The Real World

2 Capítulo 2 - Onde estou afinal?


Notas iniciais
Estou com alguns problemas para escrever. Na real, é meio que uma falta de atenção, escrevo enquanto assisto algumas coisas, então não sai 100%. Prometo que vou mudar x.x kkk' espero que gostem.

–Nossa, que estranho... O que diabos foi aquilo? Parecia tão real... – fiquei matutando enquanto levantava – Bem, depois penso sobre isso, preciso me arrumar.

A caminho do banheiro senti falta de algo, aquela pressão na cabeça, havia sumido. Ótimo.

Chegando ao banheiro, fui logo me olhando no espelho. Aquela mancha ainda não havia sumido, e aparentemente, sua intensidade estava aumentando, não fazia ideia do que estava acontecendo, só sabia que eu tinha saído do colegial há pouco tempo e essa tal “vida” já estava estranha demais. Continuei minha manhã como sempre.

–Bom dia pai! – tentei parecer feliz, eu queria que ele soubesse que estava gostando dessa chance que ele me deu.

–Bom dia Vini – deus... Nunca o vi assim antes. Estava triste, fraco... Sem esperança.

–Por Deus pai, que cara é essa!? Nunca o vi assim!

–Oh Vini, coisa do trabalho, não se preocupe – enquanto falava, devagar, ele andava lentamente, como se nem estivesse acordado, como se não estivesse nesse mundo.

–Pai! Estou preocupado com o senhor, o que tem te aborrecido esses dias? Pode confiar em seu filho! – coloquei a mão em seu ombro – Pai...

–Vini, você não irá trabalhar hoje, não se preocupe, te pagarei, mas você não vai ao meu laboratório hoje. – tirou minha mão de seu ombro.

Meu pai parecia muito deprimido, eu não tinha ideia do que havia acontecido, queria ajudá-lo, mas não queria piorar, então não fiz perguntas. Sentei no sofá e fiquei pensando. Sonhos de guerra, magos e magias, por que eu me sentia tão estranho, por que o mundo estava tão desequilibrado. Achei que poderia ser uma crise de passagem, sair de um adolescente protegido pelos pais, pra um jovem adulto tentando se acertar na vida. Em minha mente, eu estava dividido em dois, metade na vida que já levava, e a outra metade, eu não entendia.

Eu tinha muito tempo livre, não iria trabalhar, nem estudar, nem a lugar nenhum, não tinha cabeça para sair, pelo ao contrário, sentia uma enorme vontade de ficar parado, em casa.

Aquela pessoa... Aquela voz no sonho era muito familiar, eu já tinha escutado ela antes, só não lembrava onde. Depois de um tempo percebi, ficar parado em casa não foi uma ideia tão boa. Todas as coisas loucas que estavam acontecendo rodavam, sem parar, na minha cabeça. Eu tinha medo de ficar louco, precisava dormir, precisava entender aquele sonho, porém eu havia acabado de acordar, o sono não voltaria tão cedo.

Esfriei a cabeça. Pensei em coisas que me colocaria no chão novamente, pensei na vida em que sonhei quando criança. Então fui ao terraço do prédio. Enquanto eu subia as escadas, senti uma pontada, um calafrio forte e concentrado em meu peito, e depois se espalhara.

Uma brisa maravilhosa alisava meu rosto. Lá em cima, no trigésimo andar, eu me senti confortável, porém não como eu esperava, achei que iria por os pés no chão, mas me senti voando, com milhares de ideias em minha cabeça. Tantos planos, tantos sonhos, tanta coisa. Senti como se estivesse prestes a cair em um abismo de emoções, e cedendo a ele, cai.

Abri meus olhos lentamente, para não fugir daqueles sentimentos de uma vez só. Tive uma surpresa.

–Aaaaaaaaaaaaaahhh! – gritei tão alto quanto meu desespero permitiu.

–Aaaaaaaah meu Deus!

Não era imaginação, eu estava caindo em um abismo. Não estava mais no terraço. As janelas do prédio passavam rapidamente aos meus olhos, e eu iria chegar ao chão. Enquanto meu coração saltava do peito e meu corpo se debatia em um espaço sem gravidade, eu ia desmaiando. Como eu poderia ter uma morte tão sem sentido, não devia ser assim, era tão jovem ainda. Então assim é a vida, as coisas acontecem sem o menor sentido, sem avisar. Apesar de não querer, tinha que aceitar. Fechei os olhos e lamentei minha idiotice.

–Mas que... O que!? – abri os olhos e fiquei paralisado olhando para baixo – O... Que... ?

–Eu podia jurar que... Deus, eu não cai! – dei três passos para trás rapidamente.

Não sei o que acontecera, mas eu estava lá em cima, parado. Eu não tinha caído, não havia sequer gritado, minha boca nem se mexera direito.

Desci as escadas correndo, com medo de cair novamente no abismo. Meu coração disparado, eu conseguia ouvi-lo como se fosse um tambor. A adrenalina fazia meu corpo tremer, medo e felicidade se misturavam em minha mente. Impossível de ser crise ou transtorno de transformação de época. Não era nada normal, nem aquele sonho, nem aquela mancha, e muito menos meu pai.

Em fração de minutos tudo me amedrontava. Como eu poderia acreditar em meu pai, ele não me parecia ser ele, como saber se estou acordado, como entender que aquilo era real. Não era simples.

Desde meu primeiro ano no Ensino Médio do colégio, quando eu me sentia abandonado ou pressionado, Jasmine se tornara um dos meus dois faróis, me tirava dessa loucura e me dava sentido de novo, e assim eu queria que fosse para sempre. Peguei meu celular e, ainda tremendo pela adrenalina, liguei para ela.

–Alô!? – deixei transparecer meu nervosismo. –Alô?! Jasmine?!

–”... está é a caixa postal de... Jasmine...” – escutar sua voz, mesmo sendo gravada, fez com que eu me sentisse mais seguro, me lembrando de que tem alguém em que posso confiar. Mas nunca seria o suficiente. Sem Jasmine, sem entender o mundo. Eu não tinha chão naquele momento.

Como se uma pedra tivesse sido amarrada ao meu corpo, eu cai, e fiquei ali sentado. Viajei em um universo imaginário. Querendo acordar de um pesadelo. Mas acordar de um pesadelo que é real, não é possível.

Após alguns minutos em outro mundo, fui tirado à força por um barulho na porta. Alguém entrando no apartamento. Barulhos de chaves.

–Oh! Viní! – me senti dentro de um berço novamente e sendo protegido – Viní, por que está ai no chão? Aconteceu algo, meu filho?

–Mã... Mãe...? – fui virando o rosto aos poucos. Tinha medo de estar em outro pesadelo – Mãe? É a senhora?

–Viní o que aconteceu?! – ela, como sempre, muito preocupada e exagerada – Meu Deus! Alguém te feriu?! Ladrões?! Viní me diga algo!

–Oh mãe – meus olhos se encheram de lágrimas – Mãe, por favor, não me deixa agora! – e com um pulo, sai do chão até os braços dela.

–Tudo bem Viní – como eu precisava daquele abraço. Mag Bellemo Cullier e Jasmine Tschakert eram as únicas mulheres em minha vida, meus dois faróis.

–Mãe, o que está acontecendo comigo? Estou ficando louco? – falei, enquanto pressionava minha boca em seu ombro.

–Como assim Viní? Não consigo entender. – era o esperado. Eu falaria o mesmo se meu melhor amigo viesse assustado e chorando, chamando a ele mesmo de louco.

–Coisas estranhas estão acontecendo comigo mãe... E estou com muito medo.

–Estou aqui filho, nada irá te machucar – eu amava a nossa relação. – Me conte o que está te deixando assim? – afastou seu rosto do meu, porém não me largou.

–Estou tendo miragens, sonhos estranhos, Jasmine, a segunda mulher por quem eu daria a vida, vai estudar em outro país e não pode me dizer onde, tem uma mancha estranha em meu pescoço, meu pai está triste e estranho. Tenho medo mãe. Só pode ser um pesadelo. Minha cabeça vai explodir.

–Miragens? Sonhos? Mancha... – estava tão aprofundado na sensação de proteção que minha mãe me passava, que não parei para pensar no motivo de ela só ter mencionado exatamente esses três fatos – Viní deixe-me ver essa tal mancha! – disse assustada.

–Oh Deus! – ela me soltou e tampou a boca com as mãos. – Não! Não pode estar acontecendo!

–O que? – minha mãe sabia de algo... Parecia que todos nesse mundo sabiam o que acontecera, menos eu. – Mãe? – Ela largou as chaves e correu para o telefone.

Novamente sozinho. Fiquei em pé, olhando pra frente. Em minha cabeça não passava mais nada concreto, apenas imagens e falas abstratas, mescladas, misturadas e eu não conseguia pensar em nada, a não ser, em tudo.

–Túllio! Acho que está acontecendo! – escutei minha mãe no telefone com o meu pai. – Mas isso é impossível! Deveria ter acabado em sua geração! Por que o Vinícius, Túllio!? Por que!?

Era o que eu me perguntava. Em dois dias, perdi o sentido da vida, foi muito rápido. Meus pais, o mundo, a Jasmine... Naquele momento, nada mais era real para mim. Desmaiei.

~~//~~

–... Iremos? – foi o que eu conseguir entender, enquanto acordava.

– Vamos para casa de meu irmão Becarkd, ele saberá o que fazer.

Pelo leve balanço que eu sentia, e pelo couro embaixo de mim, eu estava no carro. Então estávamos fugindo de algo.

–Como iremos explicar isso pra ele? – escutei minha mãe falando baixinho com meu pai.

–Ainda não tenho certeza, mas acho que o melhor será mostra-lo.

Mostrar-me... Do que eles estavam falando? Será que eu não era normal? Será que o mundo não era real?

–Mãe... O que está acontecendo? – perguntei

–Oh Viní... Iremos te explicar em breve. Por favor, continue descansando.

–Não dá! Não mais! O que está acontecendo com o universo?! Por que nada mais faz sentido?! – acabei me exaltando.

–Filho, Te expli-... Te mostraremos em breve.

Levantei-me e tentei aceitar tudo.

–No que devo acreditar por enquanto? – perguntei para minha mãe.

–Apenas acredite que um sonho apesar de ser um sonho, ainda é real.

–O que? – não havia entendido bulhufas.

–Descanse filho, por favor. – disse meu pai.

Não tive opção. Foi tentando descansar que deixei minha imaginação trabalhar.

Ok. Sonhos, apesar de serem sonhos, são reais. Em minha opinião, ela quis dizer que estávamos vivendo em um sonho.

–Pai! Pare o carro – gritei – Pare o carro! Preciso descer!

Olharam-me assustados por um momento, mas depois me entenderam. Meu pai aos poucos foi parando e encostando. Desci do carro.

–O que foi Viní? – perguntou minha mãe.

–Preciso de um ar. Por favor, me deixem sozinho um pouco.

–Não dá Viní, não agora, temos que chegar o mais rápido possível na casa de meu irmão, seu tio Beckard. – meu pai apressou-se a me dizer.

–Não irei a lugar algum agora! Deixem-me sozinho, por favor! Preciso de um minuto.

–Já disse que não podemos! Entre no carro agora! – meu pai não gritara comigo assim há tempos.

–Acalmem-se garotos! – minha mãe sendo gentil como sempre.

–Que droga! – não tive ideia melhor. Corri.

–Viní! Volte aqui – não dei ouvidos.

Corri em direção a um galpão abandonado, me parecia ser de uma velha indústria. Sentir um cheiro estranho lá dentro, parecia que ocorreu um acidente químico ali.

Atravessei o galpão inteiro e sai na entrada de um parque de diversão, também abandonado. Brinquedos que mais pareciam bolos de poeira. Não havia vegetação nenhuma, nem grama, nem árvores, nada com vida. Talvez um acidente houvesse ocorrido na indústria e afetado o parque. Não tinha certeza, apenas corri em linha reta.

Olhando para trás a cada segundo. Não havia ninguém me seguindo, talvez meus pais houvessem entendido e me dado espaço. Olhei para frente e por meio segundo me vi dentro de um túnel infinito e roxo, e então cai.

Levantei-me, tirando as folhas e limpando meu manto marrom dos galhos que estavam presos nele. Fui lentamente percebendo... Eu não estava com um manto marrom, não tinha folhas naquele parque. Levantei meus olhos devagar. Um castelo enorme, jardins lindos espalhados por todo canto, uma ponte quebrada em cima de mim. Onde diabos eu estava!?

Notas finais
Se tiver algum erro, ou algo que esteja incomodando vocês, por favor, me digam =) .-.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.