Notas iniciais
Me desculpem caso encontrem algum erro. Espero que gostem..

— noite um —

O relógio no criado mudo marcava exatamente 3h33 da madrugada. Os exagerados números vermelhos eram uma das poucas coisas – se não a única – que iluminava o pequeno quarto escuro.

Eu insistia em manter os olhos fixos no relógio. Eu não podia adormecer. Não enquanto ele estivesse ali.

A cada piscar de olhos um calafrio percorria severamente meu corpo e a ideia de que eu poderia dá de cara com ele, assim que minhas pálpebras se abrissem novamente, me deixava nauseada.

Eu podia sentir seu olhar fixo em mim; E vez ou outra sua respiração se juntava a minha, numa espécie de chiado estranho.

“Emilly, isso não passa de síndrome de perseguição pós-filme de terror”, fora o que Chad me dissera quando resolvi lhe falar que havia algo em meu quarto há algumas noites. Ele soltara aquela sua risada debochada e nem de longe me levou a sério.

Não passa de sua imaginação fértil, falei para mim mesma tentando acreditar naquelas palavras. Tentei me virar, para encará-lo, mas o medo que tomava conta de mim não deixou que eu movesse um músculo sequer.

Meus olhos ainda fixos no relógio imploravam em silêncio para que os minutos passassem mais rápido. Minhas pálpebras pendiam para baixo, como se já não tivessem mais forças para ficarem abertas.

Não dorme, não dorme, não dorm...

Meus pais resolveram sair para jantar fora como de costume. Digo-lhes que ficarei em casa, pois preciso estudar para as provas finais. Meu pai encosta a porta do quarto e sai. Ouço-o gritar da porta da frente algo como “não demoramos a voltar”.

Volto minha atenção novamente para a tela do computador em minha frente, tentando entender qualquer que fosse aquela matéria. Ouço alguns barulhos vindos do quarto principal.

— Devem ter deixado à janela aberta... – Falo sozinha ao me levantar e ir até o mesmo.

Ao entrar no cômodo dou de cara com meu irmão caçula, em pé, ao pé da cama. Seu rosto pálido, seus olhos vidrados em mim. Suas roupas manchadas com o que parece ser... Sangue? Suas pequenas mãos brincam com um pedaço de tecido rasgado. Tecido este que lembra muito o vestido com o qual mamãe estava vestida antes de sair.

— Mãe? – Chamo automaticamente. Nenhuma resposta...

O garoto põe à amostra uma fileira de dentes num sorriso satisfeito. Sorriso o qual toma um ar sinistro e se destaca em meio ao rosto lambuzado pelo líquido vermelho.

Ele vai se aproximando. Seus passos curtos são acompanhados pela sua risada infantil, tomada por um tom macabro ao ecoar pelo quarto; pela casa talvez...

— É a sua vez de brincar agora, Emilly... – Ele deixou que algumas gargalhadas dançassem pelo espaço vazio entre nós dois. Espaço esse que ia diminuindo cada vez mais.

Irmão caçula? Mas... Eu era filha única!

Em poucos segundos, como se apenas estivesse esperando que eu concluísse o raciocínio óbvio, o garoto se transforma num vulto, vindo para cima de mim...

— NÃO! – O som do despertador se misturou a minha voz preenchendo o quarto.

Meu coração acelerado me deixou sem fôlego e suando frio. Demorou alguns segundos para eu saber onde realmente estava, e que aquilo não passara de mais um pesadelo.

O relógio sobre o criado mudo continuava a despertar. Virei-me para conferir as horas e novamente eu tinha perdido a primeira aula.

Notas finais
Comentários são sempre bem-vindos :)