The Races

6 Capítulo 5 - Caio X Sarah


Notas iniciais
Então galera, este capítulo é mais curtinho e mais "light" mas isso irá durar pouco tempo. Em breve as coisas irão pegar fogo, literalmente o/

Posso sentir a calor tomando conta de meu corpo. O que antes era um frio intenso foi aos poucos se transformando em algo que poderia chamar até de aconchegante depois de todos os fatos acontecidos. Na verdade não me lembro de muita coisa, sei que levei uma espécie de coronhada na têmpora. Depois disso, não faço a menor ideia do que pode ter acontecido.

Agora posso perceber que há uma luz aqui. Uma luz que atravessa levemente as minhas pálpebras quando tento força-las a abrir. Após muito esforço, finalmente consigo abrir os olhos e enquanto a minha visão vai se regulando automaticamente, percebo que estou em um lugar diferente. É como se eu estivesse dentro de uma rocha úmida. Uma caverna, isso, estou em uma caverna. Mas como cheguei até aqui? Tento me levantar e não consigo conter um alto gemido com a forte dor que sinto em toda a minha cabeça. Todo o meu corpo estremece e sou forçada a deitar novamente.

Estou me sentindo diferente, porém mais confortável do que quando estava na minha última lembrança, caída no meio da capital e ensanguentada. Só então me lembro de John, meu irmão mais novo. Me sinto péssima por tê-lo deixado só e começo a gritar seu nome, ou pelo menos tento gritar seu nome mas provavelmente a minha voz soa como um baixo chiado. Surpreendentemente sou notada e duas pessoas vêm em minha direção. Fico feliz ao ver que uma delas é John, mas um medo toma conta de mim ao ver outra pessoa atrás dele. Tento me levantar mas uma vez porém meu irmão me impede.

– Não se mexa Sarah, nós estamos bem aqui! – Ele diz tocando a minha testa, onde só agora percebo, tem um enorme curativo. Ele deve ter percebido o meu olhar assustado para o garoto desconhecido e então resolveu apresenta-lo para mim. – Ah sim, este é o Caio. Ele está nos ajudando.

– Olá docinho!

Se alguma coisa poderia me irritar mais do que a minha impossibilidade de levantar, seria esse cara estranho me chamando de docinho. E ele conseguiu me irritar mais.

– John, quem é esse? – Tento dizer, mas mais uma vez a minha voz sai mais baixo do que eu pretendia. – Onde estamos? – Completo olhando para o Caio que se afastou um pouco de mim. Talvez o meu olhar o tenha assustado a ponto de querer tomar distância, mas eu realmente preciso saber onde estou e o que aconteceu.

– Calma Sarah, ele nos ajudou. Na verdade ele salvou nossa vida. – Não consigo entender como o John pode se tornar amigo de alguém tão irritante como esse garoto. Mesmo o conhecendo por somente dois minutos, posso afirmar que ele é irritante. Ninguém me chama de “docinho”.

– Você poderia começar a agradecer agora. Percebo que já pode falar não é docinho? – Ele diz se aproximando de mim mais uma vez e encosta a mão em meu rosto. Neste momento eu devo estar extremamente vermelha por causa da raiva, mas não consigo dizer nada.

– Sarah, nós estamos numa caverna em algum lugar entre alguma Zona. Na verdade ainda não sei, mas o Caio estava prestes a me explicar tudo direitinho certo? – John olha para Caio quando termina de falar. Não sei se quero ouvir as histórias desse estranho, mas não posso fazer nada então digo para ele começar.

– Ok, ok. Já que vocês insistem, é hora das histórias do tio Puckett!

– Puckou? Sério que esse é seu sobrenome cara? – John diz rindo e então Caio lança um olhar que desta vez até eu senti medo.

– Puckett! Agora criança, senta aí e apenas me escuta. – Ele diz forçando meu irmão a se sentar. – Faz como a sua irmã, fica caladinho aí!

– Você é realmente muito irritante cara. – John responde dando uma leve tapa em Caio.

– É uma de minhas qualidades. Bom, acho que vocês devem estar se perguntando onde estamos e... – John abre a boca para começar a falar, mas logo é interrompido pelo contador de histórias. – Nem pense em me interromper ok? Continuando, estamos em uma das raras florestas da Nova Terra. Na verdade ela fica entre duas zonas que são mais distantes da Capital. A Zona do Ar e a Zona Lúmien. – Eu não faço ideia de onde ficam estes lugares, mas sei que onde era a antiga América do Norte, existem 8 zonas. – Eu não faço ideia de como vocês chegaram aqui, mas sei de onde são e o que o John pode fazer.

Como assim o que o John pode fazer? Não consigo me lembrar de quase nada que aconteceu na capital. Caio faz uma pequena pausa enquanto joga algo na fogueira fazendo com que o fogo cresça rapidamente. Logo sou obrigada a prestar atenção novamente em sua história.

– Bom, continuando, vocês me pegaram de surpresa, mas pelo que o John me contou, vocês tem um enorme poder em suas mãos e acreditem em mim, este deve ser o lugar mais seguro que vocês estão neste momento. – Ele diz se sentando ao nosso lado e estendendo os braços na direção da fogueira, tentando se aquecer um pouco mais. Neste momento a noite está se aproximando e devo me preparar para uma noite gelada aqui na floresta. Só então lembro, não devíamos estar aqui, ninguém deveria estar aqui. Reúno minhas forças e finalmente consigo falar num tom mais alto.

– Por que estamos aqui? Até onde eu sei, essas florestas raras são proibidas. Além disso, existem animais mutantes espalhados e que podem nos matar a qualquer momento. – Digo com uma certa angústia em minha voz e logo sou apoiada por meu irmão.

– Cara, Sarah tá certa. Como esse lugar pode ser seguro?

– Apenas acreditem em mim. Estou aqui há tempo suficiente para garantir que estamos seguros. Agora se vocês quiserem ir para a sua Zona e morrerem nas mãos da Capital, não vou prendê-los aqui. – Ele diz e se levanta indo na direção oposta a nossa, para o fundo da caverna. – Mas te garanto, vocês se saíram melhor se ficarem aqui comigo e treinarem este grande poder que têm em suas mãos.

Tento me perguntar de que poder ele está falando e percebo que John está agora de cabeça baixa olhando para seus braços. Algo muito extraordinário deve ter ocorrido quando fomos pegos na Capital e de alguma maneira viemos parar aqui. Eu realmente preciso entender tudo isso e sair daqui o mais rápido possível, mas no momento a única coisa que consigo pensar é em como estou cansada e no tamanho da dor que sinto em minha cabeça. Alguns minutos em silêncio são suficientes para me fazer dormir mais uma vez e então a escuridão toma conta de mim.

Notas finais
Espero que tenham gostado do capítulo. Acredito que no domingo postarei o próximo o/ Obrigado