dance foi a vez de “London Beckoned Songs About Money Written By Machines”, comecei a tocar o piano que havia no palco. Levantei quando Alec e Jon começaram a cantar juntos suas partes, em uma parte da musica passei a mão pelo meu abdômen, levantando um pouco a minha roupa, no fim da musica voltei ao piano, finalizei com um solo e cantei sozinho o final.
Peguei uma guitarra e comecei cantando “Camisado” apenas com um solo de piano, em seguida os demais instrumentos passaram a fazer parte da musica. Não me movimentei muito no palco por conta da guitarra e também porque havia algumas dançarinas no palco, encenando alguma coisa. Alec também me acompanhou nessa música. A música finalizou com um solo de piano. “Nails for Breakfast, Tacks for Snacks” começou com Spence r fazendo um solo de bateria, depois Alec fez um solo de guitarra antes de eu começar a cantar. Mais uma vez Alec me acompanhava nos vocais fazendo os “Oh oh”, demos um passa para trás a fim de tentarmos nos falar um pouco mais não deu tempo o solo da musica foi feito rapidamente. Virei meu rosto no fim da musica para olhá-lo e voltei a me concentrar com o final da musica. Terminei a musica agradecendo aos fãs com um “thank you”.
Fizemos um pequeno intervalo depois de outras duas musicas, saímos para o camarim para nos refrescarmos um pouco. Os atores que encenavam no palco conforme cantávamos algumas músicas, ficaram divertindo os fãs nesse meio tempo. No fim da apresentação deles, eles começaram a gritar por “Panic!” e os fãs o acompanharam, entramos no palco e as luzes estavam quase que apagadas.
Voltamos e tocamos “But It's Better If You Do”, comecei a fazer a introdução da musica no piano, Alec sentou-se ao meu lado fazendo um solo de guitarra bem doce. Mesmo que ela tenha ficado por poucos segundos ao meu lado, eu estava feliz por dentro. O Alshua fora de palco estava em crises, enquanto que no palco encenávamos os momentos para não perdermos o habito e não esquecer que aquilo não existia só nos palcos, mas que também existia na vida real. A música prosseguiu ate uma das atrizes, fazer poses sensuais no piano, em seguida me puxou fazendo-me sentar na cadeira e continuando a fazer o seu numero. Percebi que Alec olhava com certo ciúme nessa parte, voltei rapidamente ao piano e prossegui com a música. Ela se aproximou de Alec, mas ele a esnobou com um empurrão teatral. Embora essa parte fosse apenas encenação, ficou obvio o seu olhar de ciúme.
Tocamos a nossa musica de maior sucesso “I Write Sins Not Tragedies” e os fãs pareceram se animar, nessa música não aconteceu nada de diferente a não ser eu ficar andando de um lado para o outro, ate que me aproximei de Alec e cantamos o “again” juntos. Foi à vez de “Lying Is The Most Fun a Girl Can Have Without Taking Her Clothes Off”, eu estava ao piano e antes de começar a tocá-lo Alec fez uma introdução com os vocais e guitarra. Fiquei a música inteira ao piano, não tive oportunidade chegar perto dele e toca-lo.
Tocamos “Build God Then We'll Talk”, essa seria a nossa ultima música. Joguei algumas garrafas de água para os fãs enquanto que a introdução era feita por um violoncelo e com Alec e Jon tocando seus respectivos instrumentos. Os atores encenaram nessa musica, Alec fez os seus vocais na musica, eu olhava com medo para as atrizes que se insinuavam para mim, revirei meus olhos para olhar para Alec, a musica acabou e os atores se jogaram no chão enquanto eu dava cotovelada nas teclas. No fim, fizemos uma referência para o publico e nos despedimos.
Entramos no camarim só nosso, destinado a banda e comemoramos por mais um show ter se concretizado. Alec e eu ficamos sentados no sofá bebendo nossas bebidas, olhando um para o outro querendo dizer alguma coisa para o outro, mas não dissemos nada. O silencio foi a nossa melhor conversa, exceto pela troca de risos e olhares. Eu sabia que isso era o recomeço. Jon e Spencer tagarelavam em outro canto e a gente ria. Depois de um banho voltamos para o hotel e exaustos, e eu estava bastante feliz. Talvez por causa do pequeno progresso que tive com Alec nesse show.
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